quarta-feira, 11 de julho de 2012

Após morte de mulher, herdeiro da Tetra Pak é preso


A Scotland Yard investiga as misteriosas circunstâncias da morte de Eva Kemeny, mulher de um rico herdeiro da indústria de embalagens Tetra Pak, Hans Kristian Rausing, com quem formava um casal conhecido por seus problemas com drogas.

Nesta quarta-feira, o herdeiro de 49 anos recebeu tratamento médico, à espera de ser interrogado, após ser preso pela polícia.

A Scotland Yard indicou que prosseguirá com as investigações sobre a morte "ainda inexplicada", mas não confirmou a identidade da principal testemunha. Contudo, a imprensa afirma se tratar de Hans Kristian Rausing.

Rausing foi preso na segunda-feira por posse de drogas, e ao revistarem a luxuosa casa do casal, em Chelsea, bairro chique de Londres, os policiais descobriram o corpo de sua mulher Eva, de 48 anos.

Uma necropsia realizada na terça-feira não produziu resultados conclusivos, e novos exames devem ser realizados para determinar a causa de sua morte, segundo a imprensa britânica.

PROBLEMAS COM DROGAS

De nacionalidade americana, a elegante mulher loira e de olhos azuis, mãe de quatro adolescentes, tinha notórios problemas com drogas.

Em 2008, foi presa ao tentar entrar na embaixada dos Estados Unidos em Londres com dez gramas de crack, 2,5 gramas de heroína e um estimulante ilegal utilizado como inibidor de fome.

A polícia também descobriu drogas em sua casa, incluindo 52 gramas de cocaína, que levaram ao indiciamento do casal. Mas as acusações foram retiradas e a dupla recebeu apenas uma advertência.

CLÍNICA DE DESINTOXICAÇÃO

Filha de um alto dirigente da PepsiCo, Eva Kemeny conheceu Hans Rausing em uma clínica americana de desintoxicação, pouco antes de casar-se com ele em 1980.

Hans Kristian Rausing é um dos três filhos de Hans Rausing, filho do fundador da gigante industrial sueca Tetra Pak. A fortuna de seu pai é estimada em 4,3 bilhões de libras (€ 5,4 bilhões), de acordo com a Rich List do Sunday Times deste ano.

O avô, Reuben, fundou em 1951 a empresa de embalagens de papelão que revolucionou principalmente o condicionamento de bebidas, como o leite e sucos de frutas.

FRANCE PRESSE/FOLHA DE S. PAULO

Premiê espanhol anuncia choque de austeridade de € 65 bilhões


O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou nesta quarta-feira novas medidas de ajuste destinadas a reativar a economia do país, que incluem uma reforma da administração e um aumento dos impostos. No total, essas medidas representam um choque de austeridade na economia equivalente a 6,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em menos de três anos.

A Espanha, que detém a maior taxa de desemprego na zona do euro (25,3%), amargou dois anos de recessão entre 2009 e 2010, teve uma recuperação modesta em 2011 (alta de 0,7% do PIB) e deve enfrentar nova recessão neste ano e no próximo - a OCDE prevê uma contração de 1,6% para 2012 e de 0,8% para 2013.

O novo pacote de medidas de ajuste exigido por Bruxelas representa, incluindo novos cortes e arrecadação, € 65 bilhões (US$ 81,25 bilhões) até o fim de 2014, segundo anunciou Rajoy, durante sessão no Parlamento, em Madri.

Depois de ter aprovado um orçamento austero para 2012, a Espanha deve intensificar os esforços e terá que aplicar "medidas adicionais", destacou Rajoy aos deputados, depois que o governo obteve de Bruxelas uma suavização da meta de redução do déficit.

A principal medida será o aumento do imposto IVA, que passará de 18% a 21%. A medida era rejeitada pelo governo, mas foi exigida pela Comissão Europeia e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

O IVA reduzido para alguns produtos subirá de 8% a 10%, informou o chefe de Governo, mas o imposto permanecerá em 4% para produtos de primeira necessidade, que incluem alimentos básicos.

