Fevereiro 29, 2008

The Doors

The Doors foi uma banda de rock estado-unidense dos fins da década de 60 e princípio da década de 70. O grupo era composto por Jim Morrison (voz), Ray Manzarek (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria). A banda ainda recebeu influências de diferentes estilos musicais, como o blues, jazz, flamenco e a bossa nova.

Canções como "Break on Through (To the Other Side)", "Light My Fire", "People Are Strange" ou "Riders on the Storm", aliadas à personalidade e escândalos protagonizados por Jim Morrison, contribuíram de sobremaneira para o aumento da fama do grupo.

Após a dissolução da banda no início da década de 70, e especialmente desde a morte de Morrison em 1971, o interesse nas músicas dos Doors tem-se mantido elevado, ultrapassando mesmo por vezes o que o grupo teve enquanto esteve ativo. Em todo o mundo, os seus discos já venderam mais de 75 milhões de cópias, e continuam a vender cerca de 1 milhão anualmente.

Reforma tributária de Lula aumenta carga de impostos, dizem especialistas

JORNALISTA DIEGO CASAGRANDE

A reforma tributária apresentada pelo governo federal abre brecha para o aumento da carga de impostos no país, alertam especialistas. Segundo eles, o governo não criou nenhum mecanismo na lei para garantir o contrário. O advogado tributarista Ives Gandra Martins está convencido de que a proposta de Lula vai obrigar os Estados produtores, que perderão com a unificação do ICMS, a compensar a redução de arrecadação com o aumento de outras alíquotas, o que não é vedado pela emenda da reforma.

"O discurso do governo era o de simplificação do sistema tributário. Mas o texto é, ao contrário, muito complexo. São 15 páginas de alterações. É mais que a Constituição dos Estados Unidos inteira", explica Gandra Martins. Opinião semelhante tem o coordenador da pós-graduação na área tributária do Ibmec-SP, Rodrigo Brunelli, Segundo ele, não há garantias de que a carga se manterá neutra. Isso porque o governo não fez nenhuma sinalização de quais serão as alíquotas dos impostos unificados.


Aversão ao dólar atiça o real, que reflete também as qualidades e defeitos da política econômica

CIDADE BIZ

Olha-se os EUA como um gigante enfermo prestes a entrar num período de grandes transformações

Antonio Machado

Dólar cotado abaixo de RS$ 1,70, assim como o primeiro déficit da balança comercial desde maio de 2002, é resultado das qualidades e defeitos do atual ciclo de crescimento da economia. Tais números não são para provocar calafrios. Tampouco se deve dar de ombros.

A apreensão com a fraqueza do dólar é geral no mundo, não somente no Brasil. O euro, por exemplo, está cada vez mais forte e varou esta semana, pela primeira vez desde seu lançamento em janeiro de 1999, a cotação de US$ 1,50. Lá e cá a bronca é a mesma: o dólar depreciado encarece as exportações em euros (ou reais) para os EUA e aos países cujas moedas estão coladas à dos EUA, como a China – e logo ela, um competidor frio e implacável em todos os mercados.

Além disso, se o dólar perde a referência como reserva de valor - e crescem os sinais de retomada da inflação nos EUA justo quando o Federal Reserve promove injeções maciças de liquidez para impedir uma crise bancária, derruba os juros com o mesmo propósito e há um ajuste global dos preços do petróleo e das commodities agrícolas -, a lógica dos investimentos em ativos financeiros também muda.

O que não mudou é o cenário de imprudência visto nos cinco anos anteriores ao despertar da crise das hipotecas nos EUA, quando os mercados encharcados de liquidez e crédito farto e barato criaram oportunidades de ganhos com papéis derivados da securitização de fluxos de caixa que pareciam infinitas e sem risco.

Sem fim não era, como se viu, mas sem risco não está todo errado, já que nos EUA e na Europa, ao primeiro sinal de tontura de seus bancos, os bancos centrais correram em socorro. E fazer o que? Os bancos em toda parte, privados ou não, são instrumentos de Estado e solidários com a confiança da moeda.

Então, o mesmo bombeamento de liquidez nos EUA que levou à bolha de hipotecas, e antes à das firmas de internet, mais atrás a outra febre imobiliária, está de volta. Na verdade, nunca cessou, dado os déficits americanos, só ficou mais caro. Mas, agora, as percepções jogam contra o dólar.

Olha-se os EUA como um gigante enfermo e talvez prestes a se vir forçado, depois da eleição presidencial de novembro, a entrar num período de grandes transformações. Uma está em curso, trazida como único benefício para os EUA da decadência do dólar: um novo alento de suas exportações e, pelo encarecimento da importação, a redução relativa do brutal déficit comercial do país.

Tal reversão, sem coordenação internacional, deixará subprodutos danosos nos EUA e nos países que não souberem se cuidar, como inflação e recessão.

Ilusão do real forte

Ninguém estará imune a tais movimentos, para o bem ou para o mal - nem o Brasil, que vive a ilusão do real forte. O medo do que não se conhece dita a prudência de sair do dólar e migrar para ativos tangíveis, como ações (não por acaso a IBM anunciou a recompra de US$ 15 bilhões de suas ações para reduzir o dinheiro em caixa), commodities e as moedas de países com contas externas ajustadas e altas reservas.

Se o juro dos papéis soberanos, de baixo risco e grande liquidez, forem dos mais atraentes, então, aí é pão quente no café da manhã: ninguém resiste. Está aí o novo anabolizante do real: o dinheiro externo fugindo do dólar.

Previsão antecipada

Várias consultorias previam que o câmbio poderia deslizar para o patamar de R$ 1,60, como a LCA, e já veio para R$ 1,67, voltando a se desvalorizar ao longo do ano, mas não muito, o suficiente para retornar à faixa de R$ 1,70/R$ 1,80.

Não supunham é que isso fosse ocorrer tão cedo. Mas ninguém imaginava que a crise das hipotecas subprime durasse tanto, contaminando o mercado financeiro dos EUA.

Motel para hot money

Mais que tudo é preciso muita calma nesta hora. Há relações de causa e efeito que explicam o real forte. Outras, nem tanto. Não é só por isso, por exemplo, que a importação cresce enquanto murcha, comparativamente àquela, a exportação de bens industriais. Isso é o que sempre ocorreu toda vez que o mercado interno se aqueceu.

Não há, afora na mineração e agricultura, capacidade ociosa para servir o consumo doméstico e exportações. Ocorre que o dólar recua no Brasil bem mais que em outros países, sinal de distorções que a política monetária não está contemplando. Qual? Adivinhe! A Selic, ora. Está 8,25 pontos percentuais acima do Fed Fund e 7,25 do juro básico na zona do euro. O real virou motel para o hot money.

Que ninguém se espante com uma onda de críticas. É compreensível. Muitas são válidas. A obsessão do Banco Central em manter na meta a inflação, razão da Selic recordista, é questionável num cenário de choque de preços agrícolas no mundo. A maioria dos países que adotam o regime de metas, por exemplo, não a cumpriu em 2007.

Outras críticas virão no piloto automático. O inconformismo de setores do governo com o relativo sucesso da diretriz neoliberal da política econômica, que põe em causa o construído alinhamento do presidente Lula com o campo da esquerda, é previsível. Não é nada que preocupe, mas seria evitável, até porque tal crítica está mal dirigida.

O real fraco, como pede a crítica, implica superávit fiscal, expressão maldita num governo seduzido pelo gasto público. Além disso, a exportação nunca foi, de fato, prioridade de longo prazo. O fato é que o país está bem, mas poderia estar muito melhor.

Iraque aprova execução de 'Ali Químico'

BBC BRASIL
Ali Químico
Ali Químico foi condenado à morte em junho de 2007

A Presidência do Iraque aprovou a execução de Ali Hassan al-Majeed, conhecido como “Ali Químico”, primo e um dos aliados mais próximos do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.

Al-Majeed, condenado por genocídio e responsabilizado pela morte de 100 mil curdos em uma campanha militar no norte do Iraque em 1988, a operação Anfal, deverá ser executado nos próximos 30 dias.

Al-Majeed ficou conhecido como “Ali Químico” pelo uso intenso de gás mostarda e outros elementos químicos na campanha contra os curdos.

Ele foi condenado em junho do ano passado junto a outros dois ex-colaboradores de Saddam, o chefe militar Hussein Rashid al-Tikriti, e o ex-ministro da Defesa Sultan Hashem.

Os três deveriam ter sido enforcados em outubro passado, mas a condenação de Hashem causou uma disputa política, depois que líderes sunitas afirmaram que ele não era moralmente culpado, pois “estava apenas cumprindo ordens”.

Críticas

Na ocasião, o vice-presidente sunita Tareq al-Hashemi se recusou a assinar a sentença. A Presidência então entrou em disputa com o primeiro-ministro, que também criticou a Embaixada americana por não entregar os três prisioneiros para a execução – eles permanecem sob poder dos Estados Unidos.

Agora o conselho da Presidência aprovou a sentença, mas apenas para "Ali Químico", cuja execução deve ser realizada nos próximos 30 dias, segundo as leis iraquianas.

O Blogueiro



Reforma tributária deve criar superimposto federal

ESTADÃO

IVA substituirá Cofins, PIS, Cide e salário-educação; governo prevê mecanismo para limitar carga tributária

Ribamar Oliveira, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A proposta de reforma tributária elaborada pelo governo prevê a criação de um superimposto federal, que segundo uma fonte econômica, será cobrado sobre "praticamente tudo". O Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) terá uma base de incidência mais ampla que a de todos os demais tributos do País e equivalerá às bases somadas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Serviços (ISS).

O IVA, de acordo com a emenda, incidirá sobre "operações com bens e prestações de serviços, ainda que as operações e prestações se iniciem no exterior". Foi justamente por causa da amplitude da base do tributo e das possibilidades de aumento de receita do Tesouro Nacional que o governo incluiu na proposta um mecanismo para limitar a carga tributária.

Pelo texto, lei complementar determinará "limites e mecanismos de ajuste da carga", para que a arrecadação obtida pelo novo imposto não seja maior do que a das quatro contribuições que ele substituirá - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que é cobrada sobre combustíveis, e o salário-educação.

O Ministério da Fazenda explicou que o IVA terá duas ou três alíquotas, o que permitirá calibrar a tributação de cada setor da economia. A avaliação da equipe econômica é que foi justamente por prever uma única alíquota que a transformação da Cofins em um tributo não cumulativo provocou grande confusão. Parcela significativa das empresas preferiria continuar no regime cumulativo.

Nas discussões internas, o governo trabalha com a hipótese de utilizar a menor alíquota do IVA para o setor de serviços, para que sua carga não aumente. Mas essa definição terá de ser feita por lei complementar, já que a emenda não estabelece o número de alíquotas do imposto. A proposta de reforma prevê ainda que o IVA será regido pelo princípio da noventena, ou seja, mudanças de alíquotas passam a valer 90 dias depois de aprovadas pelo Congresso, e não no ano seguinte.

Outra novidade da proposta é a permissão para que empresas possam obter créditos do novo IVA e do novo ICMS com a aquisição de "bens de uso e consumo". Até agora, apenas a compra de máquinas e equipamentos permitia a desoneração dos dois tributos.

A Lei Kandir tentou desonerar os "bens de uso e consumo" da incidência do ICMS, mas os governadores não aceitaram, com o argumento de que seus Estados teriam perda de receita de R$ 17 bilhões. O Ministério da Fazenda acredita que o novo modelo tributário permitirá receita suficiente para que essa desoneração seja feita.

O Blogueiro

Herman Hollerith

Herman Hollerith (29 de Fevereiro de 1860, Buffalo, Nova York - 17 de Novembro de 1929) foi um empresário americano e o principal impulsionador do leitor de cartões perfurados, instrumento essencial na época para a entrada de informação para os computadores da época. Ele foi também um dos fundadores da IBM, um homem de mente aberta, precursor do processamento de dados.

Cartão perfurado

Utilizando o princípio descoberto por Jacquard para comando automático de teares, Hermann Hollerith - funcionário do United States Census Bureau - inventou, em 1880, uma máquina para realizar as operações de recenseamento da população. A máquina fazia a leitura de cartões de papel perfurados em código BCD (Binary Coded Decimal) e efectuava contagens da informação referente à perfuração respectiva. O sistema foi patenteado em 8 de junho de 1887. A informação perfurada no cartão era lida numa tabuladora que dispunha de uma estação de leitura equipada com uma espécie de pente metálico em que cada dente estava conectado a um circuito eléctrico.

Cada cartão era colocado sobre uma taça que continha mercúrio e que estava conectada também ao mesmo circuito eléctrico do pente. Quando o pente era colocado sobre o cartão os dentes que atravessavam as perfurações fechavam o circuito eléctrico que accionava os contadores respectivos. O contador visualizava o resultado da acumulação pelo deslocamento de um ponteiro sobre um mostrador.

Invenções e negócios

Hollerith construía maquinas sob encomenda para o United States Census Bureau, que foram usadas para calcular o censo de 1890 em apenas 2.5 anos. O censo de 1880 demorou 7 anos. Ele começou seu próprio negócio em 1896 quando fundou a Tabulating Machine Company. Os maiores centros de censo do mundo alugavam seus equipamentos e compravam seus cartões, assim como as companhias de seguros. Para fazer seu sistema funcionar ele inventou o primeiro mecanismo de cartões perfurados, permitindo um operador treinado processar 200 a 300 cartões por hora e um tabulador. O tabulador 1890 era especificamente criado para operar apenas cartões do censo de 1890. Um painel de fios em seu tabulador 1906 Type I permitiu ele executar diferentes trabalhos sem a necessidade de ser reconstruído, considerados os primeiros passos em direção a programação. Estas invenções foram uma das fundações da moderna indústria de processamento de informações.

Em 1911, quatro corporações, incluindo a firma de Hollerith, se fundiram para formar a Computing Tabulating Recording Corporation. Sob a presidencia de Thomas J. Watson, ela foi renomeada para IBM.

O Blogueiro

Fevereiro 27, 2008

Dexter Gordon

Dexter Gordon (27 de Fevereiro de 192325 de Abril de 1990) foi um músico de jazz estadunidense, considerado um dos pioneiros do bebop. Entre 1940 e 1980 tocou com grandes nomes, tais como Lionel Hampton, Tadd Dameron, Charles Mingus, Louis Armstrong e Billy Eckstine. Também tocou, durante alguns meses de 1947, com a banda de Fletcher Henderson.

Gordon era considerado um virtuose, particularmente por seus duetos de saxofone com Wardell Gray, com o qual gravou vários albuns entre 1947 e 1952.

Fez diversas aparições em filmes durante a vida, dentre elas, a do filme The Connection, de 1960, do qual também compôs a trilha sonora. Depois disto, passou 15 anos residindo na Europa, principalmente em Paris e Copenhague. Neste período, retornou algumas vezes aos Estados Unidos para gravar. Os sete álbuns que lançou pela gravadora Blue Note Records neste período (Doin' Allright, Dexter Calling..., Go, A Swingin' Affair, Our Man in Paris, One Flight Up, e Gettin' Around) são considerados seus melhores trabalhos.

Em 1976 retornou aos EUA, se apresentando no clube de jazz Village Vanguard, com grande sucesso. Depois disto, lançou vários albuns pela Columbia Records.

Em 1986, no filme Round Midnight fez o papel de um músico de jazz, pelo qual recebeu uma indicação para o Óscar de Melhor Ator.

Relatório da ONU aponta características do Brasil: corrupto, violento e racista

JORNALISTA DIEGO CASAGRANDE

A Organização das Nações Unidas (ONU) finalizou um amplo estudo sobre a situação dos direitos humanos no Brasil. Os resultados não são nem um pouco alentadores. Nosso país é considerado "preocupante". Corrupção, racismo, tortura, impunidade e desigualdades sociais aparecem em destaque. O documento afirma que o país não cumpriu as recomendações feitas pela entidade em 2005. Entre as sugestões estavam o tratamento da impunidade no sistema judiciário, o problema da expulsão de indígenas de suas terras, o fim da tortura e superlotação nas prisões, além dos chamados "justiciamentos". O estudo será debatido na plenária da ONU em abril.

"A violência em todas as idades aumentou na última década, transformando o assunto em um dos mais sérios desafios enfrentados pelo país. Os homicídios de adolescentes entre 15 e 19 anos aumentaram quatro vezes nas últimas duas décadas, atingindo 7,9 mil em 2003", afirmou o Unicef, que contribuiu com o estudo. Ainda segundo o relatório, os homicídios podem chegar a 50 mil por ano, e a violência é a principal causa de morte entre cidadãos de 15 a 44 anos.

A ONU defende uma urgente reforma do sistema judiciário, o que acabaria contribuindo para lidar com a impunidade e a corrupção.

União Européia multa a Microsoft em US$ 1,3 bilhão em caso antitruste

IDG NOW!

Bruxelas - Europa multa a companhia pela terceira vez, pelo não cumprimento da decisão antitruste de 2004 até outubro do ano passado.

A Comissão Européia multou a Microsoft em 899 milhões de euros (1,3 bilhão de dólares) por continuar a falhar em respeitar a decisão de antitruste de 2004 contra a empresa, informou a Comissária para Competição Neelie Kroes nesta quarta-feira (27/02).

O principal órgão europeu para regulação da competição já havia multado a empresa em 777,5 milhões de euros – 497 milhões de euros na decisão original e 280,5 milhões de euros pelo não-cumprimento.

> Acompanhe o caso antitruste da MS na Europa

A última punição eleva a multa total para 1,7 bilhão de euros por um “claro desrespeito com suas obrigações legais”, disse Kroes em um anúncio à imprensa.

A Microsoft só se adequou à decisão de 2004 em 22 de outubro de 2007, portanto a multa é referente ao período em que a empresa deixou de respeitar os termos do acordo, disse Kroes.

A gigante do software passou os últimos quatro anos tentando evitar parte da decisão da Comissão Européia, que exigia o detalhamento de protocolos de comunicação usados pelo sistema operacional Windows a outros fabricantes, para garantir a interoperabilidade de produtos rivais com o programa.

