quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A Canção do Bêbado, na visão lúgubre do poeta Cruz e Sousa

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis, tornou-se conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, seu “arcanjo rebelde”, seu “esteta sofredor”, seu “divino mestre”. Procurou na arte a transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social. No poema “Canção do Bêbado”, Cruz e Souza relata a degradação de um homem em decorrência do alcoolismo, do pessimismo, da tragédia afetiva, da opção pela vida fantasiosa, da depressão associada a bebida e da dúvida que, consequentemente, o levará à morte.

CANÇÃO DO BÊBADO
Cruz e Sousa

Na lama e na noite triste
aquele bêbado vil
Tu’alma velha onde existe?
Quem se recorda de ti?

Por onde andam teus gemidos,
os teus noctâmbulos ais?
Entre os bêbados perdidos
quem sabe do teu – jamais?

Por que é que ficas à lua
Contemplativo, a vagar?
Onde a tua noiva nua
foi tão cedo depressa enterrar?

Que flores de graça doente
tua fronte vem florir
que ficas amargamente
bêbado, bêbado a vir?

Que vês tu nessas jornadas?
Onde está o teu jardim
e o teu palácio de fadas
meu sonâmbulo arlequim?

De onde trazes essa bruma
toda essa névoa glacial
de flor de lânguida espuma
regada de óleo mortal

Que soluço extravagante
que negro, soturno fel
põe no teu doudejante
a confusão da Babel?

Ah! das lágrimas insanas
que ao vinho misturas bem
que de visões sobre-humanas
tua alma e teus olhos têm!

Boca abismada de vinho
Olhos de pranto a correr
bendito seja o carinho
que já te faça morrer!

Sim! Bendita a cova estreita
mais larga que o mundo vão
que possa conter direta
a noite do teu caixão!


Tribuna da Internet

Boylston in Boston: 1910

Shorpy

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Washington Crossing: 1911

Shorpy

Na receita de felicidade de Clarice Lispector, somente há coisas simples

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920/1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, sustenta que “O Sonho” é para ser praticado durante a vida, juntamente com muita felicidade.
O SONHO
Clarice Lispector

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.


Tribuna da Internet

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Na era da escravatura, o que mais brilhava era a escuridão, dizia Castro Alves

O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) é símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”. No poema “Antítese”, justifica o emprego do título pela descrição oposta, contrária entre homem branco (livre) e o negro (escravo).
ANTÍTESE
Castro Alves

Cintila a festa nas salas!
Das serpentinas de prata
Jorram luzes em cascata
Sobre sedas e rubins.
Soa a orquestra … Como silfos
Na valsa os pares perpassam,
Sobre as flores, que se enlaçam
Dos tapetes nos coxins.

Entanto a névoa da noite
No átrio, na vasta rua,
Como um sudário flutua
Nos ombros da solidão.
E as ventanias errantes,
Pelos ermos perpassando,
Vão se ocultar soluçando
Nos antros da escuridão.

Tudo é deserto. . . somente
À praça em meio se agita
Dúbia forma que palpita,
Se estorce em rouco estertor.

— Espécie de cão sem dono
Desprezado na agonia,
Larva da noite sombria,
Mescla de trevas e horror.

É ele o escravo maldito,
O velho desamparado,
Bem como o cedro lascado,
Bem como o cedro no chão.
Tem por leito de agonias
As lájeas do pavimento,
E como único lamento
Passa rugindo o tufão.

Chorai, orvalhos da noite,
Soluçai, ventos errantes.
Astros da noite brilhantes
Sede os círios do infeliz!
Que o cadáver insepulto,
Nas praças abandonado,
É um verbo de luz, um brado
Que a liberdade prediz.


Tribuna da Internet

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Hollywood and Vine: 1963

Shorpy

“As coisas que rolam na serra são fortes como suas pedras”, diz o compositor

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta  João Batista Gomes do Amaral, que adotou o pseudônimo de Johnny do Matto, natural de Campos dos Goytacazes (RJ), tem mais de duzentas músicas, entre elas, “Degraus Para As Nuvens”, que mostra a sua alegria de estar e encontrar amigos pelas montanhas das cidades mencionadas na letra. Esta música foi gravada pelo grupo Cambada Mineira, em 2000, no CD Cambada Mineira 2, produção independente.

DEGRAUS PARA AS NUVENS
Johnny do Matto
Nunca me falta alegria
Quando eu estou na montanha
Nunca me faltam amigos
Pra abraçar
Quero morar
Em São Tomé das Letras, Sana,
Maringá, Mauá, Maromba,
Em São Pedro lá da Serra!
Também na serra do Bocaina,
Ouro Preto, Tiradentes, Mirantão e no vale do pavão.
As coisas que rolam na serra,
São fortes como suas pedras,
Ficam gravadas em tantos corações!
Vou viajar
Pra Pouso Alegre, pra Serrinha,
Em Floriano as ruazinhas
São tão lindas de se olhar e andar.
Santa Isabel, Conservatória, Itatiaia,
Japuíba, Papucaia,
A noite em Maria da Fé.
As coisas que rolam na serra,
São fortes como suas pedras,
Ficam gravadas em tantos corações!


Tribuna da Internet

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Hélio Jaguaribe

Hélio Jaguaribe Gomes de Mattos (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1923 – 9 de setembro de 2018) foi um advogado, sociólogo, cientista político e escritor brasileiro.

Wikipédia



Sunnyside Mill: 1940

Shorpy