terça-feira, 1 de maio de 2012

Juiz limita pleitos de vítimas do esquema do fundo de Madoff


Um juiz norte-americano determinou que um depositário fiel só pode pleitear dividendos fraudulentos dos dois anos imediatamente anteriores à descoberta da fraude no fundo de Bernard Madoff, em dezembro de 2008, numa decisão que pode afetar os pedidos de recuperação de capital contra centenas de ex-clientes.

O caso envolve o advogado Irving Picard, nomeado na qualidade de depositário fiel para tentar recuperar o dinheiro perdido. Ele pleiteava acesso a lucros fictícios de seis anos atrás ou mais, mas em decisão datada de 30 de abril o juiz Jed Rakoff reduziu o prazo.

A decisão se aplica a "investidores inocentes" que não tenham sido acusados pelo depositário de saberem da fraude - como ele diz que era o caso de investidores sofisticados, como bancos e fundos.

Os dividendos foram considerados fictícios porque Madoff e alguns empregados seus do fundo Bernard L. Madoff Investment Securities LLC pagaram ao longo de décadas dividendos consistentemente elevados para seus clientes.

Uma limitação semelhante havia sido definida por Rakoff no ano passado num processo que opõe Picard a dois sócios do time de beisebol New York Mets. Em outubro, Picard declarou que, se a decisão fosse estendida ao caso Madoff, ele ficaria impedido de pleitear 2,6 bilhões de dólares em lucros fictícios e 8,3 bilhões de dólares em investimentos principais. O alvo desses pleitos são clientes e fundos que alimentavam "de má fé" o fundo de Madoff.

Picard, que pode recorrer da decisão, não se pronunciou.

Helen Davis Chaitman, advogada de vítimas da fraude e crítica dos métodos do depositário, disse que a decisão foi boa para investidores que não fizeram retiradas do fundo nos últimos dois anos da sua existência, pois eles terão sua exposição reduzida. "Mas os outros ainda estão expostos".

Picard tenta recuperar até 20 bilhões de dólares do caso Madoff, de 74 anos, que confessou a fraude e está cumprindo pena de 150 anos de prisão.

FOLHA

A odisseia de um duplo desertor das Coreias


O economista sul-coreano Oh Kil-nam se deixou seduzir por agentes da Coreia do Norte e desertou para Pyongyang em 1985. Anos depois, decepcionado com o país, desertou quando fazia parte de uma missão diplomática na Dinamarca e pediu asilo.

Hoje, aos 70 anos, Oh não sabe se sua mulher e filhas estão mortas ou presas em um campo de concentração norte-coreano.

Ainda no final dos anos 1980, o economista foi abordado por agentes norte-coreanos que lhe propuseram desertar.

Os agentes lhe ofereceram um posto de alto escalão como economista do governo da Coreia do Norte e disseram que sua mulher, que na época sofria de hepatite, teria direito a tratamento gratuito.

Ele tinha acabado de terminar um doutorado na Alemanha com uma tese sobre um economista marxista.

Na Coreia do Sul ele também tinha participado de grupos de esquerda que se opunham ao regime autoritário no poder na época.

Sua mulher, Shin Suk-ja, foi contra a ideia desde o princípio.

"Você sabe de que tipo de lugar se trata? Você nunca esteve lá. Como pode tomar uma decisão tão irresponsável?", questionava.

Para o economista, os vizinhos do Norte também eram coreanos, e "não podiam ser tão brutais".

PARTIDA

No fim de novembro de 1985, Oh, sua mulher e suas duas filhas viajaram a Pyongyang com escalas em Berlim Oriental e Moscou.

Quando chegaram ao aeroporto da capital norte-coreana, o economista diz que começou a se dar conta de que havia cometido um erro.

Embora a família sul-coreana tenha sido recebida com homenagens, logo depois eles foram escoltados por militares a uma casa cercada por soldados dentro de um acampamento nas montanhas.

Não havia tratamento médico para a mulher de Oh e nem trabalho como economista do governo para ele.

Ao invés disso, por vários meses, a família foi doutrinada para seguir as orientações do então líder Kim Il-sung, fundador do atual sistema de governo.

Oh e sua mulher começaram a trabalhar em uma rádio. "Minha mulher começou como locutora, mas não pôde prosseguir porque sua saúde havia se deteriorado, e, ao mesmo tempo, ela tinha se tornado muito crítica com relação ao país".

O economista passou a se inteirar cada vez mais das políticas do regime e, com o passar do tempo, tornou-se um "papagaio", de acordo com sua própria definição.

"Enquanto estive lá, me encontrei com sul-coreanos que haviam sido sequestrados, incluindo duas comissárias de bordo e dois passageiros de um voo da Korean Airlines que os norte-coreanos haviam raptado em 1969", conta.

FUGA

Pouco tempo depois, Oh recebeu a proposta de trabalhar em uma missão diplomática no exterior.

A ideia era que ele morasse na Embaixada da Coreia do Norte em Copenhague, na Dinamarca, e tentasse atrair estudantes sul-coreanos que estavam na Alemanha.

Por pressão da mulher, o economista formulou um plano para a segunda deserção.

