segunda-feira, 4 de maio de 2015

SEM CREDIBILIDADE, A PRESIDENTE DILMA DEVERIA RENUNCIAR

Willy Sandoval
 
O que o governo brasileiro está fazendo com toda essa situação de escândalos e roubos é jogar na lata do lixo uma credibilidade que levou décadas para ser construída.

Como reelegemos essa quadrilha, ainda que de maneira ilegítima, através de fraudes eleitorais, e como temos uma oposição covarde que não denunciou a ilegitimidade com a devida veemência, para o resto do mundo somos uma nação de bandidos. É tudo muito vergonhoso.

Agora, além de tudo, querem culpar os investidores, o que é de uma estupidez sem limites. Até mesmo porque muitos deles também estão tomando na cabeça. Só para citar um exemplo, imaginem a cara de felicidade dos que foram induzidos a tirar dinheiro do Fundo de Garantia e aplicar em ações da Petrobras…

Se o bom senso prevalecesse, algo muito normal num país civilizado, duas decisões teriam sido muito simples de se tomar:

1) Não aumentar verbas de fundo partidário num momento de necessidade de duros ajustes fiscais.

2) Cobrança rigorosa de tributos e multas daqueles que descumprem as leis, sejam planos de saúde, bancos, empreiteiras, ou qualquer outro devedor, principalmente se for de grande porte.

Infelizmente como temos governantes e políticos de Quinto Mundo, as piores decisões são as que sempre são tomadas.

LIMITE DA PACIÊNCIA

A população já está atingindo o limite da paciência. O Brasil tem tudo para voltar a deslanchar, porém há a necessidade de um evento sem o qual nada de bom vai acontecer – a saída da presidenta do poder. A melhor maneira possível seria uma simples carta de renuncia, qualquer outra maneira será traumática.

Ainda que na prática já vivamos um parlamentarismo branco, essa não é a situação ideal. A presidente está cada vez mais refém de Michel Temer e Joaquim Levy, e cada vez menos de Lula (tomara que continue assim). O problema é que nada impede que essa tresloucada volte a ter rompantes imbecis e coloque por água abaixo todo um esforço de arrumação da casa executado por seus mentores.

Por isso, a palavra de ordem, mais do que nunca, continua sendo: “Fora Dilma”, e leve o PT junto!

Tribuna da Internet

DOIS MORTOS NOS EUA NUMA EXPOSIÇAO DE CHARGES DE MAOMÉ

Deu na France Presse

Dois homens foram mortos depois de abrir fogo contra um concurso de caricaturas do profeta Maomé no Texas, sul dos Estados Unidos, que tinha a presença do político populista holandês Geert Wilders.

Os dois homens se aproximaram de carro do estacionamento do Culwell Centre Curtis da cidade de Garland, perto de Dallas, onde quase 300 pessoas assistiam ao evento, que os organizadores promoveram como um acontecimento a favor da liberdade de expressão.

 Policiais da unidade especial SWAT informaram que ao chegar ao local os dois homens abriram fogo e feriram um guarda. Os agentes que estavam no local para proteger o evento atiraram em resposta e mataram ambos. Uma equipe do esquadrão antibombas inspecionou o carro dos atiradores, pois suspeitavam da possibilidade de explosivos no veículo.

O porta-voz da polícia de Garland, Joe Harn, afirmou pouco depois que a ameaça aparentemente foi controlada, mas helicópteros da força de segurança patrulhavam a região por precaução. O centro comercial e locais próximos foram esvaziados.

AUTORIA

De acordo com a organização SITE, que monitora as comunicações de combatentes e grupos jihadistas, um homem reivindicou o ataque em uma conta do Twitter relacionada com a organização Estado Islâmico (EI). A pessoa escreveu o ato foi executado por simpatizantes do grupo. “Dois de nossos irmãos abriram fogo contra a exposição artística do profeta Maomé no Texas”, afirma a mensagem de um homem que se identifica na rede como Abu Hussain al-Britani. De acordo com o SITE este é o nome de combate do jihadista britânico do EI Junaid Hussain.

A associação American Freedom Defense Initiative, organizadora do concurso de caricaturas, havia convidado para discursar no evento o líder da direita holandesa Geert Wilders. “Estou comovido. Eu acabara de falar por uma hora e meia sobre as caricaturas, o Islã e a liberdade de expressão”, disse Wilders à AFP.

