quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Descompromisso fiscal joga a economia para baixo

Vicente Nunes
Correio Braziliense


A falta de um compromisso claro do governo com o ajuste fiscal está na base de todos os problemas que o Brasil enfrenta hoje. Enquanto não houver um sinal contundente do que realmente será feito para reorganizar as finanças públicas e estabilizar a dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a tendência será de piora da economia. Com o país devastado por um tsunami de desconfiança, recorrer a mecanismos pouco confiáveis, como o sistema de bandas fiscais proposto pelo Ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, pode resultar em problemas ainda maiores.

Para Gabriela Santos, estrategista global do JP Morgan Asset Management, o que o Brasil precisa agora, a fim de reconstruir sua credibilidade, é de uma meta fiscal explícita, factível de ser alcançada. “Por menor que seja o número proposto, é preciso mostrar que há uma direção a ser seguida”, diz. No entender dela, é “absolutamente central” que o governo se comprometa com o ajuste das contas públicas, para que a confiança interna e externa volte. “Hoje, os problemas fiscais interferem em tudo, na inflação, nas taxas de juros, no câmbio”, ressalta.

É compreensível, na opinião de Gabriela, que, num quadro de profunda recessão, como o vivido pelo Brasil, o governo enfrente dificuldades para cumprir metas fiscais. Mas não se está pedindo, neste momento, superávit primário de 2% ou 3% do PIB. O que se quer é um número mínimo e que se chegue o mais próximo possível dele. “Estamos falando de metas realistas e que se tente cumpri-las”, assinala. Segundo ela, olhando apenas para o quadro atual, nem mesmo o superávit primário de 0,5% do PIB previsto em lei será alcançado.

MODELO ESGOTADO

A economista do JP Morgan Asset Management afirma que, com a desconfiança que se vê hoje, a economia brasileira terá retração de pelo menos 3%. A queda será puxada pelos investimentos e pelo consumo das famílias. Ela acredita que a demanda interna terá contração de 5%, saldo que será minimizado pelo resultado positivo do setor externo. A leitura mais importante desses números, destaca Gabriela, é a de que o modelo econômico adotado pelo Brasil se esgotou. “Isso ficou claro há cinco anos, com o fim do ciclo das commodities. Desde então, o PIB brasileiro só cai”, frisa.

Na avaliação de Gabriela, diante da forte retração da atividade, seria importante que o Banco Central tivesse espaço para reduzir as taxas de juros. Mas, como não há confiança na política monetária e as expectativas dos agentes econômicos apontam para inflação de ao menos 7% neste ano — acima do teto da meta, de 6,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) —, qualquer movimento do BC nesse sentido seria danoso para o país. “Para os juros caírem, é preciso que as projeções de inflação estejam mais próximas da meta”, enfatiza. Ela acredita que a taxa Selic será mantida em 14,25% até o fim do ano.

MAIS DESEMPREGO

Esse momento tão adverso, reconhece a economista, se traduzirá em mais desemprego, que pegará as famílias superendividadas. Pelos cálculos dela, a taxa de desocupação medida pela Pnad Contínua, que, em outubro do ano passado (o último dado disponível) estava em 9%, passará tranquilamente dos 10%. Será um problemão para os consumidores, que, na média, estão com 46% da renda comprometidos com dívida. Isso mostra, na visão de Gabriela, que o crédito deixou de ser uma arma potente para estimular o crescimento, ao contrário do que acredita o governo, que, recentemente, lançou um pacote de R$ 83 bilhões em linhas de financiamento.

AO DEUS-DARÁ

É preciso ressaltar, segundo a economista do JP Morgan Asset Management, que o aumento do desemprego e o excesso de endividamento não são problemas exclusivos do Brasil. Estão presentes em todos os países emergentes que, ao longo dos anos, se aproveitaram da alta dos preços das commodities (mercadorias com cotação internacional), mas não fizeram o dever de casa, isto é, reformas estruturais e investimentos para o aumento da produtividade.

Está claro, portanto, que os desafios a serem enfrentados pelo Brasil são grandes. E não há espaço para inovações. Foram justamente as estripulias da nova matriz econômica, nos quatro primeiros anos do governo Dilma Rousseff, que empurraram o país para a situação de calamidade pública que estamos enfrentando. Nada funciona. A saúde está ao deus-dará. A educação não prepara os jovens para os desafios que a modernidade impõe. A violência não poupa vidas. A economia combina recessão, desemprego, inflação alta e contas públicas em frangalhos.