"Eu disse a mim mesmo que teria que encontrar uma maneira de fugir tão logo chegasse à Europa e que depois haveria algum modo de resgatar a família", reconta Oh.

Ele embarcou sozinho para a Dinamarca enquanto a mulher e as duas filhas permaneceram em território norte-coreano.

Ao chegar ao aeroporto de Copenhague, Oh tentou se distanciar da vigilância da delegação norte-coreana que o acompanhava e entregou um bilhete com uma anotação ao oficial de imigração dinamarquês que o recebeu no controle de fronteira.

"Me aproximei do posto de imigração levando um papel em que havia escrito 'me ajudem'. Explicava na nota que o passaporte que tinham diante de seus olhos não era o meu passaporte verdadeiro, que meu nome verdadeiro era Oh Kil-nam e que meu passaporte autêntico havia sido confiscado na Coreia do Norte".

Após ficar detido por dois meses na Dinamarca, Oh foi entregue ao governo alemão. Desde a década de 1980 tenta resgatar sua família, sem sucesso.

ERRO

"Meu maior erro foi não ter me dirigido diretamente à chancelaria alemã", relembra o economista.

Na Coreia do Norte, a deserção de Oh teve efeitos brutais contra sua mulher e suas duas filhas. Tão logo a notícia foi recebida, as três foram levadas para o campo de concentração de Yodok, onde o governo aprisiona seus inimigos.

Na época havia relatos de que as condições no local eram análogas às dos campos nazistas ou soviéticos da era Stalin.

Em 1991, o economista recebeu seis fotografias de sua mulher e filhas e uma fita cassete com uma mensagem. "Na gravação me diziam o quanto sentiam minha falta e minha mulher dizia que agora, talvez, eu já pudesse voltar".

No ano seguinte ele regressou à Coreia do Sul para viver próximo de seus parentes. Nunca voltou a ver sua mulher e as duas filhas.

"Confio em poder reunir-me com elas outra vez, mas é só uma,esperança um raio de luz em um túnel escuro".

BBC BRASIL/FOLHA

Backstreet Boys anuncia novo disco e volta de Kevin Richardson


O Backstreet Boys anunciou que voltará aos estúdios em julho para gravar um novo disco e que o músico Kevin Richardson, que havia deixado o grupo em 2006, retornaria à banda. O anúncio foi feito durante uma apresentação em Londres.

Kevin chegou a se apresentar em alguns shows com eles ao longo dos últimos seis anos, mas sem integrar o grupo oficialmente.

O novo disco ainda não tem título definido nem previsão de lançamento.


Formado originalmente por Nick Carter, Howie Dorough, A.J.McLean e Brian Littrell,Kevin Richardson, o grupo americano estourou na Europa e nos Estados Unidos na década de 1990.

A fama mundial viria em 1997, quando os rapazes chegaram a ganhar o título de "maior boy band de todos os tempos e de maiores vendas" pelo Guiness Book.

Assista o anúncio da volta de Kevin, feito em um show no domingo, em Londres:


FOLHA

Tom Cruise vai estrelar e produzir nova versão de "Van Helsing"


Caçar lobisomens e vampiros será a nova missão nos cinemas do ator americano Tom Cruise, que acaba de ser confirmado para estrelar e produzir a nova versão de "Van Helsing", filme baseado nas aventuras criadas por Bram Stoker (1847-1912).

A informação é do estúdio de cinema Universal Pictures, que anunciou um contrato de dois anos com os produtores e roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, responsáveis por "Transformers" (2007), as versões mais recentes de "Star Trek" (2009) e convidados para escrever a sequência de "O Espetacular Homem-Aranha".


A princípio, o remake seria comandado pelo diretor mexicano Guillermo Del Toro, de "O Labirinto do Fauno". Toro, porém, optou por dedicar-se a adaptação para os cinemas do livro "Nas Montanhas da Loucura", de HP Lovecraft, filme que deve ser produzido pelo cineasta canadense James Cameron ("Titanic").

No cinema, o destemido professor foi interpretado por Laurence Olivier (em "Dracula", de 1979), Anthony Hopkins (em "Drácula de Bram Stoker", de 1992), Peter Fonda (em "Nadja", de 1994), Meu Brooks (na paródia "Drácula - Morto, mas Feliz", de 1995), Christopher Plummer (em "Drácula 2000", de 2000) e, mais recentemente, Hugh Jackman (em "Van Helsing", de 2004).


FOLHA

Belo Horizonte tem o menor desemprego e Salvador, o maior


A região metropolitana de Belo Horizonte teve a menor taxa de desemprego em março (5,1%), apesar da alta de 0,4 ponto percentual ante fevereiro.

A Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pelo Dieese e pela Fundação João Pinheiro (ligada ao governo de Minas) também registrou elevação de 0,3 ponto, mas na comparação com março de 2011 o saldo é bastante favorável.

Na comparação entre seis capitais metropolitanas pesquisadas, Salvador é a detentora dos piores indicadores de emprego do país, segundo o IBGE.

A capital baiana apresenta taxa de desocupação de 8,1%, acima da média brasileira, de 6,2%.