GUARDA FERIDO

O guarda que ficou ferido no ataque foi atingido por um tiro na perna e está fora de perigo, segundo a prefeitura de Garland.

Segundo um blog local que intercepta comunicações de rádio da polícia, um suspeito foi localizado em uma loja próxima ao centro de convenções com uma granada. A cofundadora e ativista Pamela Geller, uma das organizadoras do concurso, afirmou que os tiros “são uma demonstração de uma guerra contra a liberdade de expressão”. “A guerra está aqui”, completou, enfática, a diretora da ‘American Freedom Defense Initiative’, organização conhecida por suas posições pelo que chama de islamização dos Estados Unidos, que oferecia uma prêmio de 10.000 dólares para a melhor caricatura do concurso.

Muitos muçulmanos consideram ofensivo o ato de elaborar charges de Maomé. Em 2005 a publicação de desenhos satíricos do Profeta no jornal dinamarquês Jyllands-Posten provocou uma onda de protestos no mundo islâmico.

Charges de Maomé também foram publicadas na revista satírica francesa Charlie Hebdo, que teve a sede em Paris atacada em janeiro por atiradores, que mataram 12 pessoas, incluindo cinco chargista.

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  NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - Fazer exposição de charges de Maomé só pode ser ideia de jerico, como se diz no interior. (C.N.) 

Tribuna da Internet

domingo, 3 de maio de 2015

O DIA DA LIBERDADE MAIS IMPORTANTE

Vittorio Medioli
O Tempo
 
Comemora-se hoje, 3 de maio, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Fundamental para a democracia, é alavanca dos principais avanços sociais. Imprescindível. A divulgação correta das informações, a circulação das opiniões que se alicerçam sobre pressupostos de boa-fé e exercício do livre pensamento servem de oxigênio à civilização.

Sem isso voltaríamos ao feudalismo. Para a mesma acintosa tirania que fez com que a realeza portuguesa proibisse, há menos de 200 anos, a impressão de qualquer opúsculo em território brasileiro. Pena: a morte. Fórmula tosca para anular expressões que não fossem do rei. Proibidas eram as escolas, a alfabetização e até o trânsito nos portos, nas estradas e nos rios que ligavam as regiões do país. Só o movimento da Inconfidência iniciou a quebra dos grilhões usando seu sangue para escrever essa página da história: libertas quae sera tamen(liberdade mesmo que tardia).

Embora a imprensa indecente apareça e desapareça ao ritmo de suas traições, a mais qualificada hoje enfrenta as das redes sociais. Justo. Quem publica uma versão fajuta corre o risco de receber no dia seguinte uma saraivada de críticas e sucumbir debaixo de chacotas. Perder a credibilidade para um veículo é como perder a juventude para um modelo fotográfico. Não se reconstitui, não compensa.

O acesso às redes levou a mídia mais equilibrada a se valorizar e ganhar espaço. A ser atraente como a flor-de-lótus que cresce no indecifrável repositório.

AUMENTO DE VENDAS

O jornal O Tempo, fundado por mim há 19 anos com o objetivo de fornecer uma informação de qualidade ao leitor, ao contrário da tendência mundial de diminuição de tiragem de todos os meios impressos (alguns restringindo-se apenas à versão digital), tem aumentado suas vendas.

 Impulsionado pela credibilidade, é o único impresso no Brasil que registrou aumento de vendas “em papel” em 2014.

Junto com seu irmão mais novo, o popular Super Notícia, que fundei em 2002, há 13 anos, ganhou uma cota de 80% das vendas de jornais impressos em Minas e quase 10% do que se vende no país.

Nas bancas, as vendas monitoradas pelo nosso setor de circulação na categoria “quality paper”, O Tempo vende mais que todos os demais diários juntos; três vezes mais que o concorrente segundo colocado. Por sua vez, o popular Super é o diário mais vendido há cinco anos nas bancas do país, e com O Tempo a Sempre Editora detém mais de 80% do índice de leitura auferido por entes independentes na região metropolitana de Belo Horizonte.

Razões? Qualidade gráfica, inovações, utilidade que representa para quem o lê, ainda notícia ampla, qualificada, confiável. Opiniões que espelham o livre e mais eclético pensamento.

