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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LUIZ BORGES DE FREITAS (1938-2014)

O Sr. LUIZ BORGES DE FREITAS, meu pai, faleceu nesta manhã no HOSPITAL UNIMED DE FEIRA DE SANTANA, depois de uma crise neurológica que teve início na Praia do Forte em 5 de março de 2014. Ficou internado vários meses no HOSPITAL SANTA IZABEL, em Salvador, em estado neuro-vegetativo, retornando para Feira de Santana no dia 25 de setembro último. Que Deus o receba no Reino na Glória e nos dê forças para superar esse momento tão difícil para toda nossa família!!!

LUÍS HIPÓLITO BORGES DE FREITAS

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CIDADE BIZ # Ficção das campanhas sai da TV sem prevenir eleitor para a ressaca do crescimento anêmico

Desemprego baixo com crescimento fraco tem levado muitos a duvidar de problemas na economia. O marketing da reeleição fartou de usar a contradição

Antonio Machado
 
A eleição chega ao fim. Animada e disputada como poucos esperavam, dado o desinteresse inicial do eleitor e a baixa estima em relação aos políticos. A ficção televisiva das campanhas, especialmente de Dilma Rousseff, contrafez as percepções, mas não mudou a realidade, que é difícil na economia e, sem reversão das causas que fizeram o crescimento econômico desinflar, vai estender-se a tudo mais.

 A mudança do quadro de crescimento baixo e inflação alta implica a concordância quanto ao diagnóstico, e ele não é unânime. Setores do governo em fim de mandato o atribuem, sinceramente, ao desalento da economia global, não obstante as duas potências que definem o ritmo da atividade no mundo não estejam fracas, muito ao contrário: EUA têm um viés ascendente notável, entre expansão econômica e avanços tecnológicos, e a China ainda cresce à base de 7% ao ano.

 A economia perdeu o viço por razões internas e estruturais. De um lado, por mais de duas décadas de omissão pública e empresarial em relação aos fatores que explicam o dinamismo industrial (custos de produção competitivos, câmbio depreciado, juro baixo, produtividade do emprego alta etc.); de outro, pela gestão e governança públicas de baixa qualidade. 

Tais fatores debilitaram a economia aos poucos, mas poucos perceberam.

 A pujança das commodities turvou as visões.

 É fato que quando a China crescia a dois dígitos e a sua indústria saiu para o mercado internacional, as commodities foram ao paraíso, coincidindo com o primeiro governo Lula. Os preços de tudo o que é bem primário, de minério de ferro a grão de soja, quebraram todos os recordes. A China arrastou, em sua ascensão, um vasto bloco dos países emergentes produtores de commodities. Isso é passado.

 Ao rever o modelo de crescimento para promover o consumo interno, a China manteve intacto o ímpeto exportador – o que significou uma grande contração de nossos mercados de manufaturados, em especial, na América do Sul -, mas baixou a demanda por commodities. Sem essa alavancagem, com a manufatura sem competitividade e cada vez mais importadora, a economia brasileira perdeu tração. Não é a retomada global que a fará se reerguer. Nem Dilma nem Aécio Neves deram uma palavra sobre tal desafio - um entre tantas urgências a resolver.

Diferenças só de ênfase

 O que fazer para turbinar o crescimento num mundo em que insumos e bens agrícolas voltam a ser cotados sem pressão de demanda?
 Segundo a racionalidade de Dilma, investindo em infraestrutura e acelerando as concessões ao capital privado. No programa de Aécio, ocupa papel relevante o saneamento orçamentário, no qual o gasto social e com o funcionalismo leva algo como 90% das receitas fiscais, e a volta da inflação à meta anual (4,5%).

 Tais concepções vão estar no programa do próximo governo. A diferença entre elas é basicamente de ênfase.

 Dilma gastou a língua de tanto dizer que não fará ajuste que ponha em risco o emprego e a renda, ainda que seja esse o desfecho, se a preliminar da estabilidade der sopa para o mercado cambial fazer o trabalho sujo na marra. Os governos avessos ao molho ortodoxo estão batidos, como Venezuela e Argentina, da vereda “bolivariana”. Ainda que do mesmo grupo, Bolívia e Equador são mais sólidos. Por quê?

Arenga dos desafinados

 Onde há, como prática, uma gestão fiscal que desobrigue o Tesouro Nacional de se endividar além do nível de prudência definido pelo superávit primário (a economia do orçamento para pagar o serviço da dívida pública), o governo pilota o mercado financeiro e cambial. É o que diferencia Equador e Bolívia dos aliados no bate-bumbo contra os EUA, e até do Brasil, coluna do meio na arenga dos desafinados.

 O efeito China e commodities também distinguem o Brasil dos países emergentes. A maioria usou a renda das commodities para modernizar a infraestrutura e melhorar o bem-estar dos mais pobres. No Brasil, o reforço das contas externas serviu, inicialmente, para refazer as reservas de divisas, a mais antiga de nossas vulnerabilidades. E em seguida também encerrou a constrição fiscal que vinha desde 1994.