A desocupação masculina em março ficou em 5,9% da população economicamente ativa na região metropolitana de Salvador, pouco acima do índice de São Paulo (5,4%). Entre as mulheres baianas, porém, a taxa foi de 10,6%.

FOLHA

Vendas da Avon no Brasil caem 4% diante de maior concorrência


As vendas da Avon no Brasil encolheram 4% no primeiro trimestre deste ano, em relação a igual período do ano passado em movimento contrário ao apresentado pelo México, onde houve crescimento de 2%, e pela Venezuela, com forte expansão de 26%.

A receita total na América Latina cresceu 1%, para US$ 1,138 bilhão de janeiro a março deste ano. O lucro operacional na região caiu 64%, para US$ 50 milhões. 

A fabricante americana de cosméticos informa em seu site que "as vendas no Brasil foram impactadas negativamente por competição crescente".

No segmento de produtos de beleza, as vendas no Brasil empataram com o apurado no primeiro trimestre de 2011. Na categoria de produtos para casa e de moda a Avon registrou "pedidos abaixo da média, devido a preços não competitivos".

A margem operacional na operação latino-americana "também foi impactada negativamente por inflação maior dos salários no Brasil, na Argentina e na Venezuela".  A empresa também informou que continua investindo nas atividades diretamente associadas às suas vendedoras e líderes, no Brasil.

A América Latina, com destaque para o Brasil, é o onde a Avon mais faturou no primeiro trimestre e única região onde registrou crescimento de receita. Nos demais mercados (América do Norte, Europa, África, Ásia-Pacífico) a empresa teve queda nas vendas.

A receita global da companhia caiu 2%, para US$ 2,6 bilhões, e o lucro líquido despencou 82%, para US$ 26,5 milhões. A América Latina representou quase 44%¨das vendas da Avon no primeiro trimestre.

VALOR/FOLHA

Dona do BlackBerry aposta em aplicativos para reconquistar mercado



Numa aposta para reconquistar mercado perdido, a RIM, fabricante da BlackBerry, entregou a desenvolvedores um modelo incompleto do seu novo smartphone.

A ideia é que eles já comecem a trabalhar na criação de aplicativos para o aparelho, um detalhe que será essencial para garantir competitividade quando o modelo chegar ao mercado mais adiante neste ano.

A escassez de aplicativos é apontada como um dos principais motivos que levaram a fabricante a perder participação de mercado para aparelhos da Apple e equipamentos com o sistema operacional Android, do Google.

A RIM tinha uma fatia de 8,8% do mercado mundial de smartphones no quarto trimestre, de acordo com a agência de pesquisa Gartner, uma queda ante 14,6% no mesmo período no ano anterior. Diante da desaceleração nas vendas, a empresa teve prejuízo de US$ 125 milhões no período.

O protótipo do BlackBerry 10 distribuído a desenvolvedores no encerramento de sua conferência não tem teclado físico - uma das características mais marcantes dos telefones da RIM - e lembra uma versão menor do tablet da empresa, o PlayBook.

De tão preliminar, a versão oferecida no evento não faz ligações. A RIM explicou que está fazendo isso para evitar problemas e garantir que quando o aparelho chegue ao mercado já tenha uma rede de aplicativos madura.

FOLHA

Três a cada 10 brasileiros vivem de esmola ou benefício federal



O mais novo retrato dos empregados brasileiros, divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - às vésperas do Dia do Trabalho -, mostra uma realidade assustadora: 32,7% das pessoas sobrevivem de benefícios federais ou simplesmente de esmolas. No Nordeste, a situação piora. São 37,5% dos habitantes dependendo de caridade ou de programas como o Bolsa Família.
Em Alagoas, o terceiro Estado mais pobre do Brasil, atrás de Maranhão e Piauí, são muitos os que tentam a sorte no lixo, catando latas ou garrafas de plástico. Segundo o IBGE, a cada dois alagoanos, um sobrevive dos programas do governo ou à espera de ajuda dos outros.
Com 63 anos, Eliseu dos Santos caminha até 15 quilômetros por dia atrás de sacos de lixo pelas ruas de Maceió. A rotina é a mesma há 30 anos. Juntando latinhas de alumínio, ele tenta ganhar R$ 5 por dia. Diz que não aguenta mais a vida de pedinte. "Isso é uma vida desgraçada, ninguém merece isso. Quando junto muito é R$ 2. Faço isso porque não quero roubar nem matar ninguém. Posso dizer que isso é o suor do meu rosto", afirma.
Perto dali, no bairro de Ponta Verde, o metro quadrado mais caro de Alagoas, a 200 m da cobertura do senador Fernando Collor (PTB), Ana Lins dos Santos, 28 anos, descansa antes de retomar a rotina: catar latinhas de refrigerante. Ela deixou a cidade de Paripueira, a 20 km de Maceió, e foi morar com o marido nas ruas da capital. Debaixo de um coqueiro, estende um colchão e coloca roupas para secar no sol de 30°C. Mora ao lado de um posto policial e sobrevive de esmolas ou dos pratos de sopa distribuídos nas madrugadas por grupos religiosos. "A gente vive como pode. Cata latinha, compra uma cachaça, dorme e acorda", declara.
"Eles sobrevivem como animais" 
Para a cientista política Ana Cláudia Laurindo, as estatísticas não mostram o que existe de real: a destruição simbólica e psicológica do ser humano. "Décadas atrás, a pobreza tinha uma característica diferente de hoje. A história parece ter regredido, o indivíduo nas ruas vive em bandos por coação, quando esse estágio já deveria ter sido abolido desde as eras mais primitivas da humanidade. São gerações que não conhecem vizinhos, a conversa na porta. Só a desposse para além do material, além do simbólico, do cultural, do religioso", avalia.
"Seria um problema resolvido se houvesse uma pequena desconcentração de renda na elite, e falo deste caso em Alagoas. Não é uma revolução. Mas a inclusão para se eliminar esse fenômeno da nova barbárie, pessoas que apenas comem para manter o corpo de carne vivo, não tão diferente dos animais que perambulam nas ruas", analisa a cientista social.
No outro extremo deste quadro social, 0,74% dos brasileiros recebem mais de 20 salários mínimos por mês. No Nordeste, essa proporção cai para 0,38%. Em Alagoas, é ainda menor: apenas 0,3% da população pertence à classe dos ricos.
JORNAL DO BRASIL

