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domingo, 31 de agosto de 2014

VIOMUNDO # Gilson Caroni Filho: “Nova política” oferece aos jovens o pão que o diabo amassou em forma de arrocho e desemprego

Jovens, vocês querem mesmo Marina?

por Gilson Caroni Filho, especial para o Viomundo

 A simples leitura do programa de governo de Marina da Silva que, como todos sabem, foi escolhida pela “providência divina” e os acontecimentos recentes envolvendo as alterações no seu programa partidário permitem levar ao eleitorado jovem pontos fundamentais que revelam a natureza extremamente conservadora. Comecemos pelas questões macroeconômicas:

1) Marina pretende dar autonomia ao Banco Central, o BC. O que significa isso? Entregar o banco ao mercado financeiro. Não por acaso conta com o apoio de banqueiros em sua campanha.

2) No documento, consta que políticas fiscais e monetárias serão instrumentos de controle de inflação de curto prazo. Como podemos ler este ponto? Arrocho salarial e aumento nas taxas de desemprego.

3) O programa ainda menciona a diminuição de normas para o setor produtivo. Os mais açodados podem pensar em menos carga tributária e burocracia para as empresas. Não, trata-se de reduzir encargos trabalhistas com a supressão de direitos que facilitem as demissões. Há muito que a burguesia patrimonialista pede o fim da multa rescisória de 40% a ser paga a todo trabalhador demitido sem justa causa. O capital agradece.

4) Redução das prioridades de investimento da Petrobrás no pré-sal. O que significa? Abrir mão de uma decisão estratégica de obter investimentos para aplicar na Saúde e na Educação. Isso, meus amigos mais jovens, é música para hospitais privados, planos de saúde e conglomerados estrangeiros que atuam na educação. O que o grupo Galileo fez com a Gama Filho e Univercidade , aqui no Rio, é fichinha perto do que está por vir. Era com uma coisa desse tipo que vocês sonhavam quando foram às ruas em junho do ano passado?

5) Em vez do fortalecimento do Mercosul, o programa da candidata, que ” quer fazer a nova política,” prega o fortalecimento das relações bilaterais com os Estados Unidos e União Europeia.Vamos retroceder vinte anos e assistir a um aumento da desnacionalização da economia latino-americana. É isso que vocês querem?

6) Meus caros amigos, não sei se foi a providência divina quem derrubou o avião em que viajava Eduardo Campos. Mas o que a vice dele, uma candidata que está à direita de Aécio Neves, lhes oferece é o pão que o diabo amassou. Gosto da vida, gosto da juventude, mas, agora, cabe a vocês escolher o que desejam enfiar goela adentro. Não há mais ninguém inocente.

No campo dos costumes, cabem outras indagações. O Partido Socialista Brasileiro, que sempre teve uma agenda progressista, foi criado em 1947.

Ao ceder a pressões para lançar a candidatura de Marina da Silva, acabou. No lugar dele, surgiu um PSB capturado pelo “Rede” da candidata do Criador.

Pois bem, bastaram quatro tuitadas do Pastor Malafaia para o partido retirar de seu programa de governo o casamento civil igualitário. Se em quatro mensagens por twitter houve um retrocesso desse porte, imaginem em quatro anos de um eventual governo do consórcio Itaú-Assembléia de Deus. 

Descriminalização do aborto? Esqueçam. Descriminalização dos usuários de drogas? Nem pensar. No mínimo, procedimentos manicomiais para os dependentes. Pensem nos direitos conquistados pelas mulheres nos últimos anos sendo submetidos ao crivo de dogmas medievais. Nos homossexuais como anomalias apenas “toleradas”, jamais como sujeitos de direitos.

Sim, pois vislumbramos uma religião se transformando em política de Estado.

 É isso que vocês querem para o país? É isso que vocês querem para suas vidas e a dos filhos que vierem a ter? Em caso afirmativo, chamem Torquemada e me avisem: não quero ver ninguém ardendo em fogueiras. Tudo é força, mas só Malafaia é poder. Não acredito que vocês desejem isso. Melhor, não quero acreditar.

