quinta-feira, 12 de julho de 2012

Novo exame para detectar síndrome de Down gera discussões éticas


Um simples exame de sangue promete detectar se o feto apresenta o distúrbio genético. Críticos falam em seleção genética e eugenia. Defensores dizem que as mulheres devem ter o direito de decidir sobre a gravidez.

"Também somos seres humanos", gritou o ator alemão Sebastian Urbanski durante a apresentação de um parecer jurídico sobre um novo exame para detectar a síndrome de Down, em Berlim. O que se seguiu foi um silêncio constrangedor. Urbanksi é portador desse distúrbio genético, causado pela presença de uma terceira cópia do cromossomo 21.

O novo exame, conhecido como Praena, é utilizado nos Estados Unidos desde 2011 e deve chegar ainda em julho à Alemanha. O teste promete detectar se o feto tem síndrome de Down a partir de uma pequena amostra de sangue da gestante, ou seja, é um simples exame de sangue.

Comercializado pela empresa LifeCodexx, o novo exame promete ser muito mais seguro do que o atual, que necessita de uma amostra do líquido amniótico (da placenta) da gestante e pode, em cerca de 1% dos casos, levar ao aborto.

Forma de discriminação

A chegada do exame à Alemanha foi precedida de um intenso debate sobre questões éticas, envolvendo médicos, farmacêuticos, juristas, políticos, religiosos e associações de portadores de síndrome de Down.

Diante da polêmica, o governo alemão encomendou um estudo jurídico para avaliar se o novo exame está em conformidade com a legislação. Durante a apresentação do resultado, em Berlim, o encarregado do governo para portadores de necessidades especiais, Hubert Hüppe, foi claro: o exame é ilegal porque fere a Lei Fundamental (Constituição), que proíbe a discriminação. O parecer assinado pelo jurista Klaus Ferdinand Gärditz faz referência ao artigo terceiro: "Ninguém deve ser discriminado por causa de suas deficiências".

Segundo Hüppe, o exame serve apenas para selecionar pessoas com síndrome de Down. Ele afirmou que o teste discrimina portadores do distúrbio genético da pior maneira possível: no seu direito à vida. "O exame não serve a propósitos médicos nem terapêuticos", concluiu.

De acordo com as autoridades alemãs, os casais optam pelo aborto em 90% dos casos em que é detectado o distúrbio pelo exame habitual. O novo teste deverá custar em torno de 1.200 euros e não é pago pelos planos de saúde.

Por não se tratar de um medicamento, mas de um produto médico, o Praena não precisa de autorização para ser comercializado, afirmaram as autoridades do estado alemão de Baden-Württemberg, onde se localiza a empresa LifeCodexx. O estado alemão diz que o teste não contraria a lei do país. Tudo indica que ele será permitido.

Seleção genética ou direito da mulher?

O teste é muito polêmico também no meio religioso. O arcebispo de Münster, Felix Genn, criticou a "fantasia de onipotência" que pretende controlar até mesmo a herança genética do ser humano.

O médico Eckhard Nagel, membro do Conselho Alemão de Ética e da diretoria do Congresso da Igreja Evangélica Alemã, disse que, com o novo teste, o número de crianças portadoras da síndrome de Down vai diminuir ainda mais. 

"Devemos questionar se isso não é uma forma de seleção genética nos moldes da eugenia", declarou ao jornal Westfalen Blatt.

O presidente da Associação Médica Alemã, Frank Ulrich Montgomery, defendeu o novo exame. "A nossa sociedade optou pelo diagnóstico pré-natal. A roda não gira para trás", disse ao diário Rheinische Post. Segundo ele, é preferível usar esse teste ao exame de líquido amniótico, que é mais arriscado.

Também a presidente da Comissão de Saúde do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), Carola Reimann, posicionou-se a favor do exame de sangue em entrevista ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung. "As mulheres devem decidir elas mesmas se querem fazer o exame e continuar com a gravidez".

