domingo, 12 de junho de 2016

Caetano na cadeia, em 1969, inspirado pelas fotos do planeta Terra…

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso,
na chegada do homem a Lua, em 1969, se encontrava preso pela ditadura militar. Ao ver as fotografias da “Terra”, inspirou-se para compor a música sobre o nosso planeta, como este fosse uma mulher, visto que “Terra” é uma palavra feminina. Esta música foi gravada por Caetano Veloso no LP Muito, em 1978, pela Philips.

TERRA
Caetano Veloso

Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez as tais fotografias
Em que apareces inteira, porém lá não estava nua
E sim coberta de nuvens
Terra, Terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

Ninguém supõe a morena dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema mando um abraço pra ti
Pequenina como se eu fosse o saudoso poeta
E fosses a Paraíba
Terra, Terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

Eu estou apaixonado por uma menina terra
Signo de elemento terra do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia
Terra, Terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

Eu sou um leão de fogo, sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente, e de nada valeria
Acontecer de eu ser gente, e gente é outra alegria
Diferente das estrelas
Terra, terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

De onde nem tempo e nem espaço, que a força mãe dê coragem
Pra gente te dar carinho, durante toda a viagem
Que realizas do nada, através do qual carregas
O nome da tua carne
Terra, terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

Nas sacadas dos sobrados, das cenas do salvador
Há lembranças de donzelas do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Terra, terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria

                (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Tribuna da Internet

terça-feira, 31 de maio de 2016

É preciso projetar o que virá depois do capitalismo. Porque algo virá depois!

Moacir Pimentel

Só mesmo na Tribuna da Internet há interesse de discutir “O Capital no Sèculo XXI”, em meio a esse tiroteio caboclo. O economista francês Thomas Piketty é um fato novo, porque, apesar de detalhar o caminho da desigualdade de renda ao longo de várias centenas de anos nas mais de 700 páginas, sua densa obra conseguiu ser um sucesso… de vendas! Tem mais. O novo Tocqueville foi capaz de tal façanha apesar de ser o portador de más notícias ou de uma teoria deprimente: a de que a meritocracia do capitalismo é uma grande mentira e que esse sistema econômico será incapaz de cumprir suas promessas.

Isso tudo porque o crescimento econômico será sempre menor do que os lucros do dinheiro que é investido. Desnecessário enfatizar que nos beneficiamos apenas de crescimento econômico e não dos lucros do dinheiro alheio investido em acumulação apenas para os ricos.

As consequências da equação são claras, mas o cerne do livro é mais profundo: não é só contra a desigualdade de riqueza e renda que estamos lutando, mas contra a desigualdade de oportunidades.

TRABALHO E CAPITAL

Na essência, o que Piketty está dizendo é que o trabalho duro não conduz, “nem aqui nem na China”, à riqueza. E que, principalmente e muito ao contrário, só a riqueza conduz de forma confiável para a riqueza.

A classe média, segundo a tese pickettyana, joga na loteria econômica para melhorar sua sorte na vida, enquanto os ricos já nascem com um destino certo.Portanto, era uma vez o sonho americano, já bem abalado depois de Dick Cheney, Guantánamo e da Bolha!

Mais uma vez a Tribuna da Internet resume e acerta ao fazer um aparte no sentido de que “o Piketty não diz que os pobres estão mais pobres, ele apenas registra que a desigualdade sempre aumenta e que os ricos estão mais ricos”.

DESIGUALDADE

O propósito de Piketty não é de salientar que existe desigualdade, ou que ela está crescendo. Tal verdade já foi repetida ad nauseum por todos, do Obama ao Papa Francisco. O que Piketty afirma é que estamos realmente condenados a desigualdade e que, portanto, há que se questionar a moralidade do capitalismo.

A controvérsia quanto às teorias de Piketty mora, porém, noutro capítulo do livro.No qual ele sugere que se tente mudar a alavancagem inevitável da desigualdade de renda, através de um imposto sobre a riqueza – não sobre o rendimento da classe média – sobre o dinheiro que é investido e reinvestido e acumulado forma crescente. Pense em um barulho!