VIOMUNDO

domingo, 24 de agosto de 2014

A questão é não desistir do povo

Por Marcelo Zero

Ele nasceu miserável, um excluído do Brasil. Como milhões, ele nasceu um “desistido” do seu próprio país. Provavelmente, teria morrido antes dos 5 anos, como muitos iguais a ele. Sobreviveu. Lutou contra a miséria opressiva, a pior forma de violência, como dizia Gandhi. Lutou contra a ditadura, que desistia do povo em prol de uma minoria. Lutou por uma democracia para todos, não uma democracia para poucos, que desistia da maioria. Fundou um partido de esquerda em pleno regime militar, pelo qual ninguém dava nada, e lutou por décadas para chegar à presidência. Fez o melhor governo da história recente do país. Mudou o Brasil.

Ela também. Qualquer pessoa que é presa e barbaramente torturada aos 19 anos tende a desistir. Até da vida. Mas ela persistiu, e continuou e aprofundou a obra iniciada por ele. Mesmo em meio à pior crise mundial desde 1929, faz um governo para todos os brasileiros. Faz um governo que não desiste de ninguém.

Lula e Dilma nunca desistiram do Brasil. Apesar de tudo. Apesar do ódio que lhe dedicam os que nunca foram ‘desistidos” pelo país.

Mas o que significa realmente “não desistir do Brasil”? Significa não desistir do povo brasileiro. Afinal, sem o seu povo, o Brasil é mera abstração.

Este é um país que historicamente desistiu da maioria da população. Aqui, governava-se para poucos e excluíam-se muitos. Diziam que para crescer, era necessário concentrar renda e patrimônio. Diziam até que os pobres eram um problema. Que o Nordeste era um problema. Tínhamos governos que assistiam a poucos e desistiam de muitos. Tínhamos governos que, ante qualquer crise, “ajustavam” a economia promovendo desemprego e reduzindo salários, desistindo dos trabalhadores.

Este era o país em que predominava uma lógica perversa, segundo a qual, para que o Brasil e sua economia fossem bem, era necessário que o povo fosse mal. Era preciso desistir do povo para não desistir do Brasil.

Lula e Dilma inverteram essa lógica perversa. Agora, o Brasil se fortalece junto com seu povo, especialmente a população mais pobre. Na realidade, hoje o Brasil se fortalece graças ao fortalecimento do seu povo. Para os governos de Lula e Dilma, não desistir do Brasil significa realmente não desistir do seu povo.

Assim, não desistir do Brasil significa tirar 36 milhões da pobreza absoluta, da sua histórica “desistência”, e promover a ascensão de outros 42 milhões à classe média. Não desistir do Brasil implica elevar o salário mínimo e a renda dos trabalhadores, mesmo em meio à crise global. Não desistir do Brasil significa não desistir de gerar empregos com carteira assinada para mais de 20 milhões de brasileiros. Não desistir do Brasil implica não renunciar a abrir as portas das universidades públicas e privadas para pobres e afrodescendentes, como o governo Dilma vem fazendo. Não desistir do Brasil significa tirar das trevas 15 milhões de pessoas que tinham sido “desistidas” de ter luz elétrica. Não desistir do Brasil significa insistir em levar, com o Mais Médicos, médicos para 50 milhões de brasileiros que estavam “desistidos” de ter acesso à Saúde.

Não desistir do Brasil implica, sobretudo, não desistir de reduzir as desigualdades sociais e regionais do Brasil, pois elas são as mães de todas as nossas “desistências” históricas.


Todas as nossas fraquezas e insuficiências como país e como nação derivam, essencialmente, do fato de termos, ao longo de 500 anos de história, desistido do nosso povo. Fomos, durante muito tempo, um país cronicamente frágil, vulnerável e dependente porque não apostamos, como deveríamos, na força da nossa população. Não apostamos no imenso potencial do nosso mercado interno. Não apostamos na libertação do nosso povo das garras da miséria. Não apostamos na libertação do nosso povo dos grilhões da ignorância.

Não apostamos no fato de que essa libertação seria a verdadeira libertação do Brasil.
Com efeito, o Brasil que desistia de seu povo era um país fraco e fadado ao fracasso. Já a construção recente desse novo país mais forte, mais justo, mais resistente às crises e mais soberano só se faz com a ascensão do seu povo. Só se faz com a insistência em nele investir.
Esse é um processo que mal começou, pois não se revertem 500 anos de “desistências” em apenas 12 anos.

