quinta-feira, 15 de março de 2012

Supercomputador da USP faz 20 trilhões de cálculos por segundo


A USP (Universidade de São Paulo) adquiriu e começa a colocar em funcionamento neste mês um supercomputador considerado um dos cinco mais rápidos do país.

O equipamento foi comprado com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e tem 2.304 processadores.

A máquina, cerca de cem vezes mais rápida que o computador mais potente da universidade, consegue fazer 20 trilhões de cálculos por segundo e será usada pelos pesquisadores do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP e do Núcleo de Astrofísica Teórica da Universidade Cruzeiro do Sul, entidade parceira do projeto.

"Esse computador nos coloca entre os institutos líderes do mundo para fazer computação de alta performance", destaca a professora de Astronomia da USP Elisabete dal Pino.

O primeiro teste de cálculo feito com o equipamento já demonstrou o potencial da nova máquina.

Com o computador antigo, o procedimento levava uma hora e meia. Usando apenas metade da capacidade do novo superprocessador, o teste levou um minuto e 57 segundos.

"[Com o computador] Você pode modelar [criar virtualmente um modelo baseado em teoria] uma galáxia, colisões entre galáxias, colisões entre estrelas. Pode modelar a morte ou nascimento de uma estrela. E pode comparar esses modelos com o que você consegue obter a partir de observações a partir de telescópios", ressalta Elisabete.

O supercomputador, que custou mais de R$ 1 milhão, terá 10% do tempo de seu funcionamento destinado à comunidade astrofísica do país.

FOLHA

Morre César Ades, patriarca do estudo do comportamento animal no Brasil


Morreu na noite de ontem o professor César Ades, 69, do Instituto de Psicologia da USP.

Ele estava internado no Hospital das Clínicas desde a última quinta-feira após ter sido atropelado na Avenida Paulista, na região central de São Paulo.

A morte do acadêmico foi confirmada pelo Instituto de Psicologia. O velório será realizado até as 13h desta quinta-feira (15), na biblioteca Dante Moreira Leite, no Instituto de Psicologia, na Cidade Universitária. O enterro será no cemitério Israelita do Embu (Grande SP), às 15h.

Segundo amigos do professor, Ades fazia caminhada quando foi atingido por um carro, na esquina da Paulista com a rua Peixoto Gomide - onde há faixa de pedestres. Ele foi socorrido pela própria motorista do carro e levado, sem documentos, com as roupas de corrida, para o HC, onde passou por ao menos quatro operações.

Nascido no Egito, Ades construiu sua carreira de professor e pesquisador na USP, onde ingressou como estudante de graduação em 1960. Ele era referência mundial na área de etologia e comportamento animal.

Entre outros cargos acadêmicos, era diretor do IEA (Instituto de Estudos Avançados) da USP até o final de fevereiro. Também foi o diretor do Instituto de Psicologia, além de ser professor livre-docente desde 1991.

"Uma pessoa muito sorridente, alegre e positiva, um professor muito querido, que sempre fez questão de comparecer a todas as recepções de calouros", disse seu ex-orientando, Leandro Nascimento, 27, hoje analista de business intelligence.

Na rede social "Facebook", muitos alunos e colegas de Ades prestaram homenagem a ele após o atropelamento.

Segundo dados da última atualização disponível, em 2010, a região da Paulista teve 13 atropelamentos fatais (não há o total de atropelamentos). Em toda a cidade, foram 645 pedestres vítimas de atropelamentos em 2010.

FOLHA-

quarta-feira, 14 de março de 2012

Procon-SP determina suspensão de Americanas.com e Submarino


A Fundação Procon-SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, determinou nesta quarta-feira a suspensão por 72 horas, a partir de amanhã (15), do comércio eletrônico nos sites Americanas.com, Submarino e Shoptime, da B2W Companhia Global do Varejo.

Além da paralisação das vendas em todo o Estado de São Paulo, a empresa deve pagar multa de R$ 1,744 milhão.

O número de atendimentos relativos a problemas com os sites da B2W saltou de 2.224 em 2010 para 6.233 no ano passado, com aumento de 180% no período, sendo a maioria das ocorrências devido a falta de entrega ou defeito do produto.

"Isso é um descaso, desrespeito ao consumidor. Fizemos várias tentativas chamando a empresa para o diálogo no Procon, mas o problema não foi resolvido", afirma o diretor executivo da Fundação Procon-SP, Paulo Arthur Góes.