ONDA DIGITAL

Os jornais que se prepararam à onda digital, como os nossos, cresceram, outros até desapareceram. Isso, apesar das críticas, do apedrejamento e de quanto nos custa de desgaste.

Fazendo-se preponderante a qualidade, exacerbando-se, impulsionou os jornais, vistos como os mais interessantes para o leitor. Também o portal da Sempre, versão digital, passou a ser acessado por 5,6 milhões de internautas a cada mês, num total de 17 milhões de entradas.

O crescimento das redes sociais valorizou a nossa boa notícia, certificada sem contraindicações, que prevalece sobre outras distorcidas pelo anonimato ou pela irresponsabilidade.

“Correr nas redes” com os falcões que a devastam não é certamente garantia de confiabilidade. Correr no portal de O TEMPO, apesar de ninguém ter o poder da infalibilidade, recebe um selo de confiabilidade, de garantia de uma apuração responsável.

O BOM EDITOR

Como alguém que vende um bom sapato acaba por se estabelecer, o editor que vende uma boa notícia avança na preferência dos leitores.

Embora os recursos digitais permitam a qualquer um se comunicar com o mundo, e isso é espetacularmente fantástico, as versões fraudadas se inflacionaram, se sofisticaram, passaram a ser “negócio”, pressionadas pelo interesse econômico e político. Os partidos se renderam. Ao mesmo tempo em que denunciam as mazelas dos outros, aumentam a dose caseira.

No meio desse clima, a imprensa independente é vista como uma ameaça. Incomoda a quem governa e abusa. O poder político que tenta desqualificar a boa mídia é uma praga. Desloca verbas que deveria aplicar impessoalmente para quem faz seus interesses. Tenta-se, assim, asfixiar a informação correta.

Há muita coisa que os arqueólogos encontrarão nos episódios atuais e que imporão reescrever a história desta época.

Tribuna da Internet

GOVERNO INVENTA UMA CLASSE MÉDIA QUE NÃO SAIU DA POBREZA

Flávio José Bortolotto
 
Excelente e útil pesquisa será feita pelo sociólogo Jessé Souza, novo presidente do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), órgão subordinado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Seu objetivo é estabelecer a verdadeira dimensão da classe média no Brasil.


Para tentar resolver um problema, a primeira premissa é conhecer a realidade dos fatos.

Aqui na Tribuna da Internet, o grande jornalista Pedro do Coutto chama atenção para a disparidade dos dados da propaganda do governo (PT-base aliada) sobre o surgimento de nova classe média. 

Com toda razão, Coutto diz que é preciso levar em conta a real capacidade de consumo da população.


É inegável que nos últimos 12 anos houve no Brasil alguma ascensão social, ou seja, mais famílias saíram da linha da miséria e da pobreza, para ascender à classe média baixa. Se isso não tivesse ocorrido, o PT não teria ganhado as eleições. Porém, em sua propaganda, o governo usa números muito baixos não só para definir a linha que separa a miséria e a pobreza, como também para definir a linha que separa a pobreza e a classe média.

ENTENDA OS NÚMEROS

O Brasil usa uma sistemática que define a família padrão como tendo quatro membros (pai, mãe e dois filhos). A linha de pobreza é definida quando a família tem renda equivalente a três cestas básicas por mês, o equivalente a R$ 1.136,58. Ou seja, a família padrão, ganhando menos que R$ 1.136,58 por mês, está na miséria, e recebendo mais, está na pobreza.

Já a linha de classe média é definida pelo governo em duas vezes o limite da miséria/pobreza, com renda mensal de R$ 2.273,16. 

Portanto, a família padrão, ganhando menos que R$ 2.273,16 por mês, estaria na pobreza, e ganhando mais, chegaria à classe média.

Vemos que são números tipo mínimo minimorum, que mascaram uma realidade perversa. Para haver justiça social e distribuição de renda, é preciso que haja pouca diferença entre os menores salários e os maiores.

Neste ponto, temos de concordar com o comentarista José Gulherme Schossland, quando afirma que o ideal seria haver uma remuneração máxima igual ou menor que 10 vezes a remuneração mínima. Aí, sim, teríamos uma verdadeira sociedade de classe média.

