segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Deus que dizem ser brasileiro é um Moloc que devora seus filhos

Leonardo Boff

O Tempo

Diz-se que Deus é brasileiro, não o Deus da ternura dos humildes, mas o Moloc dos amonitas que devora seus filhos. Somos um dos países mais desiguais e violentos do mundo. Teologicamente, vivemos numa situação de pecado social e estrutural, em contradição com o projeto de Deus. Basta considerar o que ocorreu nos presídios de Manaus, Rondônia e Roraima. Pura barbárie!
Estamos assentados sobre estruturas histórico-sociais violentas, oriundas do genocídio indígena, do colonialismo humilhante e do escravagismo desumano. Não há como superar essas estruturas sem antes superar essa tradição nefasta.
Entretanto, esse é um desafio que demanda uma transformação de nossas relações sociais. Vejo ser possível a condição de seguirmos dois caminhos: a gestação de um povo e a instauração de uma democracia social de base popular.
NÃO ERA UMA NAÇÃO – A gestação de um povo: os que nos colonizaram não vinham para criar uma nação, mas para fundar uma empresa comercial e regressar a Portugal para desfrutar da riqueza acumulada. Submeteram primeiro os índios e, depois, introduziram os negros africanos como mão de obra escrava. Criou-se aqui uma massa humana dominada pelas elites, humilhada e desprezada até os dias atuais.
Abstraindo as revoltas anteriores, a partir dos anos 30 houve uma virada histórica. Surgiram os sindicatos e os mais variados movimentos sociais. Em seu seio, foram surgindo atores sociais conscientes e dotados de vontade para modificar a realidade social. A articulação dessas associações gerou o movimento popular brasileiro.
A criação de uma democracia social, de base popular: possuímos uma democracia representativa de baixíssima intensidade, cheia de vícios políticos e corrupta, com representantes eleitos, em geral, pelas grandes empresas, cujos interesses representam. Em contrapartida, como fruto da organização popular, se produziram partidos populares ou segmentos de partidos progressistas e até liberal-burgueses ou tradicionalmente de esquerda.
QUATRO PÉS – Essa democracia participativa se baseia, fundamentalmente, em quatro pés, como os de uma mesa: a participação mais ampla possível de todos; a igualdade, que resulta dos graus de participação; o respeito às diferenças de toda ordem; e a valorização da subjetividade humana.
Essa mesa, entretanto, está assentada sobre uma base sem a qual ela não se sustenta: uma nova relação para com a natureza e para com a Terra, nossa Casa Comum, como enfatiza a encíclica ecológica do papa Francisco. Em outras palavras, essa democracia deverá incorporar o momento ecológico, fundado num outro paradigma.
O vigente, centrado no poder e na dominação em função da acumulação ilimitada, encontrou uma fronteira insuperável: os limites da Terra e seus bens e serviços não renováveis. Uma Terra limitada não suporta um projeto ilimitado de crescimento. Por forçar esses limites, assistimos ao aquecimento global e aos eventos extremos vividos neste ano de 2017, com neves em toda a Europa que não ocorriam havia cem anos.
NOVO PARADIGMA – Essa consciência dos limites, que cresce mais e mais, nos obriga a pensar num novo paradigma de produção, de consumo e de repartição dos recursos escassos entre os humanos e também com a comunidade de vida. Aqui entram os valores do cuidado, da corresponsabilidade e da solidariedade de todos com todos, sem os quais o projeto jamais prosperará.
A partir dessas premissas podemos pensar na superação de nossas estruturas sociais violentas. O resto é tapeação de mudança para que nada mude.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Donald Trump

Donald John Trump (Nova Iorque, 14 de junho de 1946) é um empresário, ex-apresentador de reality show e presidente eleito dos Estados Unidos. Na eleição de 2016, Trump se tornou o 45º presidente norte-americano pelo Partido Republicano, ao derrotar a candidata democrata Hillary Clinton no número de delegados do colégio eleitoral; no entanto, perdeu no voto popular por 2,8 milhões de votos, a maior derrota nas urnas de um presidente eleito na história do país. Trump tomará posse em 20 de janeiro de 2017 e, aos 70 anos de idade, será a pessoa mais velha a assumir a presidência.

⏩Wikipédia

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Morte de Teori Zavascki paralisa a Lava Jato e outros 7 mil processos

Carlos Newton

Confirmada a morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), no acidente com um avião que caiu em Paraty, no Rio de Janeiro, o regimento da corte não prevê que os processos de sua competência sejam transferidos a outro ministro.

O artigo 38 do Regimento Interno do Supremo diz o seguinte, em seu item IV, alínea a, que o relator, em caso de aposentadoria, renúncia ou morte, será substituído “pelo ministro nomeado para a sua vaga”.

Teori é o relator da operação Lava Jato no Supremo. Ele estava de férias, mas decidira interrompê-las para retomar o trabalho na relatoria das ações referentes à Operação Lava Jato. Sua atividade prioritária seria a homologação da delação premiada dos 77 executivos da Odebrecht, entre os o atual presidente Emilio Odebrecht e o filho Marcelo.

