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Sunday, September 30, 2012

Problema para o sucessor


É conhecida a história daquele Papa que, andando pelas ruas de Roma, viu-se assediado por um padre fanático anunciando aos gritos haver o anti-Cristo nascido no interior da Itália. Sua Santidade indagou que idade teria aquele infernal inimigo da Igreja, ouvindo como resposta “mais ou menos dois anos”. Depois de abençoar o impertinente interlocutor, o Papa seguiu seu caminho comentando: “Então, não é problema meu, mas do meu sucessor…”
Guardadas as proporções, essa poderia ter sido a resposta da presidente Dilma, ao ouvir do primeiro-ministro da Inglaterra, David Cameron, que, se o Brasil não suspender imediatamente o protecionismo aplicado em favor de nossa produção industrial, logo o seu país nos estará retaliando e destruindo. Fez as vezes de arauto, senão do anti-Cristo, ao menos do anti-Dilma.
Ameaças como essa não tem mais sentido nem valor, no mundo atual. Aí está o exemplo da China, que depois de séculos explorada, ofendida e humilhada, em grande parte pela pérfida Albion, rompeu o círculo de giz e caminha para tornar-se a maior economia do planeta. Pouco importa aos chineses a inveja dos ingleses por conta de seu crescimento.
Aliás, foram eles, exploradores de outrora, que imaginaram fazer outro negócio da China quando da abertura econômica promovida por Teng Tsiau-Ping, depois da morte de Mao Tsé-Tung. De olho nos baixos salários pagos ao povo chinês, as multinacionais imaginaram montar lá suas indústrias, seus negócios e suas armadilhas. Só que tudo mudou. A China recuperou, primeiro, sua independência e seu amor próprio. Depois, abriu-se à modernidade, mas dentro de seus termos. Hoje, virou o jogo.
O Brasil segue na mesma trilha. Passou a Inglaterra em termos econômicos. Somos nós, e não eles, a sexta economia do planeta. Assim, não devemos sentir-nos ameaçados. Se um país detém essa condição, somos nós, não eles, ainda que a hipótese não nos passe pela cabeça. Interessa-nos crescer, coisa que não depende daquela ilha.
Bem que Dilma deveria ter dito ao arrogante súdito da Rainha não estar preocupada com o que eles poderão fazer. Porque se um dia voltarem a ter importância a ponto de nos prejudicar, será muito no futuro. Problema para um sucessor, não para a presidente…
TRIBUNA DA INTERNET

Jovens estudam humanas, mercado pede exatas


RIO - As profissões das áreas exatas e técnicas estão com a demanda em alta no Brasil, segundo estudo baseado nos Censos de 2000 e 2010, realizado pelo economista Naercio Menezes Filho, do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e Universidade de São Paulo (USP).
Por outro lado, o aumento da oferta de profissionais acima da demanda do mercado fez com que os salários caíssem entre 2000 e 2010 em profissões não ligadas à área técnica, como Administração, Comunicação e Jornalismo, e Marketing e Publicidade, com quedas de respectivamente 17,8%, 14,1% e 7,4%
No topo da remuneração entre todas as formações universitárias em 2010, estavam profissões como Medicina, graduados em academias militares, Engenharia Civil e Odontologia, com salários mensais médios de respectivamente R$ 6.952, R$ 6.359, R$ 4.855 e R$ 4.854.
"Há mais demanda na área de exatas, mas a oferta está crescendo mais rápido na área de humanas", comenta Menezes.
O detalhadíssimo trabalho leva em conta um amplo conjunto de informações sobre os 10,6 milhões de brasileiros de 18 a 60 anos que detinham diploma universitário em 2010 (e os 5,4 milhões na mesma situação em 2000). O estudo foi feito por encomenda da BRAiN Brasil, uma associação de bancos, BM&F, Federação dos Bancos Brasileiros (Febraban) e outras entidades, que tem como objetivo transformar o Brasil num polo internacional de investimentos e negócios.
A pesquisa partiu de um aparente paradoxo. Apesar de se constatar no Brasil um apagão de mão de obra qualificada, o salário real médio de quem tem o ensino médio completo caiu de R$ 1.378 em 2000 para R$ 1.317 em 2010. Da mesma forma, os diplomados no curso superior viram seu rendimento médio cair de R$ 4.317 em 2000 para R$ 4.060 em 2010. Se o ganho de quem tem o ensino médio ou grau universitário caiu, é um sinal de que a demanda por qualificação recuou - o que aparentemente contradiz o fenômeno do apagão de mão de obra.
O estudo detalhado de mais de 40 tipos de formação universitária, porém, explica a contradição. Na verdade, há algumas profissões de grau universitário extremamente demandadas, nas quais a oferta de mão de obra cresceu insuficientemente de 2000 a 2010. "São as profissões que o país está pedindo", diz Menezes Filho.
Proporção
É o caso, por exemplo, da Engenharia Civil. Havia 141,8 mil engenheiros civis no Brasil em 2000, número que cresceu para apenas 146,7 mil em 2010. Dessa forma, a proporção de engenheiros civis no total da população com diploma universitário caiu de 2,76% para 1,45% no período. A alta da demanda fica claro na evolução salarial da categoria no período, com elevação de 20,6%. Em 2010, na média, um engenheiro civil ganhava 211% a mais do que os trabalhadores apenas com ensino médio completo. Em 2010, essa vantagem subiu para 266%.
Um fenômeno muito parecido ocorreu com a Medicina, que está no topo de rendimento, e também tem a menor taxa de desemprego entre as profissões (excetuando-se os militares), de apenas 0,62% em 2010. O número de médicos cresceu pouco no Brasil entre 2000 e 2010, saindo de 207 mil para 225 mil. Com isso, sua proporção no total da população diplomada caiu de 4,04% para 2,23%. Já o salário deu um salto de 18,13%.
Algumas profissões fora da área técnica, porém, tiveram aumento de oferta com queda de salário - isto significa que o sistema universitário produziu mais profissionais desse tipo do que o País estava demandando. Em Administração, por exemplo, houve um salto de 594 mil para 1,473 milhão. A profissão passou de 11,6% do total dos diplomados para 14,6% entre 2000 e 2010. A oferta tornou-se excessiva, como fica claro pelo recuo de 17,8% na remuneração.
Em hotelaria, alimentação e turismo, o contingente diplomado quase quintuplicou, fazendo com que a remuneração caísse 22,6%, para R$ 2.585, em 2010.
Impacto nos salários. Algumas profissões rentáveis também tiveram um salto tão forte na oferta de novos profissionais entre 2000 e 2010 que acabaram sofrendo impacto na remuneração. O número de atuários no País aumentou seis vezes em dez anos, de 2,1 mil para 12,5 mil. A profissão é bem remunerada, sendo a sexta no ranking, com ganho médio mensal de R$ 4.723 em 2010. Ainda assim, a remuneração média caiu 11,5% desde 2000.
Outras profissões sofreram queda tanto de oferta quanto de demanda (medida pelo salário), como Filosofia. Em 2000, havia 29,1 mil pessoas de 18 a 60 anos formadas em Filosofia, número que caiu para 24,9 mil em 2010. Mesmo com menos oferta, os salários caíram 14,6%, para R$ 2.390. Aliás, é a menor remuneração entre todas as profissões que exigem diploma universitário.
Outra característica da Filosofia é ser o grau universitário em que uma menor proporção das pessoas diplomadas trabalha na própria área de formação, com apenas 3,9% em 2010. Em contraste, 79,9% dos médicos trabalham com medicina.
"O problema é menos que há poucas pessoas com formação universitária no Brasil, e mais que essas formações estão muito mal distribuídas", diz André Sacconato, economista da BRAiN.
Ele nota que é mais barato abrir cursos universitários em áreas não técnicas "Dá para criar uma faculdade de Economia só com professores e livros, mas Medicina e Engenharia precisam de materiais, máquinas, equipamentos e tecnologia - estamos formando muitos administradores e poucos engenheiros".
ESTADÃO