Sem vez para marqueteiro

 O governo atendeu defasagens salariais e de gente na área pública, tornou regra os aumentos reais do salário mínimo e universalizou os programas sociais, outra das chagas antigas, graças à renda do que não está mais disponível. Mas pouca ou nenhuma atenção foi dada ao setor produtivo, sobretudo a indústria de transformação, que vinha de outro viés (ainda crescente): a produção globalizada.

 Se a produção local ficou cara, o câmbio apreciado deliberadamente para segurar a inflação serviu para baixar custo com importações e legar outra sequela: a indústria passou de superavitária até 2006 a deficitária (mais de US$ 100 bilhões em 2013). É isso que empacou o crescimento, cuja falta esmaga o Tesouro. Sem solução, vai implicar ajustes salgados que marqueteiro nenhum saberá como “desconstruir”.

O progressismo retórico

 Desemprego baixo, com crescimento e investimento fraco, tem levado muitos a duvidar de problemas na economia. O marketing da reeleição fartou de usar a contradição. Ela é só aparente. Nossa demografia é cadente e já aponta déficit de mão-de-obra depois de 2020. Mais: as políticas sociais tiram parte da população do mercado de trabalho e o maior acesso à escola adia a busca de emprego pelos mais jovens.

 Tal quadro é bom. Não pode é iludir. A distensão social, sobretudo com alta real de salário, tem se dado com produtividade em queda, o que reduz a taxa de lucro, cuja função é remunerar capital, bancar investimento (com retenção do lucro) e firmar convicções otimistas.

 O desdobramento desse viés, camuflado com subsídios e desonerações para compensar o capital (à custa de concentrar renda, na contramão da retórica progressista), é preocupante. E nem está em discussão.

CIDADE BIZ

domingo, 7 de setembro de 2014

CARTA MAIOR @ Rentismo, fissuras no bloco no poder e as eleições presidenciais

O pacto social que Lula construiu, possibilitando avanços econômicos e sociais sem entrar em confronto com as elites, sofreu fissuras no governo Dilma. 

Rodrigo Alves Teixeira (*)

 Como é sabido, apesar da vitória eleitoral de um partido de esquerda e que historicamente foi opositor das políticas neoliberais, o governo Lula não mudou, de imediato, as bases da política macroeconômica do governo FHC. Ainda durante o período eleitoral, diante do terrorismo do mercado financeiro, o PT divulgou a famosa “Carta aos Brasileiros”, garantindo que, sendo eleito, não iria mudar a condução da economia.

A política macroeconômica havia sido capturada pelos interesses do mercado financeiro. Porém, paulatinamente tais interesses foram perdendo sua influência, tendo o ápice deste processo se dado no governo Dilma. Não sem razão, portanto, o mercado financeiro nas eleições de 2014 tem criticado duramente o governo Dilma e dado apoio aos candidatos da oposição.

Para entender estas questões, desde a postura contraditória do governo Lula com relação às posições históricas do PT, bem como os desdobramentos mais recentes com os ataques do mercado financeiro ao governo Dilma, é necessário, numa perspectiva de economia política, sairmos do campo estritamente econômico, com seus embates teóricos e prescrições de políticas (policy), e nos deslocarmos para o campo da política (politics) e das relações de classes e grupos de interesse.

Durante o governo de FHC, consolidou-se a hegemonia da fração bancário-financeira do capital no interior do Bloco no Poder, fazendo aqui referência ao conceito do teórico Nicos Poulantzas. Isto se expressava pelo poder dos interesses ligados ao mercado financeiro, doméstico e internacional, em ditar os rumos da política econômica, sobrepujando as demais frações do capital (em especial os segmentos do capital produtivo). Esta influência era exercida seja indiretamente, por meio da influência do mercado financeiro nos meios de comunicação, seja diretamente, com postos-chave do comando da política econômica sendo ocupados por profissionais francamente favoráveis aos seus interesses ou mesmo egressos de seus quadros, ou ainda com as constantes ameaças de fugas de capital e crise cambial (algumas das quais se efetivaram) por parte de seus atores diante de qualquer sinalização de mudança de rumo da política econômica.

Este poder da fração bancário-financeira estava fundamentado numa nova dependência, que não tinha mais que ver com aquela do modelo de desenvolvimento dependente-associado que FHC havia teorizado nos anos 1970 e que, ainda que de forma dependente, permitia ao País vislumbrar o desenvolvimento econõmico – a dependência tecnológica e financeira do processo de industrialização, alicerçada politicamente em uma aliança entre as elites estrangeiras e parte das elites domésticas e outros grupos favoráveis à modernização da estrutura produtiva. A dependência que contava agora era a dos fluxos de capital volátil, fundamentais para manter a estabilidade do arranjo macroeconômico então vigente: conter a inflação pela âncora cambial, ou seja, mantendo a taxa de câmbio sobrevalorizada para baratear as importações.