Rajoy também anunciou uma reforma da administração que deve permitir uma economia de € 3,5 bilhões. A reforma prevê a redução do número de empresas públicas e uma diminuição de 30% do número de vereadores.

SEM ABONO DE NATAL

Entre as outras medidas anunciadas, os funcionários públicos não receberão pagamento extra no Natal neste ano.

Após frisar que os salários dos empregados públicos são uma das maiores verbas do orçamento, Rajoy disse que além das medidas já adotadas, como a não- reposição de pessoal, outras medidas serão realizadas.

Entre elas, o número de dias livres dos funcionários será reduzido. Em relação à suspensão do pagamento do Natal, o primeiro-ministro explicou que é necessário adotar esta medida "excepcionalmente e dadas às circunstâncias da economia".

"Desde que começou a crise em 2007, o número de empregados públicos aumentou em 289.000 pessoas, enquanto no setor privado se destruíram 2,9 milhões de empregos", afirmou.

DESEMPREGO

Rajoy se referiu também a um dos mais graves problemas da economia espanhola, o desemprego, quando disse que "5,7 milhões de pessoas saem todas as manhãs de suas casas para procurar trabalho e não encontram".

O premiê acrescentou que "na situação atual da Espanha, crescer e criar empregos não é possível. Atravessamos a segunda recessão mais grave de nossa história, com um decréscimo da atividade econômica próximo a 2%".

Nesse sentido, anunciou que os novos desempregados verão reduzido o valor de seu auxílio a partir do sexto mês, embora será mantido o período máximo de 24 meses de duração desta ajuda.

Também será eliminada a dedução fiscal por compra de casa a partir de 2013, e disse que se procederá neste mesmo ano a um novo ajuste de € 600 milhões nas verbas dos departamentos ministeriais.

EFE/FRANCE PRESSE/FOLHA DE S. PAULO

Teixeira e Havelange receberam R$ 40 milhões de subornos da ISL

O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o presidente de honra da Fifa, João Havelange, receberam 19,25 milhões de francos suíços (R$ 40 milhões) em subornos da ISL. O envolvimento foi confirmado no dossiê do caso liberado hoje pela Justiça Suíça.

A ISL foi durante a década de 1990 e o início da última década a principal parceira comercial da Fifa. Quando foi a falência, um processo judicial na Suíça demonstrou que houve pagamentos de mais 100 milhões de francos suíços para dirigentes em troca de benefícios nas negociações comerciais, envolvendo direitos de televisão e marketing.


Apesar das acusações de envolvimento dos cartolas brasileiras - feitas pela emissora britânica BBC e pelo jornal suíço "Handelszeitung" -, o processo judicial sempre foi mantido em sigilo até hoje quando foi liberado para jornalistas que tinham entrado com ação pedindo a transparência integral dele. A Folha teve acesso ao dossiê por meio de um dos jornais que o obtiveram hoje.

Na ação, está descrito que Teixeira ganhou 12,74 milhões de francos suíços por meio da empresa Sanud, cuja ligação com o cartola já tinha sido estabelecida por meio da CPI do Futebol, no Senado. A Renford Investments Ltd foi outra empresa, com ligações com Havelange e Teixeira, que recebeu 5 milhões de francos suíços. Não sabe qual a divisão do dinheiro entre os dois neste caso.

Havelange ainda recebeu outro pagamento de 1,5 milhão de francos suíços. 

Essa transferência irregular ao cartola era conhecida pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, segundo o dossiê ISL.

Por meio de sua secretária, o advogado de Ricardo Teixeira, José Mauro do Couto, informou que não falaria sobre o caso. O cartola atualmente mora em Miami (EUA), mas ainda tem cargo de assessor na CBF.

Já o advogado suíço de Havelange, Marco Niedermann, não estava em seu escritório em Zurique. Segundo funcionário do escritório, ele só voltará a Zurique na próxima semana quando decidirá se irá comentar a decisão. Era ele, juntamente com o advogado suíço de Teixeira, quem tentava barrar a publicação dos documentos.

Em 2010, durante a Copa, Teixeira e Havelange fizeram um acordo com a justiça suíça. Nele, pagaram uma quantia não revelada para em troca não tivessem o nome revelado publicamente.