O livro de Piketty é uma novidade porque está provocando uma “conversa” nos EUA e por todo o vasto mundo, que já deveria ter rolado, seriamente, há muito tempo atrás.

DUAS MANEIRAS DE MUDAR

Temos que considerar que, apesar das gritantes diferenças entre o Velho Mundo e o Novo Mundo, entre as realidades africanas, asiáticas e emergentes, existem apenas duas maneiras de mudar uma sociedade: a partir da parte inferior ou a partir do topo da pirâmide.

O famoso Occupy Wall Street tentou mudanças pela primeira via e pavimentou a estrada com o populismo. Thomas Piketty está tentando o segundo caminho: ele agitou as cabeças pensantes, as classes pundit, os think tanks que produzem e difundem conhecimento sobre assuntos estratégicos, com vistas a influenciar transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas, sobretudo em assuntos sobre os quais pessoas comuns não encontram facilmente base para análises de forma objetiva.

NO PÓS-MARX

Piketty mexeu fortemente com os acadêmicos americanos como aconteceu com pensadores estrangeiros como Marx e mais recentemente como Hannah Arendt e Jürgen Habermas na segunda metade do século 20. É bom lembrar que, enquanto na década de 1960 a ciência política tinha apenas cinco especialidades, o número hoje aumentou para mais de uma centena.E que não existia a web.

Hoje, os especialistas desempenham um papel cada vez maior na divulgação de ideias e pontos de vista de uma forma acessível ao público. Estou falando de gente que lida com as grandes questões em linguagem mais acessível, mais popular, nos noticiários noturnos em redes de notícias a cabo, por exemplo.

Não é à toa, portanto , que Piketty possua o maior número de leitores em Nova York e Washington, nem é surpresa que, neste contexto, Bernie Sanders – já quase sem chances na real – continue no topo de todas as pesquisas eleitorais americanas, com mais de 10 pontos de vantagem sobre o Trump.

LER MULGAN

De todo jeito, antes de lermos Piketty, talvez fosse melhor- quem sabe? – ler da lavra de Geoff Mulgan a obra, “O Gafanhoto e a Abelha”. A base de todo o livro é a dualidade do capitalismo. Sua faceta Janus, sua hipocrisia, seus dois lados, um yin e o outro yang, de predador e de criador, de disseminar riqueza sem perder a capacidade de, simultaneamente, concentrá-la.

É preciso olhar para o capitalismo com distanciamento, para então projetar o que virá depois. Porque algo virá depois!

Que me desculpem os pessimistas, mas… é assim que caminha a humanidade.

Tribuna da Internet

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ministro da Defesa revela como os militares monitoram os movimentos sociais

Luiz Maklouf Carvalho

Estadão


O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse, em entrevista ao Estadão, que um dos maiores problemas do governo do presidente em exercício Michel Temer para tirar o Brasil da crise “é que parte do Congresso é de réus”. Também deputado federal licenciado (PPS-PE), o ministro complementou: “Se há inteligência no Congresso, e eu acho que há, todos sabem que chegou ao fundo do poço”. Apontou, como solução, que a Operação Lava Jato vá às últimas consequências, sem interferências.

A Lava Jato não se incluirá em nenhum pacto político – e nem pode, e nem deve”, afirmou.“Político que enriquece na política só tem um jeito: roubou. Eu estou dizendo isso aqui, gravado”. Sua declaração de bens comprova: R$ 47.600,00 e um carro (do qual ainda falta pagar R$ 16 mil). “É todo o meu patrimônio”, afirmou. ”E não adianta procurar laranjas, porque não vão achar”.

O governo Michel Temer está completando 15 dias. Que avaliação o sr. faz?

A minha geração tem experiência de duas transições fruto do impeachment. Uma foi a do Itamar (Franco, presidente da República em 1993 e 1994), da qual participei. Essa é a segunda. O Itamar assumiu com estabilidade política e sem questionamentos do impeachment do Collor (Fernando, ex-presidente, de 1990 a 1992). Hoje, com a transição em andamento, o presidente Temer tem que conquistar a estabilidade política, que não está dada. E o impeachment da presidente Dilma vai ser um processo de resistência e alongado.