Não à toa, às vésperas da eleição presidencial de 2002, George Soros, o bilionário representante do capital financeiro internacional, disse que se Lula fosse eleito, seria o caos. É sintomático desta hegemonia do setor financeiro que, em 1989, tivesse sido um industrial da Fiesp, Mário Amato, quem disse que os empresários abandonariam o Brasil se Lula fosse eleito e, em 2002, tenha sido um representante da banca internacional a fazer o mesmo tipo de terrorismo eleitoral.

É impossível compreender a mudança na postura do PT na presidência sem levar em conta a nova dependência na qual a economia brasileira foi lançada, que havia se iniciado com a abertura de Collor e que se consolida no governo de FHC. Para além do que poderiam dizer os indicadores econômicos, a “herança maldita” que o governo FHC deixou para Lula tinha uma base sociológica e política, assentada na hegemonia da banca no interior do bloco no poder. Hegemonia que, por sua vez, era garantida pela dependência financeira do País ante os fluxos internacionais de capital de curto prazo.

O fato é que essa dependência prevaleceu durante os anos iniciais do governo Lula. Frente à situação paradoxal, do ponto de vista da esquerda, em que então se colocou o governo de Lula em seus primeiros anos, muitos defenderam que não havia outra saída, dada esta “herança maldita”. Outros aderiram ao discurso dominante e chegaram a dizer que as posições históricas do PT sobre a condução da política econômica estavam erradas. E um terceiro grupo defendeu que com a vitória de Lula havia espaço e capital político para uma mudança na política econômica, ansiando por uma guinada de viés, mais condizente com as ideias originais do Partido, que continham críticas severas aos princípios e à política econômica neoliberal de FHC. Mas o fato é que se optou pela linha de menor resistência contra os interesses estabelecidos, permanecendo a fração bancário-financeira com sua hegemonia no interior do bloco no poder.

O governo Lula se inicia então com um viés conservador no campo da política macroeconômica, buscando imprimir mudanças e sua marca de esquerda por meio da ampliação da agenda social, com programas como o Bolsa Família, bem como com a elevação real do salário mínimo, forçando uma melhoria da distribuição de renda.

Uma maior flexibilização da política fiscal começa a ocorrer a partir do final do primeiro mandato de Lula, especialmente após a substituição do ministro da Fazenda Antonio Palocci, em 2005, que havia sido o grande fiador de Lula diante da elite econômica e em especial do mercado financeiro. A “ala desenvolvimentista” do governo começa a ganhar espaço, abrindo caminho para uma política fiscal mais preocupada com a aceleração do crescimento e com a distribuição da renda, com aceleração dos gastos sociais e uma política de elevação do salário mínimo.

Outra medida nesta direção foi o lançamento do PAC, no início do segundo mandato de Lula, apesar das críticas de agentes do mercado financeiro de que os gastos do programa representariam ameaça à meta fiscal. Mas é com a crise internacional de 2008 que a política macroeconômica começa a mudar mais rapidamente. Um conjunto de estímulos como redução de juros, expansão do crédito dos bancos públicos e do crédito habitacional pelo programa Minha Casa Minha Vida, continuidade da elevação real do salário mínimo e dos investimentos públicos planejados no âmbito do PAC e redução da meta de superávit primário, permitiu que a economia brasileira se recuperasse da crise mais rapidamente que vários outros países, e após uma leve queda de 0,2% do PIB em 2009, auge da crise no Brasil, cresceu 7,5% em 2010, último ano do presidente Lula, com manutenção da renda e do emprego.

No governo Dilma, os sinais de enfraquecimento da hegemonia desta fração ficam ainda mais claros, com medidas de enfrentamento direto por parte do governo. A partir de agosto de 2011, o Banco Central inicia uma trajetória de queda da taxa Selic, até atingir o patamar de 7,25%, com a taxa de juros real chegando à casa dos 2% em 2012, sob críticas do mercado financeiro e aplausos dos representantes do setor produtivo e dos trabalhadores. Além disso, vendo que a queda da Selic não estava sendo repassada aos consumidores de crédito, em maio de 2012 a presidenta dá ordem expressa aos bancos públicos para reduzirem suas taxas de juros e forçar a redução dos spreads bancários, que estavam entre os mais altos do mundo. Estas medidas de enfrentamento seriam impensáveis alguns anos antes.

Pode-se dizer que a situação de dependência financeira e de hegemonia da fração bancário-financeira no bloco no poder, consolidada no governo FHC, prevaleceu no primeiro mandato do presidente Lula, levando a uma situação ambígua para o governo do PT e a acusação de que o partido havia se convertido ao neoliberalismo, que André Singer descreveu bem como “as duas almas do Partido dos Trabalhadores”. Esta hegemonia, entretanto, que possibilitava que esta fração determinasse os rumos da política econômica, ancorada no sucesso ideológico de seu discurso, abraçado incondicionalmente pela mídia, bem como na constante chantagem das fugas de capital, foi sendo minada ao longo do segundo mandato de Lula e especialmente após a crise internacional.

