quarta-feira, 1 de abril de 2015

"AJUSTE NÃO DEVE RESOLVER QUESTÃO DO BAIXO CRESCIMENTO", AVALIA ECONOMISTA

Professor da Unicamp afirma que
medidas propostas pelo ministro da Fazenda são equivocadas e ultrapassadas. 'Não há estímulos à demanda'

São Paulo – O professor Pedro Rossi, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisa que o governo deu uma "guinada de 180 graus" na política econômica. Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta quarta-feira (21), Rossi afirma que a adoção do caminho "ortodoxo-financista" reduz o papel do Estado na economia, reduz o crédito público, a política industrial, desprotege as empresas nacionais e desregula o mercado de trabalho.

"E acredita-se que tudo isso vai ser bom para o desenvolvimento, como se tivesse um tipo de automatismo", alerta, acrescentando: "Não há nesse conjunto de medidas nenhum estímulo pelo lado da demanda.

Talvez o governo acredite que o ajuste fiscal vá recuperar credibilidade e que os agentes vão passar a investir depois disso. No meu entender, é outro equívoco. O empresário não investe porque o governo fez ajuste fiscal, investe porque acha que vai ter demanda".

Rossi ressalta que o Estado tem papel importante na manutenção do emprego e do crescimento e defende a política anticíclica para períodos de baixo crescimento. "O que o Levy (Joaquim, ministro da Fazenda) está propondo é uma política pró-cíclica. Em momento de crise, o governo não pode fazer ajuste fiscal", referindo-se à demora na recuperação das economias globais.

Sobre medidas que visam ao aumento da arrecadação, com a elevação de impostos sobre importação e sobre operações financeiras, o economista também demonstra ceticismo: "Quando se estipula um aumento de tarifa, o resultado vai depender do crescimento". Ainda assim, o professor acredita que aumento de tributos é melhor do que corte de gastos.

A elevação do IOF, é uma medida complicada porque desestimula o crédito, para Rossi. Mas a do imposto sobre importação é vista como positiva, dado o crescente déficit externo na balança comercial e a necessidade de proteger e recuperar a produção nacional de bens de consumo.

Rossi teme o impacto da tributação sobre os combustíveis na inflação, o que servirá de pretexto para a continuidade das altas na taxa básica de juros, a exemplo do que é esperado para hoje (21), na primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom). "No conjunto de medidas, não vejo um caminho claro para poder enxergar uma melhora da economia brasileira. Pelo contrário, vejo retrocesso... A gente vai ter um ano muito difícil e, no ano que vem, as pressões políticas vão aumentar. Imagino que a presidenta se dê conta do erro que cometeu ao nomear Joaquim Levy".

Rede Brasil Atual