quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Uruguai e o golpe pró-Chávez


Ainda é possível barrar o ingresso da Venezuela no Mercosul e corrigir o desatino cometido em Mendoza, na semana passada, na reunião de cúpula do bloco, alertam o chanceler do Uruguai, Luis Almagro, e o vice-presidente, Danilo Astori. "Não compartilho a decisão de autorizar a entrada da Venezuela como membro pleno, porque se trata de uma agressão institucional muito importante, talvez a mais grave dos 21 anos do Mercosul", disse Astori, segundo informou o jornal El Observador, de Montevidéu, na edição de ontem. De acordo com Almagro, a proposta de só oficializar em 31 de julho a adesão do novo sócio partiu do governo uruguaio. "Sendo assim, teremos de avaliar a possibilidade de reverter o anúncio", acrescentou.
A admissão da Venezuela foi anunciada na última sexta-feira, no fim da reunião em Mendoza. Suspenso o Paraguai, por causa do impeachment do presidente Fernando Lugo, o governo brasileiro decidiu aproveitar a oportunidade para admitir o presidente Hugo Chávez como sócio com plenos poderes na direção do bloco. Entendeu que o último obstáculo, o Senado paraguaio, estava afastado.
Os governos brasileiro e argentino haviam sido, durante anos, os defensores mais entusiasmados da inclusão do presidente bolivariano entre os dirigentes do bloco. Desde logo especialistas puseram em dúvida a legalidade da manobra, porque o Paraguai, apesar de suspenso, continua membro da união aduaneira.
A interpretação desse lance como um golpe no Mercosul foi reforçada pelos comentários de Almagro e Astori. Segundo o vice-presidente, a aprovação do ingresso da Venezuela atingiu o coração do Tratado de Assunção. Uma das regras mais importantes, lembrou, condiciona a entrada de um sócio pleno à aprovação de todos os membros plenos já existentes. Depois dessa violação, advertiu Astori, poderá acontecer qualquer coisa no âmbito do Mercosul, até as instituições se enfraquecerem a ponto de se tornarem inúteis.
Segundo Almagro, o governo uruguaio era contrário à ideia de aproveitar a suspensão do Paraguai para aprovar a entrada da Venezuela. O presidente José Mujica era favorável à admissão do quinto sócio, mas considerou imprópria a ocasião, acrescentou o ministro. De acordo com ele, a presidente Dilma Rousseff pediu licença aos chanceleres para, em particular, "falar politicamente" com os colegas Cristina Kirchner e José Mujica.
O presidente uruguaio, disse Almagro, contestou a proposta, mas acabou renunciando ao direito de veto. No momento do anúncio formal, teria apenas manifestado sua insatisfação, trocando de lugar com o embaixador uruguaio e sentando-se na segunda fileira.
Tecnicamente, portanto, Mujica aprovou a ação proposta pelas presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner (esta, como presidente pro tempore do Mercosul, havia vetado a presença, na reunião de Mendoza, do novo governante paraguaio).
Os governos do Brasil e da Argentina contestam as declarações do chanceler e do vice-presidente do Uruguai e realçam a unanimidade da decisão. Segundo o chanceler argentino, Héctor Timerman, e o assessor do governo brasileiro para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, os presidentes ouviram a opinião de seus conselheiros jurídicos sobre a legalidade do ingresso da Venezuela.
Há bons argumentos, no entanto, para contestar essa decisão e denunciá-la como violação das normas do Mercosul, como afirmam os dois representantes do governo uruguaio. Ainda é possível a reconsideração e os governos deveriam aproveitar a oportunidade. Além de tudo, o Mercosul precisa, antes da admissão de novos sócios, de uma séria correção de rumo e de um retorno aos objetivos iniciais, há muito abandonados.
Sem isso, a permanência no bloco será apenas um entrave a qualquer governo interessado em acordos relevantes e oportunidades para inclusão na economia global. O próprio governo uruguaio já celebrou um acordo limitado de comércio e um de proteção de investimentos com os Estados Unidos, em 2007, e pode ter, assim como o Paraguai, interesse em iniciativas mais ambiciosas.
O Mercosul de hoje só atende às fantasias dos governantes do Brasil e da Argentina.
ESTADÃO

Cuba avisa que milhões de norte-americanos ficarão sem atendimento de saúde nos Estados republicanos


