segunda-feira, 2 de abril de 2012

Wikipédia abrirá seu primeiro escritório no Brasil


"Por que a comunidade de editores da Wikipédia em português não cresce no Brasil e quais as áreas prioritárias que devemos focar para gerar um crescimento?"

Essa foi a principal pergunta a que a paulistana Oona Castro, 31, teve de responder no processo seletivo para se tornar a representante da Wikimedia Foundation (fundação responsável pela Wikipédia e outros projetos) no Brasil.


A ideia não era obter uma resposta definitiva, ainda que a pergunta seja baseada em dados reais e represente "o maior desafio que a diretora no Brasil enfrentará", segundo a própria fundação.

O objetivo era testar a capacidade dos candidatos de interagir com a comunidade de usuários (agrupada no movimento voluntário Wikimedia Brasil) para chegar a uma resposta - a colaboração é central na filosofia wiki.

"No fundo, é uma resposta que ninguém tem. Eu procurei mostrar que provavelmente existem motivos externos para isso, culturais, de hábitos das pessoas na internet", explica Oona.

"O teste foi uma chance de ver se você aguenta o tranco, uma semana de intensivão de relacionamento com a comunidade, foi muito legal".

Com uma larga experiência de trabalho com movimentos colaborativos e de cultura livre --seu último emprego foi como diretora-executiva do instituto (e site) Overmundo, onde esteve por mais de quatro anos-, Oona diz que seu papel será o de uma "catalizadora".

"Centralização é um tiro no pé. Eu cheguei para trabalhar com a comunidade, não vim para substituí-la. Meu papel é pensar, com a fundação e com os usuários, o que cabe ou não para o Brasil".

SÃO PAULO OU RIO?

Contratada no mês passado como consultora, ela deverá ser nomeada diretora após estruturar formalmente o primeiro escritório do grupo no Brasil (e o segundo fora dos EUA, depois do da Índia).

Ele deve ser aberto em até seis meses, provavelmente em São Paulo, ainda que Oona também cogite o Rio, onde reside, tendo em mente o "boom" que a cidade vive por conta da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Paralelamente, começa a formar uma equipe que terá mais três ou quatro pessoas, uma delas já selecionada - Everton Zanella Alvarenga, o Tom, membro da Wikimedia Brasil e consultor no projeto Wikipédia na Universidade.

Segundo Oona - cujo nome homenageia a mulher de Charles Chaplin, Oona O'Neill--, a presença da fundação no Brasil deve ser temporária: projeta-se, por ora, um período de dois anos.

Nesse tempo, terá de cumprir dois objetivos principais: fortalecer a comunidade de editores e aumentar o número de leitores e usuários da Wikipédia e de outros projetos da fundação, como o dicionário colaborativo Wiktionary e a Wikimedia Commons, repositório de imagens, vídeos e sons de uso gratuito. Ela também destaca a vontade de ter maior participação feminina.

"Vamos sistematizar, encaminhar e construir processos que façam a Wikimedia crescer, aumentando a cultura de colaboração", diz ela.

FOLHA

Avon rejeita proposta de compra de US$ 10 bilhões da francesa Coty


A Avon rejeitou nesta segunda-feira proposta de aquisição apresentada mais cedo pelo grupo de cosméticos Coty, avaliada em cerca de US$ 10 bilhões.

A Coty, cujos produtos incluem fragrâncias de celebridades como Lady Gaga e Beyoncé, informou não ter intenção de fazer uma oferta hostil pela empresa de venda direta de cosméticos, mas acrescentou não ter tido "sucesso" em negociar a oferta com a Avon.

De origem francesa e atualmente controlada majoritariamente por Joh A. Benckiser, a Coty propôs US$ 23,25 por ação da Avon, um prêmio de 20% sobre a cotação de fechamento na sexta-feira.

A Avon, por sua vez, disse que a oferta "subavalia substancialmente" a companhia. As ações da empresa norte-americana chegaram a subir quase 20% antes da abertura do mercado em Nova York.

A Coty afirmou ter anunciado a oferta após enviar à presidente-executiva da Avon, Andrea Jung, três cartas detalhando a proposta.

"Não entendemos como a falta de disposição do conselho em discutir nossa proposta pode melhor atender aos interesses dos acionistas da Avon", disse o presidente do conselho da Coty, Bart Becht, em carta a Jung nesta segunda-feira.

A Coty afirmou ainda que está disposta a elevar a oferta, caso a Avon mostre que há maior valor na companhia, ao abrir os números da empresa.

As ações da Avon, que vem eliminando empregos, recuaram quase 50% nos últimos 18 meses. A companhia é avaliada em apenas US$ 8 bilhões atualmente, bem abaixo do pico de US$ 21,8 bilhões de junho de 2004.

Segundo a Coty, a nova empresa se chamaria "Avon-Coty", sendo que o modelo de venda direta favoreceria suas marcas de cosméticos.

A Avon está buscando um substituto para Jung, no comando desde 1999.

A companhia vem enfrentando queda no número de consultoras de vendas nos Estados Unidos. No período de festas de fim de ano, as vendas caíram em mercados emergentes como Brasil e Rússia.

REUTERS/FOLHA

Gripe espanhola castigou Marinha do Brasil na Primeira Guerra


Um vírus microscópico matou mais marinheiros brasileiros do que os torpedos alemães na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Uma análise recente do impacto da epidemia de gripe espanhola em navios da Marinha do Brasil indicou que o episódio envolveu um "índice excepcionalmente alto de mortalidade". Foram 125 mortes em que a gripe foi confirmada como causa, isto é, mais de 8% dos cerca de 1.500 tripulantes morreram por causa da gripe, que atingiu 90% dos marinheiros.