Saturday, September 29, 2012

Velório de Hebe Camargo será no Palácio do Governo de São Paulo


O velório da apresentadora Hebe Camargo, que morreu na madrugada deste sábado (29), aos 83 anos, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, vai ser no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual de São Paulo, a partir das 18 horas.
Já o sepultamento da apresentadora está marcado para o cemitério Gethsemani neste domingo (30), às 9h30. A assessoria de imprensa do Governo do Estado informou que o velório será aberto ao público, mas que ainda não foi definido a partir de que horário vai ser isso.
ESTADÃO

Apresentadora Hebe Camargo morre aos 83 anos em São Paulo


A apresentadora Hebe Camargo, uma das pioneiras da televisão brasileira, morreu aos 83 anos na manhã deste sábado (29), em consequência de uma parada cardíaca, em sua casa em São Paulo.

Na última quinta-feira (27), o SBT havia anunciado a volta de Hebe à emissora. Ela estava afastada do canal de Silvio Santos desde dezembro de 2010, quando não renovou seu compromisso e migrou para a Rede TV!.

As idas e vindas de Hebe ao hospital começaram naquele ano, quando ela passou por cirurgia e quimioterapia após ser diagnosticada com câncer no peritônio, membrana que envolve os órgãos do aparelho digestivo.

Em março deste ano, outro susto. A apresentadora passou por outra cirugia para retirar um tumor no intestino. Um mês depois, recuperada, porém um pouco debilitada, voltou ao ar na Rede TV!.

Em junho, Hebe foi levada às pressas ao hospital para a retirada da vesícula. No mês seguinte, ficou internada por cinco dias para realizar exames de rotina.

DOENÇAS

Em janeiro de 2010, Hebe Camargo foi internada no mesmo hospital, o Albert Einstein, em São Paulo, para a retirada de um tumor.

A operação ocorreu assim que os médicos diagnosticaram nódulos no peritônio, membrana que envolve a cavidade abdominal - um câncer raro, mas tratável, segundo a equipe do hospital.

Após a cirurgia, Hebe começou a fazer sessões de quimioterapia para combater a doença. Em março, em meio ao tratamento, voltou a gravar seu programa, então no SBT, emissora que a acolheu por 25 anos.

"Vou vivendo como se nada tivesse acontecido", disse a apresentadora ao fim da gravação, acompanhada pela Folha. "Vou para a quimioterapia e não sinto nada, é uma coisa mágica na minha vida", contou.

Na ocasião, Hebe afirmou que foi um pouco relapsa com sua saúde. "Eu fui um pouco, só fazia exame de sangue", disse, completando que nunca teve nenhuma doença. "Só ia no hospital pra fazer plástica, ou no peito ou na cara".

A apresentadora falou ainda sobre a perda de cabelos acarretada pela quimioterapia. "O meu médico comentou com meu sobrinho que meus cabelos iam cair, e foram os cabelos dele que começaram a cair de medo [de contar]. Quando eu soube, não tive impacto nenhum", disse.

Hebe contou que ligou então para uma conhecida e fez "umas três, quatro" perucas. "Vocês estão crentes que é o meu cabelo? É peruca, pode fotografar!".

Em abril de 2010, a assessoria de imprensa da apresentadora afirmou que o câncer que a acometia já não existia mais.

VOLTA AO SBT

O contrato de Hebe com o SBT foi selado em uma reunião entre a cúpula do SBT e o empresário dela, Cláudio Pessuti. Daniela Beyruti, diretora artística e de programação da rede, José Roberto Maciel, vice-presidente, e Leon Abravanel, diretor de produção, estavam presentes.

"Diretores e colaboradores do SBT comemoram a volta da artista, que sempre foi uma das mais queridas da casa", dizia o comunicado da rede.

A negociação entre Hebe e SBT ocorria desde junho e foi revelada pela coluna Outro Canal, da Folha. Foi o apresentador Ratinho quem iniciou a aproximação entre as partes.

Em 17 de setembro deste ano, ela se desligou da Rede TV!, cujo compromisso iria até dezembro.

Hebe teria ficado meses sem receber seu salário e participação no merchandising de sua atração. No comunicado em que anunciou a saída da loira, o canal disse não ter pendências financeiras com ela.

Hebe não realiza gravações para a televisão desde junho, quando se submeteu a novas internações por conta de um tratamento contra um câncer no peritônio, descoberto em 2010.

Recentemente, Silvio Santos telefonou para a apresentadora, desejando que ela se recuperasse logo para retornar à TV.

Hebe estava escalada para participar do Teleton, que será exibido pelo SBT em novembro.