Carlos Newton
A agência cubana Prensa Latina divulga que milhões de norte-americanos pobres ficarão sem os benefícios da reforma de saúde, porque 16 Estados governados por políticos republicanos não querem assumir essa responsabilidade administrativa e ameaçam não implementar a chamada cláusula da expansão nos seguros, proposta pelo presidente Barack Obama há dois anos.
Outros sete estados criticaram o programa da Casa Branca e indicaram que também não apoiam os estatutos do novo sistema de saúde. Caso se concretize o boicote, cerca de 11 milhões de cidadãos ficarão fora dos auxílios federais.
Como se sabe, a Suprema Corte de Justiça ratificou na semana passada grande parte da regulamentação da reforma de Obama, mas esclareceu que não se pode obrigar ou multar os governos no caso da cláusula da expansão.
A Agência Prensa Latina explica que este mandado, praticamente suspenso pela suprema corte, exigia dos estados incluir no plano de ajuda aqueles cidadãos adultos com renda menor que 133% do nível federal de pobreza, atualmente em US$ 14,4 mil anuais.
Flórida, Ohio, Pensilvânia, Colorado, Missouri, Mississipi, Nebrasca e Indiana são alguns dos estados que anunciaram sua rejeição à expansão. Também o Texas, onde a lei beneficiaria dois milhões de pessoas, disse não ao programa, alegando que seu custo chegaria a US$ 27 bilhões em dois anos.
Aprovada em 2010 sob o nome de Affordable Care Act, a reforma nacional de saúde é apresentada pelo Partido Democrata como o maior sucesso político de Obama depois que diversas administrações federais, desde a gestão de Harry Truman tinham fracassado ao tentar implementá-la.
A nova regulamentação, que só entrará em vigor em 2014, obriga milhões de norte-americanos a adquirir um seguro de saúde combinado entre privado e o governamental Medicaid, sob pena de terem que pagar uma multa ao estado.
Este polêmico parágrafo, junto aos US$ 1,7 trilhão que serão pagos pelo erário, provocou numerosas críticas e protestos, principalmente das hostes republicanas, até que o descontentamento se traduziu em uma disputa judicial.
Para piorar a situação, o custo dos seguros médicos para muitos estadunidenses subiu em 2011 de maneira mais aguda que nos anos anteriores, afetando ao mesmo tempo um eventual aumento nos salários.
Um estudo do grupo não governamental Kaiser Family Foundation revelou que a média anual de despesas dos empregadores para a cobertura familiar atingiu a cifra de US$ 15.073, com aumentou de 9% com relação a 2010.
Enquanto isso, em Cuba há garantia de assistência médica gratuita a todos. Bem, pelo menos isso…
TRIBUNA DA INTERNET

Se projeto vingar, estrangeiro poderá controlar até ‘uma Suiça’ dentro do Brasil


por Luiz Carlos Azenha

Como dizia aquela famosa atriz, a Kate Lira, “brasileiro é tão bonzinho”…

Vende de forma descontrolada o melhor minério de ferro do mundo.

Permite a montadoras que remetam um Bolsa Família e meio para as matrizes (U$ 14,6 bi) em pouco mais de três anos.

Autoriza um estrangeiro endinheirado a montar um enclave em território brasileiro do tamanho de uma Suiça.

E nada disso, infelizmente, é exagero.

No último dia 13 de junho, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou relatório substitutivo do deputado Marcos Montes (PSD-MG) que libera, quase sem limites, a compra de terras por empresas nacionais controladas pelo capital estrangeiro.

Gerson Teixeira, da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), acredita que se o governo Dilma não reagir vai se ver diante de outro Código Florestal, no qual alegadamente foi pego de surpresa pela bancada ruralista.

“Esse projeto sinaliza a abertura total das terras para capital estrangeiro, permitindo que empresas se apoderem da biodiversidade e de recursos naturais do Brasil de acordo com seus interesses”, afirmou Gerson, segundo nota publicada no site do Movimento dos Sem Terra (MST).

“O único limite objetivo previsto no anteprojeto diz respeito à proibição, já prevista na atual legislação, para que os estrangeiros adquiram ou arrendam área superior a ¼ da superfície dos municípios, sendo que, neste limite, pessoas da mesma nacionalidade não poderão deter mais de 40%”, informou a bancada do PT na Câmara, em sua análise do substitutivo aprovado.

Considerando que o maior município brasileiro, Altamira, no Pará, tem área de 160 mil km quadrados, o limite superior para aquele município seria de 40 mil km quadrados, ou seja, uma Suiça!

Na nota divulgada no site do MST, há um alerta: “Por se tratar de um projeto terminativo, basta passar nas comissões de Constituição e Justiça e de Finanças e Tributação para que seja votado no Senado Federal”.

O relatório do deputado Beto Faro (PT-PA), que foi tratorado pelo substitutivo de Marcos Montes, propunha limite máximo de 5 mil hectares.

O deputado do PSD argumentou, em defesa de seu projeto, que é preciso dar segurança jurídica a investidores, de acordo com texto publicado no site do partido:
Para Marcos Montes, esse é o momento do País captar recursos.
“Essas aquisições de terras são, normalmente, para fins de empreendimentos de longo prazo como a questão das florestas, da cana de açúcar e isso é interiorizado; as extensões de terra são adquiridas mais no interior do país, em locais onde nós precisamos de mão de obra”, defendeu. De acordo com o parlamentar, o setor de florestas parou de investir devido à inquietação jurídica que ainda é muito grande, entre outros investimentos de quase R$ 40 bilhões, que gerariam cerca de 40 mil empregos no total.“Essas ações são para que a gente tenha menos conflito jurídico depois que foi estabelecida uma normativa da Advocacia-Geral da União (AGU) que criou uma situação muito inquietante naqueles empresários que já adquiriram e querem adquirir terras. Além disso, vai proporcionar a possibilidade do produtor rural arrendar as suas terras para diversas atividades e, mais do que isso, preservando a soberania nacional”, enfatizou.
A normativa da AGU a que se refere o deputado limitou a venda de terras brasileiras a estrangeiros ou empresas brasileiras controladas por estrangeiros.