Associação de anões das Filipinas quer próprio povoado em Manila


Uma associação de anões filipinos planeja formar um novo povoado nos arredores de Manila para fugir da discriminação e garantir melhores condições de vida para as futuras gerações com a ajuda do turismo.

"O objetivo é vivermos todos juntos. Se tivermos um povoado para nós, poderemos nos livrar da discriminação que sofremos. Sonho com isso há muito tempo", afirma à agência Efe Perry Berry, presidente da Associação de Pessoas Pequenas das Filipinas, formada por 46 famílias.

"Estamos pensando em desenhar casas em forma de cogumelo. E tudo o que tiver dentro será de acordo com nosso tamanho: as cadeiras, as mesas e os armários. Também devemos construir uma capela, um mercadinho e um restaurante... Queremos atrair turistas", explica Berry.

O filipino, de 55 anos e 109 centímetros de estatura, resolveu apostar nessa ideia ao refletir sobre o futuro dos anões, já que muitos não recebem educação e nem oportunidades de se integrar na sociedade.

"Muitos não querem sair à rua porque sentem vergonha de sua aparência. Mas, se estivermos todos juntos, as coisas ficarão mais fácil e ninguém terá vergonha", afirma.

Recentemente, um empresário local ofereceu o uso de um terreno nos arredores de Manila para construir o desejado povoado, mas divergências legais sobre a titularidade do espaço acabaram cancelando a operação e frustrando os anões.

"Queremos esse terreno porque tenho medo do que poderá ocorrer com as futuras gerações quando eu não estiver mais aqui. Temos que estar protegidos", ressalta o cidadão filipino.

O núcleo dessa nova comunidade seria constituído por 46 famílias da associação, que, por sua vez, acredita que mais pessoas devem procurar o projeto.

"Não temos estatísticas sobre o número de anões nas Filipinas, mas acho que há muitos por todo o país. Acredito que entre 200 e 300 famílias poderão viver nessa comunidade", explica Berry.

PONTO DE ENCONTRO

Berry fundou a associação em 1989 para formar um ponto de encontro para as pessoas de seu tamanho nas Filipinas, onde, segundo o mesmo, não recebem nenhum tipo de ajuda por parte do governo.

"Reunimos-nos a cada dois meses, mas pensamos em aumentar o número de reuniões para avançar com nossos sonhos. Temos que pensar em nosso plano para tornar essa comunidade em algo real", afirma o ativista, que completou: "Solicitamos um apoio financeiro ao Governo, mas ainda não tivemos uma resposta satisfatória, nem das empresas e das pessoas particulares".

Por trás da ideia de criar uma comunidade de anões, o projeto também espera contornar a discriminação que essas pessoas sofrem nas Filipinas, um país onde os serviços sociais para as pessoas com incapacidades quase não existem.

"É muito difícil encontrar trabalho. Temos muitas limitações, não podemos carregar peso, nos movimentar bem e até mesmo pegar algum tipo de transporte", ressalta o presidente da associação.

ABUSOS

Segundo Berry, o mundo do espetáculo geralmente é a única saída para muitos deles, mas também denuncia que os abusos nestes casos são muitos frequentes.

"Já atuei em filmes, festas privadas e, a princípio, eu até conseguia o desfrutar. Mas, me dei conta que nos tratavam muito mal em comparação com os demais atores. Às vezes, chegavam a faltar com o roteiro e nos humilhavam para fazer o povo rir. Não somos cachorros", advertiu Berry.

O possível interesse turístico do povoado representa uma viável alternativa para fugir dos tais empregos humilhantes, tanto para os moradores atuais como para as gerações futuras.

"Não é só para nós, mas, principalmente, para nossos filhos. Eles precisam de sustento e de um lugar para viver", ressalta o presidente, que, por sinal, é casado com uma mulher de estatura normal e pai de dois filhos anões, ambos sem nenhuma incapacidade.