A última multa pune a empresa por ter falhado em licenciar esses protocolos a um preço razoável para os desenvolvedores de código aberto.

A Microsoft afirmou que está avaliando a decisão da Comissão. "Essas multas são referentes a assuntos passados, que já foram resolvidos”, disse a empresa, em um comunicado. Estamos focando em passos para melhorar as coisas para o futuro.

Antecipando-se a novas multas, a empresa anunciou na última semana que vai realizar seu maior esforço para ajudar as empresas a tornar seus produtos compatíveis com seus softwares mais populares, como Windows e Office.

A Comissão reagiu com ceticismo, lembrando de promessas anteriores, e disse que a ação só contribui para uma das duas novas investigações abertas contra a empresa no último mês.

Os novos casos tem como base legal a decisão de 2004. Um deles diz respeito à interoperabilidade com o Office e o outro questiona o empacotamento do Internet Explorer com o Windows e seus efeitos para a competição em navegadores de internet.

Paul Meller, editor do IDG News Service, de Bruxelas



ASSASSINATOS POLÍTICOS NO BRASIL HOJE

FAZENDO MEDIA

Por Natalia Viana (*), de Londres

Passado o carnaval, é hora de encarar 2008, ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos. E o Brasil já entra na comemoração com um puxão de orelha: segundo relatório lançado pela organização internacional Human Rights Watch, a impunidade segue sendo o principal combustível das violações aos direitos humanos no país. O relatório diz ainda que o governo federal até tem ações em defesa dos direitos humanos, mas falha em não “apontar os responsáveis”.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, protestou, disse que é “óbvio” que há impunidade, mas que a coisa está mudando. Apesar da cara feia, o veredito da HRW é claro: o governo Lula, já no seu segundo mandato, não faz o suficiente para mudar esse quadro.

Se a impunidade reina, ela é ainda mais grave no caso dos assassinatos políticos de hoje em dia. A cada ano, centenas de militantes dos direitos humanos são vítimas de violência – muitos acabam assassinados – por estarem lutando por direitos expressos na Constituição. Infelizmente, ao permitir que essa rotina siga impune, nosso governo permite que a democracia brasileira continue sendo decidida a bala.

Isso porque o assassinato político não é só a morte de um militante, é um pouco a morte da causa que ele defende. Seu intuito é refrear a demanda legitima de um grupo representado por aquela pessoa. São os chamados defensores de direitos – no linguajar da ONU – ou militantes de movimentos sociais, tema do livro “Plantados no Chão”, que publiquei pela editora Conrad no ano passado.

Conseguimos listar mais de 180 casos de militantes assassinados somente durante o primeiro mandato de Lula. Para cada caso, um resumo, para cada resumo uma nova impunidade. Além disso, o livro relata com detalhe seis casos ocorridos em diferentes contextos – sindicalistas, sem-terras, militantes – dando especial atenção à lentidão judicial e à impunidade que acaba unindo todos eles num único drama. Por exemplo, no caso dos conflitos por terra, o livro conta o seguinte: de 1985 a 2006 haviam sido assassinados 1.464 trabalhadores; só 85 casos haviam ido a julgamento, e só 71 executores e 19 mandantes condenados. Desde então, a situação mudou pouco.

Está na hora de ampliar esse grito de indignação. A partir desta semana, o livro “Plantados no Chão” estará disponível para download gratuito no site www.conradeditora.com.br. Queremos que o seu conteúdo se espalhe bem mais do que seria possível no formato papel, para que esse debate encontre espaço nos mais diferentes cantos possíveis. Por isso, como autora, peço: baixe o livro, copie, imprima, critique, entre no debate. Espalhe.

Dá para acabar com esse ciclo de impunidade sim, desde que haja genuína disposição. A impunidade aos que matam quem defende direitos não pode mais ser, como disse o ministro Tarso Genro, um dado “óbvio”.

(*) Natalia Viana é jornalista. O livro “Plantados no Chão” pode ser baixado de graça no site www.conradeditora.com.br

Prosseguem as buscas a desaparecidos em acidente com helicóptero em Macaé

O GLOBO ONLINE

O Globo Online, Bom dia Rio, CBN e Aloysio Balbi - O Globo e Bruno Rosa - O Globo, enviado especial

Sobrevivente Sérgio Ricardo chega na noite desta terça ao Hospital Público de Macaé.  Foto de Fábio Rossi

RIO e MACAÉ - Três corpos de vítimas do acidente com um helicóptero a serviço da Petrobras em Macaé, no Norte Fluminense, já foram resgatados. O único oficialmente identificado é Marcelo Manhães dos Santos, de 28 anos, da empresa BSN, terceirizada da estatal. Ele era técnico em segurança de trabalho e morava em Rio das Ostras. O sepultamento será naquele município. Segundo a empresa, as buscas aos dois passageiros ainda desaparecidos continuam. Clique e confira a lista completa com os nomes das vítimas do acidente

O corpo de Marcelo foi resgatado ainda na terça. Na manhã desta quarta, foram localizados mais dois corpos, que estavam no interior da aeronave. De acordo com a Petrobras, durante toda a noite foram feitas buscas, que prosseguem nesta quarta com quatro embarcações equipadas com robôs submarinos para buscas no fundo do mar, oito embarcações de pesquisa de superfície e três helicópteros, além de duas aeronaves da Força Aérea Brasileira e um navio da Marinha.

O helicóptero a serviço da Petrobras fez um pouso forçado na Bacia de Campos, no Norte do estado. Havia 20 pessoas a bordo, sendo três tripulantes. Quinze foram resgatados com vida. A Petrobras divulgou que o co-piloto que conduzia o helicóptero, Sérgio Ricardo Muller, está internado no Hospital Municipal de Macaé, em condições estáveis. "As demais pessoas foram avaliadas com diagnóstico favorável, por equipe médica, em plataformas próximas ao local do acidente, e estão sendo desembarcadas das plataformas nesta quarta-feira", informou a empresa.

Sete sobreviventes deram entrada, na tarde desta quarta-feira, no hospital da Unimed de Macaé, onde estão internadas. São elas: a co-piloto da aeronave Daniele Madureira Neto; Sandro Venâncio, da empresa Accenture do Brasil; José Carlos Barreto do Nascimento, da Nadei Serviços de Alimentação; Jefferson Lemos Macedo, da Falcão Bauer; Marcos Antônio Rodrigues, da Sulcer Brasil S/A; Jaílson Moraes Bastos, da Techint S/A; e Wilson Ferreira da Silva, da Petrobras. Segundo o hospital nenhum deles corre risco de morrer.

Acidente ocorreu à tarde

O acidente aconteceu às 16h30m, no Campo de Marlim, na Bacia de Campos, a 109 quilômetros da costa. O helicóptero modelo Super Puma decolou da P-18 com destino a Macaé. Pouco depois da partida, a aeronave teve problemas e o piloto fez um pouso forçado no mar.

A empresa dona do helicóptero presta serviços para a Petrobras há 12 anos. A BHS informou que, na hora do acidente, transportava cinco passageiros a menos do que a capacidade permitida. Segundo a empresa, a aeronave foi fabricada em 2002 e passava por revisões quinzenalmente.

Em julho de 2004, outro helicóptero da BHS caiu próximo à plataforma P-31 matando cinco pessoas. As equipes de resgate continuam as buscas. A empresa HBS informou ainda que o helicóptero estava com as revisões em dia. Já a Petrobras divulgou que as condições do tempo eram favoráveis ao vôo.

A Polícia Federal deve abrir inquérito para apurar as causas do acidente, que também será investigado pela Marinha, Aeronáutica e a Policia Civil.A Petrobras instaurou uma comissão interna para acompanhar investigação do acidente.

O Blogueiro

O Estado chega à Amazônia

ESTADÃO

O poder público é um ente sui generis: existe quando quer; quando não quer, os seus condutores discursam, mas nada fazem. Segunda-feira foi um desses dias em que a ação falou mais alto. Depois de uma longa temporada de palavras fortes, seguidas, porém, de medidas em geral pontuais ou, pior, efêmeras, o governo federal começou a enfrentar à unha, com uma ação sem precedentes, os principais responsáveis pelo desflorestamento da Amazônia. Estes não são os pecuaristas e sojicultores, embora eles também tenham culpa no cartório. São as madeireiras, serrarias e carvoarias, alvo - já não sem tempo - do primeiro contra-ataque articulado e de longo alcance para coibir o que o chefe da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, denomina "crime permanente", que estanca quando a repressão entra em cena, episodicamente, para ressurgir "cada vez que o Estado sai".

O governo resolveu entrar e não sair, pelo menos antes de um ano, em 36 municípios da região que lideraram o vergonhoso ranking do desmatamento na segunda metade do ano passado - período que engloba os meses nos quais, revertendo a tendência recente, a destruição aumentou. O foco inicial da louvável intervenção chamada "Operação Arco de Fogo", a cargo de uma força-tarefa de 300 homens da Polícia Federal, Força Nacional de Segurança e Ibama (a se expandir, com o tempo), é o município paraense de Tailândia, de 67 mil habitantes, 235 quilômetros ao sul de Belém. Ali foram apreendidos na semana passada 15 mil metros cúbicos de madeira, sob violentos protestos da população. O lugar vive da cadeia produtiva, por assim dizer, do abate de árvores: nela se originam 70% dos recursos em circulação na cidade. "É uma atividade econômica", lastima o ministro da Justiça, Tarso Genro, "que se comunica com a subsistência."

Daí que um dos objetivos do programa, complementando a fiscalização, repressão e prevenção, é oferecer alternativas de sobrevivência às populações afetadas. Não será fácil, mas não há outra saída se se quiser cortar o mal pela raiz. Tailândia oferece o exemplo típico das dimensões da delinqüência estimulada pela crônica escassez ou mesmo ausência do poder de Estado. Segundo o Ibama, o estoque de madeira ilegal em poder das mais de 50 madeireiras locais é de 50 mil metros cúbicos - ou 3.500 caminhões carregados. Das 90 serrarias, só 21 têm licença para funcionar. Das inúmeras carvoarias, apenas 6 receberam alvará. Dias atrás, a Polícia Militar do Pará derrubou 140 fornos de uma única carvoaria clandestina. Estatísticas do gênero se repetem ad nauseam na maior parte da Amazônia Legal - a ironia da denominação dificilmente poderia ser maior - que compreende nove Estados.

Destes, Mato Grosso, Pará e Rondônia concentrarão as atenções do programa. Já no Acre, Amapá e Roraima, o desflorestamento é comparativamente muito menor. Seja onde for, no entanto, o combate eficaz ao desmatamento nas áreas de floresta densa não pode se limitar, evidentemente, ao imprescindível trabalho policial. São pelo menos dois os problemas de fundo, apontados pelo agrônomo e secretário estadual do Meio Ambiente, Xico Graziano, em artigo na edição de ontem deste jornal. Um é a demanda por lenho nobre, que alimenta a economia da tora. Nela, por sinal, a extração ilegal das melhores madeiras de lei ocorre antes da derrubada extensiva para a formação de pastagens. Só o Estado de São Paulo consome 15% dessas árvores de primeira linha. A construção civil e a movelaria deveriam usar produtos de floresta plantada, como pinus e eucalipto, exorta Graziano. "Ou se enfrenta a lógica dessa economia perversa ou nada restará da floresta amazônica."

O segundo problema está no Estatuto da Terra, dos anos 1960, que confunde floresta com terra improdutiva. Para ficar a salvo do risco de desapropriação, o comprador de uma extensão de mata virgem trata de derrubar o que puder o quanto antes - a menos que, averbada a Reserva Legal na escritura, o Incra fique impedido de considerá-la improdutiva para fins de reforma agrária. "A corrente da devastação", conclui o articulista, "somente se inverterá quando um pedaço da floresta, mantido em pé, valer mais do que tombado." Até lá, poder público e mercado terão um longo e atribulado caminho a percorrer.

Política de Sarkozy prejudica relações franco-alemãs

DW-WORLD

Governo francês cancela importantes encontros bilaterais franco-alemães. O distanciamento entre os dois países pode levar a crise na UE, principalmente após a França assumir a presidência do bloco, em julho próximo.

Após o cancelamento do encontro de cúpula franco-alemão, previsto para o início de março próximo, Paris suspendeu uma reunião entre o ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, e sua colega de pasta francesa, Christine Lagarde, programada para terça-feira última (26/02).

O cancelamento de duas importantes reuniões bilaterais, em poucos dias, demonstra o desgaste nas relações entre a França e a Alemanha. A justificativa do governo francês para o cancelamento de ambos os encontros foi "problemas de agenda".

Devido à luta política entre Paris e Berlim relativa à "União Mediterrânea", planejada por Sarkozy, e às disputas em torno do Banco Central Europeu (BCE), diplomatas temem uma verdadeira crise na União Européia, principalmente após a França assumir a presidência rotativa do bloco, em 1° de julho próximo.

"Encontros de Blaesheim"

Na semana anterior, o Palácio do Eliseu cancelara o encontro entre o presidente Sarkozy e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, em 3 de março, na Baviera. Desde 2001, os chefes de governo franco-alemães reúnem-se anualmente para uma troca informal de idéias nos chamados "Encontros de Blaesheim". Os colóquios visam uma coordenação mais estreita entre Paris e Berlim em temas políticos de grande importância.

Devido a "problemas de agenda" do presidente francês, a reunião foi postergada para junho. Merkel e Sarkozy deverão se encontrar, no entanto, para a abertura da feira de informática CeBIT, na noite de 3 de março, em Hannover.

Também sob a alegação de "problemas de agenda", foi cancelado de surpresa, nesta segunda-feira, o encontro entre o ministro Steinbrück e a colega de pasta Lagarde.

A ministra francesa da Finanças deverá acompanhar Sarkozy na campanha eleitoral para as eleições municipais de 9 e 16 de março. Devido à queda de popularidade do presidente, acredita-se que seu partido perderá diversas prefeituras.

Personalidades diversas

Segundo diplomatas da UE, a compreensão que existe entre França e Alemanha, em áreas como a política industrial e energética, não se repete nas relações exteriores.

Em julho deste ano, Sarkozy planeja fundar, com países do sul da Europa, a União dos Estados do Mediterrâneo. Berlim teme uma divisão da UE e exige, energicamente, que o enquadramento das instituições da UE seja respeitado.

Há anos França e Alemanha discordam quanto ao Banco Central Europeu (BCE). Enquanto Paris quer uma baixa de juros para o aquecimento da economia, Berlim descarta qualquer tipo de influência política sobre o BCE.

O distanciamento entre Merkel e Sarkozy é outro grande obstáculo às relações bilaterais. Ainda não está claro se o impulsivo francês conseguirá algum dia se entender com a reflexiva chefe do governo alemão.

Martin Koopmann, coordenador do programa de relações franco-alemãs da Sociedade Alemã de Política Internacional (DGAP), afirma que existe um "problema sério" nas relações bilaterais, devido também às "diferentes personalidades" de Merkel e Sarkozy.

"Paris não tem consideração por Berlim"

No contexto dos cancelamentos dos recentes encontros bilaterais, o porta-voz do governo alemão, Ulrich Wilhelm, salientou em Berlim que, apesar das esporádicas diferenças de opinião entre os dois países, França e Alemanha gozariam de boas relações. No entanto, o desgaste nos contatos franco-alemães não passou despercebido pela imprensa européia:

O jornal suíço Neue Zürcher Zeitung afirmou: "O fato de Sarkozy e Merkel não serem compatíveis em nível pessoal já era mais do que sabido, mas sem chegar a ser trágico. Entretanto, Paris não tem consideração por Berlim. Tanto no Tratado de Lisboa como na libertação das enfermeiras búlgaras, o chefe de governo francês sempre reivindicou para si a maior parte dos louros. O acúmulo de maus entendidos políticos começa a se refletir negativamente sobre o relacionamento bilateral."

O italiano La Repubblica vai mais além: "Apenas raramente houve uma tal era glacial nas relações franco-alemãs. A confiança mútua entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy parece abalada, o estado é de alerta [...] Dois encontros bilaterais foram cancelados e ninguém acredita realmente nas justificativas. [...] Na verdade, a crise é visível para todos, envolvendo tanto problemas políticos como um relacionamento pessoal difícil".

O Tagesspiegel berlinense citou Martin Schulz, chefe da banca social-democrata no Parlamento europeu: "Creio que Sarkozy se encontra em tão baixa forma, que essa fraqueza na política interna afeta as relações franco-alemãs".


O Blogueiro

3º choque do petróleo joga US$ 2 trilhões/ano no mundo e vai mudar o eixo do poder financeiro

CIDADE BIZ

Barril a US$ 100 eleva reservas totais a US$ 121 trilhões, criando um cenário de ameaça e oportunidade


Antonio Machado


A crise financeira nos EUA e em menor medida na Europa, que não dá sinais de abrandar, e o novo choque do petróleo, com o preço já tendo superado outro recorde absoluto ao atingir US$ 100 o barril, não param de chocar a economia global. Mas há em formação no mundo mais acontecimentos assombrosos e difíceis de lidar.

O petróleo a US$ 100 o barril eleva o valor das reservas provadas no mundo à estonteante cifra de US$ 121 trilhões, US$ 48 trilhões dos quais apenas entre os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo, GCC em inglês, integrado entre outros pela Arábia Saudita, Kuwait e Abu Dhabi, todos de cofres largos e economias minúsculas.

Tamanha riqueza, que já fazia dos países do Golfo Árabe clientes mais que especiais da banca no mundo, vai produzir um outro choque de proporções dantescas. Não de preços, como os ocorridos nos anos 70 e 80, marcando a alforria da OPEP, cartel dos países produtores de petróleo, em relação ao mundo industrializado, mas financeiro.

“É uma tsunami o que está vindo”, avisam os analistas Stephen Jen e Charles St-Arnaud, da sucursal londrina do Banco Morgan Stanley, depois de atualizarem as estimativas da riqueza petrolífera. “Em resumo, preços altos de petróleo vão conduzir a uma significativa transferência de poder financeiro para os donos dos petrodólares.”