Tribuna da Internet

sábado, 2 de maio de 2015

DESALENTO NO DIA DO TRABALHADOR

Heron Guimarães
O Tempo
 
Um 1º de Maio desalentador. Tirando o dia de folga e a possibilidade de desfrutar alguns momentos extras com a família ou com os amigos, quem rala neste país não tem mesmo o que comemorar. Até a folga é motivo de preocupação. Em dias de crise, a produção parada e o movimento do comércio brecado só pioram as coisas.

E a sucessão de más notícias não tem fim. O fato de a presidente evitar falar em cadeia de rádio e televisão foi correto do ponto de vista político, afinal, a fala dela poderia desencadear novas ondas de protestos e oportunidades para adversários interromperem dias de menos rebeldia entre as Casas institucionais.

Porém, se por um lado a “covardia” ou a “precaução” de Dilma faz bem ao governo, por outro, desalenta a classe trabalhadora. O silêncio, como dito, faz bem para o momento político de Dilma, mas muito mal para quem espera mínimas reações.

Um dia antes do feriado, o trabalhador que pretendia comprar uma casa própria foi surpreendido por uma notícia de arrepiar os cabelos. O dinheiro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, usado para financiar moradias, simplesmente desapareceu.

O SONHO ACABOU

O João, um funcionário daqui do jornal, com menos de três anos de carteira e enquadrado no perfil de SBPE, já tinha encontrado o imóvel, negociado o valor com o proprietário e conversado com o seu gerente. Com a notícia, antecipada por O Tempo de quinta-feira, o João está passando um feriado terrível, mesmo com a Caixa Econômica negando que haja problemas.

O seu sonho de algumas décadas desapareceu em minutos. Ele leu a notícia pela manhã e algumas horas depois se chocou com as respostas que teve do banco. Nem ele nem funcionários da CEF sabem ainda o que será o que vai acontecer.

CRÉDITO CONSIGNADO

No mesmo dia, o Senado aprovou o aumento do empréstimo consignado, possibilitando o comprometimento de 40% da folha de pagamento.

 Mais uma covardia contra aposentados e assalariados humildes, como é o caso de uma senhora de setenta e poucos anos que me abordou na semana passada perguntando por que, no mês de março, ela tinha recebido somente R$ 480 dos R$ 810 a que ela tem direito de uma pensão do Ipsemg.

Fui verificar o contracheque. Lá estava discriminado que R$ 130 correspondiam à 17ª parcela de um financiamento de 60 meses com o Banco Bonsucesso e outros R$ 114 eram a 5ª de 11 parcelas de outra consignação feita diretamente com o Banco do Brasil. Os descontos ainda incluíam os R$ 30 pagos ao serviço de saúde e outra renegociação de dívida.

A idosa não sabia nem mesmo o que tinha feito com os empréstimos. Lembrava-se vagamente de uma moça, com voz macia, oferecendo mais “dinheiro” através do telefone. Novamente, um 1º de Maio desalentador.

Tribuna da Internet

MODELO POLÍTICO ATUAL ESTIMULA A CORRUPÇÃO

Percival Puggina
 
A democracia (governo de todos), não é necessariamente aristocracia (governo dos melhores). E será sempre tão sensível à demagogia quanto a aristocracia é sensível à oligarquia. Portanto, numa ordem democrática, como tanto a desejamos, é necessário estabelecer instituições que, na melhor hipótese, induzam os agentes políticos a comportamentos virtuosos ou, com expectativas mais modestas, inibam as condutas viciosas. 

Ora, o modelo político brasileiro parece ter sido costurado para compor guarda-roupa de cabaré. Não há como frear a corrupção que se nutre num modelo institucional que a favorece tão eficientemente, seja na ponta das oportunidades, seja na ponta da impunidade, vale dizer, pela via das causas e pela via das consequências. Não estou falando de leis que a combatam, mas de um modelo político que a desestimule.

Como? Adotando procedimentos e preceitos comuns nas Forças Armadas. Libertando a administração pública dos arreios partidários, por exemplo. Ao entregar para o aparelhamento partidário a imensa máquina da administração (que a mais elementar prudência aconselharia afastar das ambições eleitorais), o Brasil amarra cachorro com linguiça e dá operosidades e dimensões de serraria industrial ao velho e solitário “toco”. “É politicamente inviável fazer isso no Brasil”, estará pensando o leitor destas linhas em coro com a grande maioria dos que, entre nós, exercitam poder político. Eu sei, eu sei. Não sou ingênuo. Está tudo errado, mas não se mexe. As coisas são assim, por aqui.