"Não é que queremos nos isolar, mas queremos ser respeitados pela sociedade mesmo sendo pequenos", conclui.

EFE/FOLHA

Americana é processada por morder seu cachorro


Uma americana de 19 anos que mordeu seu buldogue durante uma briga com a mãe foi processada por crueldade contra os animais, anunciou a polícia.
Os vizinhos chamaram a polícia depois de ouvir gritos e barulho de briga em uma casa de Lake in the Hills, Illinois.

Segundo a polícia, Analise Garner, que estava bêbada, bateu, aranhou e mordeu a mão de sua mãe. O buldogue da família também tinha marcas de mordidas visíveis em sua pata.

"O cachorro acabou mordendo Analise nas costas em legítima defesa", explicou o sargento Mike Smith. "Não haverá acusação contra o cachorro", acrescentou.

Garner, depois de hospitalizada para tratar das mordidas do cachorro, foi indiciada por embriaguez e teve que pagar uma fiança de US$ 3.000.

FRANCE PRESS/FOLHA

Ex-chanceler abandona Parlamento de Israel após perder liderança


A ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni deixou o Parlamento nesta terça-feira, poucas semanas depois de sua remoção da liderança do principal partido de oposição de Israel, e acusou líderes israelenses de negligenciarem os esforços de paz com os palestinos.

"Existe uma necessidade imediata e urgente de alcançar um acordo permanente com o mundo árabe e com os palestinos", disse Livni em comentários televisionados depois de entregar sua carta de demissão como legisladora do partido Kadima.

Ela disse que irá continuar na vida pública, deixando aberta a opção de concorrer na próxima eleição, esperada para daqui a alguns meses, depois de ter perdido uma série de oportunidades de se tornar a primeira primeira-ministra de Israel desde Golda Meir nos anos 1970.

"Israel vive sobre um vulcão. O relógio do mundo está andando. A existência de um Estado judeu democrático, que é do que trata o sionismo, está sob séria ameaça", disse Livni, de 53 anos.

Livni, que como ministra das Relações Exteriores em um governo anterior liderado pelo Kadima serviu como principal negociadora de paz de Israel, aludia ao que pode ser a perda eventual de uma maioria judia a menos que os palestinos da Cisjordânia, ocupada por Israel, e da faixa de Gaza obtenham seu próprio Estado.

REUTERS/FOLHA

Forte terremoto atinge a Cidade do México; não há relato de vítimas


Um forte terremoto foi sentido na Cidade do México na manhã de terça-feira, mas não há informações imediatas de vítimas ou danos.

O Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) informou que o terremoto foi de magnitude 5,5.

O tráfego e o movimento nas ruas continuaram como o normal momentos depois do tremor, segundo a imprensa local.

"Não temos notícias de danos grandes até agora", disse o prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, em sua conta no Twitter.

"Todos os sistemas verificados - metrô, hospitais, água, energia elétrica - não foram afetados", completou ele minutos depois.

Este é o mais recente de uma série de tremores a atingir o país nos últimos meses.

REUTERS/FOLHA

Polícia russa prende 17 manifestantes por direitos gays


A polícia russa prendeu ao menos 17 manifestantes pelos direitos gays durante as celebrações do 1º de maio em São Petersburgo nesta terça-feira, disse um grupo de direitos humanos.

As detenções seguem a adoção de uma lei por parte das autoridades da cidade que impõe multas por difundir "propaganda" gay entre os menores, o que diplomatas europeus disseram carecer de clareza e permitir muito espaço para interpretação pela polícia.

Os legisladores russos estão estudando legislação semelhante em todo o país.
Svetlana Barsukova, membro do grupo de direitos dos homossexuais "Coming Out", de São Petersburgo, disse que vários grupos de ativistas dos direitos gays haviam sido detidos em diferentes partes da cidade depois de portar bandeiras do arco-íris.

Desfiles do 1º de maio na Rússia são utilizados por vários grupos ativistas como uma plataforma para defender a sua causa.

A homossexualidade, que era punível com penas de prisão na ex-União Soviética, foi descriminalizada na Rússia em 1993, mas grande parte da comunidade homossexual permanece sofrendo pressões antigay.

FOLHA

Marine Le Pen anuncia que votará em branco no 2º turno na França


A dirigente da Frente Nacional (extrema-direita), Marine Le Pen, declarou nesta terça-feira que votará em branco nas eleições presidenciais de 6 de maio entre o presidente conservador Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande.

Marine Le Pen, que ficou em terceiro no primeiro turno com cerca de 18% dos votos, afirmou que votará em branco, nem em Sarkozy nem em Hollande, mas não deu orientação de voto a seus partidários. "Cada um fará sua eleição. Eu farei a minha. Vocês são cidadãos livres e devem votar de acordo com sua consciência, livremente", afirmou.

"Não concederei minha confiança nem mandato a esses dois candidatos (...). No domingo, votarei em branco", afirmou.

Uma nova pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Ipsos mostrou o candidato socialista François Hollande como favorito com 53% das intenções de voto, mas a distância para Sarkozy diminuiu dois pontos.