Se uma fração dessa dinheirama tomar o rumo do Brasil, aí é que o dólar vira pó e desaba do patamar de R$ 1,70, sustentado a duras penas pelo Banco Central. É ameaça e oportunidade ao mesmo tempo.

Nestes cenários de quebra de paradigmas, não se sabe o que virá. Sabe-se apenas que tudo o que sabe poderá perder sentido. O total das reservas conhecidas, por exemplo, supera em US$ 21 trilhões o valor de mercado de todas as ações e papéis de renda fixa emitidos no mundo. Só o fluxo anual das receitas de exportações de petróleo está avaliado em US$ 2 trilhões – muito dinheiro para países que, à exceção da Rússia, não têm onde gastar tal tsunami de riqueza.

Na projeção do Morgan Stanley, apenas 10% deverão ser investidos nos mercados domésticos dos próprios países produtores. O grosso acabará nos mercados financeiros globais, o que descortina outro problema cabeludo não tocado pelos analistas do Morgan: o destino que tomará essa massa de recursos. Esta não é uma questão trivial.

Os ativos financeiros da banca internacional estão sob suspeita. A influência política dos EUA legada pela era Bush é questionada em todo mundo. O dólar se derrete. E o euro não tem liquidez para assumir a função de meio de pagamento global e reserva de valor.

O que exige atenção

As atenções de todos os governos e empresas estão voltadas para as seqüelas da crise financeira nos EUA, que travou o mercado de crédito e insinua uma longa recessão. Em meio a este ambiente, há a aposta que se confunde com desejo de que as chamadas economias emergentes terão uma trajetória descolada do sofrimento dos EUA e talvez também da Europa.

É possível, mas sem clareza do que serão dos petrodólares qualquer projeção estará sujeita a frustração.

A primeira dúvida é se a recessão prevista para os EUA será aguda ou suave e rápida. O cenário do Morgan vira realidade apenas neste caso. Se for profunda, quebrará o ciclo altista do petróleo e possivelmente das demais commodities, ainda que China fique de pé.

Ou surfa ou se afoga

Ambos os cenários são cruciais para o Brasil, que ou os surfa ou se afoga. A ameaça está na liquefação do superávit comercial - uma hipótese concreta, apesar dos preços recordes das commodities. O drama é que as importações crescem ao ritmo de Fórmula 1, 51% no acumulado do ano até hoje, e as exportações, de um carro 1.0, 22%.

Com mercado interno bombando, real caro e com tendência de maior apreciação, o déficit nas contas correntes poderá chegar mais cedo à balança comercial. Que não por acaso registrou na quarta semana de fevereiro o primeiro déficit desde maio de 2002.

Tem de correr atrás

A oportunidade está na conformação do risco no mercado financeiro global, especialmente nos EUA. Hoje, evitam-se os papéis tóxicos e se priorizam ativos expostos outra vez à economia real.

Os fundos soberanos, que vêm sendo veículos de investimento das reservas dos países novos ricos do mundo, foram às compras nos EUA. Mas poderão investir no Brasil, se lhes forem oferecidos projetos rentáveis. E o governo correr atrás. A competição pelos petrodólares já é real.

No primeiro choque do petróleo, os países da OPEP deram mandato à banca inglesa e dos EUA para reciclar petrodólares em empréstimos bancários. Depois do segundo choque, a banca trocou os empréstimos por operações estruturadas em que o devedor emite papéis e a banca os subscreve em nome dos clientes, tornando-se mera intermediária.

Foi assim que se chegou ao estágio de financeirização da economia global, mais nos EUA que no resto do mundo, que será uma ameaça se infectar o comércio internacional. Liquidez farta de um lado, boa parte dos petrodólares e das reservas da China e Japão, e déficits dos EUA de outro fizeram da distorção um casamento de conveniência - que perdeu a graça por causa da intensa desvalorização do dólar e das perdas bancárias.

Se tais interesses se divorciarem, virá o imponderável. Se o fizerem litigiosamente, não só a economia, mas a ordem global estará ameaçada. Inserimos-nos neste contexto.




Barril do petróleo bate novo recorde e passa de US$ 102

BBC BRASIL

carro sendo abastecido
Investidores temem escassez na produção

O preço do barril do petróleo bateu um novo recorde nesta quarta-feira ao ser negociado em US$ 102,08 no pregão eletrônico da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex).

A nova alta se sucede ao recorde batido na terça-feira, quando o barril do petróleo leve chegou a US$ 101,43.

Após a abertura do pregão da Bolsa Intercontinental (ICE, em Londres), nesta quarta-feira, o petróleo Brent, referencial na Europa, estava sendo negociado a US$ 100,53 o barril, após ter fechado a terça-feira na marca dos US$ 99,47.

Os altos preços são impulsionados pela incerteza acerca da reunião dos membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que no dia 5 de março devem anunciar, em Viena, uma redução na produção de petróleo.

“Parece que a Opep está relutante em ouvir os pedidos dos líderes ocidentais para acrescentar mais barris no mercado com o objetivo de aliviar os preços”, disse Robert Laughlin, da consultoria MF Global.

Dólar desvalorizado

A desvalorização do dólar - pelo qual a commodity é cotada - diante de outras moedas também é um fator que empurra os preços do petróleo para cima, além dos fortes temores de uma alta da inflação dos EUA em janeiro.

“O dólar enfraquecido diante do euro e as projeções indicando que houve alta na inflação americana em janeiro também são um agravante”, disse Victor Shum, analista de energia na Purvin & Gertz, em Cingapura.

As altas do petróleo também puxaram as principais bolsas européias para baixo nesta quarta-feira. O índice FTSE, da Bolsa de Londres, operava em baixa de 0,75% às 12h30 (9h30, no horário de Brasília).

Em Paris, as ações acumulavam perdas de 0,65% e a Bolsa de Frankfurt recuava 0,52%.

O Blogueiro


Lúcio Costa

Lucio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa (Toulon, França, 27 de fevereiro de 1902Rio de Janeiro, 13 de junho de 1998) foi um arquiteto e urbanista brasileiro.

Pioneiro da arquitetura modernista no Brasil, ficou conhecido mundialmente pelo projeto do Plano Piloto de Brasília, Lucio Costa cresceu em diferentes países devido às atividades oficiais de seu pai, o almirante Joaquim Ribeiro da Costa, o que lhe rendeu uma formação bastante pluralista. Estudou na Royal Grammar School em Newcastle, no Reino Unido, e no Collège National em Montreux, na Suíça.

Retornou ao Brasil em 1917 e, mais tarde, passou a freqüentar o curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes, que ainda aplicava um programa neoclássico de ensino. Apesar de praticar uma arquitetura neoclássica durante seus primeiros anos (defendendo em certos momentos uma arquitetura neocolonial), Lucio Costa rompeu com essa formação historicista da escola e passou a receber influências da obra do arquiteto franco-suíço Le Corbusier.

Iniciou parceria com o arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik, que construiu o primeiro projeto modernista no Brasil. Em 1932 foi nomeado por alguns meses como diretor da Escola Nacional de Belas Artes, onde implantou um curso de arquitetura moderna. Entre seus alunos estava o jovem Oscar Niemeyer.

Sabendo da importância de sua geração na mudança dos rumos culturais do país, Costa convenceu Le Corbusier a vir ao Brasil em 1936 para uma série de conferências (enquanto colaborava no projeto da sede do recém-criado Ministério da Educação e da Saúde). A arquitetura moderna do projeto ia ao encontro dos objetivos da ditadura Vargas ao passar ares de modernidade e progresso ao país. Costa, embora convidado a projetar o edifício sozinho, preferiu dividir o projeto com uma equipe que incluía o seu antigo aluno Oscar Niemeyer e os seus sócios Carlos Leão, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira e Affonso Eduardo Reidy.

Em 1938 foi co-autor do pavilhão brasileiro para a Feira Universal de Nova Iorque juntamente com Oscar Niemeyer.

Em 1957, ao ser lançado o concurso para a nova capital do país, Costa enviou idéia para um anteprojeto, contrariando algumas normas do concurso. Apesar disso, venceu por quase unanimidade (apenas um jurado não votou nele), sofrendo diversas acusações dos concorrentes. Desenvolveu o Plano Piloto de Brasília e, como Niemeyer, passou a ser conhecido em todo o mundo como autor de grande parte dos prédios públicos.

Após Brasília, recebeu convites para coordenar vários planos urbanísticos, no Brasil e no mundo.

Foi colaborador e diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Lucio Costa faleceu na capital fluminense, onde residiu a maior parte da vida. Deixou duas filhas, Maria Elisa Costa, arquiteta, e Helena.

O Blogueiro

Fevereiro 23, 2008

O fim das ameaças à imprensa

ESTADÃO

É de se perguntar por que tardou tanto a começar - aos 19 anos e 8 meses de vigência da Constituição do Brasil democratizado - a remoção do mais tóxico dos entulhos deixados pela ditadura militar, a Lei de Imprensa, sancionada em fevereiro de 1967. Qualquer que seja a resposta, a demora é mais uma demonstração de que, no Brasil, as transformações institucionais modernizadoras nunca são prioridade dos que estão no governo. Não fosse o que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) considerou "uma campanha coercitiva contra os meios de comunicação sem precedentes no País" - os 56 sincronizados pedidos de abertura de processo por dano moral contra dois jornais e uma agência noticiosa, subscritos por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus -, sabe-se lá quanto tempo ainda passaria até que se pudesse comemorar o fim das ameaças à liberdade de imprensa que, por interferência de forças ocultas (mas nem tanto), continuaram pairando no ar depois de promulgada a Constituição Cidadã.

Mas o fato é que, meras 48 horas depois de o deputado Miro Teixeira, em nome do seu partido, o PDT, requerer ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revogação da lei autoritária - no mesmo dia em que o presidente Lula defendeu em público a chicana da Universal -, o relator da matéria, ministro Carlos Ayres de Britto, concedeu liminar que suspende no todo ou em parte uma vintena dos seus 77 artigos. Mais: ele determinou a paralisação imediata dos processos abertos com base nos artigos visados, bem como de suas conseqüências eventualmente em curso.

"Imprensa e democracia", ponderou Britto, "são irmãs siamesas." E fez uma frase que irá para a história da afirmação das liberdades civis no Brasil: "O que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja." É bem verdade que a liminar incide, entre outros, sobre dispositivos que o STF, em decisões tópicas, já considerara incompatíveis com a Carta de 1988.

A diferença é que a iniciativa de Miro Teixeira, se for acolhida pelo Supremo no julgamento do mérito ainda sem data marcada, validará a premissa de que a Constituição prevalece sobre uma lei que não só lhe é antagônica, como tampouco se justifica a qualquer título. Nas democracias em que o princípio da liberdade de expressão e o direito à informação coexistem, embora não sem tensões, com o direito à reparação por lesões à honra, imagem e intimidade, os Códigos Civil e Penal devem ser suficientes para punir as transgressões da mídia. Se a legislação comum brasileira não o for, que se a aperfeiçoe. Inadmissível, como assinalou o ministro Britto, citando o artigo 220 da Constituição, é restringir "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo".

Rigorosamente coerente com a Lei Maior, a liminar derruba as punições a jornalistas por supostos delitos de imprensa - mais severas, aliás, do que as previstas no próprio Código Penal, no capítulo dos crimes contra a honra (por exemplo, 3 anos de detenção em vez de 2, em casos de calúnia). Caem também as multas por notícias falsas, deturpadas ou ofensivas à dignidade alheia; a imunidade de altas autoridades da República à exceção da verdade; e a apreensão sumária de periódicos por subversão da ordem política e social ou por ofensa à moral e aos bons costumes. Um dos artigos suspensos é o que permite a censura a espetáculos e diversões. Outro é o que proíbe a estrangeiros a propriedade de organizações de comunicação de massa. Em relação a ambos, a liminar cria um ruído jurídico, dado que a Constituição deles já trata (a censura é admitida e a participação estrangeira, aceita, até o limite de 30% do capital da empresa).

O essencial é que a abolição da Lei de Imprensa, se se concretizar, não tornará a mídia inimputável nem premiará a leviandade jornalística. Em contrapartida, fará cessar a "escalada de intimidação", como apontou o deputado Miro Teixeira, "que tem efeitos mais agudos contra os veículos de pequeno e médio portes, muitas vezes distantes da fiscalização popular dos grandes centros".

E, acima de tudo, consagrará a visão contemporânea das condições para o exercício legítimo da atividade informativa, enunciadas pelo ministro Ayres Britto: "A imprensa não é para ser cerceada. Não é para ser embaraçada. É para ser facilitada e agilizada."

Louvre é o 'melhor museu de arte do mundo', diz pesquisa

BBC BRASIL

Museu do Louvre
Museu do Louvre, em Paris, foi lar dos reis da França
O Museu do Louvre, na França, foi considerado o melhor museu de arte do mundo, segundo uma pesquisa online realizada pela empresa Trip Advisor.

A empresa divulgou uma lista com os dez mais votados e afirmou que "o antigo palácio fortificado, que foi lar dos reis da França, é hoje o museu mais famoso do mundo, abrigando algumas das maiores peças de arte, como a Venus de Milo e a Mona Lisa".

Os Museus do Vaticano, em Roma, aparecem em segundo lugar. Considerada "uma experiência religiosa" para muitos internautas, a coleção da Igreja Católica reúne obras-primas de Leonardo da Vinci, Rafael e Michelangelo, que pintou o teto da Capela Sistina.

Os Top 10
1. Museu do Louvre, Paris
2. Museus do Vaticano, Roma
3. Metropolitan Museum of Art, Nova York
4. J Paul Getty Center, Los Angeles
5. Museu d'Orsay, Paris
6. Uffizi Gallery, Florença
7. Art Institute of Chicago
8. Tate Modern, Londres
9. Museu do Prado, Madri
10. National Gallery of Art, Washington
Fonte: Trip Advisor

"A quantidade de história e arte concentrada no museu (do Vaticano) é fascinante, dos afrescos às estátuas, cada canto, até o chão, é um tesouro", disse um dos internautas.

A terceira posição ficou com o Metropolitan Museum of Art, em Nova York.

O Tate Modern, em Londres, ocupa o oitavo lugar, e o National Gallery of Art, em Washington, ficou em décimo.

"Esses museus são verdadeiras destinações, já que os visitantes podem facilmente se perder dentro deles por pelo menos um dia", disse Michele Perry, diretora do departamento de comunicação do Trip Advisor.

O Blogueiro

PROPAGANDA CONTRA CUBA NO BRASIL NÃO VISA FIDEL CASTRO; O ALVO SÃO OS PRÓPRIOS BRASILEIROS

FAZENDO MEDIA

Por Luiz Carlos Azenha, de Washington (*)

Jon Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara, há alguns meses detonou uma reportagem de capa da revista Veja sobre Guevara. Anderson escreve para a revista New Yorker. Seus livros vendem milhões de cópias em todo o mundo. Como é que ele avaliou o texto de Diogo Schelp?

"O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é. Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado."

Anderson não é comunista. Não recebe dinheiro de Fidel Castro. É simplesmente um grande jornalista.

A resposta indigente do repórter da Veja incluiu uma ameaça de que o nome do escritor não apareceria mais nas páginas da revista brasileira - o que é indicativo da falta de noção de Diogo Schelp. Estou curioso para saber qual o impacto que a ameaça de Schelp teve nas vendas do escritor americano.

É esse jornalismo vagabundo, contaminado por objetivos políticos e ideológicos, que infelizmente tornou-se o principal produto da grande mídia brasileira - especialmente de Veja, O Globo e TV Globo.

Tive duas experiências marcantes em minha carreira. Uma delas foi ao desembarcar em Moscou, em 1985. Linda a cidade, especialmente a praça Vermelha, de madrugada. Mas a paranóia de um estado policial era evidente. E o estado de decomposição das instituições estava no ar. Embora Mikhail Gorbatchev já tivesse assumido o poder, a União Soviética tinha a feição de Leonid Brezhnev, o morto-vivo que foi mantido no poder muito além de quando ainda tinha capacidade física e mental para governar.

Mais recentemente, fiquei surpreso ao desembarcar em Havana. Arquitetura dilapidada, transporte público caótico mas uma população surpreendentemente relaxada e alegre. Filmei à vontade. Conversei com os cubanos à vontade. E eles falaram mal do governo à vontade. E bem também. Conversei com dezenas de pessoas nas ruas.

Todas demonstraram grande admiração por Fidel Castro. Muitas se diziam amedrontadas com a ascensão de Raul Castro, visto no país como o "homem do paredão". Um dos momentos mais impressionantes foi a conversa que eu e minhas filhas tivemos com o dono de um pequeno restaurante. Ele lamentava que, aos 48 anos de idade, não tinha podido ainda sair do país.

"Não quero fugir para os Estados Unidos. Quero visitar o México, a Jamaica, quem sabe o Brasil". Fiquei com a clara impressão de que Fidel Castro produziu uma classe média educada e saudável que quer ir além dos slogans revolucionários. Os jovens não viveram o clima de guerra que cercou a ascensão de Fidel ao poder. Experimentam, sim, o boicote econômico dos Estados Unidos, que tenta estrangular a ilha desde os anos 60.

Os cubanos admiram as conquistas sociais, especialmente na Saúde e Educação. Eles são orgulhosos. Eu conheço quase toda a América Central. E digo, sem qualquer chance de errar, que os cubanos têm o melhor padrão de vida da região, comparável apenas ao da Costa Rica. Em comparação com a Guatemala, por exemplo, Cuba é um paraíso. E a Guatemala é uma "democracia plena" se considerarmos os padrões de Washington. E não há boicote americano à Guatemala.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Cuba é superior ao do Brasil, que tem um dos piores índices de distribuição de renda do mundo. A classe média de Cuba seria pobre no Higienópolis e no Leblon, mas seria rica na periferia das grandes cidades brasileiras. Rica, saudável e educada.