FOLHA DE S. PAULO

'Fui esquecido', diz pivô do impeachment de Collor


Vinte anos depois de a Câmara aprovar a abertura do processo de impeachment de Fernando Collor - o que selou a queda do então presidente da República--, o potiguar Eriberto França reclama: "Fui esquecido. Minha dignidade tem que ser resgatada. No meio político é 'estou bem' e o resto que se dane".

Há um ano e meio desempregado, ele é desde 1992 o "motorista que derrubou o presidente", mas faz questão de reafirmar logo de cara: "Eu nunca fui motorista do presidente. Nunca dirigi para ele".

Eriberto, hoje com 47 anos, trabalhava como assessor de Ana Acioli, secretária particular de Fernando Collor. Uma espécie de "faz-tudo". Dirigia para ela e cuidava de tarefas financeiras ligadas ao ex-presidente e sua família.

Pagava contas da Casa da Dinda, por exemplo. Tudo com dinheiro enviado por Paulo César Farias (morto em 1996), tesoureiro da campanha presidencial de Collor e acusado de liderar um esquema de corrupção no Planalto.

Foi Eriberto quem comprou o famoso Fiat Elba, carro usado por Rosane Collor que virou prova do esquema de PC Farias. "Eu comprei, né, com o cheque", recorda.

Diz que cabia a ele, ainda, sair à caça de material para rituais de magia negra que ocorriam na Casa da Dinda.

"Quem comprava tudo para fazer aquela bagunça toda era eu. Comprava bode, galinha, o escambau, ia para cemitério buscar terra".

Eriberto recebeu a Folha na semana passada em seu apartamento, em Brasília, alugado pelo sogro. Vive com a mulher, também desempregada, e dois filhos, que interromperam cursos em faculdades.

Hoje, aparenta ser um homem um tanto amargurado. Não queria dar entrevista. "Sempre sobra para mim".

Ele argumenta que não teve reconhecimento público por parte da classe política. Reclama que jamais foi homenageado pelo Congresso. "Era isso que um dia eu esperava receber e nunca recebi. Foi ali [no Congresso] a coisa toda".

Após sair do governo em 92, Eriberto trabalhou na revista "IstoÉ", para qual deu a bombástica entrevista que acelerou o afastamento de Collor.

Depois, foi para o Ministério dos Transportes a convite do então ministro Odacir Klein. Em 2003, foi demitido e, com a ajuda de petistas, foi parar na EBC, na área técnica de televisão, de onde saiu em março de 2011.

Ganhava R$ 1,9 mil. Desde então, conta com a ajuda do sogro, tenta fazer alguns bicos e usa o dinheiro que sobrou da rescisão trabalhista.

Sua filha caçula tem os mesmos 20 anos que separam o dia de hoje de 29 de setembro de 1992, quando a Câmara aprovou o impeachment.

"Eu nunca tinha ouvido falar na palavra impeachment", diz ele hoje. Conta, aliás, que naquela tarde de setembro se escondeu no sul da Bahia, numa fazenda da irmã do então diretor da "IstoÉ" João Santana.

O mesmo que se tornaria anos depois um dos principais marqueteiros políticos do país, tendo Lula e Dilma Rousseff na lista de clientes.

"Fiz de tudo para não ver [a sessão da Câmara]. [Lá] Tinha uma televisão. Aí pensei: O que que eu fiz? Sempre tinha um cara do meu lado para tranquilizar, o João Santana".

ARREPENDIMENTO?

Passadas duas décadas, Eriberto é categórico: não repetiria seu gesto.

"Se eu falar para você que me arrependo, estou mentindo. Se eu falar que não, estou mentindo também. Porque se, na atual circunstância, você perguntar: 'Eriberto, você faria tudo de novo?' Eu vou botar a mão na cabeça e vou dizer: 'não faria'. Sabe por que? Porque não compensou. Sofrer duas vezes, passar o que passei, o sufoco, e ainda não ter sido reconhecido?".

Ele conta, em tom de revelação, que recebeu oferta financeira durante o escândalo para não contar o que sabia. "Poderia ficar rico, porque dinheiro foi oferecido e nunca quis. Foi oferecido para eu calar a boca. A coisa estava feita", conta, sem dar mais detalhes.

A "coisa feita" citada foi a postura de revelar, em 1992, como atuou no esquema de Paulo César Farias. "Era muita roubalheira, nunca transportei tanto dinheiro", diz.

Um certo dia, Collor já senador, Eriberto França foi visitar um amigo no Senado. Ao subir a escada que dá acesso ao tradicional Salão Azul, conta que deu de cara com ele. Pela primeira vez após o escândalo, o motorista encontrava o presidente que ajudou a derrubar.

"Foi uma casualidade. Ele estava descendo aquela escada, e eu subindo. Não sei se me reconheceu", revela. Mal se olharam. "Não deu tempo. Foi inusitado. Ele lá com aquele jeitão, imponente", diz, imitando Collor.

Eriberto nem imagina o diálogo que teria com Collor: "Seria muito cinismo da minha parte dizer 'Oi presidente, tudo bem?'. Ele diria: 'Claro que não, depois de tudo o que você me fez'".

Eriberto diz que não contou tudo que sabia: "Não posso abrir, tem gente que sabe o que sei. Aí eu deixo alguém com a pulga atrás da orelha. A não ser que me matem como queima de arquivo".

E foge das comparações com Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão em 2005, e Pedro Collor, irmão do ex-presidente e o primeiro a revelar detalhes do esquema PC Farias. "Meu motivo está dentro de uma lógica: caramba, será possível que eu tenho que aceitar isso? Vamos dizer assim, um termo meio chulo, é muita roubalheira, muita corrupção", diz.

Fernando Collor não quis dar entrevista à Folha sobre os 20 anos do impeachment nem se manifestou sobre as declarações de Eriberto.