O resultado, que dá ao candidato conservador 47% dos votos, um ponto a mais que na semana passada, responderia principalmente às previsões de uma mobilização "um pouco mais forte" do eleitorado do centrista François Bayrou e à abstenção de uma "pequena parte" dos eleitores do esquerdista Jean-Luc Mélenchon.

Segundo o Ipsos, Hollande conta com um apoio "majoritário" de boa parte das categorias demográficas consultadas, com a exceção do tradicional voto de direita, composto pelos maiores de 60 anos, os aposentados, os artesãos, comerciantes e empresários, que lhe apoiam em 60% dos casos.

A pesquisa revelou ainda que a rejeição a Sarkozy teria diminuído durante a campanha, já que contra 57% dos eleitores que em fevereiro desejavam "verdadeiramente" que o atual presidente fosse vencido, hoje estes somam apenas 45%.

FOLHA

Migração levou agricultura para a Europa


Um conjunto de apenas quatro esqueletos, todos com idade em torno de 5.000 anos, bastou para mostrar que a agricultura surgiu no norte da Europa graças a migrações que vieram do sul.

Três dos esqueletos eram de uma população de caçadores-coletores - uma criança de sete anos, uma mulher de cerca de 45 e um homem de 25 anos. O quarto, de uma mulher de 20 anos de idade, veio de uma cultura pré-histórica que já praticava a agricultura nessa época.

Apesar da amostra pequena, a força do estudo vem da análise detalhada do material genético (DNA) do núcleo das células, em vez daquele tradicionalmente feito com o DNA de organelas (pequenos órgãos) celulares, as mitocôndrias. Entre 2% e 5% do DNA dos indivíduos foi analisado, na tática de optar por mais genes, apesar da disponibilidade de poucos indivíduos.

MILHÕES E MILHÕES

"Nós obtivemos 249 milhões de pares de bases do DNA de restos escavados na Escandinávia e descobrimos que o DNA do agricultor é mais semelhante ao de populações do sul da Europa", escreveram os pesquisadores da equipe sueco-dinamarquesa que realizou o estudo.

A equipe liderada por Pontus Skoglund, da Universidade de Upsalla, na Suécia, publicou seus achados em artigo na revista especializada americana "Science".

Na pesquisa, eles afirmam, por outro lado, que o DNA do trio de caçadores-coletores é bem diferente. Sua assinatura genética distinta é mais semelhante à existente em europeus do norte.

"Nossos resultados sugerem que a migração vinda do sul da Europa catalisou a propagação da agricultura e que a miscigenação, na esteira dessa expansão, acabou moldando as características do genoma dos povos europeus modernos", afirmam os autores do estudo.

O genoma dos caçadores-coletores lembra mais o dos atuais finlandeses, enquanto o do agricultor tinha semelhanças com o material genético de gregos ou cipriotas.

As amostras dos dois tipos de populações eram relativamente contemporâneas, mas elas viviam separadas por uma distância de uns 400 km.

Como os autores lembram no artigo, a agricultura teve origem no Oriente Médio em torno de 11 mil anos atrás e foi introduzida na Europa cerca de 5.000 anos depois.

PASSO DE TARTARUGA

É interessante notar que a agricultura, uma tecnologia tão vital e revolucionária, levou em torno de 3.000 anos para alcançar o noroeste da Europa quando se tem em mente a intensa aceleração do desenvolvimento tecnológico humano depois da Revolução Industrial - para não dizer no século 21.

"O que é interessante e surpreendente é que agricultores e caçadores-coletores da Idade da Pedra da mesma época tinham composição genética bastante diferentes e viveram lado a lado por mais de mil anos, até finalmente se misturarem", declarou um dos autores do estudo, Mattias Jakobsson, também da Universidade de Upsalla.

"Ninguém hoje tem o mesmo perfil genético dos caçadores-coletores originais, embora eles continuem sendo representados na herança genética dos europeus de hoje", declarou Skoglund.

Os resultados indicam que a expansão da agricultura não foi um processo meramente cultural (a simples disseminação da ideia de que era possível produzir alimentos plantando sementes), mas sim vinculado diretamente à migração de populações de agricultores que vieram do sul, as quais provavelmente se multiplicaram mais do que os caçadores.

FOLHA

Vereador e chefe de gabinete da prefeitura são presos em Londrina



O vereador Eloir Valença (PHS), o chefe de gabinete da Prefeitura de Londrina, Rogério Lopes Ortega, e o diretor de participações da companhia telefônica Sercomtel, Alysson Tobias de Carvalho, foram presos na manhã desta terça-feira (1º) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), ligado ao Ministério Público do Paraná.

As prisões ocorreram a partir das 6h30. Valença foi o último a chegar à sede do Ministério Público, às 9h, conduzido por policiais. Ele não deu declarações à imprensa.

Também foram realizadas apreensões de documentos na Câmara Municipal e na casa dos três presos.

"Solicitamos a prisão temporária, que dura cinco dias, dos três, pois julgamos que eram imprescindíveis para as investigações", afirmou o delegado do Gaeco Alan Flore.