E isso não é irrelevante. Se fosse, a TV Globo não continuaria até hoje com suas peças de propaganda disfarçadas de Jornalismo. Depois de quase 50 anos no poder, a contínua necessidade de demonizar Fidel Castro é sinal de que ele continua incomodando. Mais recentemente, já afastado do governo, ele cantou a pedra: a produção de álcool de milho provocaria desabastecimento de alimentos. Na época, Fidel foi surrado pela mídia. Hoje está constatado que a produção de álcool a partir de milho fez disparar o preço do produto e causou inflação nos Estados Unidos. A fonte é o New York Times.

Dizer que os cubanos não querem liberdade de ir e vir ou de desenvolver suas próprias atividades econômicas é mentira. Cuba não é o paraíso vendido pela esquerda. Nem o inferno vendido pela direita. É um país de gente alegre, educada e saudável que tem grande ressentimento por não poder freqüentar as mesmas praias que os turistas estrangeiros - hoje a grande fonte de moeda forte do país. Fidel plantou as sementes que resultaram em uma geração que quer mudanças. Mas elas não virão de Washington, nem de Miami, nem de Brasília.

Se a sociedade cubana fosse vulnerável à propaganda do tipo que você vê hoje na TV Globo Fidel Castro já teria sido derrubado. O objetivo da propaganda não é derrubar Fidel. Ainda é a de evitar que ele sirva de exemplo. Isso diz mais sobre o Brasil e sua democracia para poucos do que sobre Cuba e Fidel Castro.

A mídia americana se comporta hoje como se o povo cubano fosse se levantar e derrubar o governo esta noite... É muita desinformação. Eles aqui se perguntam: como é que as emissoras da América Latina continuam no ar normalmente, sem interromper a programação para transmitir o que está acontecendo em Cuba? É que depois de tantos anos os americanos - e o Ali Kamel - passaram a acreditar na propaganda que promovem.

(*) Luiz Carlos Azenha é jornalista e editor do www.viomundo.com.br

Um país de muito passado agora tem algum futuro

REVISTA VEJA

O ditador entrega o comando direto do país ao irmão, abre
caminho para mudanças, mas fica ainda como um fantasma
assombrando o povo e preservando sua tenebrosa herança


Diogo Schelp

Reuters
Fidel Castro

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Nesta reportagem
Artigo - Reinaldo Azevedo: Fidel e o golpe da revolução operada por outros meios
Exclusivo on-line
Perguntas e respostas: Cuba sem Fidel

Em 1953, levado a julgamento pelo crime de ter enviado seus primeiros seguidores para um ataque suicida a um quartel, o jovem advogado Fidel Castro Ruz assumiu a própria defesa e o fez de forma magnífica. Antecipando a retórica magnética, grandiosa, arrogante mas farsesca que o caracterizaria pelo resto da vida política, disse aos juízes: "A história me absolverá". Passou-se mais de meio século e, aos 81 anos, conceda-se, Fidel está diante do tribunal da história. Visto o sofrimento que infligiu ao povo durante 49 anos como senhor absoluto de Cuba, a absolvição está fora de cogitação. Cabe recurso? Não dá mais tempo. Fidel está em fase terminal de uma grave doença e, na semana passada, anunciou que não mais concorreria à eleição indireta que escolhe o presidente e o comandante-em-chefe das Forças Armadas.

Seus apaniguados viram o gesto como prova de desprendimento do comandante e evidência de modéstia e renúncia pessoal em benefício da pátria. Tudo encenação. Nem que quisesse, a saúde debilitada e a velhice lhe permitiriam candidatar-se a algo mais do que uma vaga no jazigo dos heróis na Praça da Revolução. Diante de uma impossibilidade finge que está por cima. Vintage Fidel. Clássico Fidel. Vai anunciar o corte da cota de leite para a população adulta de Havana? Diga à multidão que não faltará leite para as crianças. Vai ter de recuar, desmontar os mísseis atômicos soviéticos e devolvê-los a Moscou? Diga que Cuba é soberana e pode ter as armas que quiser: "Os mísseis se vão. Mas ficam todas as demais armas" – como se isso fosse algum consolo. Mas as massas vão acreditar. Foi pego exportando terroristas para insuflar a subversão em outros países? Diga que, se quisesse mesmo fazer terrorismo, Cuba produziria "excelentes terroristas, e não esses incompetentes que foram presos". Está difícil explicar a miséria franciscana da economia cubana? Diga que quem está mal são os Estados Unidos ("os ianques estão falidos"), o Japão ("tenho pena dos japoneses") e a Europa ("o velho continente está esgotado"). Está prestes a morrer, não consegue caminhar nem discursar? Diga que vai apenas mudar de posto, mas que o combate continua.


Reuters
DAVI E GOLIAS
Enquanto Fidel reinou, os Estados Unidos tiveram dez presidentes. O clima de confronto com o vizinho poderoso fortaleceu o poder do ditador, que pode posar de Davi na luta contra Golias. Fidel em piscina em visita à Romênia, em 1972, e, abaixo, americanos assistem a discurso de Kennedy durante a crise dos mísseis, em 1962
Time & Life Pictures/Getty Images

Todo político tem de ser bom mentiroso. Para ser Fidel é preciso, no entanto, ser um grande farsante. Ele é um dos maiores que a história conheceu. É presidente de uma nação paupérrima, mas vive como um cônsul romano que come lagostas quase todos os dias? Negue: "Temos as lagostas mais doces do Caribe, mas não as comemos. Trocamos por leite para as crianças". Vive cercado de um aparato de segurança que parece um bunker ambulante? Invente que é um homem simples que às vezes anda só pelas ruas, como um filósofo peripatético absorto em uma paisagem idílica: "Outro dia, no México, ia só pela rua, só como uma pomba...".

Desde os primeiros momentos da revolução que o levou ao poder, em janeiro de 1959, Fidel mostrou a utilidade política de um grande fingidor. Quando começaram os julgamentos sumários com o objetivo de criar um clima de terror e matar os inimigos, e até alguns amigos políticos, Fidel não aparecia como carrasco (esse era o papel do argentino Che Guevara) nem como juiz. Fingia não se envolver. Em uma aparição famosa, ele vai ao tribunal do júri e faz um discurso mercurial: "Que esta revolução escape da maldição de Saturno. E que é a maldição de Saturno? É o dito clássico, o refrão clássico de que, como Saturno, as revoluções devoram seus próprios filhos. Senhoras e senhores deste tribunal, que esta revolução não devore seus próprios filhos". Lindo? Sim, mas era uma farsa. Naquele mesmo dia, dois jovens combatentes comunistas urbanos que não lutaram na guerrilha rural de Castro foram condenados à morte. A revolução devorava alguns de seus próprios filhos. Mas o que ficou? O discurso inflamado com referências eruditas. Funciona sempre? Não. Funciona em Cuba, que tem Fidel e algumas outras características que ajudam esse tipo de farsa a passar por verdade. Ajuda muito banir a imprensa, dominar a televisão e o rádio, proibir a entrada de jornais estrangeiros no país e impedir os cidadãos de viajar para o estrangeiro. Ajuda enjaular por tempo indeterminado, e sem juízo formado, toda a oposição. Ajuda muito abolir as liberdades individuais e ser o ditador de uma ilha, um país-cárcere. Eis a grande obra de Fidel Castro em meio século de governo. A história o absolverá? Difícil.


Divulgação
A OPORTUNIDADE
Resort da rede Meliá na ilha de Cayo Guillermo, em Cuba, proibido para cubanos: o crescimento da indústria do turismo, que recebe 2 milhões de visitantes por ano, é mérito de Raúl, que colocou militares aposentados para administrar o setor

Cuba tem um presidente, mas não uma Presidência. Fidel Castro é a revolução. Lealdade ao estado cubano é a lealdade a Fidel. Naturalmente, à medida que se aproxima o dia de seu desaparecimento, a questão da sucessão provoca tremenda incerteza e instabilidade potencial. Sobretudo porque em ditaduras personalistas a sucessão para valer geralmente só pode ocorrer depois da morte do grande cacique, mesmo que ele tenha passado muito tempo incapacitado de governar. A lenta agonia de Mao Tsé-tung e de Leonid Brej-nev congelou a China e a União Soviética por anos. O mesmo ocorre com Fidel. Em julho de 2006, sabendo-se entre a vida e a morte, ele foi forçado a delegar ao irmão, Raúl, o título de presidente em caráter provisório. O anúncio de que não mais voltará ao cargo ocorreu seis dias antes de a Assembléia Nacional aprovar o novo Conselho de Estado e seu presidente (o mais graduado título de Fidel desde que o Conselho foi estabelecido, em 1976). É quase certo que Raúl será confirmado no cargo. Mas os camaradas podem optar por um homem mais jovem, o vice-presidente Carlos Lage, 56 anos, de forma a evitar a necessidade de nova sucessão em curto prazo, já que Raúl está com 76 anos. É bem possível que Lage se torne, por enquanto, o número 2 de Cuba, o lugar até agora ocupado pelo primeiro-irmão. Toda a movimentação, no final das contas, faz parte do jogo de paciência. Enquanto estiver neste mundo, Fidel continuará a ser a voz forte nas decisões estratégicas.


AFP
O DESESPERO
Cubanos fogem para os Estados Unidos em um caminhão da década de 50 transformado em balsa, em 2003: 78 000 pessoas morreram na tentativa da travessia

O que será de Cuba depois que Fidel for se encontrar com Marx no céu dos comunistas? O regime cubano, da forma como nós o conhecemos, não pode sobreviver a seu criador. No dia seguinte ao funeral do "comandante-en-jefe", tudo parecerá no mesmo lugar – o Partido Comunista, a polícia política, os ministérios, a camarilha dirigente –, mas essa estrutura terá a consistência de um painel cenográfico. Fidel Castro liderou uma revolução cara à imaginação da esquerda latino-americana. Sobreviveu à inimizade dos Estados Unidos, lutou na linha de frente da Guerra Fria e, seu feito mais notável, sobreviveu ao colapso do patrono soviético. No curso dessa carreira, ele pegou uma ilha caribenha, cujo destino natural era a irrelevância, e a colocou no centro das preocupações internacionais. Não há ninguém com o currículo e o talento necessários para ocupar o posto de comandante-em-chefe e ser levado a sério pela população da ilha. Dois terços dos 11 milhões de cubanos nasceram depois de 1959 e não conheceram outro líder exceto Fidel. "Nos livros escolares, Fidel é enaltecido como o grande pai, aquele que trabalha dia e noite para proteger os cubanos", disse a VEJA o historiador argentino Carlos Malamud, do Instituto Real Elcano, em Madri.

Raúl ganha o cargo, mas falta-lhe o carisma necessário para ocupar o papel de pai da pátria que seu irmão encarna. A ilha foi submetida a um processo traumático por meio século. Fidel derrubou um sargento ignorante e corrupto, detestado pelos cubanos e desprezado pelo mundo. Não fez isso apenas com seu grupo de guerrilheiros barbudos em Sierra Maestra. A revolução cubana foi produto da vontade de uma frente ampla de estudantes, partidos políticos, organizações profissionais e contou com o entusiasmo da população cubana. O objetivo capaz de aglutinar toda essa gente era a restauração da constituição democrática de 1940, rasgada pelo ditador Fulgencio Batista. Fidel traiu todos eles. No fim de 1959, já tinha iniciado a repressão política. Dois anos depois, aproveitou-se das rivalidades da Guerra Fria para instalar o comunismo e se tornar cliente da União Soviética. Fuzilou antigos aliados, destroçou famílias e arruinou as esperanças de duas gerações de cubanos.

Quem pôde fugiu. Há 2 milhões de exilados – um em cada seis cubanos vive no exterior, uma proporção de exilados maior que a existente no Afeganistão, país devastado por trinta anos de guerra civil. O governo de Fidel Castro é agente do maior fracasso material da história das ditaduras latino-americanas. O comunismo foi formalmente estabelecido em abril de 1961. A economia planificada foi um desastre imediato. O racionamento de alimentos, que ainda persiste, começou no ano seguinte. O salário médio de um trabalhador cubano equivale a 10 dólares. A produtividade dos canaviais de Cuba, que já foi o maior produtor mundial, hoje é de 27.800 quilos por hectare, um índice baixíssimo. No Brasil, é de 73 900 quilos.

Cuba não teria sido o que foi nos últimos 49 anos se não fosse Fidel e, pelo mesmo motivo, está fadada a mudar com ele fora do poder. Não é fácil, pois a receita do desastre econômico está no coração do sistema político. Fidel jamais pretendeu estabelecer uma economia socialista com padrão mínimo de racionalidade e produtividade, como tentaram os comunistas do Leste Europeu – ou como os chineses e os vietnamitas estão fazendo agora. Mercado e instituições são anátemas em sua ideologia. Em lugar disso, o comandante-em-chefe apostava na mobilização em massa a pretexto de defender a pátria e no esforço incondicional daqueles que lhe eram fiéis. O próprio Partido Comunista foi, durante bastante tempo, mero coadjuvante. Há mais de dez anos não realiza um congresso. Ele sempre se recusou totalmente a implantar as políticas macroeconômicas necessárias para aumentar o PIB e a produtividade, criar empregos, salários reais e, até mesmo, aumentar a arrecadação de imposto. Incapaz de produzir riqueza, Fidel só podia oferecer aos cubanos uma divisão mais ou menos equitativa da pobreza. Por muito tempo conseguiu convencê-los de que isso era uma virtude socialista.

AFP
NOVO PATROCÍNIO
O presidente Hugo Chávez, ao lado de Raúl Castro, entrega um quadro de presente a Fidel, em visita ao ditador doente em agosto de 2006: o venezuelano ajuda Cuba com petróleo subsidiado em troca de médicos e professores cubanos que trabalham na Venezuela. Raúl não vê com bons olhos a influência de Chávez sobre Cuba, mas não tem muita opção

Não é de surpreender que essa situação tenha dado origem a um mundo bipolar, o da dupla moralidade. Em público, os cubanos apóiam o comandante-em-chefe e o regime e defendem objetivos socialistas. Em particular, engajam-se em atividades ilegais, compram e vendem no mercado negro e planejam deixar o país. O fenômeno foi reconhecido pelo Partido Comunista na década de 90, mas este não conseguiu eliminá-lo ou não se esforçou para isso. Alegres apesar das agruras de um país aos pedaços, os cubanos são uma fonte inesgotável de piadas sobre as mazelas do regime. Um exemplo: na escola, perguntam ao menino quais são as três grandes conquistas da revolução. Ele responde prontamente que são a educação, a saúde e a seguridade social. Provocativa, a professora quer saber quais são os três defeitos. O aluno também os tem na ponta da língua: café-da-manhã, almoço e jantar. Visto de uma perspectiva egoística, o modo de governar adotado por Fidel foi um sucesso para ele próprio. Nenhum outro ditador de sua época permaneceu tanto tempo no poder. Ele sobreviveu à hostilidade de dez presidentes americanos. "Sem Fidel Castro, o regime cubano teria acabado junto com a União Soviética, quase vinte anos atrás", disse a VEJA a socióloga cubana Marifeli Pérez-Stable, vice-presidente do Diálogo Interamericano, um centro de análises políticas em Washington. Por outro lado, o estilo castrista é um problema para seus sucessores. Ninguém pode governar como Fidel governou, e não há acordo entre os camaradas sobre o melhor caminho a adotar.

Ela não vê perspectiva de democracia em Cuba em futuro próximo e também não está certa de que condições favoráveis à transição possam emergir a curto prazo. Na sua opinião, há quatro cenários possíveis para o futuro de Cuba.

• O primeiro é o desejado por Raúl Castro e muitos camaradas do Partido Comunista. Sem a presença de Fidel, seus membros poderiam enfim colocar em prática as reformas econômicas, copiando algumas medidas favoráveis ao mercado adotadas na China ou no Vietnã e mantendo intacta a estrutura política. Apesar de o partido conservar o monopólio do poder, haveria bastante liberdade econômica. Se der tudo certo, café-da-manhã, almoço e jantar deixarão de ser um problema para os cubanos.

• O segundo cenário é o almejado pelos cubanos exilados nos Estados Unidos. Com a saída de Fidel e uma ligeira abertura econômica, seu sucessor daria início à transição democrática. Novos nomes de dentro do regime e da sociedade civil ganhariam projeção política e começariam a pressionar o governo e a população não se daria por satisfeita apenas com a melhoria da qualidade de vida. Os sucessores de Fidel decidem não recorrer à repressão em massa, o que abre caminho para o estabelecimento da democracia a médio prazo.

• Uma terceira possibilidade seria que as reformas econômicas levadas a cabo pelos sucessores de Fidel se revelem lentas em produzir resultados. A população perde a paciência e protestos explodem nas cidades. A linha-dura propõe usar a força, mas os reformistas preferem negociar. Convocam um diálogo nacional e a transição para a democracia ocorre em ritmo acelerado.

• O último cenário é o mais caótico. O sucessor de Fidel é cauteloso desde o início, com medo de perder o controle. Não há abertura política ou econômica. Protestos populares espalham-se pela ilha. O Exército é chamado, cubanos fogem em massa para a Flórida. Uma intervenção americana ou de forças de paz da ONU não estaria fora de cogitação.

Depois de perder a mesada soviética, a economia cubana encolheu 35% entre 1989 e 1993. Muita gente esperou que Fidel fosse engolido pela queda do Muro de Berlim. Ele respondeu declarando um "período especial", com medidas austeras e reformas tímidas, mas pragmáticas. Sob o comando de Raúl e Lages, foram permitidas a abertura de restaurantes familiares, feiras livres para complementar a escassa ração oficial e a circulação de dólares. Também foram encorajados o turismo e os investimentos estrangeiros, principalmente em hotéis, minas de níquel e exploração de petróleo. O resultado foi que algumas pessoas melhoraram de vida. Fidel viu nisso uma afronta ao sacrossanto princípio da igualdade revolucionário. Em 1996, ele deu marcha a ré nas reformas. O investimento estrangeiro tornou-se mais seletivo. A repressão política intensificou-se e culminou com a prisão de 75 dissidentes em 2003, na maioria condenados a longas penas de prisão.