Esta paulatina perda de influência se deu, até 2008, pela situação internacional favorável (calmaria nos mercados financeiros internacionais e elevação dos preços das commodities exportadas pelo Brasil) e pela estratégia do governo de acúmulo de reservas internacionais. Após a crise internacional de 2008, continuou a redução da influência e perda da hegemonia dessa fração de classe. A reversão do padrão dos fluxos de capital que, nas crises anteriores, originadas nos “mercados emergentes”, tendiam a fugir abruptamente dos países periféricos em direção ao dólar, e nesta crise fizeram o caminho inverso, permitiu que o Brasil pudesse fazer uso de uma política macroeconômica expansionista para incentivar a atividade econômica, com reduções substantivas da taxa de juros e expansão fiscal, a contragosto dos representantes do sistema financeiro. O governo Dilma consolidaria esta perda da hegemonia, cujo momento mais simbólico foi o discurso da presidenta no 1.º de maio de 2012, Dia do Trabalhador, anunciando em cadeia nacional que os bancos públicos iam travar uma batalha pela redução dos spreads bancários.

Apesar de perder o apoio da fração bancário-financeira, a presidenta conseguiu manter o apoio de parte do empresariado, com medidas de desoneração no âmbito do Plano Brasil Maior e a expansão do crédito ao setor produtivo com o BNDES. E ainda mais importante, manteve o apoio de amplos segmentos populares, fenômeno que André Singer chamou de “lulismo”, qual seja, o apoio, com o qual passou a contar o presidente Lula na sua reeleição, dos setores mais desfavorecidos, graças principalmente às políticas distributivas de elevação de salário mínimo e de redução da pobreza, bem como ao sustentado aumento da renda, do crédito e do consumo, com a inclusão de dezenas de milhões de pessoas na chamada classe C. A força eleitoral deste grupo se mostrou decisiva, como bem aponta Singer, tanto na reeleição de Lula em 2006 – quando, pela primeira vez, o PT consegue vencer nestas camadas que tradicionalmente eram reduto do voto conservador – como na eleição de Dilma em 2010.

Até junho de 2013, a alta popularidade da presidenta Dilma parecia indicar que esta parcela da população, incluindo os que haviam ascendido para a classe C, permaneceriam dando apoio a ela na reeleição em 2014. Após as manifestações de junho, entretanto, o apoio a Dilma caiu bruscamente mesmo neste segmento e não se recuperou. Não é objetivo deste artigo tratar do impacto das manifestações na avaliação do governo Dilma, mas parece que foi decisivo o sucesso tanto da mídia como da oposição em criar um clima de pessimismo e fazer a população acreditar que os diversos problemas levantados nas manifestações (transporte, saúde, educação, moradia, corrupção) teriam começado com o governo do PT, quando na verdade são problemas históricos do País que o partido estava contribuindo para enfrentar.

A presidenta também perdeu apoio em parcela do empresariado, ligada aos setores de infraestrutura, após os desgastes com a tentativa de limitar a taxa de retorno das concessões, o que segundo os críticos teria levado aos atrasos nos investimentos.

Por último, mas não o menos importante, a presidenta também tem a seu desfavor a oposição aberta de vários veículos da grande mídia televisiva, digital e impressa, que tem feito coro com os representantes do mercado financeiro na crítica, pela direita (com viés liberal e antidesenvolvimentista), à condução da política econômica.

Assim, a fração bancário-financeira do capital, a grande mídia e parte do empresariado passaram a se alinhar com as duas candidaturas de oposição. Além disso, como já apontado, parte do eleitorado de baixa renda de 2006 e 2010, que estava alinhada ao PT no fenômeno que Singer chamou de lulismo, e inclusive a parcela que ascendeu à chamada classe C, deixou de apoiar a presidenta após as manifestações de junho de 2013, influenciada pela habilidade com a qual a oposição e a grande mídia conseguiram usar as manifestações e canalizar a insatisfação e os anseios da população contra o governo federal.

O pacto social que Lula construiu, possibilitando avanços econômicos e sociais sem entrar em confronto direto com as elites, em especial sem confrontar diretamente a hegemonia da fração bancário-financeira, sofreu significativas fissuras durante o governo Dilma.

A fração bancário-financeira, confrontada diretamente pela presidenta, seja na redução da Selic, seja na redução à força dos spreads a partir da atuação dos bancos públicos, já escolheu seu lado na disputa presidencial, passando a apoiar o candidato da oposição, Aécio Neves, e ao que parece também Marina Silva, que subiu rapidamente nas intenções de voto após a trágica morte de Eduardo Campos e já acenou para o mercado financeiro com a autonomia do Banco Central, velha bandeira desses interesses. Aécio, assim como Marina, trouxeram de volta para a linha de frente da defesa de seu programa econômico, e para o ataque à política econômica do governo Dilma, alguns dos economistas ligados ao comando da economia durante o governo FHC, muitos dos quais ocupam hoje postos muito bem remunerados no mercado financeiro.

