O duplo ataque ocorrido na Noruega nesta sexta-feira - uma explosão que atingiu um prédio do governo no centro de Oslo e um tiroteio no centro de juventude do Partido Trabalhista, na ilha de Utoeya, ao noroeste da capital - matou ao menos 17 pessoas, segundo a polícia local.
De acordo com as informações da polícia, sete das vítimas foram mortas na explosão e ao menos outras dez foram mortas no ataque a tiros. No entanto, o número de mortos deve aumentar.
O ministro da Justiça do país, Knut Storberget, disse em coletiva de imprensa que um cidadão norueguês foi detido após os atentados. A identidade do homem não foi revelada de imediato.
Ele disse também que a resposta à violência é a democracia, pediu às pessoas que não usem celulares se não for estritamente necessário, para não sobrecarregar a rede de telefonia, e que permaneçam em casa.
O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, condenou os ataques durante a coletiva, e disse que o país "se unirá" nesse momento de crise.
"Isso não irá destruir nossa democracia", afirmou ele, dizendo ainda que a explosão no prédio em que fica seu gabinete na capital é um "ataque às suas políticas" e o atentado a tiros ao campo do Partido Trabalhista é um "ataque à juventude que discute as questões políticas".
INVESTIGAÇÕES
O chefe-assistente da polícia de Oslo, Egil Vrekke, pediu nesta sexta-feira que as pessoas evitem o centro da capital norueguesa, depois da explosão, ocorrida às 15h30 (10h30), e que causou grandes danos ao prédio onde fica o escritório do premiê Jens Stoltenberg.
"Nós temos pessoas no local investigando se há outras bombas na área", disse Vrekke, citado pela rede britânica BBC. Ele disse ainda que o número de mortes pode aumentar.
Stoltenberg disse que é 'muito cedo' para classificar a explosão de ataque terrorista. Ele não revelou sua localização, a pedido da polícia. Não há qualquer reivindicação oficial de autoria da ação por parte de algum grupo terrorista até o momento.
A agência de notícias Reuters afirmou mais cedo que os destroços de um carro desconhecido estavam do lado de fora do edifício. A polícia norueguesa já admite a possibilidade, mas ainda não confirma.
A polícia norueguesa disse que encontrou explosivos - que não foram detonados - na ilha onde ocorreu o tiroteio no acampamento da juventude do Partido Trabalhista.
TERRORISMO
Ainda não se sabe quem está por trás dos ataques que mataram pelo menos 16 na Noruega, mas a polícia não acredita que os ataques estejam relacionados com terrorismo internacional.
Inicialmente, o grupo jihadista Ansar al-Yihad al-Alami emitiu um comunicado reivindicando os ataques, segundo informou o "New York Times" citando um especialista em terrorismo.
Posteriormente, o mesmo especialista, Will McCants - que trabalha na Universidade Johns Hopkins -- explicou em seu blog que o grupo havia se retratado.
O jornal "Nationen" disse os ataques devem estar relacionados com um problema interno relacionado com o sistema político local.
DANOS
A explosão estourou vidraças no edifício de 17 andares onde fica o escritório do primeiro-ministro e também do Ministério do Petróleo, que está em chamas.
O prédio do tabloide "VG" e outras publicações norueguesas, que fica próximo, também foi danificado.
"Vi que as janelas do edifício do "VG" e da sede do governo estouraram. Há pessoas ensanguentadas nas ruas", disse um jornalista da rádio estatal NRK, que está no local.
"Há vidro por toda a parte. É o caos total. As janelas de todos os edifícios dos arredores voaram pelos ares", disse o jornalista da NRK Ingunn Andersen, que disse ter pensado que era um terremoto.
As imagens divulgadas pelos jornais noruegueses mostram os destroços acumulados em frente ao edifício da "VG". Já as cenas filmadas por noruegueses nos momentos após a explosão mostram grande correria e pânico nas ruas.
A polícia isolou a região e esvaziou os prédios vizinhos.
Horas depois da explosão, tiros foram disparados no centro de juventude na ilha de Utoeya.
BRASILEIRO
O brasileiro Leonardo Doria, 33, que testemunhou a explosão, disse ter ficado impressionado o que viu.
"De repente, o prédio começou a balançar". O brasileiro diz que, quando foi à janela com colegas de escritório, viu uma nuvem de fumaça "gigantesca". Ele trabalha a 600 metros do prédio do governo atingido pela explosão. Não há informações sobre brasileiros entre as vítimas.
"A primeira reação foi ficarmos no edifício, em segurança", descreve. Ele trabalha como consultor na Secretaria Nacional de Integração e Diversidade, e mora na Noruega há dez anos.
Enquanto falava à Folha, ele voltava para sua casa, de bicicleta. "Moro em um local com vista privilegiada", conta. "Então estou vendo, infelizmente, a fumaça".
A embaixada brasileira na Noruega divulgou o número de emergência (00xx21) 47 93 45 00 92 para contato de brasileiros que estejam na Noruega e precisem de auxílio.
FOLHA