A empresa recorreu da decisão em primeiro grau publicada em 10 de novembro do ano passado no "Diário Oficial do Estado de São Paulo". Para a decisão publicada hoje, não cabe mais recursos administrativos. A empresa pode contestar a penalidade na Justiça.

Procurada, a assessoria de imprensa da B2W ainda não se pronunciou sobre o assunto.

O consumidor que tiver problemas com a entrega de produtos e serviços deve procurar um dos postos do órgão.

FOLHA

Familiares de vítimas de acidente com ônibus viajam até Suíça


As famílias das vítimas do acidente de ônibus registrado na noite de terça-feira na Suíça, que matou 28 pessoas, entre elas 22 crianças, partiram de Bruxelas com direção a Genebra em um avião do Exército belga.

A aeronave, um Airbus A310, transporta 116 pessoas, entre elas uma equipe de psicólogos especializados neste tipo de drama, segundo explicou aos jornalistas o ministro belga de Defesa, Pieter De Crem, no aeroporto militar de Melsbroek.

Os familiares das vítimas da tragédia chegaram à instalação, nos arredores de Bruxelas, a bordo de um ônibus com os vidros escuros. Eles foram recebidos pelo rei da Bélgica, Alberto II, pelo primeiro-ministro, Elio di Rupo e pelo próprio De Crem.

Segundo explicou o ministro, uma vez cheguem a Genebra, as famílias serão transferidas por estrada aos diferentes centros hospitalares onde as vítimas estão internadas.

CAUSA DESCONHECIDA

Um total de 52 pessoas viajava no ônibus, que se chocou por causas ainda desconhecidas em um túnel na localidade suíça de Serre (sul do país). Destas, 28 morreram e outras estão feridas com diferentes gravidades.

A maior parte dos viajantes eram crianças das localidades belgas de Lommel e Heverlee (no norte), que voltavam para casa após férias em uma estação de esqui no vale de Anniviers, nos Alpes suíços.

O prior Dirk De Gendt, que lidera a direção da escola de Heverlee, afirmou à agência "Belga" que morreram o professor e a monitora que acompanhavam os 24 alunos desse centro que viajavam no ônibus.

Segundo informações concedidas pela escola, sobreviveram 16 crianças, entre as quais há feridos graves, mas ainda não se sabe o que aconteceu com outras oito.

Já com relação à escola de Lommel, viajavam 22 crianças e dois acompanhantes. 

Autoridades locais confirmaram em entrevista coletiva que dois alunos conseguiram entrar em contato com seus pais por telefone, mas não confirmaram o estado de saúde dos outros membros do grupo.

EFE/FOLHA

terça-feira, 13 de março de 2012

BMW ameaça desistir de plano de fábrica no Brasil


A BMW ameaçou nesta terça-feira desistir dos planos de construir uma fábrica de montagem de veículos no Brasil se novas medidas impostas pelo governo impedirem a produção lucrativa no país.

"Não iremos para o Brasil para termos prejuízo", disse o diretor de produção da BMW, Frank-Peter Arndt, a jornalistas durante reunião anual do grupo.

Atualmente, os planos da montadora de carros de luxo envolvem a construção de uma fábrica em São Paulo ou Santa Catarina.

Em janeiro, uma fonte no Brasil afirmou que a montadora estava nos estágios finais de escolha do local de sua primeira fábrica na América Latina, com uma decisão esperada para fevereiro. Desde o ano passado, a empresa vem negociando a instalação da unidade no país.

A própria montadora vinha afirmando que esperava uma decisão sobre a fábrica para o fim de 2011, mas a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados de veículos importados, anunciada em setembro pelo governo, teria atrasado o processo.

As vendas da BMW no Brasil em 2011 somaram 12.074 unidades, salto de 42% sobre os 8.534 veículos emplacados em 2010, em meio ao crescimento da economia e aumento da renda da população.

FOLHA

Problema em sistema afeta emissão de CNH em todo o país


Um problema no sistema da Serpro (empresa que administra parte dos sites do governo federal) impede a emissão de carteiras de habilitação em todo o país nesta terça-feira. A previsão é que o problema seja resolvido ainda na tarde de hoje.

Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), o problema começou na madrugada, afetando o Renach (Registro Nacional de Carteiras de Habilitação), responsável pela emissão e renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

No período da manhã, houve ainda um problema que atingiu parcialmente o Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) e prejudicou a emissão de documentos.