Em sua crítica ao texto aprovado, a bancada do PT observou que o projeto de Marcos Montes “veda a compra de terras por ONGs e Fundações estrangeiras e por Fundos soberanos. Todavia, as proibições têm validade apenas para discursos à medida que pela proposição, uma empresa com 0,1% de capital nacional, e o restante, estrangeiro, passa a ser considerada empresa brasileira estando, portanto, livre para a compra de imóveis rurais no país em quaisquer dimensões. Uma indagação ao ilustre autor do Relatório: qual a dificuldade para uma empresa ou ONG estrangeira usar um ‘laranja’ brasileiro com 0,1% de capital nacional e se transformar em empresa brasileira?”.

Também observa que “o §1º, do art. 3º da proposição, simplesmente habilita para a compra de terras no Brasil as companhias de capital aberto com ações negociadas em bolsa de valores em qualquer lugar do mundo. Ou seja, proíbe as ONGs, mas abre o território do Brasil para empresas que apostam na especulação mundo afora”.

A bancada do PT também critica o artigo que “veda o arrendamento por tempo indeterminado, mas sem fixar esse prazo que poderá ser de 300 anos, por exemplo”.

Não é difícil entender os motivos que levaram a bancada ruralista a aprovar a proposta de Marcos Montes.

Esta semana, o Estadão publicou reportagem de Márcia de Chiara:
Puxados pela disparada das cotações dos grãos, especialmente da soja, e pela queda nos juros, os preços médios das terras para o agronegócio no País subiram 50% em três anos, com aceleração maior nos últimos 12 meses. A tendência é as cotações continuarem em níveis elevados, apesar da desaceleração da agricultura, que afetou o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. Entre março de 2011 e abril deste ano, a valorização média da terra no País foi de 16,5%, segundo pesquisa da Informa Economics FNP, consultoria especializada em agronegócio. A alta de preços é mais que o triplo da inflação acumulada no período, de 5,1%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).  
Em abril deste ano, o preço médio de um hectare estava em R$ 6,7 mil. “É a maior cotação média registrada pela pesquisa, que começou a ser feita em 2002″, afirma Nadia Alcantara, gerente técnica da Informa Economics FNP.
Como o próprio deputado Marcos Montes notou, em sua entrevista, o projeto dele ”vai proporcionar a possibilidade do produtor rural arrendar as suas terras para diversas atividades”.

A entrada do capital estrangeiro, além de turbinar a valorização das terras, reforça a possibilidade de arrendamento dentro de padrões convidativos.

Mas, de acordo com a bancada do PT, “estamos tratando do controle de um recurso absolutamente estratégico para o presente e o futuro do nosso país: a terra e, derivadamente as florestas, os recursos naturais em geral e, do subsolo, em particular. Os movimentos especulativos com a terra conduzidos por diversas frações do grande capital internacional estão organicamente relacionados com os movimentos especulativos com os alimentos e os negócios nos mercados voluntários de carbono, alvo dos membros do G20 em torno de um aparato regulatório em escala global”.

A bancada do PT também observou que a proposta do deputado Beto Faro, atropelada pelos ruralistas, não rejeitava o investimento estrangeiro em terras brasileiras:
“…são previstos limites de áreas e outros controles para as operações de aquisição de terras por estrangeiros. Todavia [a proposta] delega ao Congresso Nacional a possibilidade de ampliação desse limite, observados os interesses maiores do país. Qualquer empreendimento estrangeiro sério em execução no Brasil, integrado às estratégias nacionais, jamais deixaria de ser apoiado por este parlamento em caso de necessidade de adicional de área para a expansão do projeto”.
O deputado Valmir Assunção (PT-BA), que defende os interesses de pequenos agricultores no Congresso, disse em entrevista ao Viomundo que, se aprovado o projeto de Marcos Montes, haverá concentração ainda maior na posse de terras no Brasil.

Deu como exemplos projetos que estão sendo desenvolvidos na Bahia. Na região de Barreiras, o próprio governo estadual incentiva os chineses a implantar um projeto de esmagamento de soja. No extremo Sul, as empresas Veracel, Suzano e Fibria produzem celulose. Na região de São Desidério há grande produção de algodão.

Segundo ele, a possibilidade de compra ilimitada de terras vai permitir que grandes empresas, que dispõem de capital, assumam controle ainda maior sobre a economia local.

Valmir Assunção também informou que desde outubro de 2011, quando começou o trabalho de preparação do relatório, o deputado Beto Faro (PT-PA) não conseguiu um posicionamento oficial do governo Dilma a respeito do tema.