Este é o quadro que se formou para as eleições de 2014. Temos basicamente dois projetos em disputa. Um é a continuidade de uma proposta que, se não avançou no ritmo desejado pelos mais exigentes e necessário para resolver nosso enorme abismo social, conseguiu obter importantes avanços em termos de crescimento econômico e inclusão social, e poderia seguir avançando com a continuidade das políticas de distribuição de renda e com uma política macroeconômica voltada para o desenvolvimento, incluindo a forte retomada dos investimentos públicos, uma política industrial mais ousada e o resgate da capacidade de planejamento estratégico por parte do Estado.

O outro projeto, seja pela via Aécio, seja pela via Marina, representa uma volta a um passado que foi enterrado nas urnas em 2002, caracterizado por uma política econômica liberal-conservadora, com o desmonte das estruturas de planejamento do desenvolvimento, políticas de juros reais elevados, conservadorismo no combate à inflação, elevado desemprego e baixo crescimento. Representa ainda o retorno da submissão da política econômica aos interesses do mercado financeiro doméstico e internacional, o que indica a provável volta da fração bancário-financeira à condição de fração hegemônica no interior do bloco no poder e retrocesso a um padrão rentista de acumulação que representa um entrave ao desenvolvimento econômico.

O voto dos mais desfavorecidos será decisivo no resultado das eleições, como nas duas últimas, nas quais eles estiveram alinhados aos candidatos do PT. Tudo vai depender da capacidade de a candidatura de Dilma mostrar que a continuidade da melhora do padrão de vida destes milhões que ascenderam à classe C, bem como a inclusão dos muitos que ainda precisam ser incluídos, depende não de uma mudança de projeto – especialmente da volta à política econômica desastrosa dos anos FHC – mas da continuidade e aprofundamento das políticas sociais e distributivas e da política macroeconômica voltada para o desenvolvimento.

(*) Doutor em Economia, professor do Departamento de Economia da PUC-SP e secretário-adjunto de Planejamento, Orçamento e Gestão da Prefeitura de São Paulo. 

ESTADÃO 

domingo, 31 de agosto de 2014

VIOMUNDO # Gilson Caroni Filho: “Nova política” oferece aos jovens o pão que o diabo amassou em forma de arrocho e desemprego

Jovens, vocês querem mesmo Marina?

por Gilson Caroni Filho, especial para o Viomundo

 A simples leitura do programa de governo de Marina da Silva que, como todos sabem, foi escolhida pela “providência divina” e os acontecimentos recentes envolvendo as alterações no seu programa partidário permitem levar ao eleitorado jovem pontos fundamentais que revelam a natureza extremamente conservadora. Comecemos pelas questões macroeconômicas:

1) Marina pretende dar autonomia ao Banco Central, o BC. O que significa isso? Entregar o banco ao mercado financeiro. Não por acaso conta com o apoio de banqueiros em sua campanha.

2) No documento, consta que políticas fiscais e monetárias serão instrumentos de controle de inflação de curto prazo. Como podemos ler este ponto? Arrocho salarial e aumento nas taxas de desemprego.

3) O programa ainda menciona a diminuição de normas para o setor produtivo. Os mais açodados podem pensar em menos carga tributária e burocracia para as empresas. Não, trata-se de reduzir encargos trabalhistas com a supressão de direitos que facilitem as demissões. Há muito que a burguesia patrimonialista pede o fim da multa rescisória de 40% a ser paga a todo trabalhador demitido sem justa causa. O capital agradece.

4) Redução das prioridades de investimento da Petrobrás no pré-sal. O que significa? Abrir mão de uma decisão estratégica de obter investimentos para aplicar na Saúde e na Educação. Isso, meus amigos mais jovens, é música para hospitais privados, planos de saúde e conglomerados estrangeiros que atuam na educação. O que o grupo Galileo fez com a Gama Filho e Univercidade , aqui no Rio, é fichinha perto do que está por vir. Era com uma coisa desse tipo que vocês sonhavam quando foram às ruas em junho do ano passado?

5) Em vez do fortalecimento do Mercosul, o programa da candidata, que ” quer fazer a nova política,” prega o fortalecimento das relações bilaterais com os Estados Unidos e União Europeia.Vamos retroceder vinte anos e assistir a um aumento da desnacionalização da economia latino-americana. É isso que vocês querem?

6) Meus caros amigos, não sei se foi a providência divina quem derrubou o avião em que viajava Eduardo Campos. Mas o que a vice dele, uma candidata que está à direita de Aécio Neves, lhes oferece é o pão que o diabo amassou. Gosto da vida, gosto da juventude, mas, agora, cabe a vocês escolher o que desejam enfiar goela adentro. Não há mais ninguém inocente.

No campo dos costumes, cabem outras indagações. O Partido Socialista Brasileiro, que sempre teve uma agenda progressista, foi criado em 1947.

Ao ceder a pressões para lançar a candidatura de Marina da Silva, acabou. No lugar dele, surgiu um PSB capturado pelo “Rede” da candidata do Criador.

Pois bem, bastaram quatro tuitadas do Pastor Malafaia para o partido retirar de seu programa de governo o casamento civil igualitário. Se em quatro mensagens por twitter houve um retrocesso desse porte, imaginem em quatro anos de um eventual governo do consórcio Itaú-Assembléia de Deus. 