E como entra a Operação Lava Jato nessa equação?

É a outra diferença em relação ao Itamar. Lá não tinha a Lava Jato, e então o pacto político podia incluir todas as variáveis. Agora, não. Tem uma variável independente, chamada Lava Jato, que não se inclui em nenhum pacto político, e nem deve, e nem pode. Só que ela tem o efeito de provocar, na política, turbulências e ondas de choque que tem que ser administradas. É por isso que a tarefa do presidente Michel Temer é muito maior do que foi a do Itamar, no sentido de desdobramento, de esforço e de necessidade de aglutinação.

E como é que se governa com um Congresso em que uma parte é de réus?

Não inibindo a Lava Jato, essencialmente. Se há inteligência no Congresso, e eu acho que há, todos sabem que chegou ao fundo do poço. Todos sabem. E essa baixa representatividade, esses descolamento que existe, ele é um convite a salvadores da pátria, a profetas, a descaminhos. É só olhar a história dos países vizinhos, e mesma a nossa história. As lições estão todas lá.

O sr. tem informações sobre o que ainda pode vir à tona?

Não tenho como saber. O que eu acho é que virá, e por isso ela precisa ser garantida, inclusive contra a política, para prosseguir e passar a política a limpo. Não irá adiante se a parcela regeneradora do Congresso não apoiar.

Qual é a sua opinião sobre as gravações em que o senador Romero Jucá propõe uma articulação para “estancar a sangria” da Lava Jato?

Vou dar uma resposta genérica, não dirigida ao ministro Jucá, porque eu não quero prejulgá-lo. É muito simples: não cabe sufocar, inibir, atrapalhar, desviar, paralisar, evitar o andamento da Lava Jato.

O presidente Temer optou por colocar no Ministério políticos investigados pela Lava Jato – mesmo sendo muito provável que isso traria problemas e desgastes. O sr. usaria esse critério se estivesse no lugar dele?

Eu não sou o presidente e não vou raciocinar com hipóteses. O presidente lida com realidades: a necessidade da estabilidade, a urgência de aprovar medidas dentro do Congresso que aí está. Não é outro Congresso. É este. Ele tem que lidar com esse fio da navalha. E ainda há o fato de conviver com o processo de julgamento da presidente afastada, em andamento no Senado, que é um polo para desestabilizar o governo e reverter a situação.

Desestabilizar?

Claro, o objetivo é exatamente este. Eu me indignei muito quando a presidente iniciou esse discurso de que o processo de impeachment é golpe.

Por quê?

Ora, se a presidente diz que tem um golpe em curso, ela tem por dever, por ter jurado isso na posse, tomar as providências. Não pode ficar falando isso retoricamente. Se há um golpe, se estão ameaçadas as instituições democráticas, que ela jurou defender, e a Constituição, como é que ela pode falar em golpe e não agir? Ela nunca age, nunca agiu.

Agir em que sentido?

Ela pode ir ao Ministério Público e denunciar o golpe e dizer quem são os golpistas, identificar. Porque, a considerar isso, golpistas seriam o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal. Por que ela não faz essa denúncia? Porque desmoraliza o discurso.

Ela não tem o direito de entender que foi um golpe?

Direito ela tem. Mas se diz que é um golpe, e não age, é apenas retórica, é irresponsável ou está prevaricando, porque é atribuição dela defender as instituições democráticas.

A presidente Dilma volta ou não volta. Qual é a sua expectativa?

A minha expectativa é, sobretudo, que isso se decida rapidamente. Nem tão rápido que rápido que não permita todos os direitos e o contraditório da presidente, nem tão devagar que eternize as condicionalidades do governo. O fundamental é que se tome uma decisão, seja ela qual for. Politicamente, a minha impressão, primeiro, é de que é dificílimo que o retorno venha a acontecer e, segundo, que um eventual retorno não venha a ser bom para o País. Mas o Senado é soberano e caberá a ele decidir.