FOLHA DE S. PAULO

Morre aos 86 anos Arthur O. Sulzberger, publisher do New York Times


Morreu na manhã deste sábado, 29, o publisher do New York Times, Arthur O. Sulzberger, que liderou as transformações no jornal centenário norte-americano durante 34 anos. Sulzberger tinha 86 anos e morreu depois de uma longa doença, anunciou a sua família, de acordo com o New York Times.
Sulzberger esteve no comando da empresa - comprada por seu avô em Adolph S. Ochs, em 1896 - durante 34 anos. Ele assumiu o cargo em 1963, levando o jornal por um período de grandes transformações nos Estados Unidos e para as empresas de mídia, "da era das máquinas de linotipo ao nascimento do mundo digital", descreveu o jornal.
Foi decisão de Sulzberger publicar em 1971 a série de reportagens que expôs detalhes sobre a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, comprometendo o governo do então presidente Richard Nixon. O caso ficou conhecido como os "Documentos do Pentágono", em referência aos papéis que basearam a reportagem, obtidos pelo jornal.
O arquivo detalhava o legado do governo de fraude e evasão durante a guerra. Quanto publicados, em 1971, os documentos constrangeram Nixon, que tentou parar as reportagens do New York Times alegando interferências à segurança nacional. O jornal se recusou a atender o pedido do presidente e venceu o caso na Suprema Corte americana, em um caso histórico de liberdade de imprensa.
Em meados dos anos 1970, Sulzberger reformou o jornal em meio a dificuldades financeiras. Ele expandiu o periódico de duas para quatro seções, criando cadernos separados para as editorias da metrópole e negócios. O formato buscava atrair novos leitores, especialmente mulheres, e anunciantes.
A medida foi considerada indigna de um jornal sério por alguns críticos, mas logo verteu-se num sucesso: os cadernos SportsMonday, Science Times Living, Home e Weekend ampliaram as vendas do periódico sem comprometer o núcleo de matérias mais importantes.
"Arthur Ochs Sulzberger será lembrado como a pessoa que assegurou a continuidade do jornal, renovando e levando-o a conquistas de alto nível", disse ao New York Times, Richard L. Gelb, membro do conselho da empresa.
ESTADÃO

Israelenses não veem guerra com Irã este ano após discurso de Netanyahu


TEL-AVIV - O discurso do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, na ONU sobre os avanços nucleares do Irã amenizaram as especulações de que Israel poderia ordenar uma guerra este ano.
Analisando o discurso de quinta-feira, 28, em que Netanyahu desenhou uma "linha vermelha" em uma figura de uma bomba para mostrar quão perto o Irã está da construção de armas nucleares, comentaristas viram o prazo para qualquer ação militar caindo no início ou meados de 2013, bem após as eleições americanas em novembro. "O 'ano decisivo' de 2012 vai passar sem nenhuma decisão crucial", escreveu Ofer Shelah do jornal Maariv, na sexta-feira.
Sem dizer isso explicitamente, Netanyahu insinuou que Israel atacaria as instalações iranianas de enriquecimento de urânio se estiverem em condições de processar material para possíveis armas além do limite. O Maariv e outro diário de grande circulação de Israel, o Yedioth Ahronoth, disse que o primeiro semestre de 2013 agora parecia a data alvo de Netanyahu, dada a sua previsão de que até então o Irã pode ter acumulado suficientes 20 por cento de urânio enriquecido para uma primeira bomba, se for mais purificado.
Mas as primeiras páginas do jornal liberal Haaretz e do jornal pró-governo Israel Hayom citaram meados de 2013 - estimativa de Netanyahu para quando os iranianos estariam prontos para embarcar na última fase de construção de uma arma, o que poderia tomar apenas "alguns meses, possivelmente algumas semanas".
O Irã, que nega estar buscando armas nucleares, disse que o discurso de Netanyahu fez "alegações infundadas e absurdas" e que a República Islâmica "reserva para si o pleno direito de retaliação com força total contra qualquer ataque". Israel é amplamente considerado o único país no Oriente Médio a ter arsenal atômico.
Diplomatas israelenses estavam relutantes em dar mais detalhes sobre o discurso de Netanyahu, dizendo que o principal objetivo dele era ilustrar a ameaça do governo iraniano. Netanyahu elogiou a resolução de Obama em seu discurso na ONU, que o primeiro-ministro descreveu como um avanço para um "objetivo comum" - um forte sinal de que Israel não iria surpreender o governo norte-americano com um ataque unilateral ao Irã.
ESTADÃO

Presidente do STF se nega a publicar nota de Barbosa


O presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, não autorizou a publicação no site do tribunal de uma nota do ministro Joaquim Barbosa atacando declarações do colega Marco Aurélio Mello.

No texto, Barbosa afirma que "jamais" tirou "proveito de relações de natureza familiar" para ascender profissionalmente. Mello foi indicado ao STF em 1990 pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello, de quem é primo.

A interlocutores Barbosa disse ter ficado irritado com a postura de Britto e considerou o gesto uma censura.

A intenção do presidente, segundo a Folha apurou, era evitar envolver a corte em uma discussão pessoal.

A polêmica começou após a sessão de anteontem do julgamento do mensalão, na qual o relator trocou palavras duras com Marco Aurélio.

Ao comentar o embate, o ministro disse que tinha receio da chegada de Barbosa à presidência do Supremo, em novembro, com a aposentadoria de Ayres Britto.

O relator do mensalão decidiu reagir e pediu que a assessoria do Supremo divulgasse o documento. A nota diz que Marco Aurélio é um "obstáculo" a qualquer presidente do Supremo.

Ontem, Marco Aurélio evitou polemizar sobre a discussão. "Isso não cabe qualquer resposta porque não me atingiu", disse. "Eu vou continuar atuando como sempre".

FOLHA DE S. PAULO

Friday, September 28, 2012

PC chinês expulsa e acusa Bo Xilai de "múltiplos crimes"


O Partido Comunista da China expulsou nesta sexta-feira o político Bo Xilai de cargos altos do partido e disse que vai entregá-lo para investigações criminais, sob acusação de múltiplos crimes.

Em um comunicado oficial distribuído nesta sexta, o PC chinês diz que, entre outras violações, Bo "teve ou manteve relações sexuais impróprias com múltiplas mulheres".

A decisão do partido abre uma nova fase no escândalo envolvendo Bo, que caiu em desgraça e perdeu a influência que teria no processo de sucessão de liderança na China.

A esposa da Bo e o ex-chefe de polícia subordinado a ele foram presos por causa do escândalo que se iniciou a partir do assassinato do empresário britânico Neil Heywood, na cidade de Chongqing, sudoeste do país, onde Bo era o chefe do Partido Comunista.

O comunicado divulgado pela agência de notícias oficial Xinhua disse que no escândalo em torno do assassinato de Heywood, Bo "abusou de seus poderes de gabinete, cometeu sérios erros e carrega grande responsabilidade".

"As ações de Bo Xilai criaram graves repercussões, e danificaram enormemente a reputação do partido e do Estado", disse a nota.