Descriminalização do aborto? Esqueçam. Descriminalização dos usuários de drogas? Nem pensar. No mínimo, procedimentos manicomiais para os dependentes. Pensem nos direitos conquistados pelas mulheres nos últimos anos sendo submetidos ao crivo de dogmas medievais. Nos homossexuais como anomalias apenas “toleradas”, jamais como sujeitos de direitos.

Sim, pois vislumbramos uma religião se transformando em política de Estado.

 É isso que vocês querem para o país? É isso que vocês querem para suas vidas e a dos filhos que vierem a ter? Em caso afirmativo, chamem Torquemada e me avisem: não quero ver ninguém ardendo em fogueiras. Tudo é força, mas só Malafaia é poder. Não acredito que vocês desejem isso. Melhor, não quero acreditar.

VIOMUNDO

domingo, 24 de agosto de 2014

A questão é não desistir do povo

Por Marcelo Zero

Ele nasceu miserável, um excluído do Brasil. Como milhões, ele nasceu um “desistido” do seu próprio país. Provavelmente, teria morrido antes dos 5 anos, como muitos iguais a ele. Sobreviveu. Lutou contra a miséria opressiva, a pior forma de violência, como dizia Gandhi. Lutou contra a ditadura, que desistia do povo em prol de uma minoria. Lutou por uma democracia para todos, não uma democracia para poucos, que desistia da maioria. Fundou um partido de esquerda em pleno regime militar, pelo qual ninguém dava nada, e lutou por décadas para chegar à presidência. Fez o melhor governo da história recente do país. Mudou o Brasil.

Ela também. Qualquer pessoa que é presa e barbaramente torturada aos 19 anos tende a desistir. Até da vida. Mas ela persistiu, e continuou e aprofundou a obra iniciada por ele. Mesmo em meio à pior crise mundial desde 1929, faz um governo para todos os brasileiros. Faz um governo que não desiste de ninguém.

Lula e Dilma nunca desistiram do Brasil. Apesar de tudo. Apesar do ódio que lhe dedicam os que nunca foram ‘desistidos” pelo país.

Mas o que significa realmente “não desistir do Brasil”? Significa não desistir do povo brasileiro. Afinal, sem o seu povo, o Brasil é mera abstração.

Este é um país que historicamente desistiu da maioria da população. Aqui, governava-se para poucos e excluíam-se muitos. Diziam que para crescer, era necessário concentrar renda e patrimônio. Diziam até que os pobres eram um problema. Que o Nordeste era um problema. Tínhamos governos que assistiam a poucos e desistiam de muitos. Tínhamos governos que, ante qualquer crise, “ajustavam” a economia promovendo desemprego e reduzindo salários, desistindo dos trabalhadores.

Este era o país em que predominava uma lógica perversa, segundo a qual, para que o Brasil e sua economia fossem bem, era necessário que o povo fosse mal. Era preciso desistir do povo para não desistir do Brasil.

Lula e Dilma inverteram essa lógica perversa. Agora, o Brasil se fortalece junto com seu povo, especialmente a população mais pobre. Na realidade, hoje o Brasil se fortalece graças ao fortalecimento do seu povo. Para os governos de Lula e Dilma, não desistir do Brasil significa realmente não desistir do seu povo.

Assim, não desistir do Brasil significa tirar 36 milhões da pobreza absoluta, da sua histórica “desistência”, e promover a ascensão de outros 42 milhões à classe média. Não desistir do Brasil implica elevar o salário mínimo e a renda dos trabalhadores, mesmo em meio à crise global. Não desistir do Brasil significa não desistir de gerar empregos com carteira assinada para mais de 20 milhões de brasileiros. Não desistir do Brasil implica não renunciar a abrir as portas das universidades públicas e privadas para pobres e afrodescendentes, como o governo Dilma vem fazendo. Não desistir do Brasil significa tirar das trevas 15 milhões de pessoas que tinham sido “desistidas” de ter luz elétrica. Não desistir do Brasil significa insistir em levar, com o Mais Médicos, médicos para 50 milhões de brasileiros que estavam “desistidos” de ter acesso à Saúde.

Não desistir do Brasil implica, sobretudo, não desistir de reduzir as desigualdades sociais e regionais do Brasil, pois elas são as mães de todas as nossas “desistências” históricas.


Todas as nossas fraquezas e insuficiências como país e como nação derivam, essencialmente, do fato de termos, ao longo de 500 anos de história, desistido do nosso povo. Fomos, durante muito tempo, um país cronicamente frágil, vulnerável e dependente porque não apostamos, como deveríamos, na força da nossa população. Não apostamos no imenso potencial do nosso mercado interno. Não apostamos na libertação do nosso povo das garras da miséria. Não apostamos na libertação do nosso povo dos grilhões da ignorância.