BLOG VIOMUNDO

Cinco pessoas morrem durante tomada de reféns em Karlsruhe


A execução de uma ordem de despejo resulta em tragédia na cidade alemã, depois de o morador do apartamento tomar quatro pessoas como reféns, incluindo o oficial de justiça.
A execução de uma ordem de despejo terminou em tragédia na manhã desta quarta-feira (04/07) em Karlsruhe, no estado de Baden-Württemberg, sudoeste da Alemanha. Um homem, ainda não identificado pela polícia e que seria o morador do apartamento a ser desocupado, tomou o oficial de justiça que iria executar a ordem de despejo e mais três pessoas como reféns.
A ordem de despejo seria executada na manhã desta quarta-feira. Pouco antes das 9h, o morador teria recebido o oficial de justiça e seus acompanhantes, que entraram na casa. Pouco depois os vizinhos ouviram vários tiros e avisaram a polícia.
Segundo as primeiras informações divulgadas pela imprensa alemã, entre os mortos estão o oficial de justiça, um chaveiro e o morador do apartamento. Os outros mortos são um homem e uma mulher ainda não identificados.
Depois de cerca de três horas da tomada de reféns e tentativas de contato frustradas, a polícia encontrou os corpos ao invadir o apartamento após perceber fumaça por baixo da porta. Informações preliminares divulgadas pela polícia dão conta de que todas as mortes foram provocadas por ferimentos à bala e que o sequestrador estava de posse de armas de fogo de diversos calibres.
DEUTSCHE WELLE

Produção industrial desaba, turva o cenário e alinha o país ao mau momento da economia global


Com retração de 4,3% sobre maio de 2011, indústria acumula nove meses seguidos em queda, apesar de todas as medidas para apoiar o crescimento

Antonio Machado
 
 Com desempenho pior que o mais pessimista dos cenários, a produção física da indústria cravou em maio o nono resultado negativo mensal consecutivo, ao recuar 4,3% sobre igual mês de 2011, correspondendo a uma queda de 0,9% em relação a abril, terceira seguida nesta base de comparação. O enfraquecimento da economia se acentuou e coincide com a meia trava do crescimento no mundo, dos EUA à China e Europa.

Não há melhora à vista, conforme teor da mensagem transmitida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), ao cortar de 2,1% para 2% sua projeção para o crescimento da economia dos EUA este ano. O alerta ao governo Barack Obama é para que suba de 5,5% do PIB para 6,25% o déficit fiscal estimado na proposta orçamentária para 2013, enviada ao Congresso. E apesar de a dívida pública ter chegado a US$ 15,8 trilhões em junho (101,3% do PIB) - maior nível desde a 2ª Guerra.


 Para que a catedral do conservadorismo econômico recomende déficit fiscal maior do que os políticos planejam, a situação deve ser mais feia do que parece. Sem laxismo fiscal, em vez de 2,3%, como prevê o FMI, o PIB dos EUA crescerá menos de 1% em 2013, dificultando, no mundo, a saída da crise e até agravando-a onde a economia já recua (como na Europa) ou perde tração (na Ásia e América Latina).


 É este o contexto que circunda não só a indústria brasileira, mas o conjunto da economia, a despeito de todas as medidas de distensão monetária acionadas pelo Banco Central desde o ano passado, assim como os incentivos fiscais e de juros decididos pela Fazenda.


 Está claro que a perplexidade com a falta de reação da economia é ampla e não só do governo. Economistas e consultores também estão sendo surpreendidos a cada mês com a frustração do inicio da recuperação. Ela não chega ou parece piorar, como agora em maio.
 Alguns veem na queda dos estoques de carros nas concessionárias, em junho, indício de melhora. Com vendas de 353 mil unidades, o setor automotivo teve em junho o terceiro melhor mês. Mas foi mais antecipação de compra. O desconto de 10% do IPI terminou em junho, mas foi prorrogado.


Retração é sincronizada


 Na indústria automotiva, além disso, o nível de estoques continua alto, segundo a consultoria LCA - cerca de 43 dias no fim de maio. O chamado Índice de Gerentes de Compras do setor fabril, ou PMI, na sigla em inglês, calculado em todo o mundo com a mesma metodologia, também veio fraco, vindo de 49,3 pontos em maio para 48,5 em junho.


 A marca de 50 pontos estabelece a linha divisória entre expansão e retração. Nos EUA, para perplexidade geral, o indicador assemelhado recuou de 53,5 pontos em maio para 49,7 em junho, quando o consenso era que parasse em 52 pontos.


 Em escala global, segundo compilação do Bradesco, o PMI da indústria caiu de 50,7 para 49 pontos de maio para junho, afetando mais os países desenvolvidos que os emergentes e, entre estes, um pouco menos a China, embora o prognóstico de que a economia chinesa tende a um pouso brusco atraia mais adeptos.


Câmbio deixa de ajudar


 Com o mundo andando de lado no melhor dos cenários, é dar murro em ponta de faca cogitar mais incentivos para empinar a exportação. Em tal quadro, o câmbio depreciado não ganhará mercado externo para a produção nacional. E talvez já tenha esgotado sua contribuição para aumentar a competitividade brasileira frente às importações.