EXPULSÃO DO PARTIDO

Bo foi expulso do partido bem como do Politbuto e Comitê Central (os centros de decisão) "em vista de seus erros e pela culpabilidade no episódio Wang Lijun e o caso do homicídio intencional envolvendo Bogu Kailai".

Bogu é o sobrenome, raramente usado, da mulher do funcionário caído em desgraça.

"As graves violações da disciplina do partido" por parte de Bo mencionam episódios de seu passado como funcionário em Dalian e Liaoning, e no Ministério do Comércio, aponta a agência estatal de notícias Xinhua.

O anúncio ocorre semana antes de um importante congresso do PC chinês, quando devem ser reveladas as novas lideranças do partido. O congresso começa em Pequim, no dia 8 de novembro.

Bo, 63, era visto como uma das futuras lideranças do partido, antes que sua carreira política saísse dos trilhos com o caso de Wang Lijun.

Em fevereiro, o ex-chefe de polícia de Chongqing (e ex-braço direito de Bo) pediu refúgio no consulado americano, e acusou mais que a mulher do funcionário havia envenenado Heywood.

REUTERS/FOLHA DE S. PAULO

Megaoperação da PM detém mais de 250 pessoas em 10 horas em São Paulo


A Polícia Militar deteve 252 pessoas na megaoperação realizada entre a tarde e a noite de ontem em todo o Estado de São Paulo. Ao todo, foram abordadas 64.291 pessoas, sendo 180 adultos presos e 72 adolescentes apreendidos.

Governo de São Paulo põe policiais com função burocrática na rua

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), a operação tinha o objetivo de prevenir e combater crimes como roubo e furto de veículos, roubo a banco e caixa eletrônico e tráfico de entorpecentes, além de ações educativas de trânsito por meio de bloqueios policiais.

Ao todo, 22.910 policiais militares foram destacados para a operação, incluindo PMs que atuam em funções burocráticas. Além das prisões foram apreendidas 32 armas e mais de 120 kg de droga. A operação começou às 14h de ontem e terminou por volta da 0h de hoje.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) trocou na última quarta-feira o comando da Rota. O tenente-coronel Salvador Madia, que assumiu o cargo em novembro passado, deixou a função, que passou a ser assumida pelo tenente-coronel Nivaldo César Restivo.

VIOLÊNCIA

Dados da Secretaria da Segurança divulgados na terça-feira (25) mostraram que o número de casos de homicídios dolosos (intencionais) subiu no Estado.

No mês passado foram registrados 391 homicídios dolosos no Estado, com 417 vítimas - em uma ocorrência pode haver mais de uma pessoa morta. Em todo o ano, foram 2.924 registros, com 3.109 vítimas.

O aumento no Estado foi de 8,6% em comparação com agosto de 2011 e de 6,3% se analisado o acumulado nos oito primeiros meses do ano.

Na cidade de São Paulo, o crescimento foi maior: 15,2 % em agosto e 15,4% no acumulado do ano.

FOLHA DE S. PAULO

Thursday, September 27, 2012

A redução da desigualdade


Uma das grandes marcas da economia brasileira nos primeiros dez anos do novo século foi a redução simultânea da pobreza e da desigualdade, como confirma o estudo intitulado A Década Inclusiva (2001-2011), recém-divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, quanto à divisão da renda e da riqueza, mas ninguém pode menosprezar a melhora das condições de vida de cerca de 40 milhões de pessoas e sua incorporação ao mercado de consumo. Em outros grandes países emergentes, o crescimento econômico nos últimos 20 anos foi acompanhado de redução da pobreza e aumento da desigualdade, porque a situação de alguns grupos melhorou muito mais rapidamente que a de outros. Em várias potências do mundo rico, a distribuição tem-se tornado mais desigual desde o quarto final do século passado, numa trajetória quase sem desvio, seja em tempos de crise ou em fases de prosperidade.
A mudança mais visível, no caso do Brasil, foi a diminuição da pobreza. Por qualquer dos critérios adotados para definir a população pobre, a redução desse contingente, no País, foi superior a 55% em menos de dez anos, de acordo com os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) analisados pelos técnicos do Ipea. Em menos de um decênio, o País alcançou uma das mais importantes Metas do Milênio fixadas pela Organização das Nações Unidas nos anos 90 - o resgate de metade dos pobres num prazo de 25 anos. Ao mesmo tempo, as políticas adotadas permitiram reduzir de forma significativa o indicador de desigualdade. Durante três décadas, a partir de 1970, o Índice de Gini - o mais usado para medir a distribuição de bens - pouco havia variado, permanecendo próximo de 0,6. Esse índice varia entre zero e um. Quanto mais baixo o número, menor a desigualdade. O índice caiu de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2011.
Durante esse período, a renda dos grupos mais pobres cresceu muito mais rapidamente que a dos mais ricos. A dos 10% mais baixos na escala da renda aumentou 91,2% ao longo de dez anos, enquanto a dos 10% do topo acumulou um crescimento de 16,6%. De modo geral, o aumento foi maior para os grupos da metade inferior da escala.
Várias fontes de renda contribuíram para a redução da desigualdade. A mais importante foi o trabalho, com peso de 58%. A análise aponta, em seguida, a Previdência (19%), o Programa Bolsa-Família (13%), os benefícios de prestação continuada (concedidos a certos grupos de idosos e de deficientes) e outras (6%), como aluguéis e juros.
O aumento da renda do trabalho foi de longe, portanto, o fator mais relevante. Esse aumento decorreu principalmente da valorização do salário real, dependente tanto da expansão do emprego como do aumento do salário mínimo. Curiosamente, os dois fenômenos - a expansão do emprego e a elevação dos salários - ocorreram num cenário de crescimento econômico muito menos acelerado que o de países como a China, a Índia e outros emergentes. O espetáculo do crescimento, como observou o novo presidente do Ipea, Marcelo Néri, foi sobretudo o do crescimento econômico dos pobres.
Será sustentável essa evolução? Afinal, a desigualdade no Brasil ainda é muito ampla e é preciso avançar muito até se alcançar um padrão mais aceitável. Uma das condições essenciais é o controle da inflação. Nenhuma política de valorização dos salários ou de transferência de recursos teria produzido resultados duradouros num ambiente de inflação elevada, como aquele anterior ao Plano Real, em 1994. Isso boa parte dos brasileiros parece haver aprendido. Outra condição importante é a manutenção de fundamentos econômicos sólidos.
Finalmente, é preciso fortalecer o lado da oferta - e isso inclui a melhora dos padrões educacionais e o investimento em ciência e tecnologia. Sem um setor produtivo capaz de responder à elevação da demanda interna, o descompasso entre o aumento da renda familiar e o potencial das empresas resultará em graves desequilíbrios internos e externos e em crises devastadoras, como as já vividas muitas vezes no Brasil.
ESTADÃO

Cabo Bruno é morto a tiros um mês após sair da prisão em São Paulo


Pouco mais de um mês após deixar a prisão, o ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, 53, conhecido como Cabo Bruno, foi morto a tiros, na Chácara Galega, em Pindamonhangaba (145 km de São Paulo), no final da noite de quarta-feira (26).