Ainda assim, há gente que quer reverter tal processo. Tem gente que quer desistir do aumento do salário mínimo, pois ele estaria “muito elevado”. Há gente que quer desistir da geração de empregos formais, pois seria necessário “ajustar a economia”. Há candidatos que desejam “flexibilizar” direitos trabalhistas e previdenciários, para aumentar a produtividade e reduzir custos. Tem gente que quer desistir da exploração soberana do Pré-Sal. Há forças que querem desistir da Petrobras e implantar a Petrobrax.Tem gente que deseja até desistir do desenvolvimento sustentável, em nome de um ambientalismo conservador e primitivo.

Há, sobretudo, economistas conservadores, que assessoram candidatos que insistem em se apresentar como progressistas, que querem promover aqui as mesmas políticas ortodoxas que vêm “desistindo” do emprego, da renda, de direitos consolidados e do Estado do Bem-Estar, em países desenvolvidos. Políticas que insistem na concentração dos rendimentos e do patrimônio. As mesmas políticas que, segundo Picketty e vários outros, tendem a fazer que o capitalismo “desista” da democracia.

Enfim, há forças políticas e candidatos que querem, de novo, desistir do povo brasileiro. Querem, no fundo, voltar a um passado de exclusão. Voltar à lógica perversa que sempre nos colocava o falso dilema de ter de escolher o entre o bem estar do povo e o bem estar do mercado.

Nessas eleições, o verdadeiro e único embate, não importa qual a cortina de fumaça que se lance, não importam as quimeras imaginadas pelas “terceiras vias”, será o embate entre aqueles que não aceitam desistir do povo brasileiro e aqueles que acham que esse é um “preço aceitável” para não “desistir do Brasil”.

Insistir no povo ou desistir do povo, essa é a questão.

BRASIL 247

domingo, 17 de agosto de 2014

De um eleitor a Campos: "Não desisti do Brasil"

Numa carta aberta a Eduardo Campos, o eleitor pernambucano Carlos Francisco da Silva, nascido em Bezerros (PE), questiona a frase "Não vamos desistir do Brasil", que vem sendo citada como o "testamento político" do ex-governador pernambucano; "Depois da tua entrevista no Jornal Nacional, eu fiquei com muita vontade de te encontrar, de apertar a tua mão, olhar no teu olho e te perguntar: Quem disse que eu desisti do Brasil, Eduardo?", questiona; "Quem desistiu do Brasil foram setores da política e da mídia brasileira, quando promoveram o golpe militar de 1964 (...) quem desistiu foi a classe média alta que vaiou uma chefe de Estado num evento de dimensões como a abertura de uma copa do mundo porque não se conforma com o Brasil que distribui renda e possibilita a ricos e pobres, negros e brancos as mesmas oportunidades"; leia a íntegra.


CARTA A EDUARDO CAMPOS

Por Carlos Francisco da Silva, de Bezerros (PE)

Eduardo, você não imagina o quanto eu e todo povo pernambucano estamos lamentando a tua trágica e inesperada partida. Temos muitos motivos para isso. Primeiro, pela falta que irás fazer a tua família e aos teus amigos. Depois, pelo exemplo de homem público que representavas para o nosso estado e para o Brasil.

No entanto, eu tenho um motivo particular para lamentar a tua morte. Depois da tua entrevista no Jornal Nacional, eu fiquei com muita vontade de te encontrar, de apertar a tua mão, olhar no teu olho e te perguntar: Quem disse que eu desisti do Brasil, Eduardo?  Infelizmente, no dia seguinte, ocorreu o trágico acidente e eu nunca vou poder te dizer isso.

Eduardo, não fui eu, nem o povo brasileiro que desistimos do Brasil.

Quem desistiu do Brasil foram setores da política e da mídia brasileira, quando promoveram o golpe militar de 1964 que mergulhou o nosso país em 21 anos de ditadura militar e que submeteu o povo brasileiro aos anos mais difíceis de nossa história. Inclusive, sua família foi vítima na carne daquele momento, quando o seu avô e então governador de Pernambuco, o inesquecível Miguel Arraes, foi retirado à força do Palácio do Campo das Princesas e levado ao exílio.

