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Wednesday, February 17, 2016

"Lula não pode dizer mais que não sabia", afirma Pedro Simon

Mel Bleil Gallo
IstoÉ


Em janeiro, o ex-governador e ex-senador pelo PMDB do Rio Grande do Sul, Pedro Simon, completou um ano desde sua aposentadoria da vida parlamentar. Neste mesmo mês, ele comemora 86 anos, dos quais mais de 50 dedicados à vida pública, iniciada como deputado estadual em 1963. Longe da tribuna parlamentar, entretanto, Simon decidiu manter-se ativo no ano passado e optou por um giro pelo Brasil. Percorreu o País em palestras a políticos, estudantes, movimentos sociais e organizações empresariais. Agora, tira suas tradicionais férias na casa de verão na praia Rainha do Mar, de onde, após voltar de uma missa, conversou com ISTOÉ.

Ao falar sobre seus antigos aliados petistas, Simon não nega a decepção. “Hoje, o Lula não pode mais dizer que não sabia, porque está tão provado, está tão certo, que o melhor é ele ficar quieto. Certamente, Lula ficará marcado como uns dos homens públicos que levou à ruína do País. Ele não vai ser mais nada, as pessoas estão muito esclarecidas agora”, aposta.

Existe a possibilidade de o ex-presidente Lula se lançar novamente como candidato à presidência em 2018. Como o senhor vê isso?

Quando houve a primeira denúncia no caso dos Correios, eu subi à tribuna e disse que o Lula iria demitir os envolvidos. Mas ele não demitiu, nem deixou que criássemos a CPI. Precisamos do STF para criá-la. Hoje, o Lula não pode mais dizer que não sabia, porque está tão provado, está tão certo, que o melhor é ele ficar quieto. Não sei o que vai acontecer com ele, mas, certamente, ele ficará marcado como uns dos homens públicos que levou à ruína do País. Ele não vai ser mais nada, as pessoas estão muito esclarecidas agora. O PT vai pagar suas contas e o Lula deixará a cúpula do partido.


O sr. já disse temer que a Lava Jato seja esvaziada. Por quê?

O Judiciário brasileiro nunca existiu, só existia para ladrão de galinha. Hoje, ele mudou. Com o Sérgio Moro as coisas vão aparecer. Vai ficar provado que o maior escândalo criminoso do século foi feito no Brasil e pode ter várias origens, mas teve seu apogeu no governo Lula. Eu rezo todas as noites pelo Sério Moro e pelo Papa Francisco. Tenho muito medo que aconteça alguma coisa com eles, porque são duas pessoas muito boas e que estão fazendo coisas extremamente relevantes.


O sr. acredita que nossa cultura de impunidade está mudando?

Certamente. O Moro é um homem fantástico. Merece uma estátua em praça pública. Se o Supremo não nos decepcionar, viveremos a época mais importante da história do Brasil. Desde Dom Pedro, o Brasil é o País da impunidade. Isso está mudando. Levei 20 anos no Congresso tentando criar a CPI dos empreiteiros, desde as denúncias na época do Collor. Mas nunca deixaram criar uma CPI sobre os corruptores, nem sobre os empreiteiros. A CPI só saiu agora, quando eles já estavam na cadeia.


Qual é a avaliação que o sr. faz hoje da atuação do Congresso?

Do Congresso, não se pode esperar nada, ele está vivendo uma realidade crítica. Virou a política do troca-troca. E agora, que Dilma está no seu pior momento, com a água chegando no pescoço, a prática do troca-troca está mais intensa do que nunca. Muda ministro atrás de ministro, dependendo das votações. Depois de cortar as doações das empreiteiras na eleição, multiplica o fundo partidário de R$ 300 para R$ 800 milhões e diminui o tempo de televisão. Faz tudo isso para evitar ao máximo a insatisfação popular, mas é só uma forma de apaziguar.


E do governo Dilma?

Eu felicito o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um homem de muito mérito, e a Dilma, por permitirem a continuidade da operação Lava Jato. Desde que assumiu o governo, Dilma demitiu seis ministros por corrupção. Eu aplaudi na tribuna e publiquei um livro chamado “Presidenta Dilma, resistir é preciso”. Ela deu sinais de que queria se libertar, mas aí veio o “Fora Dilma”, o Congresso parou de aprovar qualquer coisa e ela se entregou. Sem um apoio mais amplo, ela ficou isolada e entrou numa omissão total.


Qual é a sua posição sobre o impeachment?

Acho que houve um equívoco com relação ao momento de se pedir o impeachment. Eu fui um dos grandes responsáveis pela saída do Collor. Na época, nos reunimos em meu gabinete para criar uma CPI a partir das denúncias do irmão dele, o Pedro Collor, sobre o PC Farias. Ou seja, primeiro os fatos contra ele apareceram – e, sinceramente, nem eram tão graves quanto os que há hoje contra o Lula e a presidente. Mas dessa vez foi o contrário, foi antes do tempo, criaram a CPI para buscar os fatos. Eu confio muito mais no Supremo. Ele sim vai apurar dados graves contra o Lula e a Dilma.


De onde virá a novidade?

Da explosão da Lava Jato. Quando a investigação chegar a pessoas que nunca imaginávamos, o povo estará nas ruas e, queira Deus, que saia uma grande renovação. E que não seja a loucura que aconteceu na época do Collor, em que os candidatos eram excepcionalmente bons e ganhou o pior deles. Hoje, a economia está em pandarecos. Agora, a paralisia é um problema gravíssimo e temos de ter a capacidade de não querer o “quanto pior, melhor”. Não podemos boicotar o governo naquilo que é essencial como segurança, saúde, educação. A novidade é que nunca um general, um grande empresário, grandes líderes políticos haviam sido processados e presos, que nem hoje. Começou a punição dos grandes.

Tribuna da Internet