Ainda de acordo com o delegado, as prisões estão relacionadas com outras duas ocorridas na última semana (dia 24), quando o ex-secretário de governo e atual coordenador de campanha do PDT, Marco Cito, e o empresário Ludovico Bonato foram presos, em flagrante, suspeitos de oferecer R$ 80 mil ao vereador Amauri Cardoso (PSDB) para que o tucano passasse a fazer parte da base do prefeito Homero Barbosa Neto (PDT) na Câmara.

A suposta tentativa de suborno ocorreu no dia em que a Câmara votaria uma abertura de Comissão Processante para investigar o desvio de vigilantes pagos com dinheiro da prefeitura para atuar na rádio que pertence à família do prefeito, a Brasil Sul AM. A votação acabou ocorrendo na quinta-feira (26), e a comissão foi aberta por 18 votos a zero.

Ontem (30), o Tribunal de Justiça do Paraná manteve as prisões de Cito e Bonato, que continuam detidos na Penitenciária Estadual de Londrina.

O vereador Eloir Valença foi eleito pelo PT, mas em novembro de 2011 trocou de partido, filiando-se ao PHS. Antes opositor do prefeito, ele começou a dar indicações de apoio a Barbosa Neto nos últimos meses, contrariando seu partido.

A exemplo de Rogério Lopes Ortega e Alysson Tobias de Carvalho, ele foi citado pelo vereador Amauri Cardoso nos depoimentos sobre a suposta tentativa de suborno.

Carvalho também já foi chefe de gabinete e atualmente ocupa cargo comissionado no Sercomtel, empresa pública que pertence à Prefeitura de Londrina e à Copel (Companhia Paranaense de Energia). Ortega ocupa a chefia de gabinete desde janeiro.

OUTRO LADO

O advogado de Eloir Valença, André Cunha, classificou a prisão de seu cliente como "surpresa". "Ele deu todas as informações, na condição de testemunha, aos promotores, em depoimento realizado ontem. Não se justifica esta prisão temporária. Ainda hoje vamos pedir habeas corpus ao Tribunal de Justiça, em Curitiba", argumentou.

João Gomes Filho, que defende Ortega e Carvalho e também é advogado de Barbosa Neto em algumas ações, classificou as prisões temporárias de seus clientes como "excesso".

FOLHA

Festa do Dia do Trabalho tem 17 toneladas de churrasco no Paraná


Aproximadamente 15 mil pessoas devem participar nesta terça-feira (1º) de uma gigantesca churrascada em Cascavel (418 km de Curitiba), em comemoração ao Dia do Trabalho.

Dezessete toneladas de costelões estão sendo assadas desde as 6h por 50 voluntários.

A festa é promovida pelo Seminário Diocesano São José e acontece há 46 anos.

Agostinho Marmentini lidera o grupo responsável em assar a carne e diz que o trabalho é emocionante. "A gente vê as pessoas, com alegria, dedicar esse dia de trabalho ao seminário", afirma.

Os costelões são vendidos antecipadamente e todo o lucro obtido é destinado para custear as despesas do seminário.

Apesar do frio na cidade, milhares de pessoas degustam a carne no local, em mesas montadas embaixo de árvores no bosque que fica na mesma área do seminário.

Segundo a organização, a festa é a maior churrascada realizada no Brasil em um único dia.

O gaúcho Paulo Picanha fez jus ao nome e se tornou churrasqueiro profissional. Há oito anos ele vive em Brasília, onde é contratado como churrasqueiro particular por várias famílias que não entendem da arte de assar.

Pelo segundo ano consecutivo, Picanha deixou Brasília para se tornar voluntário na festa paranaense. "Tem que transformar isso aqui em uma festa nacional, trazer um auditor do 'Guiness Book' [livro dos recordes] porque não existe uma churrascada como essa no mundo", afirma.

FOLHA

Holanda obriga coffeeshops a fechar portas ao turismo da droga


O turismo da droga tem seus dias contados na Holanda, onde nesta terça-feira entra em vigor a lei que limita a venda de maconha nos coffeeshops do sul do país, uma medida que pôs estes estabelecimentos em pé de guerra.

As três províncias que fazem limite com a Alemanha e a Bélgica (Brabante, Limburgo e Zeelandia) são as pioneiras em aplicar uma lei que se estenderá para o resto do país em 2013, um simbólico primeiro passo que cria as bases da muralha com a qual a Holanda pretende proteger o consumo de maconha pelos estrangeiros.

Para isso, a lei obriga os coffeeshops a se transformarem em clubes privados com um máximo de 2.000 sócios, que deverão demonstrar que são residentes legais na Holanda.

"Temos cerca de mil visitantes por dia", declarou resignado à Efe um funcionário da loja Easygoing.

O maior temor causado pela nova lei é que empurre as droga para as ruas. 

"Não sei se afetará a economia, mas me preocupa que apareçam traficantes", afirmou um jovem garçom.

As máfias que controlam as vendas ilegais são "as únicas que ganham com a lei", opinou Marc Josemans, proprietário da Easygoing e presidente de um consórcio de coffeeshops, que critica a medida como "moralista e contraproducente".