 A crise lá fora e no Brasil exige novas abordagens para a política econômica. Se 60% do comércio global correspondem a operações entre empresas de um mesmo grupo, os incentivos isolados competem com os de outros países. Pode ser conveniente aproveitar oportunidades de produção em outros mercados, como a montagem de carros na Argentina e no México, e exportá-los para cá.


 Mesmo a exigência de conteúdo nacional fica fraca, dependendo do que a empresa decida fabricar no Brasil. A eletrônica embarcada, da qual fazemos peanuts, representa mais de 50%, em valor, do custo de um sedã médio nos EUA.


A defesa é pelo emprego


 No mercado interno, cuja dinâmica é mais influenciável às ações da política econômica, também há margem para novas interpretações.


 Boa parte da demanda alavancada a crédito, por exemplo, vem dos setores sociais em ascensão na pirâmide de renda. Mas a renda média é baixa e absorvida pelo consumo de bens essenciais.


 A dívida para a compra de um eletrodoméstico mediano, como uma geladeira, basta para tirar tal tipo de consumidor do mercado até que salde o compromisso.


 Para que o consumo puxe a economia, não só o crédito, mas a renda tem de avançar à frente do crescimento do PIB. Isso não vai ocorrer pelo menos esse ano. Mas emprego e renda estão estagnados em níveis altos. Se puderem ser preservados, o país estará em boa forma.


Priorizar retorno social


 Os resultados ruins não devem impressionar, sobretudo o governo, e levar a decisões apressadas. Mais que nunca a ênfase é não gastar, no setor público, no que gere baixo retorno social. E, no privado, manter os negócios correntes.


 O investimento deve encaixar-se nessa linha, priorizando mais os projetos com retorno rápido, como obras rodoviárias, que os intensivos em capital e pouco empregadores..


 Incentivos concentrados na pequena e média empresa podem ser, na atual conjuntura, mais eficientes que aplicados em grandes grupos e na ponta do consumo. Desonerar startups tecnológicos atende tais condições: empregam muito com pouco capital e produzem o que fará a diferença na saída da crise.


 Há acertos macros indigestos à espera de solução, como o preço dos combustíveis, tanto para revitalizar o setor do álcool como para gerar arrecadação para áreas essenciais. O governo tem margem de ação, se agir com precisão.


CIDADE BIZ

Uma pessoa morre após incêndio no Hospital Pedro Ernesto


Ao menos uma pessoa morreu após o incêndio que atingiu na manhã desta quarta-fera (4) o almoxarifado do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), na Vila Isabel, Zona Norte do Rio. Segundo informações do hospital, Edenir Pereira, 65 anos, que estava internada em estado terminal com fibrose pulmonar e inalou muita fumaça, acabou não resistindo. Ainda será apurado se o incêndio e a fumaça foram determinantes para a morte. No hospital há 350 pacientes internados.
O prédio principal não foi afetado mas, por causa da fumaça que atingiu outras unidades, pacientes foram removidos. Segundo informação dos bombeiros, o fogo começou às 5h30 no almoxarifado do hospital, que fica no corredor lateral esquerdo do prédio. No local estava guardado todo material hospitalar, como soro, gaze, seringas, próteses e cateteres. Os remédios não foram atendidos já que são guardados na farmácia. O governo do Estado anunciou que já dispôs recursos de emergência para repor o material perdido. Segundo o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, o prejuízo está estimado em R$ 5 milhões.
O prédio, atingido por fumaça e fuligem, vai passar por limpeza e pintura. Este trabalho deverá duras dez dias. A liberação do setor de hemodiálise deve demorar mais porque a água também estaria contaminada, o que poderia expor pacientes a riscos.
A fumaça atingiu seis enfermarias: a de neurologia, no 2º andar, de nefrologia e hemodiálise, no 3º, de cirurgia plástica e torácica, no 4º, e a ala feminina de oftalmologia e ortopedia, no 5°. Todos os pacientes destes locais foram transferidos para outras enfermarias. Cerca de 100 chegaram a ir para o setor de Raios X, segundo informou a assessora do hospital, Alba Regina. 
Familiares foram chamados pelo hospital para receber informações sobre os pacientes, mas a visita só será permitida a partir das 15h, que é o horário tradicional. Ao todo, quinze pessoas que necessitavam de oxigênio foram transferidas para outros hospitais, sendo sete crianças que estavam na UTI neonatal e oito adultos.  Eles precisam foram transferidos porque dutos de oxigênio sofreram danos devido ao calor.
Emocionada, a supervisora de enfermagem Bianca Ceciliano contou que os internos ficaram assustados, mas foram acalmados pela equipe. "Foi muita comoção porque é o tipo de coisa totalmente inesperada. Mas a sensação é de dever cumprido", disse. Segundo Bianca, vários hospitais já entraram em contato se oferecendo para receber os pacientes que tiveram que deixar seus quartos. 
Ambulâncias do Corpo de Bombeiros e do Samu acorreram ao local, mas como ninguém foi transferido, acabaram servindo no atendimento dos que estavam na parte externa do prédio. 
Às 7h50, segundo informações dos bombeiros, o fogo já estava controlado e o trabalho deles - que contou com homens de três quartéis e a ajuda do helicóptero da corporação - estava na chamada fase de rescaldo. Uma grande coluna de fumaça foi vista dos bairros vizinhos.
O trânsito no Boulevard  foi interrompido apenas na pista da esquerda, em frente ao hospital. A pista da direita fluía com certa dificuldade no sentido normal, isto é, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para a Praça Barão de Drummond.
Parentes de pacientes acorreram ao local em busca de informações. Silvana Lins, de 44 anos, estava em busca de notícias sobre o marido, Wagner, que, acometido por fungos, ficou internado por 20 dias na UTI e, desde segunda-feira, foi para um quarto. Ela não sabia para onde ele tinha sido levado. 
JORNAL DO BRASIL