Técnicos da Serpro trabalham para solucionar o problema. As causas da falha ainda estão sendo investigadas.

O Detran-SP disse em nota que está impossibilitado de emitir carteiras de habilitação e realizar serviços que exijam consulta ou validação junto à base de dados nacional, como início do processo de habilitação, transferências de documentos e veículos e comunicação de venda.

O Detran-RJ informou que o problema no Renavam não impede a emissão do documento dos carros aprovados nas vistorias. É atingida apenas a emissão do CRV (Certificado de Registro de Veículo), obrigatório para os procedimentos relativos à primeira licença (emplacamento), transferência de propriedade e transferência de município.

Para os clientes que estão requerendo esses serviços, o atendimento é manual, com o responsável pelo veículo tendo cinco dias, sem a necessidade de agendamento, para retornar ao posto e receber o CRV.

Em São Paulo, quem pretende tirar a primeira habilitação tem que fazer um pré-cadastro no site e-cnhsp.sp.gov.br, desde o fim do ano passado.

Após o cadastro, a pessoa deve agendar a apresentação da documentação e a coleta biométrica (captação de digitais, fotografia e assinatura digital) em uma das unidades de atendimento do Detran.

O mesmo vale para quem vai renovar a carteira, para a reabilitação de permissionários ou adição e mudança de categoria na CNH.

FOLHA

Vale deve se tornar maior produtora de níquel em 2012


A Vale deve se tornar a maior produtora mundial de níquel ainda neste ano, disse o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, nesta segunda-feira, durante evento no Rio de Janeiro.

A companhia é atualmente a segunda produtora global da commodity, atrás da mineradora Norilsk.

"Devemos alcançar isso ao longo deste ano, no máximo no próximo", declarou ele durante palestra no Rio de Janeiro.

A produção total de níquel refinado da Vale foi de 242 mil toneladas em 2011, aumento 35,1% na comparação com o ano anterior, com a recuperação dos volumes das unidades no Canadá após uma greve.

Mas a produção da Vale de níquel de 2011 ainda foi razoavelmente inferior à marca atingida em 2008, de 275 mil toneladas.

O presidente da Vale disse que a companhia não vê uma redução na demanda da China, maior compradora do minério de ferro, principal produto da companhia.

Os mercados têm acompanhado atentamente qualquer sinal de uma desaceleração na demanda.

Mas, segundo Ferreira, dados recentes anualizados apontam que a China consumiu mais minério de ferro.

"Então essa é a crise chinesa: cresceu de 729 milhões de toneladas para 756 milhões de toneladas, em bases anualizadas, o consumo de minério de ferro", declarou.

Ferreira reafirmou que a Vale não perdeu nenhum processo em que se discute cobranças de impostos na Justiça com o governo, e disse que a companhia ainda busca resolver a questão de alguns casos na esfera administrativa.

A Vale vem sendo cobrada pela Receita Federal por impostos sobre lucros de controladas no exterior. Mas a companhia discute as cobranças na Justiça, e o executivo avaliou que uma "bitributação" seria um desestímulo à atuação de empresas brasileiras no exterior.

REUTERS/FOLHA

Vaccarezza diz que sai da liderança por razões políticas


Apesar de claramente emocionado, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou nesta terça-feira (13) que deixa a liderança do governo na Câmara sem ressentimentos e que continuará sendo um soldado da presidente Dilma Rousseff.

"Encaro isso sem ressentimento, sem mágoas e com naturalidade", disse.


Para o deputado, sua saída acontece por motivação política, não por derrotas pessoais, já que, segundo ele, o governo só "teve vitórias" na Câmara.

O petista admite, porém, não saber onde a presidente "quer chegar" ao dizer que vai fazer um rodízio nas lideranças.

Vaccarezza admitiu ainda que sua substituição pode causar um estremecimento na Câmara, sem votações importantes nesta semana. 

"Eu era amigo pessoal dos líderes, até mesmo da oposição, por isso [um estremecimento] é natural. Mas a partir da semana que vem já vai ser tranquilo", justificou.

O petista demonstrou mágoa ainda ao admitir que soube da sua substituição pela imprensa. Ele foi chamado ontem para uma conversa de uma hora e meia com Dilma na manhã de hoje.