O cabo Bruno retornava de um culto religioso e estacionou o Chevrolet Astra às 23h45 em frente a uma casa na rua Doutor Álvaro Leme Celidônio. Segundo a polícia civil, dois homens a pé se aproximaram, dispararam vários tiros e fugiram sem levar nada. A mulher do ex-policial e o genro, que ainda estavam dentro do carro, não foram atingidos pelos tiros.

Familiares de Bruno ligaram para o 190, para informar sobre o crime. Quando os policiais chegaram ao local encontraram o carro com várias marcas de tiros e o homem caído ao lado da porta do veículo.

No local, foram encontrados ao menos 18 cápsulas deflagradas de pistolas calibres ponto 40 e 765, de acordo com a PM.

Segundo a polícia civil, muitos dos tiros foram disparados contra o rosto e o pescoço de Bruno, que morreu no local. O corpo do ex-policial foi levado ao IML (Instituto Médico Legal) de Pindamonhangaba.

O caso será registrado na delegacia de plantão da cidade. Nenhum suspeito foi preso.

HISTÓRICO

Cabo Bruno foi condenado na década de 1980 a 117 anos, quatro meses e três dias de prisão após ser acusado de comandar um grupo de extermínio na zona sul de São Paulo, contando com o apoio de comerciantes da região, que lhe pagavam para ter proteção.

Após ser preso em 1983, tentou fugir por três vezes, tendo sido recapturado pela última vez em 1991.

Durante o tempo em que esteve na cadeia, o ex-policial se tornou pastor. Lá, ajudou a construir uma capela e se casou com uma voluntária na evangelização dos presos. Bruno também passou a pintar telas e chegou a fazer exposições de suas obras.

Em 2009, a Justiça permitiu que ele cumprisse o restante da pena em regime semiaberto. No início de agosto, havia sido liberado por cinco dias para passar o Dia dos Pais com a família.

No último dia 23 de agosto, a Justiça concedeu indulto pleno por bom comportamento a Bruno, que cumpria pena na penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé (SP).

FOLHA DE S. PAULO

Tuesday, September 25, 2012

Mortes aumentam e delegado-geral quer pena maior


SÃO PAULO - Os homicídios voltaram a crescer em agosto na capital e no Estado de São Paulo. Os assassinatos aumentaram na capital 15,2% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, fechando com 106 casos. Nos oito primeiros meses do ano, o crescimento na capital já acumula 15,4%. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 25, pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Depois de cair nos dois primeiros meses deste ano, o aumento nos homicídios começou em março e se manteve nos três meses que se seguiram. Em julho, a capital registrou queda, voltando a crescer no mês passado.
No Estado de São Paulo, o crescimento acumulado nos oito primeiros meses do ano chega a 6,3%. Em agosto, o aumento foi de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 391 casos.
Para o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, essa variação é esperada, já que a capital, por exemplo, registrou em agosto só 14 casos a mais do que o mesmo período do ano passado. "Claro que um homicídio é sempre sentido pelas autoridades policiais. Mas esse valor é pequeno se pensarmos que há uma população de 11 milhões de habitantes", diz o delegado-geral.
Segundo Carneiro Lima, a reforma do Código Penal, que está sendo discutida atualmente no Congresso Nacional, pode ser uma boa oportunidade para endurecer as penas de assassinatos. "Não defendo que a prisão seja solução para todos os crimes, como furtos e outros casos mais leves. A prisão deve ser lugar de crimes violentos".
Trânsito. Se a violência dos homicidas permanece em alta, as mortes culposas resultantes de acidentes de trânsito estão em queda brusca no ano. Nos primeiros oito meses, a diminuição já acumula 37,5%. Foram 1.785 mortes a menos no trânsito do Estado de São Paulo, apesar do crescimento da frota.
Um dos motivos dessa queda é que na Secretaria de Segurança Pública começaram a ser feitos registros de homicídios dolosos de acidente de trânsito, nos casos em que os motoristas assumem o risco do crime cometido. Ao longo dos oito meses, contudo, foram só 63 casos de homicídios culposos no trânsito, o que representa uma porcentagem mínima das mortes no trânsito.
Latrocínios. Os roubos seguidos de morte também registraram crescimento no Estado. Foram 24 casos no mês passado, enquanto em agosto do ano passado foram registrados 14. Nos oito primeiros meses do ano, o crescimento total já chega a 9%, alcançando 229 casos no período. Na capital, os latrocínios caíram em agosto, passando de 8 para 4 casos, apesar de registrar aumento de 6% nos oito primeiros meses do ano.
Os estupros, que passaram também a contabilizar os atentados violentos ao pudor, também merecem destaque em agosto. Alcançaram o mais alto número desde que passaram a ser contados mês a mês, em janeiro do ano passado, com 1.184 casos, mostrando que as pessoas estão mais dispostas a denunciar.
ESTADÃO

Ibope mostra Haddad com 18% e Serra com 17%; Russomanno tem 34%


Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira (25) mostra os candidatos Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) tecnicamente empatados em segundo lugar na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Em relação à pesquisa anterior, o petista passou de 15% para 18% das intenções de votos e o tucano foi de 19% para 17%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

A liderança continua com o candidato do PRB, Celso Russomanno, que foi de 35% para 34%.

O levantamento foi realizado entre sábado (22) e segunda-feira (24). A sondagem anterior foi feita entre os dias 10 e 12 de setembro.

O Ibope ouviu 1.204 pessoas. A pesquisa, encomendada pela TV Globo, foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número SP-01.138/2012.

Na pesquisa divulgada hoje o pemedebista Gabriel Chalita apareceu com 7% das intenções, enquanto Soninha Francine (PPS) tem 4%.