O ator Sebastian Urbanski permanece irredutível na sua posição. “Isso é seleção antes do nascimento”. Ele disse que seus pais cuidaram para que ele aprendesse a ler e escrever, a amar a música e o teatro. "O teste deveria ser proibido. Somos mais lentos, mas também somos seres humanos", argumentou.

DEUTSCHE WELLE

Corrida por economias seguras alimenta fenômeno dos juros negativos


A corrida dos investidores por economias que oferecem menor risco está fazendo com que alguns governos e bancos centrais tomem empréstimos e recebam depósitos a juros negativos. Na prática, isso significa que ao emprestar para os governos desses países - entre eles Alemanha, Suíça, Dinamarca, Estados Unidos e, mais recentemente, França - os investidores algumas vezes têm de pagar ao invés de receber remuneração.
"Trata-se de um fenômeno novo, que tomou forma nos últimos três meses, impulsionado pelo agravamento da crise global", diz Wilber Colmerauer, diretor da consultoria de investimentos Brazil Funding, com sede em Londres.
Só para mencionar um exemplo, recentemente um título de dois anos da dívida alemã, por exemplo, oferecia rendimentos de - 0,012%. O valor é estipulado em leilão. Ele determina que um investidor que emprestou uma determinada quantia para o governo alemão, receberá um pouco menos que essa mesma quantia em 48 meses.
A experiência recente mais radical nesse sentido parece ser a da Dinamarca, que adotou juros nominais negativos para depósitos no Banco Central (BC) na semana passada, seguindo um caminho semelhante ao tomado pela Suécia de forma isolada em 2009. Segundo o Financial Times, a Suíça estaria estudando adotar medidas semelhantes para conter a valorização de sua moeda.
Hoje, bancos particulares precisam pagar 0,2% para colocar seu dinheiro no BC dinamarquês, além de 0,23% ao comprar títulos do governo do país.
Em muitas das grandes economias desenvolvidas, as taxas reais de juros - descontada a inflação - há algum tempo já eram negativas, o que significa que a alta de preços corroía o ganho dos depósitos e investimentos em títulos do tesouro.

Razões

Mas por que investidores pagariam para emprestar ou depositar seu dinheiro na Dinamarca em vez de mantê-lo em um cofre sem pagar nada?
Primeiro, é preciso considerar o risco e o custo desse armazenamento, principalmente no caso de quantias muito elevadas.
"Além disso, existe um clima de insegurança muito forte no mercado internacional - com desconfiança tanto em relação a determinados países, quanto a instituições financeiras e moedas", explica Colmerauer.
Países como Alemanha, Suíça e Dinamarca são considerados portos seguros por investidores mais conservadores que aplicam em títulos públicos. "Muitos desses investidores estão mais preocupados em preservar seu capital, ainda que com pequenas perdas, do que em ganhar mais assumindo riscos", o analista completa.
"Como resultado, na prática o que temos é uma polarização dos mercados", explica Colmerauer. "De um lado, as economias consideradas seguras estão adotando até juros negativos sobre empréstimos e depósitos - e ainda assim não conseguem estimular o consumo e investimentos na economia real. Do outro, países como Grécia e Espanha têm de pagar taxas de juros cada vez maiores".

