terça-feira, 24 de maio de 2016

Com tapa na mesa, Temer diz que sabe governar e corrigir seus erros

Gustavo Uribe e Marina Dias

Folha


O presidente interino, Michel Temer, fez nesta terça-feira (24) um discurso exaltado em que afirmou que sabe governar, não é “coitadinho” e já “tratou com bandidos” quando foi secretário de Segurança Pública de São Paulo. “Tenho ouvido: ‘Temer está muito frágil, coitadinho, não sabe governar’. Conversa! Fui Secretário de Segurança duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos”, afirmou batendo com uma das mãos sobre a mesa. “Então eu sei o que fazer no governo”, completou.

De perfil calmo e bastante discreto, Temer surpreendeu os parlamentares da base aliada que se reuniram com ele no Palácio do Planalto para discutir medidas econômicas e a votação no Congresso da nova meta fiscal.

Para responder as críticas que seu governo tem sofrido da oposição, de que comete erros e recuos constantes, o presidente interino disse que sua equipe não tem que ter compromisso com erros. E explicou: “Quando houver equívoco, tem que rever a posição. Se fizer [o equívoco], consertá-lo-ei”.

“BANDIDOS”

Após reunião com Temer, o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) foi questionado por jornalistas se Temer se referia à classe política ou aos movimentos sociais quando fez referência aos “bandidos” que tratou em sua gestão como secretário de segurança, na década de 1980 e 1990.

Segundo Geddel, Temer se referia “à pressão que enfrentou no período” e, portanto, “não cabe novas ilações”.

“Ele [Temer] já enfrentou problemas e tem estofo para aguentar qualquer tipo de pressão com diálogo e firmeza, sem violência. Ele está absolutamente preparado para enfrentar as pressões que o cargo impõe”, disse o ministro.

SÓ CORRIGINDO…

Desde que tomou posse, na sexta-feira (13), Temer tem sofrido críticas por declarações de ministros que precisou rever, como por exemplo a do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que propôs uma nova forma de escolha para procurador-geral da República. Temer desautorizou o aliado.

Além disso, ele foi criticado por ter extinguido e depois recriado o Ministério da Cultura, por não ter nomeado nenhuma mulher para seu ministério, entre outras coisas.

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  NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Certos jornalistas realmente são capciosos. É claro que Temer, ao falar de sua experiência na Secretaria de Segurança, estava se referindo a criminosos comuns e não a políticos corruptos. Querer misturar as coisas é um bocado de exagero, como se dizia outrora. (C.N.)

Tribuna da Internet

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Governador Pimentel segue exemplo de Dilma e está prestes a ser afastado

Frederico Vasconcelos

Folha


O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), deverá receber até esta terça-feira (dia 17) notificação da Justiça Federal para apresentar defesa sobre a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade de documento particular. Trata-se de desdobramento da Operação Acrônimo, que investiga suposto esquema de financiamento ilegal de campanhas políticas do PT.

O Superior Tribunal de Justiça deu início à ação penal e enviou para a Justiça Federal em Belo Horizonte a Carta de Ordem para determinar a notificação.

15 DIAS PARA SE DEFENDER

Depois de notificado, o governador terá 15 dias para apresentar a defesa e juntar documentos que serão remetidos ao relator, ministro Herman Benjamin, do STJ.

O relator, então, deverá marcar o dia da sessão da Corte Especial para receber ou rejeitar a denúncia oferecida pelo PGR.

Na última quarta-feira (11), Benjamin levantou o segredo de justiça do processo, permitindo consulta aos autos pelo sítio eletrônico, inclusive nominal, e física. Manteve restrita a consulta aos autos apartados e às mídias eletrônicas, elementos nos quais há informações constitucionalmente protegidas, às partes e a seus procuradores habilitados.

Também deverão ser notificados em Minas Gerais, além do governador, o atual presidente da Cemig, Mauro Borges, e Otílio Prado, ex-sócio de Pimentel.