ANP autoriza exumação do corpo de Yasser Arafat


RAMALLAH, Cisjordânia - A revelação de amostras elevadas de material radioativo nos pertences de Yasser Arafat gerou polêmica entre os palestinos.

A pedido da viúva Suha Arafat, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) concordou em exumar o corpo do líder árabe. O presidente Mahmoud Abbas também reivindicou uma investigação internacional sobre o caso.

- Não há razão alguma política ou religiosa que nos impeça de investigar este caso, incluindo a exumação do corpo de Arafat por uma confiável autoridade médica e científica - disse Abu Rudeinah, porta-voz de Abbas.

Saeb Erekat, chefe das negociações palestinas com Israel, também fez um apelo por uma investigação internacional nos moldes da que analisou o assassinato do ex-premier libanês Rafik Hariri, em 2005. Em entrevista à TV al-Jazeera, Erekat disse que vai ao Conselho de Segurança da ONU pedir a formação de uma comissão.

- Espero que todos cooperem conosco, porque nós buscamos apenas a verdade, nada além disso - disse Erekat à rede árabe.

Foi um crime, diz viúva do líder palestino

O pedido de exumação do corpo de Arafat partiu da própria viúva, Suha Arafat. Os médicos suíços que encontraram rastros de polônio radioativo em roupas e objetos usados pelo líder palestino em seus últimos dias de vida dizem que a análise dos ossos pode dar um diagnóstico mais conclusivo sobre a morte do ex-presidente da Organização para Libertação da Palestina (OLP) e da ANP. Após oito anos, a causa da doença repentina de Arafat ainda é um mistério.

- É um processo muito, muito doloroso, mas pelo menos vai tirar essa angústia do meu peito - disse Suha, à al-Jazeera. - Ao menos, terei feito algo para explicar ao povo palestino, aos árabes e muçulmanos ao redor do mundo que não foi uma morte natural, foi um crime.

Arafat morreu em novembro de 2004 em um hospital militar, na periferia de Paris, em decorrência do que os médicos chamaram de uma enorme hemorragia cerebral, poucas semanas depois de adoecer repentinamente em Ramallah. Médicos que analisaram seu histórico médico, no entanto, não conseguiram identificar a causa da hemorragia. Na época, surgiram rumores de que o líder teria sido morto por Israel por representar um obstáculo às negociações de paz. Entre as especulações, ainda estaria a hipótese de câncer, cirrose ou ainda morte em consequência do vírus do HIV.

O Instituto de Radiação Física de Lausanne, na Suíça, investigou os pertences de Arafat entregues por Suha. Os testes revelaram alta incidência de polônio-210. O isótopo tem meia-vida de 138 dias, o que significa que metade da substância diminui em quatro meses e meio. Pouco se sabe sobre as consequências deste elemento químico na saúde humana e há pouco consenso científico sobre os sintomas de envenenamento por polônio, devido ao baixo número de casos registrados.

Muitos médicos que cuidaram de Arafat dizem que não tiveram permissão para investigar sua morte, considerada um “segredo militar”. A maioria de seus antigos médicos no Cairo e em Túnis se recusam a dar entrevista. Com a falta de provas para analisar a doença que matou o líder palestino, os ossos podem ser a única fonte de evidência conclusiva. Apesar de a ANP ter autorizado a exumação, Israel ainda precisa autorizar o envio do material para fora da Cisjordânia, onde seria analisado.