APARELHAR O ESTADO

Do mesmo modo como a fusão do Governo (necessariamente partidário e transitório) com a Administração (necessariamente técnica e neutra porque permanente no tempo) cria problemas e distorções de conduta, a fusão do Governo com o Estado (que, por ser de todos, não pode ter partido) faz coisa ainda pior no plano da política interna e externa. Desde a proclamação da República, todo governante trata de aparelhar o Estado e exercer influência sobre suas estruturas.

Por fim, quero lembrar que o relativismo moral veio para acabar com a moral. O novo totalitarismo elegeu como adversário os valores do Ocidente. Multidões, sem o perceber, tornaram-se moralmente sedentárias.

Abandonaram os exercícios que moldam a consciência e fortalecem a vontade. Ao fim e ao cabo, em vez de uma sociedade onde os indivíduos orientam suas vidas segundo os conceitos que têm, constituímos uma sociedade onde os indivíduos conformam seus princípios e seus valores à vida que levam.

Tribuna da Internet

DERROCADA DE DILMA DESMORALIZA O BRASIL NO EXTERIOR

Carlos Newton


A situação está cada vez mais complicada. O Banco Central eleva os juros básicos para 13,25%, maior índice desde a crise mundial de 2008, a inflação já atinge 8,13% no acumulado dos últimos 12 meses, e o efeito é o agravamento da recessão e do desemprego, e o Fundo Monetário Internacional já proclama que o Brasil enfrenta a maior desaceleração econômica dos últimos 20 anos.

Pior é a gozação. Semana passada, a revista inglesa The Economist publicou um artigo ironizando a presidente Dilma Rousseff, classificando-a de “O Fantasma do Planalto”, porque não detém mais o poder. Depois de apenas quatro meses de seu segundo mandato consecutivo, ela continua em seu cargo, mas para muitos efeitos práticos, não está mais no poder.

A reportagem lembra a pesquisa Datafolha, divulgada no dia 11 de abril, na qual 63% dos entrevistados se dizem favoráveis ao impeachment da presidente, e destaca que a oposição busca pareceres jurídicos para saber se Dilma já pode ser acusada em razão do escândalo da Petrobras ou pela violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

REINA, MAS NÃO GOVERNA

The Economist repetiu o que todo mundo sabe e assinalou que o mais dramático “nessa hemorragia do poder presidencial” é que Dilma tem ainda pela frente quase quatro anos de mandato. “Nesse tempo a economia vai certamente piorar antes de melhorar”, diz a publicação, indagando se a presidente sobreviverá à crise.

Ao destacar que quem comanda a economia é o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o PMDB detém as rédeas da política, a revista britânica poderia até comparar Dilma Rousseff e a rainha da Inglaterra, pois as duas aparentemente reinam, mas não governam.

REPRESENTANTE DOS BANQUEIROS

The Economist esqueceu de dizer que Levy, no comando da economia, comporta-se como um legítimo representante dos banqueiros, cujos exorbitantes lucros continuam intocáveis. O Bradesco, que ainda paga o salário de Levy, teve aumento de 23% nos lucros. Nada mal para uma economia em meio a tão grave crise.

E Levy ainda tem coragem de declarar à imprensa que o governo está cortando na própria carne. Mas como? Até agora ele só cortou na carne dos outros. Não há redução de custeio, apenas de investimento, fato que significa paralisia governamental e aumento da crise. Os ministérios excessivos continuam existindo, não houve redução de cargos comissionados, os cartões corporativos continuam funcionando a todo vapor e seus gastos são mantidos em sigilo. Ou seja, o quadro é desanimador.

The Economist só errou ao classificar Dilma de “Fantasma do Planalto”. Na verdade, ela se tornou uma espécie de Zumbi, meio morta e meio viva, que de vez em quando é vista se esgueirando na Esplanada dos Ministérios.

Tribuna da Internet

AONDE FOI PARAR A TRANSPARÊNCIA PROMETIDA POR LEVY E BARBOSA?

Vicente Nunes
Correio Braziliense
 
Assim que tomaram posse, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciaram novos tempos na economia. Além de medidas fundamentais para arrumar a casa e reverter todo o estrago provocado nos quatro primeiros anos do governo de Dilma Rousseff, como a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), comprometeram-se com um valor fundamental para um país que, dia após dia, vem se deparando com denúncias de corrupção: dar transparência à administração pública.