Eduardo, você não imagina o que essa mesma mídia está fazendo com a tragédia que marcou a queda do teu avião. Eu nunca pensei que um dia pudesse ver carrascos do jornalismo político brasileiro como Willian Bonner, Patrícia Poeta, Alexandre Garcia e Miriam Leitão falando tão bem de um homem público. Os mesmos que, um dia antes do acidente, quiseram associar a tua imagem ao nepotismo no Brasil choram agora a tua morte como se você fosse a última esperança do povo brasileiro ver um Brasil melhor. Reconheço as tuas qualidades, governador, mas não sou ingênuo para acreditar que sejam elas o motivo de tanta comoção no noticiário político brasileiro.

A pauta dos veículos de comunicação conservadores do Brasil sempre foi e vai continuar sendo a mesma: destruir o projeto político do partido dos trabalhadores que ameaça por fim às concessões feitas até então a eles. O teu acidente, Eduardo, é só mais uma circunstância explorada com esse fim, do mesmo jeito que foi o mensalão, os protestos de julho e a refinaria de Pasadena. Se amanhã surgir um escândalo “que dê mais ibope” e ameace a reeleição de Dilma, a mídia não hesitará em enterrar você de uma vez por todas. Por enquanto, eles vão disseminando as suposições de que foi Dilma quem sabotou o teu avião, e que fez isso no dia 13 justamente pra dizer que quem manda é o PT. Pior do que isso é que tem gente que acredita e multiplica mentiras e ódio nas redes sociais.

Lamentável! A Rede Globo e a Veja não estão nem aí para a dor da família, dos amigos e dos que, assim como eu, acreditavam que você não desistiria do Brasil. Você é objeto midiático do momento.
Eduardo, não fui eu quem desistiu do Brasil. Quem desistiu foi o PSDB, que após o regime militar teve a oportunidade de construir um novo projeto de nação soberana e, no entanto, preferiu entregar o Brasil ao FMI e ao imperialismo norte americano, afundando o Brasil em dívidas, inflação,
concentração de renda e miséria. O mesmo PSDB que, antes do teu corpo ser enterrado, já estava disseminando disputas entre o PSB e REDE para inviabilizar a candidatura de Marina, aliança que custou tanto a você construir.

Eu não desisti do Brasil, Eduardo. Quem desistiu foi a classe média alta que vaiou uma chefe de Estado num evento de dimensões como a abertura de uma copa do mundo porque não se conforma com o Brasil que distribui renda e possibilita a ricos e pobres, negros e brancos as mesmas oportunidades.

E tem mais uma coisa, Governador. Se ao convocar o povo brasileiro para não desistir do Brasil o senhor quis passar o recado de que quem desistiu foi Lula e Dilma, eu gostaria muito de dizer que nem eu, nem o povo e, nem mesmo o senhor, acredita nisso. Muito pelo contrário. A gente sabe que o PT resgatou o Brasil do atraso imposto pelo nosso processo histórico de colonização, do intervencionismo norte americano e da recessão dos governos tucanos. Ao contrário de desistir do Brasil, Lula e Dilma se doaram ao nosso povo e promoveram a maior política de distribuição de renda do mundo, através do bolsa família. Lula e Dilma universalizaram o acesso às universidades públicas através do PROUNI, do FIES e do ENEM. Estão criando novas oportunidades de emprego e renda através do PRONATEC e estão revolucionando a saúde com o programa mais médicos.
Eduardo, eu precisava te dizer: não fui eu, nem o povo brasileiro, nem Lula, nem Dilma que desistimos do Brasil. Quem desistiu do Brasil, meu caro, foram os mesmos que hoje estão chafurdando em cima das circunstâncias que envolvem o acidente que de forma lamentável tirou você do nosso convívio. Fazem isso com o motivo único e claro de desgastar a reeleição de Dilma e entregar o país nas mãos de quem, de fato, desistiu do Brasil.