Os militares, agora sob o seu comando, estão monitorando os movimentos sociais – como dito pelo senador Romero Jucá em uma das gravações grampeadas?

As Forças têm serviço de inteligência. Fazem esse monitoramento desde sempre – não só este governo, mas nos governos Dilma, Lula, Fernando Henrique, Itamar, Collor. Por definição, é exatamente monitorar a conjuntura, a situação nacional, para informar os chefes militares e o ministro da Defesa. Não há nenhuma diferença entre o que está sendo feito hoje e o que o governo Lula ou o governo Dilma faziam em relação ao MST. Não mudou nada. Monitorar não é bisbilhotar, interferir, grampear, nada disso.

Defina monitorar. 

Fazer um acompanhamento, através da imprensa, através de informações que você possa ter. Tem unidades espalhadas por todo o País. ‘Olha vamos ter uma manifestação aqui’, seja o que for, você acompanha.

Digamos que é uma forma mais técnica de bisbilhotagem.

Não. Bisbilhotar jamais. É contra a Constituição. É interferir em direitos e garantias que não podem de forma nenhuma ser alcançados ou feridos. Hoje, nas Forças, não há a menor resistência em compreender e aceitar o papel dos movimentos sociais, de reivindicar, de protestar. Não tem nenhum problema em relação a isso.

Como é que os militares acompanharam e estão acompanhando essa transição?

Os militares foram impecáveis, não cometeram qualquer deslize. A posição que eu sempre ouvi deles foi: ‘não apoiamos nenhuma aventura’.

Estavam preparados para a possibilidade de aventuras?

Por definição eles estão sempre preparados. Desde que convocados por um dos três Poderes, como manda a Constituição. Como eu ouvi dos comandantes e continuo ouvindo: fora da Constituição nada, zero.

Como é que o presidente o escolheu para o Ministério da Defesa?

Ao que eu sei, ele enviou um emissário aos comandantes militares, que sugeriram o meu nome. Em paralelo, o (Eliseu) Padilha (hoje ministro da Casa Civil) foi conversar com o (Nelson) Jobim, ex-ministro da Defesa. ‘Olha, tem um cara que já foi ministro, e é muito respeitado pelos militares, que é o Jungmann’. Depois o presidente ligou, pediu que eu fosse ao Jaburu e me convidou. Eu disse a ele: ‘Não cabe reivindicar nada, para não constrangê-lo e para que o sr. faça o melhor governo que possa fazer; agora, por responsabilidade, não cabe recusar, então eu aceito’.

Tribuna da Internet

terça-feira, 24 de maio de 2016

Com tapa na mesa, Temer diz que sabe governar e corrigir seus erros

Gustavo Uribe e Marina Dias

Folha


O presidente interino, Michel Temer, fez nesta terça-feira (24) um discurso exaltado em que afirmou que sabe governar, não é “coitadinho” e já “tratou com bandidos” quando foi secretário de Segurança Pública de São Paulo. “Tenho ouvido: ‘Temer está muito frágil, coitadinho, não sabe governar’. Conversa! Fui Secretário de Segurança duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos”, afirmou batendo com uma das mãos sobre a mesa. “Então eu sei o que fazer no governo”, completou.

De perfil calmo e bastante discreto, Temer surpreendeu os parlamentares da base aliada que se reuniram com ele no Palácio do Planalto para discutir medidas econômicas e a votação no Congresso da nova meta fiscal.

Para responder as críticas que seu governo tem sofrido da oposição, de que comete erros e recuos constantes, o presidente interino disse que sua equipe não tem que ter compromisso com erros. E explicou: “Quando houver equívoco, tem que rever a posição. Se fizer [o equívoco], consertá-lo-ei”.

“BANDIDOS”

Após reunião com Temer, o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) foi questionado por jornalistas se Temer se referia à classe política ou aos movimentos sociais quando fez referência aos “bandidos” que tratou em sua gestão como secretário de segurança, na década de 1980 e 1990.