A medida conhecida como "Lei do Ópio" legalizou em 1976 a venda de cannabis nos coffeeshops holandeses, de modo que controlava sua circulação e a separava das drogas pesadas, como a cocaína e a heroína.

"É uma m... As pessoas vão continuar fumando e se não podem entrar aqui, irão para a rua. Mas os traficantes têm também outras coisas e não controlam a qualidade", garantiu taxativa Petra, funcionária da loja Maxcy's.

O prefeito da cidade de Maastricht, Onno Hoes, está decidido a aplicar a lei e anunciou por meio de um comunicado que "a prefeitura, a polícia e os fiscais estão preparados para a introdução da lei".

DISQUE-DENÚNCIA

Contra os traficantes, a prefeitura aposta suas fichas nas denúncias da população, para o que criou um telefone contra as drogas disponível 24 horas nos sete dias da semana ou através de um e-mail.

"Dizem que vão pôr a polícia nas ruas, mas não vai funcionar. Se pegam um, haverá outros dez", previu Yolande, uma holandesa que vive na Bélgica e viaja até Maastricht com seu namorado para comprar maconha.

Além do problema do tráfico ilegal, a lei também reviveu o temor dos consumidores de maconha de serem estigmatizados.

"Muitos dos meus clientes não querem registrar-se", explicou Josemans, que põe em dúvida que a lei assegure a privacidade dos dados, já que as autoridades terão acesso a eles.

RECURSO NEGADO

Na última sexta-feira (27), os coffeeshops sofreram um novo revés, ao ser rejeitado o recurso que tinham posto nos tribunais contra a aplicação de uma norma que consideram discriminatória.

Josemans decidiu opor-se à lei da única maneira que resta em suas mãos: quebrando-a, para iniciar um novo processo judicial.

A Easygoing permitirá a entrada de não-residentes, com o que a prefeitura terá que fechá-la um mês e impor-lhe uma multa, decisão da qual Josemans recorrerá.

Além disso, o proprietário impedirá a entrada de um grupo de clientes holandeses por não querer registrar-se, para que o denunciem por discriminação.

Josemans não perde a esperança que, no futuro, os tribunais anulem a lei. 

"Mas, mesmo assim, o dano já estará feito", lamentou.

EFE/FOLHA

Nasce um bebê por hora nos EUA com sintomas de vício, diz estudo


A cada hora, nasce um bebê, nos Estados Unidos, com sintomas de dependência de opiáceos, segundo um estudo publicado na revista científica da American Medical Association.
Entre 1999 e 2009, triplicou o número de recém-nascidos com síndrome de abstinência no país, devido a um grande aumento na incidência de grávidas viciadas em substâncias legais e ilegais derivadas do ópio.

Segundo os autores do estudo, baseado em dados de mais de 4.000 hospitais, grande parte do problema é o vício em remédios para dor, entre eles oxicodona e codeína.

Só em 2009, 13.500 bebês teriam nascido no país com síndrome de abstinência neonatal.

VÍCIO

Logo após o nascimento, a bebê Savannah Dannelley teve de ficar internada na unidade neonatal de um hospital em Illinois, ligada a máquinas que monitoravam sua respiração e batimentos cardíacos.

Ela chorava muito, tinha diarreia e dificuldade de se alimentar, problemas típicos em bebês com abstinência. Alguns também têm problemas respiratórios, baixo peso e convulsões.

Sua mãe, Aileen, de 25 anos, parou de tomar analgésicos no início na gravidez, substituindo os remédios por metadona sob supervisão médica.

Agora, tanto ela como a bebê passam por um tratamento para combater o vício.

"É muito duro, todo dia, emocionalmente e fisicamente", disse Aileen Dannelley à agência Associated Press.

ALTOS CUSTOS

Não se sabe ao certo quais são os impactos de longo prazo para a saúde de bebês que nascem com sintomas de dependência, mas reagem bem durante as primeiras semanas de vida.

Algumas pesquisas científicas, mas não todas, apontam um risco mais alto de problemas de desenvolvimento.

O que fica claro, segundo o novo estudo, é que os custos médicos são muito mais altos com bebês que nascem com o problema.

"Bebês com síndrome de abstinência neonatal precisam de hospitalizações iniciais mais longas, frequentemente mais complexas e mais custosas", conclui o estudo.

Em média, um recém-nascido com sintomas de dependência passa 16 dias no hospital, comparado com apenas três para os demais bebês.

Para Stephen Patrick, um dos autores da pesquisa, "os opiáceos estão se tornando um grande problema nos Estados Unidos".

Marie Hayes, da Universidade do Maine, diz que em 85% dos casos de bebês com síndrome de dependência, as mães eram viciadas em remédios normalmente vendidos com receita médica e, em poucos casos, as mães eram dependentes de heroína ou estavam tomando remédios por necessidade, após um acidente de carro, por exemplo.

Um editorial da revista que acompanha o estudo diz que enquanto "os opiáceos oferecem um controle de dor superior", eles também tem sido "receitados de forma exagerada, desviados e vendidos ilegalmente, o que cria um novo caminho para o vício em opiáceos e um problema de saúde pública materna e infantil".

BBC BRASIL/FOLHA

luishipolito@outlook.com

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