Juros baixos

O fenômeno dos juros negativos surge em um momento em que um número crescente de países desenvolvidos e emergentes vem reduzindo suas taxas de juros e de remuneração de depósitos para níveis excepcionalmente baixos, numa tentativa de estimular os níveis de investimento e consumo, achatados pela crise.
A decisão do Banco Central brasileiro de cortar os juros básicos da economia em 0,5 pontos percentuais, para 8% ao ano, acompanha essa tendência.
Na semana passada, o Banco Central Europeu derrubou sua taxa de juros de 1% para 0,75% - o patamar mais baixo já atingido pela zona do euro -, e eliminou a taxa paga aos depósitos, de 0,25%. Nos EUA, o FED tem mantido os juros entre 0% e 0,25%.
O Banco da China reduziu a taxa de remuneração dos depósitos e fez dois cortes de juros depois que foi anunciado que o país cresceu abaixo das expectativas. A Coreia do Sul cortou sua taxa de juros ontem pela primeira vez em três anos.
Entre os países ricos que hoje têm juros nominais próximos de zero também estão a Suíça, o Japão e a Inglaterra.
"Se os países mais seguros para investimentos estão oferecendo remunerações tão baixas, em tese o Brasil pode cortar juros e continuar a atrair investidores. O problema é que existe o risco de o corte ser percebido como um sinal de que ainda há incertezas sobre os níveis de crescimento brasileiro e ter um efeito contrário", opina Colmerauer.
Para ele, a experiência dos países desenvolvidos mostra que simplesmente baixar os juros tem um impacto relativamente limitado nos esforços para retomar o crescimento da economia.
"O Brasil precisa lidar com seus problemas estruturais como excesso de burocracia e falta de infraestrutura para retomar o crescimento", diz.
BBC BRASIL

Laje desaba e fere 86 torcedores do Palmeiras em Aracaju


SÃO PAULO, 11 - A queda de uma laje no bairro de Cirurgia, no centro de Aracaju, Sergipe, feriu 86 pessoas que assistiam ao jogo do Palmeiras na noite de quarta-feira, 11.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, os torcedores estavam aglomerados no primeiro andar de um lava-rápido e a estrutura cedeu quando comemoram o gol do time contra o Curitiba, pela final da Copa do Brasil. O Palmeiras venceu a competição.
Sete carros dos bombeiros e quatro viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) atenderam a ocorrência. De acordo com o tenente Felipe Santos, porta-voz dos bombeiros, a área que desabou tinha cerca de 40 metros quadrados, mas a maioria das pessoas não se feriu com gravidade. Não havia ninguém no térreo, apenas 11 carros, que ficaram destruídos. Duas vítimas ficaram sobre os escombros, sendo que uma delas teve fraturas nos membros inferiores.
Os feridos foram encaminhados a dois hospitais da região: Hospital Público Nestor Piva e Hospital de Urgência de Sergipe. A casa onde ocorreu o acidente foi interditada pela Defesa Civil e passará por perícia, que irá verificar se não há riscos de novos desabamentos.
ESTADÃO

Oito pessoas são mortas a tiros durante a madrugada em Osasco


Oito pessoas foram mortas a tiros em um período de três horas durante a madrugada desta quinta-feira em Osasco, na Grande São Paulo. Ao menos uma pessoa também ficou ferida e foi levada para o Hospital Regional de Osasco.

A Polícia Militar informou que atendeu a seis ocorrências de disparo de arma de fogo na região e que o número de feridos pode chegar a 10.

Informações preliminares apontavam que as mortes ocorreram durante as comemorações pelo título do Palmeiras na Copa do Brasil. De acordo com a Polícia Civil, eles estavam próximos a bares e pontos de venda de drogas.

A PM, no entanto, afirmou em nota que não há evidências de que as vítimas seriam torcedoras do Palmeiras e destaca que nenhuma delas usava o uniforme do clube.

Segundo a Polícia Civil, os tiros foram disparados por homens em motos e carros em quatro bairros da cidade.

Dentre os oito mortos Daniel Pereira Medrado, 23, Antonio Carlos Gimenez, 46, Edilson Silvestre da Silva, 35, e Marcelo Lúcio Gaspar Longarino, 41, estavam no bairro Munhoz Júnior, mas em locais diferentes. No bairro Rochdale, as vítimas foram Robson Cardoso de Godoy, 22, e Jailton Rodrigues da Silva, 29. Já Denis dos Santos, 34, foi baleado no Jardim Canaã, e Adriano Barbosa da Silva Souza, 25, no bairro Mutinga.

Os casos ainda estavam sendo registrados no 10º Distrito Policial de Osasco, por volta das 10h50 desta quinta-feiras. Nenhum suspeito foi preso.

FOLHA de S. PAULO

luishipolito@outlook.com

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