Descanse em paz, Eduardo. Por aqui, apesar da falta que você vai fazer a todo povo pernambucano, eu, Lula, Dilma e os brasileiros que acreditam no futuro do Brasil vamos continuar na luta, porque NÓS NUNCA DESISTIREMOS DO BRASIL.

BRASIL 24/7

Eduardo Campos (1965-2014)


domingo, 13 de julho de 2014

Para a história! Alemanha é tetra no Maracanã com gol na prorrogação!

Mário Götze sai do banco e faz o único gol do tetracampeonato alemão, para delírio de torcedores brasileiros e frustração dos argentinos no Rio

por Alexandre Alliatti

A maluquice é pensar que não temos vaga ideia do que fazíamos em 3 de junho de 1992, quando pela primeira vez Mario, mais um recém-nascido qualquer a chorar num hospital qualquer da Alemanha, viu a luz. Dada nossa sina de marionetes do tempo, estávamos indiferentes à história que começava a ser costurada – lavávamos louça, víamos novela, reclamávamos do centroavante tosco de nosso time, discutíamos futebol com nosso pai, aquela figura de rugas desenhadas também pela dor e pela glória que o futebol tanto nos dá. Não podíamos imaginar o que aconteceria tanto tempo depois, naquele inalcançável 13 de julho de 2014, naquele futuro domingo de sol no Maracanã, naquele instante precioso em que o pequeno Mario, o gigante Mario Götze, com apenas 22 anos e uma eternidade pela frente, receberia de Schürrle aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, dominaria no peito e desviaria para o gol. Não podíamos calcular que surgia o protagonista da vitória por 1 a 0 na final, o sujeito que evitaria uma festa da Argentina no Maracanã, o atleta que tornaria a Alemanha tetracampeã mundial de futebol!

G1 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Brasil sofre goleada da Alemanha em vexame histórico e disputará 3º lugar


Daqui a 10, 20, 50 anos, dirão aos brasileiros que a Seleção, lá atrás em 2014, perdeu uma semifinal de Copa do Mundo para a Alemanha, em casa, por 7 a 1. Esse texto é para quem era garotinho ou nem sequer havia nascido na época. Tomara que o encontrem na internet e tentem entender o que nenhuma palavra pôde explicar aos que estiveram no Mineirão, em Belo Horizonte, ou aos 200 milhões que viram, de alguma forma, o massacre imposto por uma das grandes equipes daqueles tempos a um time absolutamente entregue à pressão e à ausência do craque Neymar.

Neymar era o melhor jogador daquela geração brasileira, mas teve uma vértebra fraturada nas quartas de final, contra a Colômbia, numa joelhada de Zuñiga. O Mineirão, na tarde de 8 de julho, não viu o atacante, mas viu Miroslav Klose chegar a 16 gols e bater o recorde de Ronaldo como maior artilheiro das Copas. Viu Schweinsteiger, Khedira, Kroos, Özil e Müller, em exibições exuberantes, decretarem a maior humilhação brasileira na história do torneio, em atuação abaixo da mais destrutiva das críticas.

Torcida Brasil Mineirão (Foto: Eduardo Nicolau / Agência estado) 

Menino chora muito e ganha um beijo no rosto: tristeza histórica (Foto: Eduardo Nicolau / Agência Estado)
Aquela Seleção disputou o Mundial sob o peso de se livrar do fantasma do Maracanazo. Sim, há mais tempo ainda, em 1950, o Uruguai quebrou o favoritismo brasileiro na final da Copa e venceu por 2 a 1. Os jogadores daquele time, simbolizados pelo goleiro Barbosa, jamais se livraram da tragédia. O “Mineirazo” de 2014 soa como um pedido oficial de desculpas aos vice-campeões do mundo.

Luiz Felipe Scolari era o técnico. Com o respaldo de três semifinais em três Copas disputadas e do pentacampeonato conquistado em 2002. A escolha dele por Bernard, menor e mais novo jogador daquele grupo, para substituir Neymar mostrou-se equivocada, embora seja impossível atribuir a isso a diferença entre os dois times. Nem se uma equipe profissional jogasse com 10 durante 90 minutos seria tão fragilizada.