Segundo Geddel, Temer se referia “à pressão que enfrentou no período” e, portanto, “não cabe novas ilações”.

“Ele [Temer] já enfrentou problemas e tem estofo para aguentar qualquer tipo de pressão com diálogo e firmeza, sem violência. Ele está absolutamente preparado para enfrentar as pressões que o cargo impõe”, disse o ministro.

SÓ CORRIGINDO…

Desde que tomou posse, na sexta-feira (13), Temer tem sofrido críticas por declarações de ministros que precisou rever, como por exemplo a do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que propôs uma nova forma de escolha para procurador-geral da República. Temer desautorizou o aliado.

Além disso, ele foi criticado por ter extinguido e depois recriado o Ministério da Cultura, por não ter nomeado nenhuma mulher para seu ministério, entre outras coisas.

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  NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Certos jornalistas realmente são capciosos. É claro que Temer, ao falar de sua experiência na Secretaria de Segurança, estava se referindo a criminosos comuns e não a políticos corruptos. Querer misturar as coisas é um bocado de exagero, como se dizia outrora. (C.N.)

Tribuna da Internet

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Governador Pimentel segue exemplo de Dilma e está prestes a ser afastado

Frederico Vasconcelos

Folha


O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), deverá receber até esta terça-feira (dia 17) notificação da Justiça Federal para apresentar defesa sobre a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade de documento particular. Trata-se de desdobramento da Operação Acrônimo, que investiga suposto esquema de financiamento ilegal de campanhas políticas do PT.

O Superior Tribunal de Justiça deu início à ação penal e enviou para a Justiça Federal em Belo Horizonte a Carta de Ordem para determinar a notificação.

15 DIAS PARA SE DEFENDER

Depois de notificado, o governador terá 15 dias para apresentar a defesa e juntar documentos que serão remetidos ao relator, ministro Herman Benjamin, do STJ.

O relator, então, deverá marcar o dia da sessão da Corte Especial para receber ou rejeitar a denúncia oferecida pelo PGR.

Na última quarta-feira (11), Benjamin levantou o segredo de justiça do processo, permitindo consulta aos autos pelo sítio eletrônico, inclusive nominal, e física. Manteve restrita a consulta aos autos apartados e às mídias eletrônicas, elementos nos quais há informações constitucionalmente protegidas, às partes e a seus procuradores habilitados.

Também deverão ser notificados em Minas Gerais, além do governador, o atual presidente da Cemig, Mauro Borges, e Otílio Prado, ex-sócio de Pimentel.

R$ 2 MILHÕES EM PROPINAS

Segundo a Procuradoria, o esquema rendeu R$ 2 milhões em propina a Pimentel, que na condição de governador, já em 2015, continuou atuando e se comprometeu a fazer gestões para beneficiar a Caoa, empresa acusada de participação nas irregularidades.

Também foram denunciados o dono da Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o presidente e sócio da empresa, Antônio dos Santos Maciel Neto, o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto –conhecido por Bené e considerado operador do governador no esquema–, o ex-ministro do Desenvolvimento Mauro Borges Lemos, Pimentel Otílio Prado, ex-sócio da Pimentel, e Fábio Mello, um funcionário de Bené.
A denúncia é assinada pela vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko.

Em nota, o advogado Eugênio Pacelli, que defende Pimentel, afirmou que já submeteu ao STJ “uma questão de ordem com relação às inúmeras ilegalidades praticadas durante a investigação”.


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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ficou faltando a reportagem anunciar o mais importante: se a defesa não for aceita e Pimentel se tornar réu de processo no STJ, vai seguir o mesmo caminho de sua grande amiga Dilma Rousseff e será automaticamente afastado do governo de Minas Gerais. Conforme revelamos aqui na Tribuna da Internet há duas semanas, o vice-governador Antônio Andrade (PMDB) já mandou fazer o terno de posse. Ex-deputado federal e ex-prefeito de Patos de Minas, Andrade é o Temer em versão mineira. (C.N.)

Tribuna da Internet