Hugo Chávez substituiu a União Soviética como provedor. Ele manda 92.000 barris diários a preços subsidiados para Cuba. Nos últimos dois anos, ajudou com 2,3 bilhões de dólares. Graças a Chávez, os cortes de energia elétrica tornaram-se raros. A China também ofereceu crédito farto. No momento, Cuba está trocando sua frota de ônibus e caminhões por veículos pesados. Para completar, o preço internacional do níquel subiu. Nada disso teve reflexo significativo no bolso dos cubanos. O salário médio é de 265 pesos, o equivalente a 10 dólares. Um médico pode ganhar 700 pesos. É o suficiente para comprar uma dúzia de frangos – se é que alguém viveria apenas de comer frangos. Raúl não é um reformista nem um democrata. É comunista desde a adolescência. Mas, ao contrário de Fidel, não tem uma visão ideológica dos problemas sociais. Pragmático, percebeu que o regime não sobrevive sem reformas econômicas e vê com admiração o sucesso da experiência chinesa. Desde 1959 ele dirige as Forças Armadas, instituição que, dentro do caos geral de que padece o país, funciona razoavelmente bem. O Exército transformou-se no pioneiro do capitalismo cubano, investindo na agricultura, no turismo e na indústria. Raúl cuida pessoalmente do turismo. Com 300 praias de areia branca e mar transparente, a ilha atrai 2 milhões de turistas por ano. Se o irmão morrer, ele estará livre para tentar um comunismo à chinesa no Caribe.

O desafio de suceder a Fidel é grande. O regime perdeu a lealdade dos jovens. Num encontro recente, transmitido pela televisão, dois jovens universitários colocaram Ricardo Alarcón, o presidente da Assembléia Nacional, numa saia-justíssima. Eles fizeram isso com umas poucas perguntas básicas:

• Por que os cubanos não podem viajar para fora do país?

• Por que os produtos de consumo são cobrados em pesos conversíveis, que têm seu valor atrelado ao dólar, se os trabalhadores cubanos recebem em pesos normais, que não valem quase nada?

• Por que os cubanos não podem freqüentar os hotéis e os restaurantes abertos só para turistas?

• Que sentido faz realizar eleições para a Assembléia Nacional se os eleitores desconhecem totalmente quem são os candidatos?

É compreensível que Alarcón não tenha conseguido articular respostas inteligíveis. A verdadeira resposta veio dias depois. Os jovens foram forçados a se retratar diante das câmeras da televisão oficial.

Nesse quadro tormentoso, surpreende como ainda se repete que "é preciso preservar as conquistas da revolução". O mito propagandista sugere que Fidel tomou o poder em Uganda e agora o está devolvendo na Suíça. Na verdade, os indicadores sociais cubanos pré-Fidel eram excelentes nos quesitos educação e saúde. A contribuição castrista consiste sobretudo na destruição da infra-estrutura física e humana da ilha, que já foi rica em escritores, artistas e músicos e hoje é um deserto de idéias. O motivo da tolerância existente em relação a Cuba é de difícil explicação. O ensaísta argentino Mariano Grondona atribui esse fascínio pelo ditador caribenho ao realismo fantástico que domina não apenas na literatura, mas também no campo minado da política latino-americana. Esse pensamento se traduz basicamente pela crença de que nossos fracassos não são produto de nossos erros, mas uma conseqüência de algo maior, a opressão americana. Seria a utopia cubana como uma terra a salvo dos americanos que entusiasma políticos e intelectuais que, em sua própria terra, fazem questão de viver num regime democrático.


Gregorio Marrero/AP
Adalberto Roque/AFP
O NÚMERO 2
Entre os políticos cotados para assumir o poder, Carlos Lage é a segunda opção,depois de Raúl. À direita, o chanceler Felipe Perez Roque, um comunista ortodoxo

Os índices sociais de Cuba são razoáveis para uma ilha do Caribe. O país não reproduz os altos índices de criminalidade da vizinha Jamaica ou a pobreza abjeta do Haiti. Sem Fidel talvez o país fosse socialmente mais desigual. Mas implantar uma realidade de zoológico – ou seja, aquela em que todos têm comida, escola e saúde, mas vive enjaulado – não paga o preço do atraso, da falta de liberdade e da pequenez intelectual. Sobretudo por ser falsa a existência de uma dicotomia entre democracia e justiça social. A Costa Rica desfruta uma posição melhor que a de Cuba no IDH, sem ter para isso abolido as eleições livres, prendido opositores ou impedido seus cidadãos de viajar para o exterior. Entre os mitos mais divulgados por Havana está o de que a pobreza cubana é uma conseqüência direta do embargo comercial decretado pelos Estados Unidos nos anos 60. Trata-se de uma balela, visto que o restante do mundo está ávido por negociar com Cuba. O próprio embargo não é tão fechado quanto parece. Os cubanos compram 500 milhões de dólares em alimentos e remédios americanos. Outro 1 bilhão de dólares, uma das três maiores fontes de renda da ilha, é enviado pelos cubanos que vivem nos Estados Unidos a seus parentes em Cuba.

Muitos políticos americanos acreditam que o embargo é contraproducente e fornece uma desculpa para o fracasso econômico e social de Fidel Castro. Melhor seria revogá-lo e afogar o regime comunista num banho de dólares. Não é má idéia. Mas há razões para tanta hostilidade. O embargo foi uma resposta direta ao confisco de propriedades americanas no valor de 2 bilhões de dólares no início da revolução. Além do mais, é bom lembrar, num momento de absoluto fanatismo, Fidel tentou deflagrar a III Guerra Mundial. Em 1962, ele conseguiu que Nikita Kruchev instalasse mísseis nucleares em Cuba. Nos treze dias febris que se seguiram, a humanidade esteve perto da aniquilação. Por fim, Moscou aceitou retirar o armamento em troca da promessa de que a ilha não seria invadida. Sabe-se que Fidel tentou empurrar a União Soviética a levar o confronto até o limite do inimaginável. Assustados com a gravidade do que tinham vivido, John Kennedy e Kruchev deram início ao processo de coexistência pacífica entre as superpotências. Vamos ver a figura por este ângulo: Fidel Castro é um sobrevivente daqueles tempos tenebrosos. Já vai tarde.


"O castrismo acabou"

Enrique de La Osa/Reuters
Palacios em Havana, um mês antes de partir para Madri: tortura


O dissidente cubano Héctor Palacios Ruiz considera o afastamento de Fidel Castro um alívio para a população, mas duvida que seu substituto consiga manter-se no poder, exceto pela força. "De toda forma, qualquer um é melhor que Fidel", diz o sociólogo de 64 anos. Preso em 2003 e condenado a 25 anos de cadeia por sua atividade oposicionista, ele foi solto no fim de 2006, em caráter condicional, para tratar da saúde. De Madri, onde está cuidando das doenças adquiridas na cadeia, Palacios concedeu ao repórter Thomaz Favaro a seguinte entrevista.

Raúl Castro pode ser melhor para Cuba que seu irmão, Fidel?
Qualquer um é melhor neste momento. Fidel Castro é um homem apegado ao poder, obstinado em evitar mudanças substanciais em Cuba. A falta de mudanças é o que de pior pode acontecer, pois os problemas econômicos e sociais do país são gravíssimos. Não creio, contudo, que Raúl consiga ser o dirigente de Cuba. Ele não tem força política suficiente nem o carisma necessário para isso. Raúl pode tentar governar pela força, apontando a pistola para a população cubana, mas por pouco tempo. O próprio Raúl já disse que Fidel é insubstituível.

Por que Fidel é insubstituível?
Fidel Castro é um político inteligente e muito hábil. Ele sempre teve todo o poder nas mãos e concentrou pessoalmente todos os cargos importantes: comandante-em-chefe, primeiro-secretário do Partido Comunista, chefe do Conselho de Ministros e presidente do Conselho de Estado. Fidel também conseguiu estabelecer uma aliança internacional com a esquerda e chegou a ser visto como o Homem do Século XX. Ele é um ícone da história. Não se pode esquecer que seu rosto e sua vontade foram onipotentes em Cuba durante as cinco décadas em que reinou. Acredito que tudo isso desaparecerá rapidamente. Note que ninguém chorou a saída de Fidel. Isso mostra como as pessoas estão cansadas do regime castrista. O castrismo desaparecerá da mesma forma que o stalinismo e o hitlerismo, movimentos que viraram fumaça depois da morte de seus criadores.

O que falta para que comecem as transformações políticas em Cuba?
As mudanças não começam nas estruturas políticas, e, sim, na população. Quando o povo está insatisfeito, pede mudanças. As transformações começam quando as pessoas percebem que o governo não tem como resolver os problemas. Isso já teve início em Cuba, mas se trata de um processo lento. Com a saída de Fidel da cena política, desaparecerão também muitos dos seus dogmas. O que temos em Cuba não é sequer socialismo ou comunismo. O regime cubano não encontra respaldo nem na teoria nem na prática comunistas. É um castrismo, terror semeado nas crianças desde que nascem para que não reajam. Fidel não deixa sucessor. Nem mesmo no Partido Comunista, que não passa de um grupo de políticos de carteirinha, mas sem ideologia. Imagine, em dez anos, como seria um Congresso cubano com essas pessoas. Não digo que será amanhã, mas falta pouco para a transição.

O sistema político atual pode sobreviver sem Fidel Castro?
A saída de Fidel nos traz um otimismo cauteloso, mas ainda restam muitas dúvidas sobre o futuro. Primeiro porque sabemos como ele atua. Enquanto tiver um sopro de vida, poucas decisões importantes poderão ser tomadas sem sua participação. Ele não renunciou ao cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista, e na Constituição cubana está escrito que o partido é o reitor da sociedade. Portanto, Fidel continua no comando do país. Em segundo lugar, ele já demonstrou que não está disposto a tolerar mudanças no governo. E tem suficiente influência para isso.

O senhor acha que sua liberação foi um sinal de mudanças na ilha?
Eu não fui solto. Ainda sou um preso político. Estou na Espanha com licença médica para tratar das graves doenças que adquiri no cárcere. Devo 21 anos de prisão ao governo cubano. Na hora em que eles quiserem devo voltar ao cárcere, sem julgamento nem recursos. Há 250 presos políticos em Cuba, todos inocentes. Nenhuma lei diz que um homem deve ser preso pelo que pensa. A minha história é a de quase todos os opositores. Eu era um agricultor da Serra de Escambray, no centro de Cuba. Foi ali que ouvi falar de revolução pela primeira vez. Participei da guerrilha, pois estava interessado em tudo o que oferecia Fidel Castro. Depois fui me dando conta de que ele me enganava. Não tenho vergonha de ter combatido na revolução. Lutei para implantar a democracia, o que faço até hoje.

Quais são os problemas de saúde que o senhor enfrenta?
Tive um colapso do sistema circulatório da cintura para baixo, fruto de dois anos vivendo em celas "tapeadas", como são chamadas. São cubículos muito baixos, fechados com placas de aço. Sem luz nem ventilação, o interior da cela atinge temperaturas entre 45 e 55 graus. As condições de higiene são terríveis. Isso afetou também meu sistema respiratório. Hoje tenho metade da capacidade respiratória normal. Devido a todos esses fatores, minha pressão arterial é altíssima. Recentemente sofri um ataque isquêmico transitório, por falta de oxigenação no cérebro, e caí. Dito isso, espero que você não me pergunte se há tortura em Cuba. Meu caso serve como resposta. Liberaram-me para morrer.

Por que os Estados Unidos insistem em manter o embargo a Cuba?
O governo americano cometeu efetivamente muitos erros. A invasão da Baía dos Porcos, em 1961, foi um dos piores. Outro engano incalculável foi ter cortado a cota açucareira de Cuba em 1960, pois isso permitiu a aproximação da União Soviética. Tudo isso ajudou Fidel Castro. O embargo econômico a Cuba não é significativo, pois os Estados Unidos são um dos maiores parceiros comerciais da ilha. Cuba importa dos americanos quase 500 milhões de dólares por ano. As compras incluem produtos agrícolas, subsidiados, que são revendidos por um preço muito mais alto no país. Os Estados Unidos são um grande negócio para Cuba, mas na cabeça das pessoas persiste a idéia de que há um boicote. Ou seja, o embargo americano só dá mais força a Fidel. O verdadeiro embargo é o do governo ao povo cubano. Quem pode imaginar que neste século, na América, onde todos já lutaram pela democracia, possa ainda existir um sistema de partido único?

Com reportagem de Alexandre Salvador,
Duda Teixeira, Thomaz Favaro e Vanessa Vieira

O Blogueiro

Fevereiro 19, 2008

Nem a universidade escapa

ESTADÃO

Quando são condôminos do poder - governantes, legisladores, ministros e secretários, dirigentes de órgãos da administração direta e indireta - os acusados de esbórnias com recursos públicos, a opinião pública fica indignada, mas não exatamente surpresa. O acúmulo de escândalos ao longo do tempo no fundo habituou a sociedade a esperar o pior de todos quantos gravitam na órbita estatal. O mensalão, estilhaçando a imagem impoluta difundida desde sempre pelo partido que o criou, terá removido as últimas ilusões sobre a integridade dos políticos: o que espanta o comum das pessoas são as evidências de mãos limpas entre eles, não o seu contrário. É o que torna especialmente chocantes as revelações de que, além dos suspeitos de costume no caso do uso abusivo dos cartões de crédito do governo, também membros presumivelmente austeros da comunidade acadêmica brasileira fizeram farra com o dinheiro alheio.

Perto do que a imprensa vem divulgando sobre gastos espúrios na Universidade de Brasília (UnB), denunciados pelo Ministério Público do Distrito Federal, os ''''erros administrativos'''' que custaram o cargo à ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, empalidecem. Ela usou o cartão corporativo para pagar uma compra de R$ 461 num free shop e gastou R$ 175 mil com locação de carros. A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), entidade de fomento à pesquisa ligada à UnB, que recebe recursos estatais e particulares, gastou R$ 470 mil na reforma e decoração do apartamento de propriedade da instituição, onde residia seu reitor, Timothy Mulholland, até o vexame vir à tona. Ele manifestamente não viu nada de mais, nem na flagrante malversação de fundos, que deveriam promover a ciência e a tecnologia, nem nos detalhes mais acintosos do dispêndio, como a compra de um saca-rolhas de R$ 859 e de três lixeiras de até R$ 990 cada.

Numa carta, enrolando como todo político apanhado com a mão na massa, Mulholland deu a entender que esses luxos, inconcebíveis numa universidade pública que se dê ao respeito, seriam necessários para ''''receber autoridades, pesquisadores e professores nacionais e internacionais...'''' Depois, numa entrevista, enunciou o que poderá entrar para o seu currículo como a Lei de Mulholland: ''''Não se mobilia uma casa de qualquer maneira.'''' A seu ilustrado juízo, decerto, um reitor tampouco pode se deslocar num veículo qualquer. Pois ele aceitou gostosamente circular no carro de R$ 72 mil que a mesma Finatec comprou para o seu uso exclusivo, na condição de Magnífico Reitor (tratamento que se reserva no Brasil ao principal dirigente universitário). Por fim, assoberbado ou distraído, Mulholland só se lembrou de devolver à UnB os R$ 3.953 recebidos em 31 de janeiro para uma viagem a Cuba duas semanas depois de não fazê-la - e quando a imprensa já estava atrás da história.

Na sexta-feira passada, a pedido do Ministério Público, a desembargadora Nídia Côrrea Lima, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, afastou dos seus cargos os cinco diretores da Finatec, todos professores da UnB, até o esclarecimento da gastança com os confortos do reitor. Não parece tratar-se de um episódio isolado. Segundo O Globo, uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), iniciada em 2004, encontrou irregularidades envolvendo a UnB e as cinco fundações, entre elas a Finatec, que lhe são vinculadas. Recursos da universidade, por exemplo, teriam sido depositados em contas bancárias das fundações, com o aparente propósito de burlar a fiscalização dos seus gastos. De seu lado, o Ministério Público acusa especificamente a Finatec, entre outras coisas, de intermediar contratos para órgãos públicos com dispensa de licitação.

Enquanto isso, apurou-se que, pagando com cartões corporativos, a UnB gastou no ano passado mais R$ 69 mil com alimentos, em supermercados e empórios finos. Só o cartão de um assessor do reitor bancou R$ 24,4 mil em despesas do gênero. Mulholland assumiu em novembro de 2005. Naquele ano, gastos semelhantes totalizaram apenas R$ 1.743.

Nenhuma universidade federal usa tanto o cartão do governo como a UnB - bancou R$ 1,2 milhão em 2007. Parte desse dispêndio, de outro modo, exigiria tomadas de preços ou licitações.

A idade de McCain

MÍDIA SEM MÁSCARA

por Thomas Sowell

Resumo: O senador McCain não é um homem mau. Ele tem algumas admiráveis qualidades. Mas como disse Edmund Burke ainda no século XVIII "algumas pessoas podem fazer as piores coisas sem serem os piores homens”. E a Casa Branca não é lugar para isso.


© 2008 MidiaSemMascara.org

Dentre os dolorosos sinais de nosso tempo, estão as reações de espanto às observações de Chuck Norris quanto ao senador John McCain ser muito velho para eleger-se presidente.

Chegamos ao ponto de o politicamente correto nos impedir de manter uma conversação razoável?

Não é verdade que um homem de setenta anos não tem o vigor físico e mental de alguém mais novo? Aqueles de nós que já estão com mais de setenta anos sabem muito bem que não podemos fazer tudo o que estávamos acostumados a fazer.

Achei terrível o fato de ter renovado minha carteira de motorista, no ano passado, sem ter de fazer exame de rua, sem ter de demonstrar que eu ainda poderia dirigir com segurança.