O GLOBO

Cientistas descobrem 'pista' do que pode ser a ‘partícula de Deus’; entenda


Cientistas do Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) anunciaram nesta quarta-feira terem descoberto uma nova partícula subatômica que pode ser o tão procurado Bóson de Higgs, conhecido como a "partícula de Deus" e considerado crucial para entender a formação do Universo.
"Confirmo que uma partícula foi descoberta e é consistente com a teoria do Bóson de Higgs", declarou John Womersley, executivo-chefe do Conselho de Ciência e Tecnologia em Londres, que está trabalhando com o Cern.
O resultado foi considerado preliminar, mas um indicativo "forte e sólido" da partícula. Ainda assim, são necessárias mais pesquisas para comprovar que o que eles viram é de fato a partícula de Higgs.
Os cientistas alegam ter encontrado uma "curva" nos dados sobre as variações de massa das partículas geradas no imenso acelerador de partículas Grande Colisor de Hádrons. Essa "curva" corresponde a uma partícula que pesa 125,3 gigaelectronvolts (Gev) - cerca de 133 vezes mais pesada do que o próton existente no âmago de cada átomo.
O que não se sabe é se a partícula descoberta é realmente o Bóson de Higgs, uma variante ou uma partícula subatômica completamente nova, que leve a reformulações das teorias sobre a formação da matéria.
"É de fato uma nova partícula. Sabemos que deve ser um bóson, e o bóson mais pesado já conhecido", disse o porta-voz dos experimentos, Joe Incandela. "As implicações são significativas, e é justamente por isso que precisamos ser diligentes em nossos estudos e checagens".
Entenda o que são as pesquisas e sua importância:

O que é o Bóson de Higgs?

Segundo teorias da Física que aguardam comprovação definitiva, Higgs é uma partícula subatômica considerada uma das matérias-primas básicas da criação do Universo.
Existe uma teoria quase completa sobre o funcionamento do Universo, com todas as partículas que formam os átomos e moléculas e toda a matéria que vemos, além de partículas mais exóticas. Esse é o chamado Modelo Padrão.
Mas há um "buraco" na teoria: ela não explica como todas essas partículas obtiveram massa. A partícula de Higgs, cuja teoria foi proposta inicialmente em 1964, é uma explicação para tentar preencher esse vácuo.
Segundo o Modelo Padrão, o Universo foi resfriado após o Big Bang, quando uma força invisível, conhecida como Campo de Higgs, formou-se junto de partículas associadas, os Bósons de Higgs, transferindo massa para outras partículas fundamentais.

Por que a massa é importante?

A massa é simplesmente uma medida de quanto qualquer objeto - uma partícula, uma molécula, um animal - contém em si mesmo. Se não fosse pela massa, todas as partículas fundamentais que compõem os átomos e os animais viajariam pelo cosmos na velocidade da luz, e o Universo como o conhecemos não seria agrupado em matéria.
A teoria em questão propõe que o Campo de Higgs, permeando o Universo, permite que as partículas obtenham massa. Esse processo pode ser ilustrado com a resistência que um corpo encontra quando tenta nadar em uma piscina. O Campo de Higgs permeia o Universo como a água enche uma piscina.

Como se sabe que o Higgs existe?

A caça ao Higgs é uma das razões que levaram à construção do imenso acelerador de partículas Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), do Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), na Suíça. A primeira vez que se falou da partícula foi em 1964, quando seis físicos, incluindo o escocês Peter Higgs, apresentaram uma explicação teórica à propriedade da massa.
O Modelo Padrão é um manual de instruções para saber como funciona o cosmos, que explica como as diferentes partículas e forças interagem. Mas a teoria sempre deixou uma lacuna - ao contrário de outras partículas fundamentais, o Higgs nunca foi observado por experimentos.
Agora, os pesquisadores do Cern dizem que descobriram uma partícula que pode ser o Bosón de Higgs, mas destacam que mais pesquisas são necessárias para confirmar a descoberta.

Como os cientistas buscam o Bóson de Higgs?

Ironicamente, o Modelo Padrão não prevê a existência de uma massa exata para o Higgs. Aceleradores de partículas como o LHC são utilizados para pesquisar a partícula em um intervalo de massas onde ela possa estar.
O LHC esmaga dois feixes de prótons próximos à velocidade da luz, gerando uma série de outras partículas. É possível que o Higgs nunca seja observado diretamente, mas os cientistas esperam que ele exista momentaneamente nessa "sopa" de partículas. Se ele se comportar como os pesquisadores esperam que ele se comporte, pode se decompor em novas partículas, deixando um rastro de provas de sua existência.

Quais evidências os cientistas podem encontrar?

O Bóson de Higgs é instável. Caso seja produzido a partir das bilhões de colisões no LHC, o bóson rapidamente se transformará em partículas de massa menor e mais estáveis. Serão essas partículas os indícios que os físicos poderão usar para comprovar a existência do bóson, que aparecerão como ligeiras variações - como a anunciada nesta quarta - em gráficos usados pelos cientistas. Portanto, a confirmação se dará a partir de uma certeza estatística.

E se o Bóson de Higgs não for encontrado?