O caso rendeu informações que podem auxiliar as autoridades de saúde pública a lidar no futuro com essas epidemias globais ou "pandemias". A gripe espanhola foi uma devastadora epidemia de vírus que aconteceu logo no final da Primeira Guerra.


Houve 9,2 milhões de mortos em combate entre 1914 e 1918 em todo o mundo; já a epidemia de 1918-1919 matou um número incerto, mas estimado entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas.

"Ainda hoje são desconhecidas muitas das condições agravantes das pandemias", disse à Folha o principal autor do estudo, o brasileiro Wladimir Alonso, da divisão de epidemiologia internacional e estudos de população, do Centro Internacional Fogarty, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.

"Portanto, esse tipo de informação é valioso não só como dado histórico mas como subsídio para nos prepararmos melhor para possíveis futuros eventos".

O estudo de Alonso e mais três colegas foi publicado agora na revista científica "Influenza and Other Respiratory Viruses", e está sendo divulgado neste mês em uma conferência científica na Turquia ("influenza" é outro nome para gripe).


FROTA MARINHA


A flotilha brasileira foi constituída em 1918 por dois cruzadores (Bahia e Rio Grande do Sul), quatro destroieres (Parahyba, Rio Grande do Norte, Piauhy, e Santa Catarina, também chamados contratorpedeiros), um navio-tênder de apoio (Belmonte) e um rebocador de alto mar (Laurindo Pitta), chamada DNOG (Divisão Naval em Operações em Guerra).


Um desses navios existe ainda hoje; o Laurindo Pitta é usado pela Marinha para realização de passeios turísticos pela baía da Guanabara.

O Brasil entrou na guerra pelo mesmo motivo que os Estados Unidos no mesmo ano, 1917: o afundamento de navios mercantes por submarinos alemães. A DNOG foi enviada para a África Ocidental para patrulhar os mares da região contra essa ameaça, liberando navios britânicos para patrulhar o setor mais estrategicamente importante do Atlântico Norte.

A caminho de Dacar, no Senegal, então colônia francesa, "a divisão foi atacada por um submarino no dia 25 de agosto, por volta das 20h15", escreveu outro coautor do estudo, o comandante Francisco Eduardo Alves de Almeida, em artigo anterior na "Revista de História da Biblioteca Nacional".

"Por sorte, o torpedo passou a cerca de 20 metros da popa do tênder brasileiro", continua Almeida.

Os navios brasileiros reagiram, mas não houve certeza de que causaram danos ao submarino alemão. Problemas maiores começaram a partir do dia seguinte, quando a DNOG fundeou em Dacar. Em poucos dias a gripe contaminou a quase totalidade das tripulações dos navios brasileiros; perto de 90% em alguns navios.

"O surto que assolou essa frota incluiu a mais alta taxa de mortalidade da gripe em qualquer navio de guerra relatada até hoje. Quase 10% das tripulações morreram, com taxas de mortalidade atingindo 13% a 14% em dois destróieres", escrevem os autores na revista.

Além de Alonso e Almeida, o estudo foi assinado por Cynthia Schuck Paim, da empresa de consultoria em saúde Origem Scientifica, e Dennis Shanks, do Instituto de Malária do Exército Australiano.

DESIDRATAÇÃO



De acordo com Wladimir Alonso, a pesquisa em documentos históricos pode levantar evidências importantes sobre, por exemplo, os fatores que aumentam o risco de morte em pandemias.

Os autores do estudo descobriram que a poluição do ar pode aumentar a possibilidade de morte no caso de contato com o vírus da influenza.


"Podemos dizer isso com bastante confiança", afirma Alonso.

"Aqueles marinheiros que trabalhavam nas caldeiras a vapor -foguistas e os oficiais engenheiros de máquinas- foram os mais afetados no dramático episódio em Dacar".

Também existem indícios de que a mortalidade tenha sido agravada pela desidratação que ocorreu devido à quarentena imposta à flotilha brasileira.

Outro fator que não pode ser descartado como um agravante adicional, segundo Alonso, é o fato de que o Brasil aparentemente escapou à primeira onda da pandemia.

"Isso pode ter reduzido a imunidade à segunda onda - mais severa - dessa pandemia".


Segundo ele, registros históricos originais são uma fonte de informação científica preciosa e ainda pouco explorada.


"A análise de dados da Marinha Brasileira foi consequência dessa procura por registros precisos do evento tão impactante que foi a gripe espanhola' de 1918. Essa foi uma escolha afortunada, pois a armada possui um registro documental muito bom sobre a Divisão Naval brasileira enviada para participar na Primeira Guerra Mundial", afirma o pesquisador.

FOLHA

Brasil barra a entrada de 28 estrangeiros por dia

O número de estrangeiros barrados ao tentar entrar no Brasil aumentou mais de 1.000% entre 2008 e 2011, de acordo com a Polícia Federal.

No mesmo período, o fluxo de turistas internacionais no país cresceu só 7% - de 5 milhões para 5,4 milhões -, e as autorizações de trabalho para estrangeiros, 60,3%.

Principal porta de entrada do Brasil, o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo), barrou cinco estrangeiros ao dia no ano passado. Entre 2008 e 2011, o número saltou 258% - foi de 544 para 1.950.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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