FOLHA DE S. PAULO

Por 56 votos a 19, Demóstenes tem mandato cassado pelo Senado



O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) teve nesta quinta-feira (11) o mandato cassado por 56 votos a favor, 19 contrários e 5 abstenções.

Ele se tornou o segundo parlamentar, em 188 anos de história, a ser excluído da Casa pelos próprios colegas.

Um dos principais líderes da chamada "bancada ética" do Senado, Demóstenes foi flagrado em escutas pela Polícia Federal em situações que sugerem o uso do cargo em benefício do suposto esquema criminoso comandado por Carlinhos Cachoeira.

Além disso, é acusado de ter mentido em plenário quando disse que somente mantinha relação de amizade com o empresário.

Em sua última tentativa de se manter no cargo, Demóstenes apelou aos senadores: "Quem cassa senador é senador e não a imprensa. Por favor, me deem oportunidade de provar que sou inocente. Não acabem com a minha vida".

Com a renúncia, o empresário Wilder Pedro de Morais deve assumir o cargo. Ele é o atual secretário de Infraestrutura de Goiás e ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher de Cachoeira. Morais é citado pelo empresário em conversas telefônicas grampeadas pela Polícia Federal como alguém próximo.

Oitenta senadores acompanharam a sessão, um quorum raro nas sessões do Senado. Apenas o senador Clóvis Fecury (DEM-MA) não compareceu. Ele está de licença para tratar de assuntos pessoais.

Até hoje o Senado só havia cassado o mandato de Luiz Estevão (DF), em 2000, no escândalo de desvio de recursos das obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

O ex-líder do DEM ficará inelegível até 2027 (oito após o término da legislatura para o qual foi eleito), quando terá 66 anos.

A votação que levou a perda do mandato de Demóstenes foi secreta e os senadores foram proibidos de revelar o voto.

DISCURSOS

Na sessão que definiu a cassação de Demóstenes, senadores afirmaram que a decisão representa a moralidade da instituição.

Mesmo afirmando que vivem um "momento triste" por julgar um colega, os parlamentares afirmaram que a conduta ética de um senador deve nortear o seu mandato.

"Hoje é um dia de moralidade, sim. Mas o país sabe que aqui não tem moralidade. O Brasil inteiro sabe que não existe Senado, que não existe Câmara neste país. E deve estar dizendo: me engana, que eu gosto", disse o senador Mário Couto (PSDB-PA).

O tucano fez os ataques mais duros a Demóstenes ao afirmar que a voz nas gravações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, é do parlamentar. E que sua conduta frustrou os colegas senadores.

O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse que é muito difícil julgar um senador que recebeu dois milhões de votos e chegou a ser apontado como "um dos mais influentes" do país que "gozava de elevada reputação e credibilidade".

Mas cobrou que a Casa dê respostas às acusações. "Não basta ser inteligente, é preciso ter predisposição de caráter".

Com elogios à conduta de Demóstenes no passado, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) pediu que a Casa tenha como base o julgamento do Conselho de Ética, que pediu a cassação de Demóstenes - do qual é presidente.

"Homem da estirpe intelectual, um dos mais competentes que já teve esta Casa, o senador Demóstenes. No entanto, as decisões que tomamos nos fatos têm que guardar harmonia com o que consideramos justos ou moralmente corretos".

DEFESA

Em sua vez de falar aos senadores, Demóstenes se comparou a uma mulher que é acusada de ser "vagabunda".

Segundo ele, essa mulher não tem como se defender depois de uma acusação dessas, quando ela já está jogada no chão. Afirmou ainda que foi "perseguido como um cão sarnento" e investigado como nenhum outro político no país.

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, antecedeu Demóstenes na tribuna. "É suficiente para cassar um senador o fato de ter usado um rádio nextel?", questionou.

O rádio a que se referiu foi dado a Demóstenes pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e era usado pelos membros de uma quadrilha que, segundo a PF, corrompia agentes públicos.

FOLHA DE S. PAULO

luishipolito@outlook.com

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