R$ 2 MILHÕES EM PROPINAS

Segundo a Procuradoria, o esquema rendeu R$ 2 milhões em propina a Pimentel, que na condição de governador, já em 2015, continuou atuando e se comprometeu a fazer gestões para beneficiar a Caoa, empresa acusada de participação nas irregularidades.

Também foram denunciados o dono da Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o presidente e sócio da empresa, Antônio dos Santos Maciel Neto, o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto –conhecido por Bené e considerado operador do governador no esquema–, o ex-ministro do Desenvolvimento Mauro Borges Lemos, Pimentel Otílio Prado, ex-sócio da Pimentel, e Fábio Mello, um funcionário de Bené.
A denúncia é assinada pela vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko.

Em nota, o advogado Eugênio Pacelli, que defende Pimentel, afirmou que já submeteu ao STJ “uma questão de ordem com relação às inúmeras ilegalidades praticadas durante a investigação”.


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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ficou faltando a reportagem anunciar o mais importante: se a defesa não for aceita e Pimentel se tornar réu de processo no STJ, vai seguir o mesmo caminho de sua grande amiga Dilma Rousseff e será automaticamente afastado do governo de Minas Gerais. Conforme revelamos aqui na Tribuna da Internet há duas semanas, o vice-governador Antônio Andrade (PMDB) já mandou fazer o terno de posse. Ex-deputado federal e ex-prefeito de Patos de Minas, Andrade é o Temer em versão mineira. (C.N.)

Tribuna da Internet

sábado, 14 de maio de 2016

Brasil pode se tornar um país ingovernável

Carlos Chagas

Durou pouco a temporada de euforia do novo governo diante dos desafios para recuperar o crescimento econômico e reduzir o desemprego.  Na sua primeira entrevista depois de empossado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sustentou a obrigação de ser dita a verdade diante das dificuldades e empecilhos que levaram a economia nacional ao fundo do poço.
A consequência, que ele apenas sugeriu, será o aumento de encargos à sociedade. A partir de segunda-feira começarão a ser definidas as medidas de contenção de gastos públicos e de consequentes sacrifícios à população.
A opção pelo mercado não deixa dúvidas: para o país voltar a crescer e assim criar empregos, só facilitando a atividade empresarial e ao mesmo tempo penalizando a massa assalariada. A receita é milenar e bate de frente com as políticas sociais.
Logo virão os efeitos, para os quais o PT e penduricalhos já se preparam, apesar das promessas do novo presidente Michel Temer. Não haverá como deixar de atingir iniciativas assistencialistas, dos múltiplos planos e programas implantados há treze anos.
UM NÓ IMPOSSÍVEL
Eis o nó impossível de desatar, objetivo maior dos responsáveis pelo afastamento de Dilma, que de seu turno nada percebeu e nada conseguiu fazer para impedir o retorno ao neoliberalismo.
Vale aguardar as primeiras medidas de arrocho social e as inevitáveis reações da maioria. Nada de recuperação da popularidade de Madame, mas a rejeição da volta ao favorecimento das elites será explosiva.
Mais do que sonhos e fantasias, é o que nos espera. Logo a classe média estará se aproximando das massas e, pelo lado oposto, tornando o país ingovernável. A menos, é claro, que Henrique Meirelles tenha virado Mandrake.
Tribuna da Internet

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Era do PT chega ao fim, com Dilma afastada do governo por 55 votos a 22