Mesmo que minha capacidade de dirigir ainda esteja boa, eu posso ser morto por algum idoso que tenha perdido sua capacidade de dirigir – e que não tenha passado por um teste de direção em muitos anos.

Ainda que os jovens apresentem altas percentagens de acidentes fatais, o declínio dessas percentagens não continua indefinidamente com o amadurecimento do motorista. Elas declinam até um determinado nível, até a meia idade – e, então, começam a subir novamente para as pessoas idosas, até eventualmente atingirem um ponto tão alto quanto à percentagem dos adolescentes.

Não é só a capacidade física que sofre com a idade. Mesmo que nossa mente se mantenha em funcionamento normal, nosso nível de energia raramente permanece o mesmo, e isso afeta o período de tempo que conseguimos nos concentrar sem que precisemos de um descanso.

Para mim, é fácil tirar uma soneca depois do almoço e acordar refeito, especialmente porque meus alunos de pós-graduação estão trabalhando enquanto eu cochilo, tendo preparado muito material com que me ocupar quando retomo meu trabalho.

Mas um presidente dos EUA tem de estar pronto para assumir o comando em qualquer crise que surja, em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora do dia ou da noite.

E se ele tiver de enfrentar um problema por 24 horas ou mais terá de ficar acordado durante todas elas.

Esse pode ser um trabalho imensamente desgastante. Observe as fotos de Abraham Lincoln da época de sua posse e compare-as com suas fotos alguns anos depois, que mostram um homem que parecia ter envelhecido dez anos durante a Guerra Civil.

Observe as fotos de Franklin D. Roosevelt tiradas em 1940 e compare-as com suas fotos em 1945, durante a II Guerra Mundial.

Hoje, sabemos que o médico de FDR tinha prescrito a ele uma disciplina rígida – que não foi suficiente para evitar que ele morresse no cargo, alguns meses depois de ter começado o seu segundo mandato.

Franklin D. Roosevelt era mais jovem quando morreu do que John McCain é agora. Além disso, FDR não havia sido, por anos, prisioneiro de guerra.

Quando falamos sobre o presidente dos EUA, não falamos sobre o destino de um indivíduo, mas do destino de uma nação e das gerações ainda por vir.

Este não é um momento para pruridos sentimentais ou para o politicamente correto, quando falamos de quem carregará o peso do mundo livre em seus ombros, na Casa Branca.

Além da idade, já há suficiente evidência de que John McCain não é o tipo de homem que tenha pensado profundamente nas muitas graves questões sobre as quais ele opina, opiniões estas que alguns consideram como “conversa franca”.

A mídia o tem apelidado de “maverick” [não-convencional, excêntrico], que é uma forma de distorcer o fato de que ele é teimoso e não confiável.

O apoio do senador John McCain a Ted Kennedy nas questões de imigração, e ao igualmente esquerdista senador Russ Feingold para violar a Primeira Emenda em nome da “campanha para a reforma financeira” são clássicos exemplos de um canhão sem pontaria.

O senador McCain não é um homem mau. Ele tem algumas admiráveis qualidades. Mas há muitas pessoas que seriam perigosas num cargo para o qual não estão preparadas.

No século XVIII, Edmund Burke disse que algumas pessoas “podem fazer as piores coisas sem serem os piores homens”. A Casa Branca não é lugar para isso.

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover Institute.

Fidel anuncia renúncia em Cuba

BBC BRASIL

Fidel estava com saúde fragilizada
Fidel: 'Desejo apenas combater como soldado das idéias'

O líder cubano Fidel Castro anunciou nesta terça-feira que não voltará a governar o país, lançando dúvidas sobre o futuro do regime que se prepara para escolher um sucessor dentro de apenas uma semana.

Em uma mensagem publicada pelo jornal oficial do Partido Comunista Cubano, o Granma, Fidel disse que não aceitará o cargo de Presidente do Conselho de Estado, para o qual vinha sendo eleito e ratificado desde 1976.

“Trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Digo-o sem dramatismo”, escreveu Fidel, afastado do cargo há um ano e meio para tratamento de saúde.

“A meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo seio devem ser adotados acordos importantes para nossa Revolução, comunico que não aspirarei e nem aceitarei – repito – não aspirarei e nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-chefe.”

"Não me despeço de vocês, desejo apenas combater como soldado das idéias".

Fidel disse que continuará escrevendo no Granma, mas sua coluna "Reflexões do comandante-chefe" passará a se chamar "Reflexões do companheiro Fidel".

A nova Assembléia Nacional foi eleita no final de janeiro, e deve escolher no próximo dia 24 o novo Conselho de Estado e o Presidente do país.

Estado de saúde

Fidel, 81, foi o líder do movimento que derrubou o líder pró-Estados Unidos Fulgêncio Batista em 1º de janeiro de 1959.

Ele comandou o regime cubano como primeiro-ministro por 18 anos, passando à Presidência do país por escolha da Assembléia, eleita após a aprovação da Constituição Socialista de 1976.

Desde agosto de 2006, o líder cubano estava afastado em virtude de uma operação. Ele delegou suas funções ao irmão, Raul, que comanda o regime desde então.

“Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo”, escreveu Fidel, na edição desta terça-feira do Granma.

Ele acrescentou que, ao longo deste ano e meio, tentou admitir mas ao mesmo tempo evitar os boatos a respeito de seu “estado precário de saúde”.

“Preocupou-me sempre, ao falar de minha saúde, evitar ilusões que, no caso de um desenlace adverso, trouxessem notícias traumáticas a nosso povo no meio da batalha.”

“Prepará-lo para minha ausência, psicológica e politicamente, era minha primeira obrigação depois de tantos anos de luta. Nunca deixei de assinalar que se tratava de uma recuperação ‘não isenta de riscos’.

O Blogueiro

Fevereiro 18, 2008

Receita anuncia as regras para declaração do IR 2008; entrega começa dia 3

FOLHA ONLINE

ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

A Receita Federal definiu as regras e os prazos para a entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2008 (ano-base 2007). As principais novidades neste ano são a obrigatoriedade de informar o número do recibo da declaração entregue no ano passado e uma restrição maior para a entrega por formulário de papel --fatia que corresponde a menos de 2% do total de declarações.

"O objetivo é passar mais informação ao contribuinte, para que ninguém faça a declaração por ele", explicou Joaquim Adir, supervisor nacional do programa do IR. Para quem tiver perdido o número do recibo, a única saída é procurar a Receita Federal.

Confira. ponto a ponto, as principais regras para declaração do IR 2008

A entrega da declaração começa em 3 de março e vai até o dia 30 de abril. Os programas para download serão disponibilizados a partir das 8h do dia 3 no site da Receita (www.receita.fazenda.gov.br). A expectativa é que 24,5 milhões de pessoas enviem o documento neste ano, ante cerca de 23,5 milhões em 2007.

A entrega é obrigatória para o contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 15.764,28; ou que recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis --como indenização trabalhista ou FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)-- ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40 mil e para quem tinha posse ou propriedade em 31 de dezembro com valor superior a R$ 80 mil.

Também estão obrigados a fazer a declaração do IR o contribuinte que teve receita bruta com atividade rural acima de R$ 78.821,40; que fez operações em Bolsa; participou do quadro societário de uma empresa; e alienou bens em que foi apurado ganho de capital com incidência do imposto.

Além da entrega pela internet, o contribuinte pode optar ainda por entregar gratuitamente em disquete nas agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e em formulário nas agências dos Correios a um custo de R$ 3,50.

A multa para quem entregar após o prazo alcança 1% ao mês do valor devido, sendo que a multa mínima será de R$ 165,74 e a máxima, de 20% do débito. A partir do dia 3, o contribuinte poderá tirar dúvidas sobre a declaração do IR pelo telefone 0300-7890300.

Regras básicas

As regras para a declaração simplificada foram mantidas. Esta opção dá um desconto de 20% na renda bruta --limitado a R$ 11.669,72. Nesta declaração, não é possível fazer deduções.

Na declaração completa, as deduções permitidas são por dependentes (R$ 1.584,60), gastos com educação (R$ 2.480,66 para o titular e o mesmo valor para cada dependente) e previdência privada (limitado a 12% dos rendimentos). Não há limite para dedução com gastos em saúde.

Também é possível fazer a dedução da contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para empregados domésticos, que vale para contribuição sobre até um salário mínimo e está limitada por ano a até R$ 593,60.

O contribuinte é obrigado também a preencher um formulário para o registro das doações feitas a campanhas eleitorais. A informação será enviada, posteriormente, ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quando solicitada.

Formulário de papel

A Receita Federal incluiu novas regras para restringir a entrega por meio de formulário de papéis. No ano passado, foram entregues 304 mil por este meio.

Neste ano, o contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis de pessoas físicas ou do exterior não poderá fazer a entrega da declaração por formulário, assim como quem incluir dependentes que tenham tido alguma renda no ano passado --mesmo não tributada.

Também está impedido a preencher o formulário os contribuintes que tenham tido participação acionária em qualquer empresa no ano passado ou que queiram abater a contribuição ao INSS dos empregados domésticos.

Aqueles que fizeram doações a partidos políticos ou que irão apresentar a declaração em nome de espólio também estão impedidos de usar o papel no preenchimento e entrega da declaração do IR.

O Blogueiro

Kosovo proclama sua independência

DW-WORLD

O Parlamento kosovar proclama em sessão extraordinária sua independência da Sérvia. Belgrado afirma que jamais estará de acordo.

Nove anos após a guerra que assolou a província do Kosovo, o primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaci, anunciou que "nós, líderes de nosso povo e eleitos democraticamente, declaramos o Kosovo um Estado independente e soberano".

O Estado recém-proclamado, de acordo com o Parlamento, deverá se posicionar em prol da paz e da estabilidade na região. Seis parlamentares, entre eles um sérvio, boicotaram a votação.

"Orgulho pela liberdade"

Primeiro-ministro Hashim Thaci

Primeiro-ministro Hashim Thaci

Thaci afirmou em discurso que o Kosovo está, "a partir de hoje, orgulhoso de ser independente e livre". Os habitantes da região, segundo ele, "nunca deixaram de acreditar que um dia iríamos pertencer ao grupo de nações livres deste mundo".

Thaci salientou que os kosovares não pretendem nunca mais estar sob governo sérvio. "Queremos nos tornar membros da União Européia", completou o primeiro-ministro. Em Pristina, milhares de pessoas foram às ruas comemorar a autonomia da região.

O presidente sérvio, Boris Tadic, declarou que Begrado "jamais vai reconhecer a independência do Kosovo". Também Moscou se opôs à proclamação. O futuro da região ainda precisa ser discutido, afirmou o ministro russo das Relações Exteriores.

UE discute a questão

População vai às ruas comemorar

População vai às ruas comemorar

A União Européia deverá discutir o assunto durante o encontro dos ministros do Exterior dos 27 países-membros do bloco, que acontece nesta segunda-feira (18/02), em Bruxelas. Segundo informam diplomatas, espera-se "discussões acirradas" durante a reunião.

Entre os países europeus que resistem em reconhecer a independência do Kosovo estão aqueles que enfrentam problemas com grupos étnicos minoritários, como o Chipre, a Grécia, a Espanha, a Eslováquia e a Romênia.

A maioria dos países da UE, porém, se posiciona em prol da independência do Kosovo. Dos 2 milhões de kosovares, 90% são de origem albanesa. Aproximadamente 100 mil habitantes da região são sérvios.


MP que legaliza temporários sem carteira assinada divide opiniões

ONG REPÓRTER BRASIL

Publicada no dia 29 de dezembro de 2007, a MP 410/2007 foi recebida com elogios pelos fazendeiros da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); medida foi rechaçada por federações da CUT/SP e por jurista da USP

Por Maurício Hashizume

A decisão do governo de dispensar a assinatura da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) para trabalhos no meio rural de até dois meses, por meio da Medida Provisória (MP) 410/2007, continua causando polêmica.

Publicada no dia 29 de dezembro de 2007, a MP foi recebida com elogios pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que enxergou na iniciativa do governo federal uma medida de "desburocratização" das relações de trabalho que busca, sobretudo, "a legalização do setor rural, considerando a especificidade do mesmo".

Os fazendeiros aprovaram a permissão do instrumento do contrato escrito - sem necessidade de anotação na CTPS ou no Livro de Registro de Empregados - e a possibilidade de remuneração dos direitos trabalhistas (calculados diariamente e pagos diretamente ao trabalhador) mediante a emissão de simples recibo.

Além do contrato, o empregador deve incluir o nome e a inscrição do trabalhador na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). A contribuição previdenciária devida pelo trabalhador, sempre sob a alíquota de 8%, será deduzida pelo contratante e recolhida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), assim como ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que será recolhido na forma da Lei n.º 8.036, de 11 de maio de 1990, igualmente sob a alíquota de 8%.

Para a Federação da Agricultura Familiar (FAF) e a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), contudo, a decisão do governo federal de editar a MP 410 "abre caminho para o patronato rural brasileiro precarizar cada vez mais as relações de trabalho, aprofundando a vergonha do Brasil no cenário global, com o desrespeito aos direitos humanos no chamado agronegócio, especialmente exportador".

A dispensa de registro em CTPS para empreitadas de curto prazo, como estabelece a MP, sacramenta, segundo as duas federações filiadas à Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT/SP), "a fraude contra os trabalhadores rurais, violentando ainda mais os direitos dessa categoria tão sofrida e discriminada historicamente". Na visão de Henrique da Mota Barbosa e Elio Neves, presidentes da FAF e da Feraesp, respectivamente, a medida "reprime a cidadania, na medida em que retira dos trabalhadores sua identidade registrada em carteira, tornando possível esse incremento para outras categorias".

Na nota pública referente à medida, ambas as federações de empregados rurais desqualificam a atuação da Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag), que apóia a decisão ratificada pelo governo. "Cabe a todos aqueles que possuem compromisso com a classe trabalhadora lutar contra essa MP 410 e repudiar o comportamento da Contag", criticam Henrique e Elio.

Em entrevista à Repórter Brasil no final de dezembro do ano passado, o presidente da Contag, Manoel dos Santos, defendeu a medida. "As relações de curtíssimo prazo são uma realidade. Muitas pessoas trabalham há anos de empreitada em empreitada, sem carteira e sem contrato. Não podemos ficar apenas na filosofia do direito do trabalho", justificou naquela ocasião. "Não tem como piorar. Nenhum trabalhador assalariado que trabalha por mais de dois meses será submetido a essa nova regra. Entre essa nova modalidade de contrato e nada - como é hoje -, preferimos o contrato".

"Parece-me que a medida provisória deva ser rechaçada fortemente pelos que lutam em favor dos trabalhadores, inclusive pelos próprios representantes dos trabalhadores", avalia o professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Marcus Orione. O único avanço importante do texto - a extensão do prazo da aposentadoria rural por idade, de um salário mínimo, até 2010 - poderia existir, na avaliação do estudioso, mesmo sem as demais disposições de dispensa de carteira. Para ele, a ausência de formalização para fins previdenciários não se resolveria necessariamente "com a precarização das relações trabalhistas, mas sim com maior fiscalização governamental".

A ausência de formalização dos chamados "safristas" que são contratados temporariamente, discorre o professor, tem sido compensada judicialmente com uma interpretação que favorece os trabalhadores - embora alguns Tribunais Regionais insistam em não reconhecer decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que para o bóia-fria sequer há necessidade de início de prova documental. "No Direito do Trabalho em geral, quando se aumentam as hipóteses de contratos de trabalho por prazo determinado, com a respectiva diminuição de direitos trabalhistas e mesmo fiscais (para o Estado), a situação revela uma indevida precarização das relações".

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Antonio de Medeiros, declarou à reportagem que os registros formais de curta duração são repelidos pelos próprios trabalhadores, pois "sujam" a carteira de trabalho. "Boa carteira é aquela com anos e anos de registro", afirmou.

Em aberta divergência com o entendimento do secretário, o jurista Marcus Orione entende que receios dessa natureza não podem justificar mudanças na lei. "No campo, todos sabem que as safras dependem de questões sazonais. Portanto, a assinatura da CPTS por pequeno lapso de tempo não leva necessariamente a ´manchar´ a vida funcional do trabalhador", argumenta.

A Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) e setores do próprio MTE também se manifestaram contra a dispensa de assinatura de carteira de trabalho para empreitadas no campo de até dois meses.

Fevereiro 06, 2008

CNBB lança a 45ª Campanha da Fraternidade, contra aborto e eutanásia

O GLOBO ONLINE

Agência Brasil; O Globo Online Dom Guilherme Antônio, Dom Dimas Lara Barbosa e Dom Antônio Augusto participam do lançamento pela CNBB da Campanha da Fraternidade, com o tema Valorização da Vida

BRASÍLIA - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta quarta-feira a 45ª Campanha da Fraternidade, com o tema defesa da vida e o lema "Escolhe, pois, a vida!", numa referência direta da Igreja contra o aborto. O lançamento nacional foi feito pelo secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, na sede da entidade, em Brasília. Segundo a CNBB, o objetivo é levar a Igreja Católica e a sociedade "a defender e a promover a vida humana, desde a sua concepção até a sua morte natural".

Nos últimos meses, a Igreja tem se mobilizado contra as declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que vem defendendo a discussão da legalização do aborto, que ele considera questão de saúde pública.

" A defesa da vida é uma questão cidadã que se resolve também politicamente "

Antes da missa de lançamento da campanha, o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, afirmou que a Igreja Católica vai agir politicamente para impedir a aprovação, pelo Congresso Nacional, de projetos de lei que legalizam o aborto, a eutanásia e o uso de embriões em pesquisas científicas.

- A defesa da vida é uma questão cidadã que se resolve também politicamente. É uma questão que deve envolver aqueles que são os representantes dos cidadãos no Congresso Nacional - afirmou o arcebispo.

Segundo ele, as propostas que dizem respeito ao que pode ser feito com "seres humanos" desvalorizam a vida, o que é inaceitável:

- A Igreja não pode ter uma posição condescendente quando se trata da defesa da vida.