Não se sabe se o Brasil do futuro será diferente, mas aquele de 2014 mostrou durante toda a Copa do Mundo, fragmentos de despreparo técnico, tático e emocional. Reclamavam quando se falava em “Neymardependência”, mas estar em campo naquele time, olhar para o lado e não acha-lo, mostrou-se um fardo pesado demais para as limitações dos companheiros.

Nessa tarde histórica, a Alemanha classificou-se para a final contra Argentina ou Holanda, que disputam a outra semifinal no dia seguinte. O perdedor do jogo de São Paulo enfrenta o Brasil, sábado, na capital federal, pelo terceiro lugar. Uma posição que poderia ser honrosa, mas que a Seleção tornou vexatória.


Fernandinho lamentando jogo Brasil x Alemanha (Foto: AP) 

Fernandinho se pendura na rede depois de mais um gol da Alemanha: maior vexame da Copa (Foto: AP)
5 a 0 em 18 minutos

Julio Cesar e David Luiz com a camisa do Neymar na hora do hino (Foto: Jefferson Bernardes / VIPCOMM) 

Julio César e David Luiz com a camisa de Neymar
no hino (Foto: Jefferson Bernardes / VIPCOMM)
Em 2014, a Fifa tinha um tempo limite para a execução dos hinos. O brasileiro era cortado pela metade, mas a torcida nos estádios segurava o canto durante toda a primeira parte. Os alemães ouviram o brado mais retumbante do que nunca. Com a camisa de Neymar nas mãos, David Luiz e Julio César cantaram a plenos pulmões. Um espetáculo tão bonito que até Neuer, goleiraço alemão, aplaudiu de braços erguidos.

Dali para frente, só mesmo os europeus mereceram palmas. Vestidos com um uniforme que fazia referência ao Flamengo, eles demoraram mais de três minutos para terem a bola dominada no campo de ataque e passaram os outros 42 fazendo o que queriam.

Klose comemoração Brasil x Alemanha (Foto: Getty Images) 

Recordista: Klose comemora 16º gol em Copas, um à mais que Ronaldo (Foto: Getty Images)
Em 18 minutos, a Alemanha fez cinco gols. É verdade. Müller, o gol histórico de Klose, duas vezes Kroos e Khedira deixaram o país atônito. Eram gols de tabelas, toques rápidos, de uma seleção que jogava por controle remoto contra outra de chumbo nos pés. Numa rara tentativa de ataque do Brasil, Bernard, 1,66m de altura, trombou em Neuer, 1,93m. Metáfora perfeita da diferença entre os dois lados.

As lágrimas tão polêmicas dos olhos dos jogadores brasileiros já eram vistas na arquibancada, nas crianças, nos adultos, numa geração que não mais precisaria ler sobre o Maracanazo depois de viver aquela tarde. Vaias, ofensas e policiais correndo para todos os lados, inibindo brigas, foram o retrato melancólico do fim do primeiro tempo.


Precisava ter?

Felipão trocou Hulk e Fernandinho por Ramires e Paulinho. Certamente para impedir um desastre maior e sem esperança alguma de empate. Como seria disputar 45 minutos sabendo que não havia mais nada a fazer? O Brasil, teve, ao menos, um início digno.


Neuer fez quatro ótimas defesas em conclusões de Ramires, Oscar e duas de Paulinho. O chute sem qualquer força de Fred, centroavante de apenas um gol na Copa até a semifinal, desencadeou a revolta do público. No banco estava Jô, atacante do Atlético-MG, mas em quem Felipão demonstrou não ter a menor confiança para mudar qualquer cenário.

O meia Willian já estava à beira do campo para substituir Fred quando viu a Alemanha, no ritmo dos leves treinos que marcaram toda a preparação brasileira durante a Copa, já se poupando para a final, marcar o sexto: Schürrle, parceiro de Willian no Chelsea. Sob qualquer ótica havia um requinte de crueldade.

 Andre Schuerrle gol Alemanha jogo Brasil (Foto: Reuters) 

Schürrle comemora o sexto gol sobre o Brasil, enquanto Julio César lamenta (Foto: Reuters)
Se o centroavante brasileiro foi vaiado até quando apareceu no telão, o alemão saiu aplaudido por quem vestia amarelo. O Mineirão reverenciou o histórico Klose. Justo.

