A cada dia 10 de todo mês, policiais civis de São Gonçalo e Niterói, ambas cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, recebiam “salários” de bicheiros, segundo consta em denúncia do MP (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro). O valor da propina não foi revelado. Até as 16h desta quarta-feira (1º), sete policiais civis, entre eles um delegado, e um agente penitenciário foram presos, acusados de formação de quadrilha armada, lavagem de dinheiro, contravenção e corrupção ativa.
O grupo criminoso tinha envolvimento com o jogo do bicho na Grande Rio. Segundo investigações do MP, o chefe do setor de homicídios da Delegacia de São Gonçalo (72ªDP) era o encarregado de distribuir a propina para que os agentes fossem omissos à realização dos jogos e para ajudarem a impedir que investigações relativas à contravenção fossem adiante. A regularidade dos pagamentos ilícitos caracteriza os policiais como integrantes de uma máfia, segundo o MP.
Batizada de Operação Alçapão - armadilhas para pegar animais -, uma referência ao envolvimento dos suspeitos com o jogo do bicho, a ação foi deflagrada às 5h desta quarta-feira, com o objetivo de cumprir dez mandados de prisão e 29 de busca e apreensão. Os policiais encontraram uma mala escondida na casa de um inspetor com R$ 210 mil.
O grupo de oito policiais civis, um agente penitenciário e um advogado é acusado de formar uma organização criminosa armada, pois, além de não cumprir suas funções, atendia a interesses de bicheiros. O grupo também é acusado de colaborar com o funcionamento de esquema ilegal por meio de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, e contravenção. A denúncia é dos promotores Claudio Varella, Claucio Cardoso da Conceição, Antonio Carlos Fonte Pessanha, da Gaeco (Grupo de Atenção Especial de Combate ao Crime Organizado), e Claudio Calo Sousa, titular da Promotoria de Investigação Penal.
R7