Não apostamos no fato de que essa libertação seria a verdadeira libertação do Brasil.
Com efeito, o Brasil que desistia de seu povo era um país fraco e fadado ao fracasso. Já a construção recente desse novo país mais forte, mais justo, mais resistente às crises e mais soberano só se faz com a ascensão do seu povo. Só se faz com a insistência em nele investir.
Esse é um processo que mal começou, pois não se revertem 500 anos de “desistências” em apenas 12 anos.

Ainda assim, há gente que quer reverter tal processo. Tem gente que quer desistir do aumento do salário mínimo, pois ele estaria “muito elevado”. Há gente que quer desistir da geração de empregos formais, pois seria necessário “ajustar a economia”. Há candidatos que desejam “flexibilizar” direitos trabalhistas e previdenciários, para aumentar a produtividade e reduzir custos. Tem gente que quer desistir da exploração soberana do Pré-Sal. Há forças que querem desistir da Petrobras e implantar a Petrobrax.Tem gente que deseja até desistir do desenvolvimento sustentável, em nome de um ambientalismo conservador e primitivo.

Há, sobretudo, economistas conservadores, que assessoram candidatos que insistem em se apresentar como progressistas, que querem promover aqui as mesmas políticas ortodoxas que vêm “desistindo” do emprego, da renda, de direitos consolidados e do Estado do Bem-Estar, em países desenvolvidos. Políticas que insistem na concentração dos rendimentos e do patrimônio. As mesmas políticas que, segundo Picketty e vários outros, tendem a fazer que o capitalismo “desista” da democracia.

Enfim, há forças políticas e candidatos que querem, de novo, desistir do povo brasileiro. Querem, no fundo, voltar a um passado de exclusão. Voltar à lógica perversa que sempre nos colocava o falso dilema de ter de escolher o entre o bem estar do povo e o bem estar do mercado.

Nessas eleições, o verdadeiro e único embate, não importa qual a cortina de fumaça que se lance, não importam as quimeras imaginadas pelas “terceiras vias”, será o embate entre aqueles que não aceitam desistir do povo brasileiro e aqueles que acham que esse é um “preço aceitável” para não “desistir do Brasil”.

Insistir no povo ou desistir do povo, essa é a questão.

BRASIL 247

domingo, 17 de agosto de 2014

De um eleitor a Campos: "Não desisti do Brasil"

Numa carta aberta a Eduardo Campos, o eleitor pernambucano Carlos Francisco da Silva, nascido em Bezerros (PE), questiona a frase "Não vamos desistir do Brasil", que vem sendo citada como o "testamento político" do ex-governador pernambucano; "Depois da tua entrevista no Jornal Nacional, eu fiquei com muita vontade de te encontrar, de apertar a tua mão, olhar no teu olho e te perguntar: Quem disse que eu desisti do Brasil, Eduardo?", questiona; "Quem desistiu do Brasil foram setores da política e da mídia brasileira, quando promoveram o golpe militar de 1964 (...) quem desistiu foi a classe média alta que vaiou uma chefe de Estado num evento de dimensões como a abertura de uma copa do mundo porque não se conforma com o Brasil que distribui renda e possibilita a ricos e pobres, negros e brancos as mesmas oportunidades"; leia a íntegra.


CARTA A EDUARDO CAMPOS

Por Carlos Francisco da Silva, de Bezerros (PE)

Eduardo, você não imagina o quanto eu e todo povo pernambucano estamos lamentando a tua trágica e inesperada partida. Temos muitos motivos para isso. Primeiro, pela falta que irás fazer a tua família e aos teus amigos. Depois, pelo exemplo de homem público que representavas para o nosso estado e para o Brasil.

No entanto, eu tenho um motivo particular para lamentar a tua morte. Depois da tua entrevista no Jornal Nacional, eu fiquei com muita vontade de te encontrar, de apertar a tua mão, olhar no teu olho e te perguntar: Quem disse que eu desisti do Brasil, Eduardo?  Infelizmente, no dia seguinte, ocorreu o trágico acidente e eu nunca vou poder te dizer isso.

Eduardo, não fui eu, nem o povo brasileiro que desistimos do Brasil.

Quem desistiu do Brasil foram setores da política e da mídia brasileira, quando promoveram o golpe militar de 1964 que mergulhou o nosso país em 21 anos de ditadura militar e que submeteu o povo brasileiro aos anos mais difíceis de nossa história. Inclusive, sua família foi vítima na carne daquele momento, quando o seu avô e então governador de Pernambuco, o inesquecível Miguel Arraes, foi retirado à força do Palácio do Campo das Princesas e levado ao exílio.

Eduardo, você não imagina o que essa mesma mídia está fazendo com a tragédia que marcou a queda do teu avião. Eu nunca pensei que um dia pudesse ver carrascos do jornalismo político brasileiro como Willian Bonner, Patrícia Poeta, Alexandre Garcia e Miriam Leitão falando tão bem de um homem público. Os mesmos que, um dia antes do acidente, quiseram associar a tua imagem ao nepotismo no Brasil choram agora a tua morte como se você fosse a última esperança do povo brasileiro ver um Brasil melhor. Reconheço as tuas qualidades, governador, mas não sou ingênuo para acreditar que sejam elas o motivo de tanta comoção no noticiário político brasileiro.

