terça-feira, 20 de novembro de 2018

No som do atabaque, um dia para homenagear o exemplo de Zumbi

Carlos Newton


Símbolo da luta negra contra a escravidão e pela liberdade de seu povo, Zumbi dos Palmares foi morto no dia 20 de novembro de 1695. A data de seu falecimento é lembrada nacionalmente como o Dia da Consciência Negra, um momento de reflexão sobre a relevância da população africana e seu impacto nos mais diversos campos da cultura brasileira, como política, cultura e religião, entre outras.
Neste sentido, o advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres, fez a letra de “Atabaque”, que lembra o tempo da escravidão. A letra foi musicada por Jorge Laurindo.

ATABAQUE

Jorge Laurindo e Paulo Peres

Este bocejo da noite é banzo
Engasgando profecias na senzala
Como as mãos da África, África,
Silenciou no adeus

“Atabaqueia” atabaque distante:
Axé, agô-iê, axé com fé….

Esta força, raça, canta e luta
Como Zumbi nos Palmares lutou.
Este gemido do açoite na alma
Qual sentinela de preço vil
Moldurou o libertar futuro

Era rei virou escravo
Quão errante terra branca
Soluçou-lhe cativeiro

Tribuna da Internet

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Desesperadamente romântico, Bandeira fazia versos como quem morre…

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta pernambucano Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1866-1968), no poema “Desencanto”, confessa sua dor, sua amargura e seu desalento para a vida.

DESENCANTO
Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
– Eu faço versos como quem morre.


Tribuna da Internet

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

História do Halloween

Daniela Diana / Professora licenciada em Letras



O Halloween, chamado de Dia das Bruxas no Brasil, é uma festa com temas sombrios e comemorada anualmente em 31 de outubro.

Origem do Halloween

A origem da festa do Halloween possui uma grande trajetória, visto ser praticada há mais de 3 mil anos.
Ela surgiu com os celtas, povo que era politeísta e acreditava em diversos deuses relacionados com os animais e as forças da natureza.
Os celtas celebravam o festival de Samhain, o qual tinha a duração de 3 dias, com início no dia 31 de outubro. Nela, além de se comemorar o fim do verão, comemorava-se a passagem do ano celta, que tinha início no dia 1 de novembro.
Acreditava-se que nesse dia os mortos se levantavam e se apoderavam dos corpos dos vivos. Por esse motivo, eram usadas fantasias e a festa era repleta de artefatos sombrios com o intuito principal de se defenderem desses maus espíritos.
Mais tarde, durante a Idade Média, a Igreja começou a condenar o evento, e daí surgiu o nome “Dia das Bruxas”.
Durante o Medievo, os curandeiros eram considerados bruxos e por se posicionarem contra os dogmas da Igreja, eles eram queimados na fogueira.
Assim, na tentativa de afastar o caráter pagão da festa, a igreja promoveu alterações no calendário, de modo que o Dia de Todos os Santos passou a ser comemorado no dia 1 de novembro, o que antes acontecia no dia 13 de maio.
Daí que o nome Halloween decorra da junção das palavras hallow, que significa "santo", e eve, que significa "véspera".
Com a colonização das terras americanas, a tradição foi incluída na cultura da América, sobretudo nos Estados Unidos.
TodaMatéria

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Back-Ropers: 1909

Shorpy

Um diálogo poético entre João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O diplomata e poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999) sentiu, naquela segunda-feira, como é “Difícil Ser Funcionário” e telefonou para o amigo Carlos, o Drummond de Andrade, para pedir conselhos.
DIFÍCIL SER FUNCIONÁRIO
João Cabral de Melo Neto

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tampouco estas palavras –
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulo para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança.

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar…
Fazer seu nojo meu…

Carlos, dessa maneira
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.


Tribuna da Internet