Tribuna da Internet

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Para o PT, triplex e Atibaia são ficções conservadores

Pedro do Coutto

Em artigo colocado no site do PT, o presidente da legenda Rui Falcão afirmou que os episódios relativos ao tríplex de Lula e ao sítio de Atibaia são ficções conservadoras, inspiradas pela direita e destacadas pela mídia para promover o linchamento moral do ex-presidente da República no sentido de impedir seu retorno ao poder nas urnas de 2018.

A fantasiosa versão tornou-se objeto de ampla reportagem de Pedro Venceslau e Daiane Cardoso, no Estado de São Paulo de terça-feira, expondo a contradição evidente contida no texto do PT. Em certa altura, Rui Falcão sustenta que um dos temores do conservadorismo é que no seu retorno Lula possa dar sequência à política de reforma social que colocou em prática em seus dois mandatos.


Neste ponto, a manifestação petista embute uma crítica flagrante à presidente Dilma Rousseff, pois se Luiz Inácio da Silva, na sua visão, retomaria a política de reforma social, é porque sua sucessora interrompeu o curso dessa reforma nos mandatos que conquistou em 2010 e 2014.

CULPA DA MÍDIA

Rui Falcão culpa a mídia por divulgar aspectos envolvendo a participação de Lula no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia. Enfoque ridículo, uma vez que a imprensa e as emissoras de televisão não inventaram nem uma coisa nem outra. Apenas refletiram o resultado de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Quer dizer, na visão de Rui Falcão, não há nenhuma importância no conteúdo dos acontecimentos. Importante negativamente é sua divulgação. Este ângulo totalmente absurdo do artigo incluído no site do PT omite a presença da OAS e da Odebrecht no desenrolar dos fatos. Afinal de contas, qual o motivo de a OAS tornar-se proprietária do tríplex e da Odebrecht pagar parte da reforma do sítio de Atibaia?

O magnífico artigo na edição de domingo da Folha de São Paulo, Ferreira Gullar rebate antecipadamente as visões impressionistas do presidente do PT que caminha num bosque pleno de contradições. Ele, Rui Falcão, culpa os conservadores e a direita de tentarem abalar a imagem de Lula, mas esquece que a propriedade e utilização de tríplex e de sítio são características do capitalismo conservador.

CAPITAL E TRABALHO

Não quero dizer com isso, que todo capitalista seja um conservador ou um direitista, porém desejo acentuar apenas que só capitalistas podem se tornar proprietários de tríplex e de sítio. Nada contra, uma vez que tais propriedades sejam adquiridas com recursos próprios de quem tem direito deles dispor. O que é estranho é que propriedades típicas de uma situação capitalista tenham sido adquiridas por empresários e destinadas a um político reformista.

O oposto do capitalismo não é a posição revolucionária e sim qualquer posição que vise a reforma dos limites históricos entre o capital e o trabalho. Qualquer esforço também para tornar cristã a distribuição da renda entre os dois fatores eternamente produtivos.

Agora, usar métodos sombrios do capital para gozar delícias próximas ao conservadorismo constitui uma farsa total. Tanto é assim que o ex-presidente Lula, não se sabe por quais motivos, nega ser o proprietário tanto do apartamento do Guarujá, quanto do sítio em Atibaia.

Se as condições de compra fossem normais, não haveria necessidade de ocultar os bens que possui. Ficção é isso, não o que Rui Falcão sustenta como a união de forças conservadoras para impedir o retorno de Lula ao poder. Lula precisa urgentemente retornar à realidade dos fatos para voltar a estrada que poderia levá-lo a disputar a sucessão de Dilma Rousseff. Por que não procede assim?

Tribuna da Internet

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações...

José Tomaz Filho

Na reportagem de capa da VEJA desta semana a revista pega carona nestes dias de Momo e faz uma longa reportagem sobre a bandalheira comandada pela dupla medonha Lula-Dilma. Recorre ao velho sambista Chico Buarque – outrora íntegro defensor da ética e da intolerância – para descrever magistralmente o que Lula, Dilma e, de resto, o PT fizeram com o Brasil.

Recorde-se que o nosso Brasil, há anos considerado o país do futuro, caminhava célere para se incorporar ao clube do Primeiro Mundo. Chegou a encabeçar a sigla ´Brics` com o seu ´B`, ao lado de Rússia, Índia e China.