Schürrle ainda fez outro, o mais bonito da partida. E sobrou a Oscar balançar a rede para o Brasil, aos 45. O gol do fiapo de honra que sobrou à Seleção.

Andre Schuerrle comemoração jogo Brasil x Alemanha (Foto: André Durão / Globoesporte.com) 

Schurrle comemora, e Julio César engatinha para longe da meta (Foto: André Durão / Globoesporte.com) 
Devem dizer até hoje, tempo em que você pesquisou esse texto na internet, que seria diferente com Neymar e Thiago Silva, grande zagueiro, capitão que estava suspenso. É possível que fosse mesmo. Mas se Barbosa sofreu por tanto tempo, esses 23 jogadores e essa comissão técnica serão lembrados para sempre como protagonistas de uma humilhação sem igual. Ou coadjuvantes, se quisermos valorizar ainda mais o timaço alemão. Uma geração que vinha de duas eliminações em semifinais – uma delas em casa, porém com luta e hombridade – e persegue o título com afinco.
A Alemanha, que já havia jogado bola com índios, cavalgado, caminhado na orla e cantado hinos dos clubes brasileiros, segue levando a Copa como uma "brincadeira". Pode ser que o destino dessa jovem geração do Brasil reserve glórias semelhantes, mas se livrar do 8 de julho de 2014, que terminou com gritos de olé dos brasileiros para a Alemanha, será tarefa inglória.

G1

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Mais de 50 milhões foram forçados a deixar suas casas, diz ONU

Crianças somam a metade desse total; sírios respondem pela maioria dos 2,5 milhões de novos refugiados no ano passado

Mais de 50 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em todo o mundo no ano passado, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial, à medida que fugiam de crises da Síria ao Sudão do Sul, disse a agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (Acnur) nesta sexta-feira. 

Metade é formada por crianças, muitas delas envolvidas no meio dos conflitos e em perseguições que as potências mundiais foram incapazes de prevenir ou encerrar, disse o Acnur em seu relatório anual de tendências globais. 

“Estamos realmente enfrentando um salto quântico, um enorme aumento de deslocamento forçado em nosso mundo”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, em uma coletiva de imprensa. 

O número total de 51,2 milhões de pessoas desalojadas representa um aumento de 6 milhões em relação ao ano anterior. Eles incluem 16,7 milhões de refugiados e 33,3 milhões de deslocados em seus próprios países, e 1,2 milhão de pessoas que pedem asilo, com pedidos ainda pendentes.
Sírios fugindo dos conflitos de seu país responderam pela maioria dos 2,5 milhões de novos refugiados no ano passado, disse o Acnur. 

No geral, quase 3 milhões de sírios cruzaram a fronteira para dentro do Líbano, Turquia, Iraque e Jordânia, enquanto outros 6,5 milhões permanecem deslocados dentro das fronteiras da Síria.
“Estamos vendo aqui os imensos custos de não encerrar a guerra, ou fracassar em resolver ou prevenir conflitos”, disse Guterres. “Vemos o Conselho de Segurança paralisado em muitas crises cruciais no mundo”.

Conflitos que emergiram neste ano na República Centro-Africana, Ucrânia e Iraque estão retirando mais famílias de suas casas, disse ele, aumentado o medo de um êxodo em massa de refugiados iraquianos. 

“Uma multiplicação de novas crises, e ao mesmo tempo velhas crises que nunca parecem morrer”, acrescentou. 

Cidadãos afegãos, sírios e somalis responderam por 53 por cento dos 11,7 milhões de refugiados sob responsabilidade do Acnur. Cinco milhões de palestinos são cuidados pela agência da ONU, a UNRWA. 

A maioria dos refugiados encontrou abrigo em países em desenvolvimento, contrariando o mito divulgado por alguns políticos populistas no Ocidente de que seus Estados estavam sendo inundados por essas pessoas deslocadas, disse Guterres. 

“Geralmente no debate no mundo desenvolvido há essa ideia de que os refugiados estão todos fugindo para o norte e que o objetivo não é exatamente encontrar proteção, mas sim uma melhor vida”, afirmou. “A verdade é que 86 por cento dos refugiados do mundo vivem no mundo em desenvolvimento”.

Reuters/Estadão