Depois de quase cinco meses no cargo, nem Levy nem Barbosa dão demonstrações claras de que vão cumprir o que prometerem no quesito transparência. As pastas que comandam continuam funcionando como verdadeiras caixas-pretas. 

Conseguir informações relevantes à sociedade é quase impossível, sobretudo se os dados desvendarem mamatas e o descalabro em várias áreas do governo.

Tente, por exemplo, saber da Fazenda e do Planejamento quantos são os assentos que o governo tem em empresas estatais, cargos que são repartidos entre um grupo restrito de servidores públicos e indicados políticos selecionados pelo Palácio do Planalto. 

Cobre do Departamento de Controle das Estatais (Dest), órgão vinculado a Barbosa, informações sobre as empresas que vêm colocando em risco o ajuste fiscal. No máximo, receberá respostas genéricas, que desrespeitam a inteligência.

INTERESSES ESCUSOS

É inaceitável que seja assim. O mais assustador, porém, é que não há perspectiva de mudança. A máquina pública foi construída para facilitar malfeitos, viabilizar grupos com o objetivo claro de enriquecer às custas dos contribuintes. Transparência não combina com esses interesses escusos.

Pode ser que até Levy e Barbosa venham a surpreender ao romper com esse modelo nefasto. Os dias estão correndo. Enquanto mantiverem os olhos fechados, os malfeitos prevalecerão e milhões de reais continuarão escorrendo diariamente pelos ralos da corrupção.

O custo da falta de transparência para o país é elevado. Em seminário semana passada, Cristiano Herckert, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, foi enfático: “Abrir dados é uma forma de gerar desenvolvimento econômico e social para nosso país”. 

Pena que nem mesmo os colegas de trabalho dele acreditem nisso. Se acreditassem, contribuiriam para a grande revolução que todos anseiam: um governo que não tem medo de se mostrar.

Tribuna da Internet

sexta-feira, 1 de maio de 2015

NO GOVERNO, NINGUÉM MAIS SE IMPORTA COM O QUE DILMA FALA

Deu no Portal EBC
 
Em vez de fazer o tradicional pronunciamento do Dia do Trabalhador na televisão, a presidenta Dilma Rousseff decidiu usar as redes sociais para lembrar a data e dialogar com os trabalhadores. No primeiro vídeo publicado, divulgado no YouTube, Facebook, Twitter e Whatsapp para divulgar vídeos em que dialoga com os trabalhadores. No primeiro vídeo, a presidenta lembrou medidas tomadas por seu governo para valorizar o salário mínimo.

De acordo com a presidenta, uma Medida Provisória foi enviada ao Congresso Nacional, em março, para garantir a valorização do salário mínimo acima da inflação até 2019, medida que também havia sido tomada no seu primeiro mandato.

 “Por isso o salário mínimo cresceu 14,8% acima da inflação em meu primeiro mandato. Mais de 45 milhões de trabalhadores e aposentados são beneficiados por essa política do meu governo”, afirmou.

A presidenta também citou, em seu primeiro vídeo, o envio ao Congresso da proposta para correção da tabela do Imposto de Renda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O texto da Empresa Brasileira de Comunicação é primário e grotesco. O primeiro parágrafo, totalmente desconexo, parece ter sido escrito pela própria presidente Dilma. Releiam esta frase do primeiro parágrafo e digam se entenderam: “No primeiro vídeo publicado, divulgado no YouTube, Facebook, Twitter e Whatsapp para divulgar vídeos em que dialoga com os trabalhadores”. A frase não termina, fica no ar, igual ao governo dela. Traduzindo: ninguém se importa mais com o que Dilma diz, nem mesmo os funcionários dela. (C.N.)

Tribuna da Internet

IRRESPONSÁVEL USINA DE CRISES

Percival Puggina
 
Neste Dia do Trabalhador, a presidente não falará em cadeia nacional, talvez porque haja companheiros seus em cadeia federal. Ou porque suspeitou que a notícia do dia seguinte fosse um formidável panelaço interestadual. 

Falará, então, às redes sociais. 

Que tantas redes são essas e como elas se interconectam de modo a gerar uma comunicação de amplo alcance, não entendo.