"Não acho que foi uma boa conduta dessas pessoas [que vazaram sobre a sua demissão], mas tenho certeza que isso não contou com o apoio de Dilma", afirmou.

O chefe-de-gabinete da presidente, Giles Azevedo, participou de parte da conversa.

Segundo o deputado, Dilma o agradeceu pelo trabalho e falou sobre a necessidade da substituição.

Em entrevista coletiva nesta terça, Vaccarezza disse não saber qual será a periodicidade desse rodízio e nem quem o substituirá no cargo. O petista disse que a presidente pediu uma indicação de um nome, mas ele preferiu não opinar, dizendo apenas que achava que o escolhido tinha que ser anunciado hoje.

"A presidente está com uma correlação clara das forças do Congresso, mas eu não sei quem será o novo escolhido", disse.

Ele negou, porém, que sua saída possa repercutir negativamente na Câmara, como na eleição do próximo presidente da Casa e minimizou qualquer crise na base aliada. Disse que a partir de agora trabalhará em projetos pessoais.

Cândido Vaccarezza foi líder do governo durante mais de dois anos e já foi líder do PT. Ele foi indicado ao cargo pelo ex-presidente Lula.

Além dele, Romero Jucá (PMDB-RR) também foi substituído por Eduardo Braga (PMDB-AM) na liderança do governo no Senado.

FOLHA

segunda-feira, 12 de março de 2012

Governo? Que governo?



MARCO ANTONIO VILLA - O Estado de S.Paulo
O rei está nu. Na verdade, é a rainha que está nua. Ninguém, em sã consciência, pode dizer que o governo Dilma Rousseff vai bem. A divulgação da taxa de crescimento do País no ano passado - 2,7% - foi uma espécie de pá de cal. O resultado foi péssimo, basta comparar com os países da América Latina. Nem se fala se confrontarmos com a China ou a Índia. Mas a política de comunicação do governo é tão eficaz (além da abulia oposicionista) que a taxa foi recebida com absoluta naturalidade, como se fosse um excelente resultado, algo digno de fazer parte dos manuais de desenvolvimento econômico. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sempre esforçado, desta vez passou ao largo de tentar dar alguma explicação. Preferiu ignorar o fracasso, mesmo tendo, durante todo o ano de 2011, dito e redito que o Brasil cresceria 4%.
A presidente esgotou a troca de figurinos. Como uma atriz que tem de representar vários papéis, não tem mais o que vestir de novo. Agora optou pelo monólogo. Fala, fala e nada acontece. Padece do vício petista de que a palavra substitui a ação. Imputa sua incompetência aos outros, desde ministros até as empresas contratadas para as obras do governo. Como uma atriz iniciante após um breve curso no Actors Studio, busca vivenciar o sofrimento de um governo inepto, marcado pelo fisiologismo.
Seu Ministério lembra, em alguns bons momentos, uma trupe de comediantes. O sempre presente Celso Amorim - que ignorou as péssimas condições de trabalho dos cientistas na Antártida, numa estação científica sucateada - declarou enfaticamente que a perda de anos de trabalho científico deve ser relativizada. De acordo com o atual titular da Defesa, os cientistas mantêm na memória as pesquisas que foram destruídas no incêndio (o que diria o Barão se ouvisse isso?).
Como numa olimpíada do nonsense, Aloizio Mercadante, do Ministério da Educação (MEC), dias atrás reclamou que o Brasil é muito grande. Será que não sabe - quem foi seu professor de Geografia? - que o nosso país tem alguns milhões de quilômetros quadrados? Como o governo petista tem a mania de criar ministérios, na hora pensei que estava propondo criar um MEC para cada região do País. Será? Ao menos poderia ampliar ainda mais a base no Congresso Nacional.
Mas o triste espetáculo, infelizmente, não parou.
A ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, resolveu dissertar sobre política externa. Disse como o Brasil deveria agir no Oriente Médio, comentou a ação da ONU, esquecendo-se de que não é a responsável pela pasta das Relações Exteriores.
O repertório ministerial é muito variado. Até parece que cada ministro deseja ardentemente superar seus colegas. A última (daquela mesma semana, é claro) foi a substituição do ministro da Pesca. A existência do ministério já é uma piada. Todos se devem lembrar do momento da transmissão do cargo, em junho do ano passado, quando a então ministra Ideli Salvatti pediu ao seu sucessor na Pesca, Luiz Sérgio, que "cuidasse muito bem" dos seus "peixinhos", como se fosse uma questão de aquário. Pobre Luiz Sérgio. Mas, como tudo tem seu lado positivo, ele já faz parte da história política do Brasil, o que não é pouco. Conseguiu um feito raro, na verdade, único em mais de 120 anos de República: foi demitido de dois cargos ministeriais, do mesmo governo, e em apenas oito meses. Já Marcelo Crivella, o novo titular, declarou que não entende nada de pesca. Foi sincero. Mas Edison Lobão entende alguma coisa de minas e energia? E Míriam Belchior tem alguma leve ideia do que seja planejamento?
Como numa chanchada da Atlântida, seguem as obras da Copa do Mundo de 2014. Todas estão atrasadas. As referentes à infraestrutura nem sequer foram licitadas. Dá até a impressão de que o evento só vai ser realizado em 2018. A tranquilidade governamental inquieta. É só incompetência? Ou é também uma estratégia para, na última hora, facilitar os sobrepreços, numa espécie de corrupção patriótica? Recordando que em 2014 teremos eleições e as "doações" são sempre bem-vindas...
Não há setor do governo que seja possível dizer, com honestidade, que vai bem. A gestão é marcada pelo improviso, pela falta de planejamento. Inexiste um fio condutor, um projeto econômico. Tudo é feito meio a esmo, como o orçamento nacional, que foi revisto um mês após ter sido posto em vigência. Inacreditável! É muito difícil encontrar um país com um produto interno bruto (PIB) como o do Brasil e que tenha um orçamento de fantasia, que só vale em janeiro.
Como sempre, o privilégio é dado à política - e política no pior sentido do termo. Basta citar a substituição do ministro da Pesca. Foi feita alguma avaliação da administração do ministro que foi defenestrado? Evidente que não. A troca teve motivo comezinho: a necessidade que o candidato do PT tem de ampliar apoio para a eleição paulistana, tendo em vista a alteração do panorama político com a entrada de José Serra (PSDB) na disputa municipal. E, registre-se, não deve ser a única mudança com esse mesmo objetivo. Ou seja, o governo nada mais é do que a correia de transmissão do partido, seguindo a velha cartilha leninista. Pouco importam bons resultados administrativos, uma equipe ministerial entrosada. Bobagem. Tudo está sempre dependente das necessidades políticas do PT.
A anarquia administrativa chegou aos bancos e às empresas estatais. É como se o patrimônio público fosse apenas instrumento para o PT saquear o Estado e se perpetuar no poder. O que vem acontecendo no Banco do Brasil seria, num país sério, caso de comissão parlamentar de inquérito (CPI). Aqui é visto como uma disputa de espaço no governo, considerado natural.
Mas até os partidos da base estão insatisfeitos. No horizonte a crise se avizinha. A economia não está mais sustentando o presidencialismo de transação. Dá sinais de esgotamento. E a rainha foi, desesperada, em busca dos conselhos do rei. Será que o encanto terminou?
*HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR)
ESTADÃO