Piores tornados em quase dez anos matam ao menos 50 nos EUA

FOLHA ONLINE

Equipes de resgate procuram nesta quarta-feira por mais vítimas dos tornados que mataram ao menos 50 pessoas e feriram outras centenas ao arrasarem quatro Estados dos EUA, arrancando o telhado de um shopping center e destruindo dezenas de casas. Os tornados da terça-feira são os piores em um período de 24 horas desde 1999.

Ao menos 26 pessoas morreram no Tennessee, 13 no Arkansas, sete em Kentucky e quatro no Alabama, segundo membros das equipes de resgate. Entre os mortos há um casal e o filho de onze anos em Atkins, Arkansas, de acordo com a agência Associated Press.

AP
Carro destruído após passagem de tornados em Savannah, no Estado do Tennessee
Carro destruído após passagem de tornados em Savannah, no Estado do Tennessee

Ray Story tentava levar seu irmão, Bill Clarck, 70, a um hospital, após as tempestades destruírem a casa em que moravam no Condado de Macon. Clarck morreu enquanto Story e sua mulher dirigiam pelas estradas cheias de destroços, afirmou.

"Ele não teve chance", disse Nova Story. "Olhei em seus olhos e ele morreu bem na minha frente".

Os tornados, que também atingiram o Mississippi, arrasaram o país no fim das prévias da Superterça, quando 20 dos 54 Estados dos EUA votaram em seus pré-candidatos à Presidência.

Conforme a extensão dos danos foi se revelando, os pré-candidatos, entre eles os democratas Hillary Clinton e Barack Obama e o republicano Mike Huckabee interromperam seus discursos de vitória em homenagem às vítimas.

O presidente george W. Bush disse ter chamado os governadores do Alabama, Arkansas, Kentucky, Mississippi e Tennessee, e garantiu a eles que a Administração federal estava pronta para ajudar e para lidar com qualquer demanda de emergência.

"Perda de vidas, perda de propriedade --orações podem ajudar, assim como o governo", afirmou Bush. "Quero que as pessoas desses Estados saibam que o povo americano está com eles."

Antes da madrugada desta quarta-feira, o sistema seguiu para o Alabama, levando fortes chuvas, ventos, e causando diversos danos em Condados a noroeste de Birmingham.

A nordeste de Nashville, um enorme incêndio visível a quilômetros de distância surgiu em um poço de extração de gás natural, criando chamas de até 150 metros, segundo o porta-voz dos serviços de emergência do Tennessee. No entanto, o acidente não deixou feridos.

Tornados no inverno não são incomuns. O pico da estação de tornados é no fim do inverno (do hemisfério norte), início da primavera, mas as tempestades podem ocorrer a qualquer época do ano.

No entanto, os tornados da terça-feira são os piores em um período de 24 horas desde 3 de maio de 1999, quando cerca de 50 pessoas morreram em Oklahoma e no Arkansas. O número de mortos os coloca entre os 15 mais mortíferos desde os anos 1950, afirmou Greg Carbin, meteorologista do Centro de Coordenação de Alertas de Oklahoma.

Os tornados da terça-feira podem ser conseqüência da La Niña --esfriamento da água do Oceano Pacífico na altura do Equador, que causa mudanças nos padrões de clima pelo mundo. É o oposto do mais popular El Niño, que corresponde ao aquecimento periódico da água da mesma região do Pacífico.

Com Associated Press

Número de homicídios caiu 34% em 2008

PERNAMBUCO.COM

O carnaval foi menos violento este ano em Pernambuco, segundo os dados divulgados na tarde desta quarta-feira pelo secretário de Defesa Social, Sevilho Paiva. De acordo com o balanço, 58 pessoas foram mortas da 0h da sexta-feira (1) até a meia-noite da terça-feira de carnaval (5). O número é 34% menor que em 2007, quando foram registradas 88 mortes durante os quatro dias de folia.

Se a contagem for feita apenas nos quatro dias de carnaval (do sábado até a terça-feira), o número de mortes cai para 48, contra 69 do ano passado, uma redução de 30,4%. O balanço registra apenas uma morte em pólo de animação, ocorrida durante o desfile do bloco Aratu, em Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho.

O número de crimes contra a vida nos focos também sofreu redução. Em 2007, foram 272 vítimas de vias de fato. Este ano, a quantidade de incidentes do tipo caiu para 214. Já as ameaças registradas subiram de 11 em 2007 para 30 este ano.

A apreensão de armas de fogo também foi maior neste carnaval. Foram 34 em 2008, contra 24 em 2007. Novidade este ano, a instalação de câmeras nos focos de folia conseguiu flagrar 71 ocorrências – entre tráfico de drogas, agressão, atentado ao pudor, assalto e ação de galera -, que resultaram na prisão de 41 pessoas e na apreensão de maconha, crack e loló

A SDS diz também que caiu em 12% o número de atendimentos médicos nas emergências do estado. Foram 10.895 este ano, contra 12.376 em 2007.

11 coisas que podemos amar ou odiar se a Microsoft comprar o Yahoo

IDG Now!/PC World

São Francisco - A fusão destas duas gigantes oferece possibilidades de resultados bons e ruins. Confira 11 de nossos sonhos e pesadelos.

Imagine o seguinte cenário. É 2010. A Microsoft comprou o Yahoo e mudou o nome do Flickr para Microsoft Flickr Live Photo-Sharing Service for Digital Camera Enthusiasts. O serviço ainda é gratuito, mas os usuários do Windows Vista terão de validar a cópia do sistema operacional antes de usá-lo.

Este é apenas um dos pesadelos que podemos prever sobre uma fusão entre Microsoft e Yahoo. Mas também há pontos positivos. Veja a seguir o que amaríamos ou odiaríamos que acontecesse se a maior aquisição da empresa de Bill Gates for concretizada.

1) Adoraríamos: Acordar o Google

O Google tem sido intocável em muitos aspectos no que diz respeito a busca, inovações online e serviços gratuitos como o Google Maps. A gigante de buscas, contudo, cresceu muito tranquila. Enquanto aguardamos a estratégia móvel do Google, estamos menos dominados por serviços como o Knol.

Queremos ver a combinação da força da Microsoft e do Yahoo para dar um empurrão no Google com relação a serviços inovadores.

2) Odiaríamos: Dar adeus a serviços queridos

O fim do comunicador instantâneo do Yahoo ou da Microsoft é algo que odiaríamos ver, mas é inevitável que um serviço sobreponha o outro.

A fusão simplesmente criaria mais serviços redundantes e as desigualdades de outros seriam eliminadas. As marcas Yahoo Mail e Hotmail sobreviveriam, mas é provável que compartilhem a mesma equipe de desenvolvimento.

Com o tempo, os serviços se tornariam virtualmente idênticos, compartilhando recursos, funções, bugs e limitações. É como se, quando MSN espirrar, o Yahoo Messenger pegue uma gripe.

3) Adoraríamos: Que o Yahoo impulsionasse o Microsoft Live

Acreditamos que gigantes podem aprender muito com os outros, especialmente quando se trata da usabilidade de sites e serviços. Gostaríamos de ver o Windows Live integrado a interfaces mais simples. Atualmente, há o Windows Live e o Microsoft Office Live Small Business. Embora nenhum esteja ligado diretamente ao Windows ou ao Office, ambos os sites da Microsoft Live parecem muito desconectados.

O Yahoo já foi melhor em manter interfaces simples em serviços como o Yahoo Travel. Embora hoje a empresa não consiga alcançar o minimalismo de muitas ofertas do Google, ainda tem designs simples e mais fáceis de usar do que muitas iniciativas da Microsoft.

4) Odiaríamos: Um caos conseqüente à fusão

Combinar as duas gigantes irá gerar confusão. Você poderia usar o seu login do MSN Messenger para acessar o Yahoo Mail? E quanto aos seus dados de acesso do Microsoft Passport? Eles serão aceitos na área do Yahoo?

5) Amaríamos: Um site gerador de mídias

Gostaríamos de ver a equipe do Yahoo com a NBC e várias iniciativas de TV pela internet para que exista um único destino de conteúdo em vídeo. Sites como o Hulu.com, do Google, estão espalhados pela web, mas não há um endereço centralizado que atue como o “mestre de mídias”.

Junte o Yahoo com o MSN e as tecnologias para web da Microsoft - como o Silverlight - e verá a primeira usina geradora de mídia da internet.

6) Odiaríamos: Que dois ‘Grandes Irmãos’ sejam pior que um

O Google está devorando a DoubleClick, que tem algumas implicações negativas quanto a privacidade. Caso a Microsoft compre o Yahoo, ela saberá o que o Google não sabe sobre você.

Nossos passos seriam completamente rastreados e, com todas estas informações dos usuários, a Microsoft poderia ter um suprimento personalizado de probabilidade de dados chocantemente preciso.

7) Adoraríamos: Um rival de verdade nas buscas

O Google é dono de 57% do mercado de buscas online, enquanto o Yahoo e a Microsoft têm, juntos, 34%, segundo o Search Engine Watch. Com a fusão, teríamos novos ares em tecnologias de busca.

O Yahoo já possui ferramentas interessantes como o Search Assistant e o Shortcuts, que facilitam a busca mais do que o Google. O Live Search Club, da Microsoft, mostra como o Live Search está ficando esperto.

Adoraríamos que, juntos, o Yahoo e a Microsoft tornassem os resultados de buscas mais relevantes e inteligentes.

8) Adoraríamos: Um casamento móvel

A combinação entre Microsoft e Yahoo geraria uma oferta bombástica de serviços móveis - sem que seja preciso muito esforço. Gostaríamos de ver um casamento entre o Windows Mobile, da Microsoft, enquanto seu foco de negócios se funde com o do Yahoo.

Os serviços móveis do Yahoo, como buscas, mapas e e-mail, aproximam a empresa de transportadores. Portanto, não demoraria para a força das duas equipes móveis chegar aos nossos celulares.

9) Odiaríamos: Um monopólio móvel

Se as ofertas do Microhoo! forem fortes demais, elas poderiam ‘estrangular’ o Android do Google. Isto seria uma vergonha, uma vez que o serviço open source promete aos usuários um celular mais personalizado do que nunca.

Felizmente, o Android tem apoiadores significativos e uma comunidade de desenvolvedores (a Mobile Handset Alliance).

Mas considerando o espírito assassino de competição da Microsoft e a relação confortável do Yahoo com as operadoras, o Android deve participar desta grande briga.

10) Adoraríamos: Que o Yahoo Maps tenha menos defeitos

O Live Maps é o único aplicativo online da Microsoft realmente bom, e deve ser melhor do que o Google Maps. Enquanto isso, os mapas do Yahoo sofrem com uma interface imperfeita e opções de visualização limitadas.

11) Adoraríamos: Um YaHotmail!

O Yahoo Mail e o Hotmail não são competitivos por si só, mas se a nova interface do Hotmail fosse aplicada ao serviço de e-mail do Yahoo, um YaHotmail! valeria a pena.

Tom Spring, Editor da PC World, de São Francisco

A conclamação do FMI

ESTADÃO

Quem puder deve gastar mais para injetar dinamismo na economia mundial, debilitada pela crise imobiliária americana, recomendou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. A crise, segundo ele, extravasou os mercados financeiros dos Estados Unidos e da Europa e começa a derrubar a atividade em todo o mundo. A conclamação foi feita no fim de janeiro, em Davos, durante reunião do Fórum Econômico Mundial, e repetida, com base em argumentação mais detalhada, em artigo publicado no diário britânico Financial Times.

Para alguns comentaristas, o francês Dominique Strauss-Kahn, no posto desde 1º de novembro, abandona a tradição do FMI, ao defender a adoção de uma política fiscal expansionista por alguns governos do mundo rico e até por alguns do mundo emergente. É uma interpretação precipitada.

A atitude do novo chefe do FMI é menos heterodoxa do que pode parecer e sua proposta é acompanhada de ressalvas importantes. Se algo chama a atenção, é o fato de Strauss-Kahn adotar uma atitude mais ousada que a dos dirigentes dos bancos centrais da União Européia e da Inglaterra.

Não se deve esquecer, em primeiro lugar, a biografia de Strauss-Kahn. Como ministro da Economia de seu país, ele contribuiu para ajustar as finanças da França aos padrões definidos para a zona do euro. Seu socialismo não é o da gastança. Em segundo lugar, sua recomendação é perfeitamente compatível com o modelo de análise adotado no FMI. A novidade está no cenário internacional, caracterizado pela forte desaceleração nos Estados Unidos - já se fala em recessão -, pelo baixo dinamismo das economias européias e pelo risco de contágio dos emergentes.

A novidade inclui, e este é um dado muito especial, fundamentos mais sólidos tanto em países mais avançados quanto em muitas economias em desenvolvimento. Há, segundo argumenta Strauss-Kahn, espaço para medidas de estímulo econômico em vários países. Políticas monetárias prudentes e bem conduzidas têm servido para fundamentar as expectativas inflacionárias. Há pressões novas nos mercados internacionais, mas a maioria das projeções continua indicando uma inflação tolerável e controlável na maior parte do mundo.

O risco maior é mesmo o de uma desaceleração, de acordo com Strauss-Kahn. Nas projeções de outubro, os técnicos do FMI já apontavam uma redução sensível do crescimento em todos os grupos de países.

As novas projeções, publicadas na semana passada, mostraram uma tendência mais acentuada de esfriamento da atividade. Pelas últimas estimativas, a economia mundial cresceu 4,9% em 2007 e crescerá 4,1% em 2008. Nas economias avançadas o recuo deve ser de 2,6% para 1,8%. No mundo emergente e em desenvolvimento a redução projetada é de 7,8% para 6,9%. Na América Latina e no Caribe, de 5,4% para 4,3%. Não são projeções desastrosas, mas, na opinião de Strauss-Kahn, justificam medidas de reativação.

O Federal Reserve, o banco central americano, já afrouxou sua política baixando os juros básicos, em pouco mais de uma semana, de 4,25% para 3%. O Banco Central Europeu e o da Inglaterra, embora reconhecendo o risco de esfriamento econômico, preferiram manter suas taxas, mostrando maior preocupação com os preços.

Mas o afrouxamento da política monetária, embora desejável, não é, de acordo com Strauss-Kahn, remédio suficiente, porque os bancos, afetados pela crise, tentam agora reforçar suas contas. A melhor solução, sustenta o diretor-gerente do FMI, é mesmo um estímulo fiscal temporário para favorecer o consumo e reanimar as empresas. Esse estímulo, insiste Strauss-Kahn, tem de ser temporário e só os governos com margem de manobra fiscal e monetária devem adotar essa política.

Se Europa e Japão seguirem esse caminho, melhor para a economia global e o Brasil estará, naturalmente, entre os beneficiários. Mas a recomendação de maiores gastos não vale, certamente, para o governo brasileiro. Não há sinal, por enquanto, de arrefecimento do consumo, e a política orçamentária adotada em Brasília já tem sido caracterizada pela rápida expansão das despesas. No caso do Brasil, deve valer o contrário: governo mais austero, para dar mais espaço ao crescimento da produção e do emprego.

Brasil é 81º em uso de celular e 72º em internet, diz Unctad

BBC BRASIL

homem no computador
Em 2006, 42,6 milhões tinha acesso à internet no Brasil
O Brasil aparece em 81° lugar em um ranking de 190 países que mede a penetração dos telefones celulares, elaborado pela Unctad (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento).

A informação consta de um relatório da agência da ONU que também coloca o país na 72ª posição em penetração da internet.

Embora o país esteja atrás de vizinhos latino-americanos nos dois quesitos, o trabalho da Unctad destaca que o número de usuários de celular e de internet triplicou entre 2002 e 2006.

De acordo com os dados do Relatório da Economia da Informação 2007-2008, em 2006 havia 99,9 milhões aparelhos de celular registrados no Brasil. Em 2002, esse número era de 34,8 milhões.

Ainda assim, a 81ª posição coloca o país atrás de Argentina (49°), Chile (54°), Uruguai (66°), Colômbia (69°) e Equador (70°).

Em relação à quantidade de usuários da internet, os dados mostram que o número de pessoas no Brasil com acesso à rede saltou de 14,3 milhões, em 2002, para 42,6 milhões, em 2006.

Na listagem geral sobre penetração da internet, o Brasil aparece mais bem posicionado em relação aos vizinhos, à frente da Argentina (78ª) e do México (79ª), embora atrás do Chile (66ª).

Banda larga

O estudo ainda mostra que além do aumento do número de computadores ligados à rede houve uma melhora na qualidade da conexão. Segundo a Unctad, no Brasil, entre 2002 e 2006, o número de usuários de banda larga subiu de 731 mil para 5,92 milhões.

No ranking geral de penetração de banda larga, o Brasil ficou em 57° numa lista de 110 países. Mais uma vez o país veio atrás do Chile (38°) e do México (57°).

A Unctad observa que, em 2006, quase 95% das empresas tinham acesso à internet, sendo que 89% contavam com banda larga.

“O alto nível de acesso à internet pelas empresas, no entanto, contrasta com o fato de que apenas metade das empresas têm website próprio”, comenta o relatório.

A agência da ONU ainda afirma em seu relatório que entre as empresas brasileiras engajadas com o “e-commerce”, ou transações comerciais pela internet, 23% realizaram compras pela web em 2006 e 30% de seus lucros vieram de vendas online feitas a partir de seus websites.

Ledger morreu por overdose de remédios prescritos

ESTADÃO

Ator morreu devido à ingestão acidental de analgésicos, pílulas para dormir e remédio contra ansiedade

AP

Heath Ledger, cujo último trabalho foi no ainda inédito Batman

Reuters

Heath Ledger, cujo último trabalho foi no ainda inédito Batman

NOVA YORK - O ator Heath Ledger, que ficou famoso por interpretar um caubói gay em 'O Segredo de Brokeback Mountain' (2005) de Ang Lee, morreu devido a uma overdose acidental de remédios, incluindo analgésicos, pílulas para dormir e medicamento contra ansiedade, informou nesta quarta, 6, o Instituto Médico Legal da cidade de Nova York.