Caso se comprove que o Bóson de Higgs não existe, a teoria do Modelo Padrão teria de ser reescrita. Isso poderia abrir caminho para novas linhas de pesquisa, que podem se tornar revolucionárias na compreensão do Universo, da mesma forma que uma lacuna nas teorias da Física acabou levando ao desenvolvimento das teses da mecânica quântica, há um século.
BBC BRASIL

França anuncia € 7 bilhões em impostos para ricos e empresas


PARIS - O novo governo socialista da França anunciou nesta quarta-feira uma série de aumentos de impostos no valor de 7,2 bilhões de euros, incluindo um imposto pesado sobre a renda das famílias e grandes corporações, para cobrir um déficit de receita este ano diante do fraco crescimento econômico.
O tributo único de 2,3 bilhões de euros sobre aqueles com renda líquida superior a 1,3 milhão de euros e 1,1 bilhão de euros em impostos extraordinários sobre grandes bancos e empresas de energia detentoras de ações de petróleo foram as partes centrais do orçamento alterado para 2012 apresentado ao Parlamento antes da votação no final de julho.
As medidas, em linha com as promessas de campanha do presidente François Hollande, devem ser aprovadas sem alterações, dado que os socialistas têm a maioria no Parlamento.
Hollande, no poder desde meados de maio, diz que os ricos devem pagar sua parcela, na medida em que a França luta para cortar seu déficit público de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado para 4,5% este ano e 3% em 2013, apesar da estagnação da economia e do aumento da dívida.
O novo orçamento seguiu uma avaliação desagradável das finanças públicas na segunda-feira feita pela auditoria estatal, que alertou que eram necessários cortes de déficit de 6 a 10 bilhões de euros em 2012 e pesados 33 bilhões de euros em 2013, para a França atingir suas metas de déficit e evitar o risco de uma espiral da dívida pública.
"O esforço imediato virá de receitas tributárias, mas haverá um esforço sobre os gastos durante o resto do mandato do governo", afirmou em entrevista o ministro do Orçamento, Jerome Cahuzac, referindo-se à estratégia do governo de preparar um caminho para medidas de austeridade dolorosas com impostos sobre os ricos.
"Cortar gastos é como desacelerar um superpetroleiro: leva tempo", acrescentou o ministro.
ESTADÃO/REUTERS

Crise deflagra 3ª onda de investimentos espanhóis no Brasil


A crise econômica que se aprofunda desde 2008 na Europa criou a terceira onda de capitais espanhóis no Brasil.

Levantamento da Câmara Oficial Espanhola de Comércio, instituição que monitora há 50 anos a relação bilateral, indica que empresas espanholas programam investimentos de R$ 44 bilhões no Brasil até 2015.

Os setores vão de infraestrutura a software, de trens e vagões a imóveis.

As duas ondas anteriores - a da privatização e a dos anos 2000 - aplicaram no Brasil, segundo informação da Câmara, R$ 164,7 bilhões.

DECISÃO LUCRATIVA

O investimento tem retorno, mostram as remessas de lucros de empresas espanholas compiladas pelo Banco Central a partir de 2005 - quando o confronto entre investimentos e remessas de lucros passou a ser registrado.

No caso das remessas, saíram do Brasil rumo à Espanha US$ 19,122 bilhões entre 2005 e 2011. Os investimentos no mesmo período foram de US$ 18,002 bilhões. O número inclui a megaoperação de compra da Vivo pela Telefônica. Somente esse negócio representou investimento de US$ 9 bilhões.

Só no ano passado, as espanholas remeteram para suas matrizes US$ 4,7 bilhões, cifra superior ao que foi enviado em 2008, quando explodiu a crise financeira global. Naquele ano, as empresas espanholas remeteram US$ 4,4 bilhões.

Segundo Maria Luisa Castelo Marin, diretora-executiva da Câmara Brasil-Espanha, as remessas "ajudam as empresas na Espanha, mas também faze com que muita empresa veja no Brasil oportunidades que não consegue ver na Espanha neste momento", diz Maria Luisa.

O bom desempenho tem atraído, além de empresários, profissionais. A Câmara recebe por mês cerca de cem currículos de espanhóis de nível técnico interessados em trabalhar no Brasil.

BUROCRACIA E TRIBUTOS

Só no primeiro semestre deste ano, a Câmara recebeu consultas de mais de 150 empresas. Queriam saber como podem investir no Brasil. O principal problema não é a língua ou a distância.

"Burocracia e tributos são os grandes problemas que os espanhóis enfrentam aqui. Por isso temos orientado o investidor espanhol a se associar a um empresário local. Isso facilita muito as coisas", afirma Maria Luisa.

Empresas-símbolo do capital espanhol no Brasil, os grupos Santander e Telefônica são exemplos de êxito no Brasil. Hoje, 27% do lucro auferido pelo Santander, instituição que adquiriu o ex-banco estatal Banespa, vem da operação brasileira.

É mais do que o dobro da contribuição do Santander Espanha, que é de 12%. "O Brasil é a unidade mais importante do mundo", afirma Juan Hoyos, vice-presidente do banco.

Tamanha relevância é o que tem embasado uma frase repetida à exaustão pelos executivos do banco: "O Santander não está à venda!".

Já a Telefônica, que em 2011 fez operação bilionária para comprar a Vivo, executa um plano de investimento de R$ 24 bilhões, com razoável folga.

Segundo Gilmar Camurra, vice-presidente financeiro, a dívida líquida da Telefônica equivale a 20% da geração de caixa (Ebitda) de apenas um ano. Como se vê, aqui as espanholas não veem crise.

FOLHA DE S. PAULO

luishipolito@outlook.com

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