Paulinho da Força (PDT) e Carlos Giannazi (PSOL) aparecem com 1%. Não pontuaram Ana Luiza (PSTU), Anaí Caproni (PCO), Levy Fidelix (PRTB), Eymael (PSDC) e Miguel (PPL).

Entre os entrevistados, 10% afirmaram que irão votar em branco ou nulo e 8% disseram não saber em quem votar.

Na simulação do segundo turno, Russomanno bateria tanto Haddad quanto Serra - 48% x 24% e 51% x 23%, respectivamente.

Em um confronto Haddad e Serra, o petista venceria o tucano por 39% x 29%.
Serra continua com o maior índice de rejeição com 40% dos eleitores dizendo que não votariam nele de jeito nenhum.

Na sequência, aparecem Soninha (17%), Haddad (16%), Russomanno e Fidelix (14%), Paulinho da Força (13%), Eymael (12%), Ana Luiza (9%), Miguel e Anaí Caproni (8%), Chalita e Carlos Giannazi (7%).

FOLHA DE S. PAULO

O atoleiro do comércio global


O volume do comércio global deve crescer apenas 2,5% neste ano e 4,5% no próximo, segundo as novas projeções da Organização Mundial do Comércio (OMC), mais baixas que as divulgadas em abril. As previsões foram reduzidas porque o quadro econômico internacional é bem pior que o imaginado naquele momento. Pelos cálculos publicados há cinco meses, o volume das trocas aumentaria 3,7% em 2012 e 5,6% em 2013, mas essas estimativas se tornaram muito otimistas diante da evolução dos negócios nas principais potências econômicas. O novo relatório destaca a lenta recuperação nos Estados Unidos, a perda de impulso da produção chinesa e o prolongamento da crise das dívidas soberanas na Europa. Mais assustadora que as novas projeções, no entanto, é a ressalva apresentada pelos autores do estudo. Eles admitiram dois pressupostos muito importantes ao calcular a expansão comercial do próximo ano: 1) as medidas tomadas na Europa serão suficientes para evitar uma ruptura do euro; 2) um acordo político nos Estados Unidos evitará o corte automático de gastos públicos e o aumento de impostos no próximo ano. "A falha desses e de outros pressupostos pode fazer descarrilar as últimas projeções", indicam os responsáveis pelo documento.
A expansão do comércio global em 2013 será em grande parte determinada, portanto, pela capacidade dos políticos americanos de se entender a respeito da gestão orçamentária de seu país. Sem acordo entre democratas e republicanos, será muito difícil evitar o chamado "abismo fiscal" e a recaída dos Estados Unidos na recessão. A disputa eleitoral dificulta muito esse entendimento. Na Europa, o risco político é diferente: envolve tanto os conflitos no interior de cada país quanto as dificuldades de ação conjunta entre os 17 governos da zona do euro para o alívio da crise e a retomada do crescimento.
Na falta de medidas fiscais para reanimar a economia, os bancos centrais dos Estados Unidos e da zona do euro tomam a dianteira e adotam políticas para ajudar os Tesouros endividados e para estimular a expansão do crédito. "Num mundo de economias cada vez mais interdependentes, choques econômicos em uma região podem facilmente espalhar-se para outras. Medidas recentemente anunciadas para reforçar o euro e impulsionar o crescimento nos Estados Unidos são, portanto, extremamente bem-vindas", disse na sexta-feira o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.
A opinião de Lamy sobre as novas medidas adotadas pelos bancos centrais americano e europeu é exatamente oposta à da presidente Dilma Rousseff. Ela programou para o discurso de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, hoje, mais um protesto contra o chamado tsunami monetário, expressão usada em seus pronunciamentos contra as políticas expansionistas seguidas no mundo rico. Esse tsunami, de acordo com a presidente, provoca a valorização do real e de outras moedas de países emergentes, prejudicando suas exportações. Lamy preferiu valorizar o outro lado da história: se aquelas medidas servirem para estabilizar a economia europeia e para estimular o crescimento nos Estados Unidos, todos os participantes do comércio serão beneficiados.
De toda forma, o protesto da presidente Dilma Rousseff será provavelmente recebido como mais um esperneio sem grande relevância. Nenhum dirigente de banco central do mundo rico mudará sua orientação por causa de mais um discurso na ONU. Mas a presidente e seus ministros econômicos deveriam, em contrapartida, levar em conta as projeções da OMC.
O Brasil será especialmente afetado, como já foi neste ano, se a economia chinesa continuar no ritmo dos últimos meses ou - pior - perder mais impulso. Autoridades chinesas prometem agir para reconduzir o país a uma expansão na faixa de 7,5% a 8%. Enquanto isso, os brasileiros ficam em suspense.
Parte importante da estratégia petista consistiu em tornar o Brasil muito dependente do apetite chinês por matérias-primas e, portanto, do crescimento de um grande parceiro. Esse resultado é estritamente explicável por uma tolice ideológica. Ninguém pode atribuí-lo a um tsunami monetário.
ESTADÃO

'Sucesso' norueguês inspira Europa a adotar cotas para mulheres em empresas


Quando o governo norueguês resolveu obrigar empresas públicas e privadas de capital aberto a adotarem cotas para as mulheres em seus conselhos diretores, entre o fim de 2002 e início de 2003, foi recebido com uma enxurrada de previsões catastróficas.
Pelas novas regras, as companhias norueguesas que não tivessem 40% dos assentos de seus conselhos ocupados por mulheres até 2008 poderiam enfrentar sanções que poderiam chegar ao fechamento da empresa. Na época, a média de presença feminina era de 7%. Das 611 empresas sujeitas às novas regras, 470 não tinham nenhuma mulher em seu corpo de diretores.
Para os críticos, as empresas locais não conseguiriam encontrar profissionais com talento ou experiência para preencher as cotas femininas, ficariam sem rumo e perderiam produtividade. O PIB encolheria e o nível de emprego cairia.
Quase uma década depois da aprovação das cotas, as previsões de um cataclismo corporativo não se confirmaram. Há quem defenda até que as empresas norueguesas se tornaram mais competitivas - embora a afirmação seja controversa.
No mínimo, há consenso que as coisas continuam mais ou menos como estavam antes das cotas, como concluiu um estudo da Confederação de Empresas Norueguesas (NHO na sigla em norueguês). E em meio a crise que varre a Europa, a economia da Noruega vai surpreendentemente bem - a estimativa é que o PIB do país cresça de 2,8% a 3% neste ano, mais que o brasileiro.
Foram essas constatações que não só fizeram a Noruega se tornar um exemplo para outros europeus na adoção de cotas para as mulheres no topo das empresas, mas também arrastaram o país para o centro de um acalorado debate sobre o papel que a União Europeia (UE) deve desempenhar no tema.