A pauta dos veículos de comunicação conservadores do Brasil sempre foi e vai continuar sendo a mesma: destruir o projeto político do partido dos trabalhadores que ameaça por fim às concessões feitas até então a eles. O teu acidente, Eduardo, é só mais uma circunstância explorada com esse fim, do mesmo jeito que foi o mensalão, os protestos de julho e a refinaria de Pasadena. Se amanhã surgir um escândalo “que dê mais ibope” e ameace a reeleição de Dilma, a mídia não hesitará em enterrar você de uma vez por todas. Por enquanto, eles vão disseminando as suposições de que foi Dilma quem sabotou o teu avião, e que fez isso no dia 13 justamente pra dizer que quem manda é o PT. Pior do que isso é que tem gente que acredita e multiplica mentiras e ódio nas redes sociais.

Lamentável! A Rede Globo e a Veja não estão nem aí para a dor da família, dos amigos e dos que, assim como eu, acreditavam que você não desistiria do Brasil. Você é objeto midiático do momento.
Eduardo, não fui eu quem desistiu do Brasil. Quem desistiu foi o PSDB, que após o regime militar teve a oportunidade de construir um novo projeto de nação soberana e, no entanto, preferiu entregar o Brasil ao FMI e ao imperialismo norte americano, afundando o Brasil em dívidas, inflação,
concentração de renda e miséria. O mesmo PSDB que, antes do teu corpo ser enterrado, já estava disseminando disputas entre o PSB e REDE para inviabilizar a candidatura de Marina, aliança que custou tanto a você construir.

Eu não desisti do Brasil, Eduardo. Quem desistiu foi a classe média alta que vaiou uma chefe de Estado num evento de dimensões como a abertura de uma copa do mundo porque não se conforma com o Brasil que distribui renda e possibilita a ricos e pobres, negros e brancos as mesmas oportunidades.

E tem mais uma coisa, Governador. Se ao convocar o povo brasileiro para não desistir do Brasil o senhor quis passar o recado de que quem desistiu foi Lula e Dilma, eu gostaria muito de dizer que nem eu, nem o povo e, nem mesmo o senhor, acredita nisso. Muito pelo contrário. A gente sabe que o PT resgatou o Brasil do atraso imposto pelo nosso processo histórico de colonização, do intervencionismo norte americano e da recessão dos governos tucanos. Ao contrário de desistir do Brasil, Lula e Dilma se doaram ao nosso povo e promoveram a maior política de distribuição de renda do mundo, através do bolsa família. Lula e Dilma universalizaram o acesso às universidades públicas através do PROUNI, do FIES e do ENEM. Estão criando novas oportunidades de emprego e renda através do PRONATEC e estão revolucionando a saúde com o programa mais médicos.
Eduardo, eu precisava te dizer: não fui eu, nem o povo brasileiro, nem Lula, nem Dilma que desistimos do Brasil. Quem desistiu do Brasil, meu caro, foram os mesmos que hoje estão chafurdando em cima das circunstâncias que envolvem o acidente que de forma lamentável tirou você do nosso convívio. Fazem isso com o motivo único e claro de desgastar a reeleição de Dilma e entregar o país nas mãos de quem, de fato, desistiu do Brasil.

Descanse em paz, Eduardo. Por aqui, apesar da falta que você vai fazer a todo povo pernambucano, eu, Lula, Dilma e os brasileiros que acreditam no futuro do Brasil vamos continuar na luta, porque NÓS NUNCA DESISTIREMOS DO BRASIL.

BRASIL 24/7

Eduardo Campos (1965-2014)


domingo, 13 de julho de 2014

Para a história! Alemanha é tetra no Maracanã com gol na prorrogação!

Mário Götze sai do banco e faz o único gol do tetracampeonato alemão, para delírio de torcedores brasileiros e frustração dos argentinos no Rio

por Alexandre Alliatti

A maluquice é pensar que não temos vaga ideia do que fazíamos em 3 de junho de 1992, quando pela primeira vez Mario, mais um recém-nascido qualquer a chorar num hospital qualquer da Alemanha, viu a luz. Dada nossa sina de marionetes do tempo, estávamos indiferentes à história que começava a ser costurada – lavávamos louça, víamos novela, reclamávamos do centroavante tosco de nosso time, discutíamos futebol com nosso pai, aquela figura de rugas desenhadas também pela dor e pela glória que o futebol tanto nos dá. Não podíamos imaginar o que aconteceria tanto tempo depois, naquele inalcançável 13 de julho de 2014, naquele futuro domingo de sol no Maracanã, naquele instante precioso em que o pequeno Mario, o gigante Mario Götze, com apenas 22 anos e uma eternidade pela frente, receberia de Schürrle aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, dominaria no peito e desviaria para o gol. Não podíamos calcular que surgia o protagonista da vitória por 1 a 0 na final, o sujeito que evitaria uma festa da Argentina no Maracanã, o atleta que tornaria a Alemanha tetracampeã mundial de futebol!

G1