quarta-feira, 9 de maio de 2012

Em carreira solo, Jack White fala sobre morte, perdas e mudanças


O talentoso músico americano Jack White tem um urubu no ombro na capa de seu disco, o recém-lançado "Blunderbuss", muito provavelmente já inscrito na lista de melhores álbuns do ano, mesmo estando longe de dezembro.

Além da ave negra, o primeiro álbum solo da já longa carreira de White tem letras sobre perdas e mudanças. O guitarrista acabou recentemente com seu casamento e botou um fim de vez na famosa dupla White Stripes.

Apesar da carga sombria que acompanha o disco desde capa, letras e músicas, "Blunderbuss" é bastante iluminado. E White parece estar muito feliz por toda a repercussão em torno dele.

"As pessoas costumam achar que rompimentos são sempre trágicos. Não são. O fim de uma banda ou de um relacionamento não necessariamente é algo negativo", diz Jack White, em entrevista à Folha por telefone.

Então, você vem agora com um trabalho solo depois de integrar bandas famosas não expressa o sentimento de "eu quero ficar sozinho"?

"Foi acidente. O White Stripes acabou e os integrantes do Raconteurs e do Dead Weather estão muito ocupados com suas outras bandas. Essas músicas que eu botei no disco começaram a sair, e me vi sozinho", contou White. "Mas nada planejado. E nada demais, também. Só me pareceu o jeito mais fácil".

O MUNDO DE WHITE

É difícil acompanhar a mente de Jack White. Quem o segue desde os tempos de White Stripes, que ajudou no começo dos 2000 a dar uma mexida no estado de ânimo da música jovem, sabe disso.

Primeiro injetou blues no indie e popularizou um formato de "banda de dois", só com guitarra e bateria, sendo que a baterista, mulher, nem era lá uma grande instrumentista. Depois, no auge, inventou outra, uma banda de amigos. Na sequência, um supergrupo indie com um povo de outros grupos famosos.

Agora, saiu solo, fez um disco que tem punk, country, blues, rock clássico e Queen. E, como se não bastasse, montou duas bandas para acompanhá-lo: uma de garotas, outra de rapazes.

Como ele explica esse "estranho mundo de Jack"?

"Eu nunca quero ficar quieto, parado. Preciso sempre seguir em frente. É difícil, porque o mundo do showbiz envolve fazer a mesma coisa o tempo todo! Este álbum saiu em meio a sessões minhas com vários músicos, e fui incluindo mais e mais gente na gravação. Até que, quando chegou a hora dos shows, decidi levar duas bandas! Para que isso fosse um desafio", explica.

DO CONTRA

"Se você está em uma banda como o White Stripes, dizem que você tem que ficar nela por muito tempo e fazer quatro ou cinco discos ruins na sequência. E só então parar. Não fizemos isso", diz.

"Você não deve começar uma turnê pela América do Sul para promover um disco, se quiser lucrar. Com o White Stripes, fizemos isso e perdemos dinheiro, mas era simplesmente o que queríamos fazer!", admite.

"Você não deve ter duas bandas em turnê como eu estou tendo agora. Mas eu queria que fosse assim! Não ligo para regras. E é por isso que está dando certo. Se você é a Britney Spears e toma esse tipo de decisão, a sua carreira vai para o espaço! Tenho sorte por estar em uma posição na qual posso tomar decisões como essas".

E o urubu? "Foi um amigo que colocou. Pensando nas letras e nas coisas que estavam na minha cabeça, ele tinha que estar ali. E parece que fiquei amigo da morte".

FOLHA