Outros países

No ano passado, a França, a Bélgica, a Holanda, a Itália e a Islândia aprovaram cotas femininas semelhantes, que variam de 33% a 40%. Na Espanha, uma lei foi aprovada em 2007 e as empresas do país tem até 2015 para se adaptarem.
As regras gerais para a UE vêm sendo impulsionadas pela vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, e preveem a imposição de cotas femininas nas empresas dos 27 membros do bloco. Ainda que um grupo de países liderado pela Grã-Bretanha prometa vetar a medida, alguns o fazem não por serem contra as cotas, mas, sim, por se oporem a regulação supranacional do tema.
No Brasil, um projeto de lei para criar cotas de 40% para mulheres no conselho de empresas públicas e listadas em bolsa foi proposto pela senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), mas o debate ainda é incipiente.
Para os que apeiam a medida, as cotas são uma forma de corrigir a falta de diversidade no topo das empresas e permitir às mulheres alcançarem postos de liderança mais rapidamente. Hoje, na Europa, enquanto a porcentagem de mulheres nas universidades e nas empresas já ronda os 50%, nos conselhos corporativos essa média é de apenas 12%.
No Brasil, o índice é de 7,7% para as companhias abertas segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, sendo ainda menor em algumas grandes empresas públicas.

Defesa

"Há cerca de um século as mulheres não podiam votar e, há algumas décadas, muitas não estudavam ou trabalhavam", lembra, em entrevista à BBC Brasil, a executiva norueguesa Marienne Johnsen, uma das mais fortes defensoras das cotas em seu país.
"Da mesma forma que hoje olhamos para esses anos e nos damos conta do quanto evoluímos, esperamos que no futuro nossas filhas e filhos olhem para o início deste século e pensem: 'Que bom que superamos essa época em que as mulheres eram excluídas dos postos de liderança'", afirma.
Fundadora do grupo de investimentos X-lence Group, Johnsen já participava do conselho de diversas empresas antes da adoção das cotas, mas até o início dos anos 2000 não raro era a única mulher na sala.
"A diversidade tem ampliado as perspectivas e os ângulos dos quais os problemas são analisados", afirma. "Por que pensar que as melhores decisões para uma empresa seriam tomadas por um grupo de homens de 50 ou 60 anos que pensam igual?"
Outra enérgica defensora das cotas é a gerente do FMI, Christine Lagarde, que diz ter mudado de ideia sobre o tema porque os avanços nessa área, na sua opinião, estariam ocorrendo de forma muito lenta. “Eu sinceramente acredito que nunca deveria haver tanta testosterona em uma sala onde decisões importantes são tomadas”, afirmou, em uma entrevista ao Financial Times.

Recrutamento

Segundo Turid Solvang, diretora do Instituto de Diretores da Noruega, que promove boas práticas de gestão corporativa, as cotas forçaram os diretores das empresas a olharem para outros lugares na hora de recrutar para os conselhos.
"Houve uma profissionalização do recrutamento. As empresas tiveram de sair à caça de mulheres com qualificação e capacidade de liderança - e, ao fazerem isso, perceberam que, ao contrário das previsões iniciais, essas mulheres estavam lá", diz Solvang, incluída no conselho de um banco após a adoção da medida.
O próprio NHO criou, ainda em 2003, um programa para ajudar executivas e administradoras indicadas pelas companhias do país a desenvolverem seu potencial de liderança - o Female Future. Desde então, 1.321 executivas passaram pelo curso.
Mas isso não quer dizer que o NHO apoie as cotas. Como explica Kristina Hagen, assessora de Igualdade e Diversidade da organização, o NHO é contra o sistema "em princípio" por considerá-lo uma interferência indevida do governo na liberdade das empresas decidirem por quem serão dirigidas.
"Queríamos que governo trabalhasse com as empresas em vez de fazer uma imposição desse tipo", diz.

Críticas


Alguns críticos das cotas na Europa enfatizam que elas obrigam as companhias a se livrarem de conselheiros competentes e experientes. Para cada mulher que entra em um conselho como resultado da adoção do sistema, um executivo tem de ser dispensado.
"As cotas não são apenas desnecessárias, mas potencialmente perigosas e minam a igualdade que os grupos pró-cotas visam defender", escreveu em um artigo recente a executiva britânica Helena Morrissey, presidente da Newton Investment Management, mãe de nove filhos e criadora de uma organização que promove a inclusão de mulheres nos conselhos de empresas britânicas - sem imposições governamentais.
Outra crítica frequente é que elas acabam favorecendo um grupo pequeno de profissionais, contratadas para participar do conselho de muitas empresas simultaneamente. Na Noruega o grupo, do qual Johnsen faria parte, ficou conhecido como as "saias douradas".
"Mas meus colegas homens também acumulam - e sempre acumularam - assentos em diversos conselhos e nunca ouvi ninguém se referir a eles como "ternos dourados" ou coisa do gênero", afirma Johnsen.
Uma terceira crítica, lembrada por Hagen, diz respeito ao suposto efeito limitado das cotas no ambiente de trabalho das empresas.
Os conselhos são responsáveis pelas decisões estratégicas, mas não participam do dia a dia dos negócios - que fica sob responsabilidade dos cargos executivos. Muitos dos que apoiam as cotas acreditam que a presença de mulheres no "topo" ajuda a quebrar estereótipos e convencer o resto da pirâmide corporativa de que profissionais do sexo feminino podem ser boas líderes.
Mas ainda não há indícios de que o percentual de norueguesas esteja crescendo consideravelmente nos postos de gerência e direção executiva.
"Os resultados nessa área, de fato, ainda são modestos, mas é muito cedo para tirar conclusões", diz Mari Teigen, do Institute for Social Research em Oslo.
"Ao menos está claro que as previsões pessimistas de que não haveria mulheres capazes de assumir esses cargos não se concretizaram. Por isso, ao mesmo tempo em que a Europa começa a olhar para a Noruega em busca de respostas, aqui, esse já não é um tema que suscita grandes debates".
BBC BRASIL