OMC descobre até US$ 4 bilhões em subsídios ilegais dos EUA à Boeing


A OMC (Organização Mundial do Comércio) concluiu que a fabricante norte-americana de aviões Boeing recebeu de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões em subsídios ilegais na forma de bolsas federais de pesquisa e isenções fiscais locais, informou nesta segunda-feira a principal autoridade comercial dos EUA.

O representante comercial dos EUA, Ron Kirk, considerou a decisão "uma grande vitória" para o país porque dois outros painéis da OMC concluíram, no ano passado, que governos europeus forneceram US$ 18 bilhões em subsídios à Airbus.

"Agora está claro que subsídios europeus à Airbus são muito maiores e mais distorcidos do que qualquer coisa que os EUA fizeram pela Boeing", disse Kirk em um comunicado.

"Os EUA estão prontos para discutirem todas as descobertas da OMC, e esperamos que a Europa faça o mesmo. A Airbus é uma companhia madura e altamente capaz, com pronto acesso a financiamento comercial. Não precisa do apoio que os governos europeus estão continuam a fornecer", acrescentou.

O órgão de recursos da OMC culpou os EUA por os fundos de pesquisa da Nasa e do Departamento de Defesa terem beneficiado a Boeing e por isenções fiscais concedidos pelo Estado de Washington e pela cidade de Wichita, Estado do Kansas.

REUTERS/FOLHA
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