CONFIRMAÇÃO – A morte do ministro foi confirmada pelo filho Francisco Zavascki. Isso significa que ficarão automaticamente paralisados cerca de 7 mil processos e inquéritos que se encontram no gabinete dele na condição de relator, inclusive todas as questões referentes a envolvidos na Operação Lava Jato que dispõem de foro privilegiado na Suprema Corte.

Até que o presidente Michel Temer indique um novo ministro e sua escolha seja confirmada após sabatina no Senado Federal, os processos relatados por Zavascki permanecerão inconclusos, como se diz no linguajar jurídico.

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Sob Obama, o antirracismo viveu dias gloriosos

Janio de Freitas

Folha

Impor um presidente negro a um país ainda hoje tão racista como são os Estados Unidos – este o maior feito de Barack Obama. Impor-se ao respeito inabalado de todo esse país durante os oito anos na presidência – este o segundo maior feito de Barack Obama. O revertério que leva um primata patético a sucedê-lo sugere a dimensão gigantesca daqueles feitos.
O primeiro êxito e a decência cativante de Obama fizeram esperar-se dele mais do que fez. Ou, no mínimo, o principal dos seus compromissos de candidato: a retirada americana das áreas de guerra, a redução da presença militar dos EUA no mundo, o fim do crime imoral que é a prisão de Guantánamo, apesar de sem importância na opinião dos americanos, mas humilhante para o mundo que, acovardado, o testemunha.
Obama não apenas deixa forte presença militar no mundo, por muitos dita maior do que a encontrada. Foi da sua presidência a autorização para uso da nova arma que são os pequenos aviões não tripulados, ou drones, transformados em objetos assassinos.
CERCANDO A CHINA – Chefes ou suspeitos de ação antiamericana são assassinados do ar em países sem guerra com os EUA. O colar de bases americanas em torno da então URSS, que fez os soviéticos instalarem foguetes em Cuba para barganhá-los pela retirada das bases, ganhou com Obama nova versão. Os EUA montam, na Ásia e na Oceania, um arco de bases e arsenais em volta da China. Com Obama, as ânsias beligerantes dos EUA ficaram apenas menos ostensivas e mais educadas, sem troca de desaforos.
Do mesmo lote de compromissos principais do candidato, Obama fez três grandes realizações. Duas notórias: a economia em colapso foi oxigenada, com efeitos sociais ainda em progressão; e a persistente batalha que conseguiu vergar o Congresso para implantar um sistema público de saúde, o Obamacare já sob as picaretas dos republicanos.
NATURALIDADE – A terceira foi a ação contra o racismo. Antecessor de Kennedy, o general Eisenhower usou contra o racismo agressivo a Guarda Nacional. Kennedy, como em quase tudo, dividiu-se entre a força e a demagogia.
Obama teve a inteligência e a originalidade de usar uma das armas mais raras entre os ditos civilizados: a naturalidade. Assim como para eleger-se não fez do racismo um tema de combate, na Casa Branca dirigiu-lhe poucas palavras: enfrentou-o com o seu dia a dia, com sua cara. Com a simbiose Barack-Michelle. Conscientizada ou não, a evidência penetrou fundo no país: nenhuma diferença entre brancos e negros.
O racismo não se extinguiu, talvez nem tenha se retraído em porção significativa, a Ku Klux Klan é sempre uma das bandeiras nacionais. Mas o antirracismo viveu dias gloriosos, para um futuro em que será difícil retrocedê-lo.
Mas um legado especial Barack Obama leva amanhã consigo: Michelle Obama, imagem consagrada, oradora brilhante, opinião e firmeza, potencial presidente dos Estados Unidos.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um grito de alerta de Vital Farias em defesa da Amazônia

Paulo Peres
Site Poemas & Canções
O músico, cantor e compositor paraibano Vital Farias lançou, em 1982, pela Poligram, o LP Sagas Brasileiras, que traz o épico “Saga da Amazônia”, cuja letra expressa a preocupação do artista com a degradação das espécies, a exploração desenfreada da mão de obra infantil, a poluição galopante dos rios e mananciais. Consequentemente, assume a defesa da preservação da natureza e da sustentabilidade das ações do homem, antecipando o movimento ecológico que tomaria força no final daquela década.
Logo, foi uma visão vanguardista do mestre Vital Farias que, além de construir uma belíssima letra, ainda conclamava as pessoas a repensarem as suas atitudes, sob pena de inviabilizarem a vida no planeta para as gerações vindouras.
SAGA DA AMAZÔNIA
Vital Farias
Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
no fundo d’água as Iaras, caboclo lendas e mágoas
e os rios puxando as águas
Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
era: fauna, flora, frutos e flores
Toda mata tem caipora para a mata vigiar
veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão-de-ferro, pra comer muita madeira
e trouxe em estilo gigante, pra acabar com a capoeira
Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
pra o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
se a floresta meu amigo, tivesse pé pra andar
eu garanto, meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá
O que se corta em segundos gasta tempo pra vingar
e o fruto que dá no cacho pra gente se alimentar?
depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar
Mas o dragão continua a floresta devorar
e quem habita essa mata, pra onde vai se mudar???
corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
tartaruga: pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiura
No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:
Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
roubou seu lugar
Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação
pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu coração
Aqui termina essa história para gente de valor
prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
prá defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
era uma vez uma floresta na Linha do Equador…

⏩Tribuna da Internet