Os mercados financeiros iniciam a semana mantendo o tom negativo da semana passada. Em meio a especulações sobre um possível "default" (calote) da Grécia, investidores e analistas se questionam sobre o impacto desse evento no sistema bancário europeu, já muitas instituições financeiras aportaram recursos em títulos da dívida desse país.
As Bolsas europeias respondem pelas piores perdas do dia: em Frankfurt, o índice Dax cai 2,19%, enquanto o índice francês do mercado de ações recua 4,02%. Nos EUA, a Bolsa de Nova York cede 0,87%.
No front doméstico, o Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, retrocede 1,50%, aos 54.941 pontos. O giro financeiro é de R$ 2,18 bilhões.
O dólar comercial é negociado por R$ 1,699, em alta de 1,25%. A taxa de risco-país marca 229 pontos, número 1,32% acima da pontuação anterior.
No domingo, a imprensa internacional destacou a advertência da Moody's a respeito de um rebaixamento dos principais bancos franceses (PNB Paribas, entre outros), devido ao carregamento de títulos da dívida grega. A Grécia está em uma delicada situação financeira, e a maioria dos analistas já vê como inevitável o anúncio de um "default" (suspensão de pagamentos).
Já no front doméstico, o boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, mostrou que a maioria dos economistas do setor financeiro voltou a rebaixar suas projeções para a taxa Selic deste ano, enquanto elevou a inflação prevista para o período.
De acordo com a última edição deste relatório, a taxa básica deve encerrar 2011 em 11% ao ano. A inflação projetada aumentou de 6,38% para 6,45% (pela referência do IPCA). Para 2012, a taxa esperada passou de 5,32% para 5,40%.
E apesar da disparada recente da taxa de câmbio doméstica, os analistas de bancos e corretoras ainda projetam um preço de R$ 1,60 para o final deste ano.
Apesar do fato de que a deterioração do cenário internacional pressiona as cotações da moeda americana, economistas veem com reservas uma possível disparada dos preços. E lembram que o banco central americano já sinalizou que pode inundar novamente o setor financeiro com bilhões de dólares para estimular a economia, o que conter a tendência de fortalecimento da divisa frente as outras moedas.
FOLHA