 O que importa é o fato: estamos sob uma presidência que não pode aparecer em público, que só se comunica com os seus. E em recinto fechado.

É sobre as razões disso que escrevo. Faz sentido o isolamento. O governo, afinal, jogou o país num jamais visto conjunto de crises.

CRISE MORAL – tem sua face mais visível no assalto à Petrobras e nos esquemas de propina organizados em relação às obras públicas, mas inclui inúmeras práticas reprováveis. Entre outras: a) o assassinato de reputações; b) a utilização de agentes provocadores e militantes violentos para produzir objetivos políticos; c) parcerias traçadas dentro do Foro de São Paulo, que sugerem crime de alta traição; d) uso de fundos públicos para apoiar ditaduras e governos violadores de direitos humanos.

CRISE DE CREDIBILIDADE – determinada pelo destampado emprego da mentira, da mistificação e da falsificação de dados oficiais para fins eleitoreiros, criando na sociedade a ilusão de que tudo ia bem quando tudo já ia irremediavelmente mal. A crise de credibilidade do governo tem reflexo interno e externo de vastas proporções.

CRISE FISCAL – determinada pela insolente e pretensiosa tese segundo a qual o partido governante, pela nobreza de suas intenções sociais, recusa a “lógica neoliberal”, segundo a qual o governo não deve gastar mais do que arrecada. O governo, então, jogou na privada a Lei de Responsabilidade Fiscal. Gastou demais para garantir a reeleição, esbanjou irresponsavelmente, no Brasil e no exterior, e está sem recursos para atender as mais urgentes demandas nacionais.

CRISE DA INTELIGÊNCIA – talvez seja a que mais inibe nosso desenvolvimento. O mundo vai na direção das liberdades econômicas, da criatividade, da liberdade, dos avanços tecnológicos, da valorização do trabalho, do mérito e da qualificação dos recursos humanos. O petismo e seus intelectuais orgânicos se empenham, há décadas, na direção oposta. Dedicam-se a tornar hegemônica uma ideologia do atraso, semelhante à de seus parceiros do Foro de São Paulo, que viola o direito de propriedade, desqualifica o mérito, cria dependências em relação ao poder público, mitifica o Estado e desfavorece a iniciativa privada.

CRISE ECONÔMICA – produzida com sucessivos desarranjos na estrutura do gasto público. Entre os muitos equívocos, se incluem condutas simbolicamente irresponsáveis como as que privilegiaram a “conquista” da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Com consequências ainda mais graves, envolvem os elásticos financiamentos privilegiados, concedidos por compadrio. Tem sido negligente com a infraestrutura nacional, criando gargalos até mesmo para o desenvolvimento do agronegócio. Manipulou as tarifas de energia e os preços dos combustíveis como explícitas plataformas eleitorais. Com consequências já medidas na redução dos postos de trabalho e da massa salarial, concedeu incrementos aos salários acima da expansão do PIB e pretendeu “aquecer” o consumo endividando a sociedade e desestimulando a poupança.

CRISE DA GOVERNABILIDADE – Desde a segunda metade da gestão Lula II, o governo, como articulador de políticas de interesse nacional, simplesmente acabou. Os gestores petistas têm usado como base de negócios tudo que podem submeter à sua influência. Põe no mesmo carrinho, como num supermercado, os órgãos do próprio governo, da administração permanente e do Estado, sem qualquer unicidade e sem estratégias, exceto as de curtíssimo prazo, ligadas à manutenção do poder. Muito antes de a presidente Dilma terceirizar seu governo nas últimas semanas, ele já fora terceirizado, por Lula, a facções políticas dos partidos da base, muitas das quais, só pelo traje, se distinguem das organizações criminosas que operam no submundo nacional.

CRISE DA INCONFORMIDADE – O que mais incomoda toda consciência bem formada e todo cidadão esclarecido é saber que não precisávamos passar por tais dificuldades! A conta do estrago, a conta dessa irresponsável usina de crises, como já era previsto há bom tempo, será paga com desemprego, inflação, carestia, mais impostos, redução da massa salarial e falta de recursos para as atividades essenciais de Educação, Saúde e Segurança Pública. É esta última crise, a da inconformidade, que tem levado o povo brasileiro às ruas.

Tribuna da Internet