O desastre Lula-Dilma desalojou o Brasil dos Brics. Enquanto a Índia cresce 7%, despencamos 4%. E a dose deve se repetir neste 2016. Retornamos cheio de empáfia petista ao Terceiro Mundo. Sem escala.

E a Veja termina assim a matéria de capa:

“O lulopetismo está pagando por sua arrogância, sua falsa superioridade moral e por ter sido, no poder, a negação de tudo o que pregou. Suas tenebrosas transações foram feitas enquanto dormia a pátria-mãe tão distraída. Mas as instituições estavam acordadas e a imprensa, vigilante. O PT tentou, mas não conseguiu anestesiar a consciência das instituições.Tentou, mas não conseguiu censurar a imprensa. Tentou, mas não conseguiu iludir as massas. Salve, portanto, o compositor popular, o intérprete do povo, que, tudo indica, impedirá que o lulopetismo escreva outra página infeliz de nossa história”.

(artigo enviado pelo comentarista Celso Serra)

Tribuna da Internet

Mercado em pânico: 41% dos compradores devolvem os imóveis

Deu no G1

Os números são assustadores: 41% das vendas tiveram distratos nos 9 primeiros meses de 2015, diz a consultoria Fitch. Queda dos preços dos imóveis e situação econômica elevaram a fuga de compradores. Preços dos imóveis tiveram queda real de 8,48% em 2015, diz FipeZap, enquanto o preço médio do aluguel teve queda real de 12,66% em 2015. Essa desvalorização, aliada aos juros mais altos para financiar a casa própria, complicou a vida de muita gente.

O pedido de devolução, conhecido como distrato, é um direito de quem comprou o imóvel na planta e ainda não fez um financiamento com o banco após a entrega das chaves. Ao quebrar o contrato com a construtora, o comprador, mesmo inadimplente, recebe de volta parte do que pagou e o imóvel retorna para ser revendido ao mercado.

Nos primeiros nove meses de 2015, as construtoras receberam de volta 41% das unidades vendidas em lançamentos, um total de R$ 4,9 bilhões, apontou um relatório divulgado este mês pela agência Fitch. Em 2014, esse percentual foi de 29% e, em 2013, de 24%.  O estudo abrange as novas incorporadoras avaliadas pela agência. “Em um cenário em que 35% das unidades vendidas programadas para serem entregues sejam canceladas, os distratos poderiam totalizar R$ 6 bilhões em 2016”, prevê o relatório.

No escritório paulista Tapai Advogados, especializado em mercado imobiliário, 73% das ações na justiça em 2015 correspondiam a pedidos de distrato. Em 2014, essa proporção foi de 43% e em 2013, de apenas 16%.   Antes de entrar na justiça, o primeiro passo de quem quer devolver é comunicar a intenção à construtora e tentar negociar uma alternativa, orienta a Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (AMSPA).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Não confie nas estatísticas FipeZap, manipuladas pela Organização Globo, que têm interesse direto no mercado imobiliário, um de seus maiores anunciantes. A queda no preço de compra/venda e aluguel é muito maior do que a redução que eles admitem. O mercado está em crise desde 2012, não tem nada a ver com a crise geral do país. Os preços foram inflados artificialmente e agora têm de voltar à realidade(C.N.)


Tribuna da Internet

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Não é boato: Minas Gerais está indo à falência

Vittorio Medioli
O Tempo


Ícones da economia mineira como Vale, Samarco, Açominas (hoje Gerdau) e Acesita (hoje ArcelorMittal), as construtoras Mendes Júnior e Andrade Gutierrez apresentam quedas de receitas que nunca foram imaginadas em suas longas trajetórias. Defrontam-se com quadros sombrios no curto prazo. A Fiat (agora FCA) amarga 50% de carros vendidos a menos que em 2012. Se nesta altura as coisas são preocupantes, no andar de baixo, no cinturão de fornecedores e prestadores de serviços, os ventos já levam empresas embora como folhas secas no inverno.

A produção industrial de Minas precipitou em 12% até dezembro de 2015, um desastre que ainda se acelera. Em janeiro deste ano, o setor automotivo registrou um afundamento de 39,8% sobre janeiro de 2015, que foi um dos piores da história.

O Estado de Minas Gerais voltou a ter níveis de produção como os da década de 90, apesar de a população ter crescido 20% desde aquela gloriosa década.