Carlos Newton
Não houve surpresa e o Planalto ficou longe de conseguir os 30 votos que pretendia, para sonhar com uma reversão do afastamento da presidente Dilma Rousseff na votação definitiva daqui a alguns meses. Por 55 votos a 22, o Senado decidiu aprovar a abertura do processo de impeachment, afastando-a do cargo por 180 dias, em sessão que começou às 10 horas na manhã de quarta-feira e somente realizou a votação às 6h33m desta quinta-feira.
A decisão precisava do voto de 40 senadores dos 78 senadores presentes, pois dois parlamentares faltaram à sessão, Delcídio Amaral foi cassado na terça-feira, e seu suplente ainda não assumiu o mandato.
O afastamento tem prazo máximo de 180 dias, mas a previsão é que antes disso o Senado julgue a presidente Dilma pelas pedaladas fiscais e créditos orçamentários sem autorização .
TEMER ASSUME
Com a aprovação pelo Senado, o vice Michel Temer (PMDB) assume assim que for notificado da decisão. Sem necessidade de cerimônia de posse. Dilma é a segunda presidente afastada para ser julgada politicamente pela acusação de crime de responsabilidade desde a redemocratização, repetindo Fernando Collor em 1992.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) se absteve e houve apenas 22 votos a favor. Collor votou a favor do impeachment.
Para voltar ao poder ao final do processo, Dilma Rousseff precisará manter os 22 votos e reverter mais 6 votos contrários. É missão praticamente impossível, a Era do PT acaba de ser encerrada, após 13 anos e quatro meses de poder.

Tribuna da Internet

sábado, 7 de maio de 2016

Eleição de prefeito muçulmano em Londres traz esperanças de um mundo melhor

Deu em O Globo


No discurso de vitória do trabalhista Sadiq Khan para a eleição municipal de Londres, na qual o primeiro prefeito muçulmano da capital britânica, um candidato de extrema-direita virou as costas para ele durante o discurso, em sinal de repúdio ao político. Com 44% dos votos, Khan derrotou o conservador Zac Goldsmith, filho de um bilionário, que ficou com 35%.

— Londres escolheu a esperança sobre o medo, e a união sobre a divisão — declarou ele, pouco após sua vitória ser oficializada, no início da madrugada de sábado.

Enquanto Khan falava, acompanhado dos candidatos derrotados na disputa, Paul Golding, do partido Britain First (Bretanha Primeiro), virou as costas. Autodeclarado de inspiração neofascista, o candidato de extrema-direita, que não chegou a 1% dos votos, havia dito ao se candidatar que era contra os muçulmanos na política. Ligado a movimentos ilegais de cunho nazista, o partido já foi acusado de abrigar atacantes a mesquitas e criminosos de ódio em sua curta história de cinco anos.

MODERNO E PROGRESSISTA

A vitória de Sadiq Khan, de 45 anos, confirmou as pesquisas de opinião, que apontavam uma vantagem de 12% sobre Goldsmith. No total, 5,6 milhões de londrinos foram convocados a votar. Goldsmith e o primeiro-ministro David Cameron insistiram em apresentar Khan como alguém com vínculos com extremistas muçulmanos, uma estratégia que pode se voltar contra os conservadores.

— Khan é claramente um muçulmano moderno e progressista. Se os seus oponentes se aventurarem muito neste terreno, correm o risco de enfrentar uma reação enérgica — disse Tony Travers, professor da London School of Economics.

Em entrevista à AFP, Khan denunciou a campanha “divisiva e desesperada” dos conservadores.

— Sou londrino, sou britânico, sou de fé islâmica e tenho orgulho de ser muçulmano. Sou de origem asiática, paquistanesa. Sou um pai, sou um marido, sou sofrido torcedor do Liverpool há muito tempo. Sou todas estas coisas — disse. — Mas o melhor desta cidade é que você pode ser um londrino de qualquer confissão ou de nenhuma, e aqui fazemos algo mais que tolerar: nos respeitamos, recebemos com os braços abertos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Jemima Goldsmith, irmã do candidato conservador derrotado, parabenizou o rival e disse que Khan é “um grande exemplo para os jovens muçulmanos”. Exatamente, é isso que deve ser destacado. O exemplo de Khan nos abre esperança de um mundo melhor, em que os povos se respeitem e se relacionem sem influência das ideologias e das religiões. Somos todos iguais, embora pareçamos diferentes. (C.N.)

Tribuna da Internet