As sirenes já tocavam em 2014 durante a campanha presidencial, entretanto, no lugar que caberia a uma figura de ampla visão, a reeleita Dilma Rousseff deu as rédeas a Joaquim Levy, saudado pela imprensa especializada e pelo próprio PSDB como “um dos nossos”. Na realidade, um fracasso sem precedente que poderia ser considerado o cavalo de Troia que fez ruir a cidade petista. Ele está para o Brasil assim como o tsunami foi para a Tailândia ou a guerra de 1964 para o Vietnã.

PERDEU O RUMO

Maior desgraça seria impossível. A economia nacional perdeu o rumo e aniquilou a competitividade. As contas públicas se esgarçaram.

Levy, enquanto tentava aumentar impostos para arrecadar mais R$ 50 bilhões, elevou os juros pagando R$ 501 bilhões a banqueiros. Para arrecadar R$ 50 bi a mais, aumentou o serviço da dívida em R$ 180 bilhões. Perdeu 5,6% de arrecadação. Um aprendiz faria melhor.

E Dilma pretende ainda a CPMF, o mais regressivo dos impostos, um golpe a ser pago pela economia popular e com mais desempregados. O que falta ao Brasil é cortar pela metade os cargos e os gastos do poder público e também o número de cargos de nomeação ampla. Implantar austeridade e respeito com o que se tira do contribuinte.

As culpas não são todas de Levy, mas ele se prestou a fazer apenas o interesse dos especuladores. Concedeu aos bancos os maiores lucros de todos os tempos, enquanto o Brasil se desgraçava e afundava. Isso, como criticado pelas melhores inteligências econômicas do planeta, devasta a economia. Neste momento dá-se ênfase ao crescimento econômico como solução para fugir da queda de arrecadação e da geração de desequilíbrios sociais. No Brasil, se asfixia exatamente a produção, que é como aumentar água na garganta de alguém que está se afogando.

CATÁSTROFE EM MINAS

A crise em Minas decretou 200 mil desempregados em 2015, e esse número catastrófico poderá se repetir já no primeiro trimestre de 2016 com mais uma quebra: a Usiminas. Considerada a estrela da siderurgia brasileira, a empresa de Ipatinga, engasgada com dívidas e prejuízos bilionários, está para fechar as portas.

A deterioração da histórica siderúrgica de Minas determinou-se não apenas pela conjuntura adversa e nem pela briga entre sócios – de um lado, os nipônicos da Nippon Steel, e, do outro, os ítalo-argentinos da Ternium.

A Usiminas vinha se reestruturando com a gestão dos “argentinos”. As ações na Bovespa chegaram a seu melhor momento, R$ 14, e a credibilidade protegia a empresa. Entretanto, o acordo entre acionistas foi ruidosamente implodido pelos nipônicos, com acusações que até hoje não passam da inaptidão. O grupo Ternium, até pela falta de articulação política no Brasil, perdeu a queda de braço; os diretores saíram e, de lá pra cá, a empresa entrou em parafuso com ações não valendo um insignificante 5% do que já valeram há dois anos.

Joaquim Levy de fora e um grupo desastroso de dentro reduziram a geração de caixa em 18 vezes, até esvaziá-la; o saldo de liquidez hoje não cobre um dia de necessidades. A insolvência se dará a qualquer momento. Os bancos exigem um aporte de R$ 4 bilhões de capital dos acionistas para diminuir a exposição e ainda querem avaliar um plano de recuperação que não existe.

USIMINAS AFUNDANDO

Como um barco que quebrou o leme, perdeu as velas e bateu num rochedo, a Usiminas está afundando. Os japoneses, conhecidos pela frieza e orgulho, parecem dispostos ao haraquiri antes de recuarem de suas posições.

Na Cidade Administrativa, na última sexta, o nervosismo estava no ápice. A Usiminas se perdeu e, por fim, perdeu também a credibilidade e o crédito. Sua avaliação internacional precipitou para CCC1. Quer dizer: empresa falida.

Que os japoneses percam aqui alguns bilhões, para eles pode não fazer diferença, mas para Minas será uma catástrofe de desemprego e perda de renda. O Vale do Aço, vermelho de lama da Samarco, pode se transformar num vale das lágrimas da Usiminas.


Agora o governo de Fernando Pimentel, que se queixa de ter encontrado as contas do Estado arrasadas e com R$ 7 bilhões de dívidas inadministráveis, mantidas “fantasiadas” ao longo do governo tucano, será testado. A falência da Usiminas vai exigir muito dele para evitar a perda de milhares de empregos e garantir uma arrecadação fundamental para o erário mineiro.

Tribuna da Internet