"O senhor Heath Ledger morreu em conseqüência de intoxicação aguda provocada pelos efeitos combinados de oxicodona, hidrocona diazepam, temazepam, alprazolan e doxilamina", anunciou a porta-voz Ellen Borakove num comunicado.

As drogas são os nomes genéricos do analgésico OxyContin, dos medicamentos contra a ansiedade Valium e Xanax e as pílulas para dormir Restoril e Unisom.

Borakove negou-se a especificar a concentração de cada droga encontrada no sangue de Ledger, ou se algum remédio teve papel principal na morte.

"O que estamos olhando é o efeito cumulativo desses medicamentos", explicou.

O resultado dos exames foi anunciado duas semanas após o ator australiano de 28 anos ter sido encontrado morto nu em sua cama num apartamento do bairro nova-iorquino de Soho, no dia 22 de janeiro.

Segundo a polícia, ele tinha por perto medicamentos para dormir e outros vendidos com receita.

Num comunicado divulgado nesta quarta, 6, pelo agente de Ledger, o pai do ator, Kim, afirmou: "Enquanto nenhum remédio foi tomado em excesso, ficamos sabendo hoje que a combinação de remédios prescritos por médicos provou-se fatal para nosso filho. A morte acidental de Heath serve como um aviso para os perigos ocultos da combinação de medicamentos, mesmo em doses pequenas".

O último trabalho de Ledger no cinema foi em Batman: The Dark Knight, em que interpreta o Coringa, o grande inimigo de Batman. Após saber de sua morte, o diretor do filme, Christopher Nolan, disse que o ator estava em um período "cheio de criatividade". O cineasta britânico comentou ainda a dedicação do jovem ator australiano no set durante as filmagens de um novo capítulo das aventuras de Batman, ainda inédito nos cinemas.

O corpo de Heath Ledger deve ser sepultado em uma cerimônia privada ainda esta semana. Sua ex-mulher, a atriz Michelle Williams, de 27 anos, que conheceu no set de filmagens de 'O Segredo de Brokeback Mountain', já está na Austrália, com a filha deles, Matilda, de 2 anos. Ledger será enterrado no mausoléu familiar do cemitério de Karrakatta, em Perth, no qual repousam os restos mortais de seus avós.

O Blogueiro

Beija-Flor é bicampeã no Rio

O DIA ONLINE

Salgueiro chega em segundo lugar e Grande Rio em terceiro

Depois de mais um desfile perfeito, onde poucos erros puderam ser notados, a Beija-Flor de Nilópolis é a campeã do carnaval 2008 do Rio de Janeiro. Comandada por Neguinho da Beija-Flor, a escola de Nilópolis, a última a desfilar na segunda-feira de carnaval, conquistou o bicampeonato em um ano onde a disputa foi mais acirrada do que nos últimos títulos. O campeonato veio com o enredo "Macapaba, equinócio solar, viagens fantásticas ao meio do mundo”, organizado pela comissão de carnaval (Laíla, Alexandre Louzada, Fran, Sérgio e Ubiratan Silva).

Vale lembrar que a Azul-e-branca já tinha sido eleita este ano, pelos leitores de O DIA, ouvintes da FM O DIA e internautas do DIA Online, a vencedora do título de Escola da Alegria de 2008, da 11ª edição do Tamborim de Ouro.

Fevereiro 03, 2008

MENSAGEM AO PRESIDENTE LULA

BLOG DO LEU LEUTRAIX

"O comunismo é a corrupção de um sonho de Justiça." (Adlai Stevenson)

Senhor presidente.

Começo essa mensagem dizendo o que penso do senhor. É um direito
individual garantido pela Constituição do meu país, que ainda não é um
Estado Comunista totalmente dominado pelo stalinismo petista, conforme
seu profundo desejo.

De uma forma objetiva acho o senhor uma absurda fraude como político e
ser humano, e o pior estelionatário da política que a história do país
há de registrar.

O senhor é uma grotesca metamorfose ambulante, que não tem formação,
patriotismo, princípios, nem ideais, a não ser a luta pelo poder
ditatorial e pela sistemática manipulação da ignorância dos eleitores
para garantir a sua permanência no controle da sociedade.

Sua luta como político se resume a uma sede de poder para dominar o
país, nos transformando reféns da burguesia petista, com a
cumplicidade de suas "gangs dos quarenta" e de todos os canalhas de
ocasião, que colocam seus interesses patrimonialistas acima da
educação, do patriotismo, da cultura, da dignidade, da honra, da
honestidade, da ética ou da moral.

O poder público, senhor presidente, sob seu comando, virou um inimigo
dos que teimam em trabalhar com honestidade e estudar com esforço
próprio para crescer na pirâmide social.

O aliciamento, o suborno material, a covarde manipulação da ignorância
das massas e do pwryxzw coletivo, são suas marcas registradas, senhor
presidente. Ser pwryxzw, corrupto e prevaricador viraram valores
determinantes para esta nova sociedade petista que o senhor está
construindo.

O senhor representa, na minha visão, senhor presidente, o que de pior
já foi produzido em matéria de político prostituído que está plantando
as sementes para a destruição da democracia e das liberdades
individuais no meu país.

Seu sucesso como político, senhor presidente, está sendo possível pelo
fato de nossa sociedade ter sido, criminosamente, levada à falência
cultural e educacional por desgovernos civis contaminados pela
presença de corporativistas-corruptos e canalhas da política
prostituída, que afundaram o país no mar da degradação de valores
morais, familiares e éticos.

Nos últimos cinco anos, senhor presidente, tenho gasto uma grande
parte do meu tempo escrevendo o que penso dos seus atos de desgoverno,
que está sendo apoiado por uma hedionda mutação do stalinismo - o
petismo - e pelo mais escroto parlamento que se poderia imaginar poder
existir.

Tenho presenciado como cidadão e contribuinte, o funcionamento do seu
balcão de compra e venda de alianças com todos aqueles que aceitam
serem cooptados por dinheiro, assistencialismo, poder, status,
sinecuras e mordomias, independente de formação e posição social -
ignorantes, incompetentes, políticos, servidores públicos, meliantes,
artistas, jornalistas, empresários, estudantes, professores, mestres e
doutores.

Percebo, também, senhor presidente, que tudo está sendo feito com a
covarde e silenciosa cumplicidade da Igreja Católica, e com a
cumplicidade explícita de outras igrejas; usam e abusam da ignorância
da sociedade na cobrança dos seus dízimos - para fazer fortunas,
mandar dinheiro para contas no exterior, e construir mansões - e
manter suas pobres ovelhas caladas diante da destruição do futuro de
seus filhos e de suas famílias.

Todos estão sendo convencidos a lhe dar apoio, para que o senhor
consiga implantar no país o domínio de um Estado Comunista de Direito,
comandado por uma burguesia formada no submundo da corrupção e do mais
sórdido corporativismo, que já provocaram o apodrecimento moral e
ético dos podres poderes da República.

Nossas Forças Armadas, senhor presidente, estão sendo colocadas em
estado de inoperância, sucateamento, humilhação e desarticulação
diante de nossa perda de soberania, risco crescente de invasão das
forças comunistas de países vizinhos, falência da segurança pública, e
da flagrante destruição da Amazônia e de nossas riquezas naturais.

Nosso Poder Judiciário está arcaico e corrompido pelo corporativismo
sórdido, praticando duas justiças: uma para os ricos e poderosos,
outra para os excluídos e para os que não pertencem aos grupos que
apóiam o desgoverno petista e seus xywmplices.

A Justiça, senhor presidente, se perdeu no submundo dos artifícios
imorais que exploram as "brechas" dos códigos legais para proteger de
todas as formas as "gangs dos quarenta".

Nosso Parlamento virou uma casa de tolerância da política prostituída
que consegue envergonhar até os prostitutos e as prostitutas de
"profissão".

O Poder Executivo, sob seu comando, senhor presidente, já domina com
folga os outros podres poderes da República, graças ao silêncio e a
cumplicidade dos Tribunais Superiores, dos comandos das forças
policiais federais do país, e dos comandantes das Forças Armadas.

Contudo, reconheço que o pior do que está acontecendo com o meu país
não é o senhor ser esta grotesca fraude como político e como ser
humano.

O pior é vivermos em uma sociedade hipócrita e covarde, que está
permitindo que o senhor faça do país o quintal de suas doentias
ambições de poder e patrimonialismo, que estão transformando,
definitivamente, o poder público no paraíso da corrupção, da
prostituição da política, do corporativismo sórdido e da prevaricação.

Senhor presidente. Confesso que estou cansado de escrever e não
presenciar nenhum movimento relevante no país para destituí-lo do
poder, que foi obtido através do maior estelionato eleitoral de nossa
história.

Depois do início do julgamento da "gang dos quarenta", não suporto
mais acompanhar tamanha falência de nossa Justiça e a falta de
protesto explícito de uma sociedade tão covarde.

Estou cansado de ver os canalhas circulando pelas ruas com seus
sorrisos hipócritas sem serem incomodados pelos palhaços e imbecis dos
contribuintes.

Estou cansado da ignorância deste povo, cansado de ver uma classe
média deixar-se empobrecer sem reação, cansado da covardia da
sociedade esclarecida, cansado do corporativismo público-privado que
se vendeu à corrupção e ao petismo stalinista, cansando de uma
convivência virtual de gente que protesta, mas não consegue se
organizar para se apresentar nas ruas e lutar pelo nosso país. Somos
uma sociedade apática dominada por ignorantes, corruptos,
prevaricadores, hipócritas e covardes.

Senhor presidente, perdi a motivação para escrever e protestar no
vazio da degeneração moral e ética de nossa sociedade.

Voltarei à luta apenas se alguém estiver disposto a derramar seu
sangue para livrar minha pátria das mãos dos canalhas que estão
permitindo que se transforme o país em um Estado Comunista de Direito.

Aos meus amigos de luta virtual, senhor presidente, peço desculpas,
mas estamos nadando para morrer na praia do comunismo petista. A
vitória está sendo sua, senhor presidente.

Senhor presidente, vou apenas dedicar-me aos meus estudos acadêmicos e
ao ensino, e continuar adquirindo a formação que um dia, depois do
caos moral e ético que o senhor está provocando no país, vai me ser
útil, para lutar nas ruas e presenciar seu alinhamento junto com todos
os seus xywmplices no paredão da vergonha. Vou, também, escrever um
livro cujo título já foi escolhido: O Retirante Pinocchio, com uma
descrição histórica de sua fraude como político e ser humano.

Que a ira de Deus se transforme em espadas que cairão sobre sua
cabeça, senhor presidente, e de todos os seus xywmplices da destruição
do meu país.

"Adeus" senhor presidente, minhas palavras escritas estão indo embora.
Não nos encontramos no outro mundo, pois não irei para o inferno.

Nesta dimensão talvez nos encontremos depois do caos, se o senhor
estiver vivo até lá, e eu também.

Espero que estejamos senhor presidente, pois quero lhe ver pagando, da
forma mais dura possível, pelos seus crimes de lesa-pátria que estão
destruindo meu país e o futuro dos meus filhos e de suas famílias.

Geraldo Almendra

Consumidor sofre

FOLHA ONLINE

Em 2007, o consumo das famílias foi um dos motores do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). O dado oficial ainda não foi divulgado, mas o PIB do ano passado deverá ficar acima dos 5%. Esse bom desempenho tende a se repetir em 2008, salvo um efeito negativo muito forte da crise dos EUA, hipótese menos provável hoje.

As empresas brasileiras deveriam aproveitar o bom momento e aumentar esforços para melhorar os produtos e o atendimento ao consumidor. O Brasil tem uma das legislações de direitos do consumidor mais avançadas do mundo, mas o respeito anda meio em falta. Seguem alguns exemplos:

Linha ocupada

Uma pessoa que telefona para a NET para se queixar de interrupção do sinal de TV a cabo ou da conexão banda larga na internet tem de estar preparada para um calvário. O atendimento ao consumidor fica minutos e mais minutos com aquela música de espera. Depois de um tempo, a ligação cai.

No entanto, se o consumidor liga para o mesmo número e tecla a opção de compra de serviços, surge um atendente do outro lado da linha no mesmo instante.

Alô, alô

O consumidor que comprou um celular de uma operadora pode se preparar para receber uma bateria de telefonemas das concorrentes. Elas não darão descanso. Ligam de manhã, de tarde, de noite. Não adianta dizer que pretende continuar com a TIM. A Vivo e a Claro vão insistir. Se, por acaso, o consumidor tem também uma linha da Vivo ou da Claro, pode ir se acostumando: a TIM vai telefonar com "enormes vantagens". Se quiser cancelar, prepara-se. Vai sofrer semanas.

Está em curso uma grande negociação empresarial para a Oi (ex-Telemar) comprar a Brasil Telecom. Devido a regras do setor de telefonia fixa, é preciso aval do Palácio do Planalto. É importante que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vá além do discurso de uma supertele nacional para competir globalmente. Será preciso pensar no benefício aos consumidores.

Não tem preço

Tente cancelar um cartão de crédito Visa. Ouvirá apelos e mais apelos para não fazê-lo. E demorará uma eternidade para realizar seu desejo. A Mastercard, que prometeu não cobrar anuidade daquele cartão bacana, lançará discretamente a cobrança em sua conta. A solução será telefonar para pedir estorno. Atenção: esse ritual deverá ser repetido todo final de ano. E tome música chata no ouvido!

Já a American Express vai ligar para o seu celular e oferecer aquele fantástico benefício. Claro que terá de pagar uma ninharia adicional, mas o consumidor poderá concorrer a milhões em sorteios.

Carroça mortífera

No caso dos automóveis, já passou da hora de itens de segurança serem de série e não opcionais. A imprudência dos motoristas é freqüentemente apontada como a principal causa de acidentes. Carros mais seguros, porém, diminuiriam o número de mortes e de seqüelas físicas.

No Brasil, as camionetes ganham ano após ano motores mais potentes. São veículos com estabilidade menor do que os carros de passeio. Air bag deveria ser item de série em todos os carros. No caso das camionetes, são mais importantes ainda.

Quem for comprar um carro novo deve estar preparado para surpresas. Fiat, Volkswagen, Ford e Peugeot, só para citar algumas, mantêm modelos no mercado tupiniquim que saíram de linha na Europa e nos Estados Unidos. Equipamentos básicos de segurança nesses mercados custam os olhos da cara no Brasil. Carro no Brasil que ganha prêmio de veículo do ano tem motor projetado 20 anos atrás.

Beira o ridículo a disputa entre o Gol e o Palio pela liderança de vendas. Os executivos da Volks e da Fiat dão entrevistas falando maravilhas do desempenho da indústria, prometem brigar pela liderança etc. Seus produtos, porém, são tecnicamente defasados e esteticamente maquiados.

Ah, então tente fazer uma compra da "moderna" Nissan. Afinal, reza o marketing que carro japonês não quebra. Adquira um automóvel montado no México. Graças a um acordo com o Brasil, os carros mexicanos chegam aqui com preço de nacionais. Se tiver problema na direção e fizer barulho de automóvel usado, leve à concessionária. Garantia de dois anos é coisa chique.

Não resolveram os problemas? Leve pela segunda, terceira, quarta vez. Há grande chance, porém, de o carro ser devolvido com os mesmíssimos "incômodos". Azar o seu. Já pagou mesmo.

Segue uma sugestão de slogan para as montadoras: "Carroças modernas na medida do possível".

Praticidade

Desista de comprar um carro e alugue um. Procure a Localiza, que tem modelos novos e faça o melhor seguro possível. Pegue a BR-040, no trecho entre Belo Horizonte e Congonhas do Campo. Se um pedaço de minério trincar o pára-brisa, saiba que terá de desembolsar R$ 190 a mais. Aquele seguro sensacional não cobre esse tipo de dano. Quem mandou não ler aquelas letrinhas do contrato.

Apertem os cintos

Será preciso dizer algo sobre as companhias aéreas e seus atrasos e cancelamentos de vôos? Vamos lá: reconheçamos que a malha aérea integrada, aquela em que a mesma aeronave sai cedo de Manaus, vai para Brasília, segue para São Paulo, voa para Curitiba e termina o dia em Porto Alegre, ajuda mesmo a baratear o preço das passagens. Isso é bom.

Mas justifica poltronas tão coladas umas às outras? Justifica viajar como sardinha enlatada? Justifica tanto atraso? Um pouco menos de lucro e um pouco mais de espaço fariam um bem danado às imagens de Gol, Varig e TAM.

Que o crescimento da economia em 2008 ajude as empresas a ter mais respeito pelo consumidor. E que os órgãos fiscalizadores façam a sua parte.


Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.

Frevo na Marquês de Sapucaí

TERRA MAGAZINE

Lectícia Cavalcanti
Ricardo Leal/Photo Rio News

Frevo no Rio - A Mangueira homenageia neste Carnaval o ritmo típico de Pernambuco



"Pernambuco tem uma dança/ Que nenhuma terra tem/ Quando a gente entra na dança/ Não se lembra de ninguém", assim escreveu Capiba ("É Frevo, meu bem"), o maior compositor de frevo do mundo. Amanhã, a Estação Primeira de Mangueira homenageia nossa dança com seu samba enredo - "100 anos de Frevo, é de perder o sapato... Recife mandou te chamar". Será a quinta escola a entrar na Sapucaí.

O ritmo nasceu pelas ruas do bairro de São José, no Recife. E meio que por acaso. É que havia, no início do século passado, grande rivalidade entre as duas mais famosas bandas de música militar da cidade: a do 4º Batalhão de Artilharia - conhecida como "o Quarto"; e a da Guarda Nacional - ou "Espanha", por ter como mestre o músico espanhol Pedro Garrido.

Nos desfiles, saíam às ruas tocando dobrados, marchas e polcas. Sempre acompanhadas por capoeiristas, para defender seus músicos dos desentendimentos tão comuns naquele tempo. Disfarçados, claro. Que a capoeira era, por essa época, considerada crime. Desde o Código Criminal do Império. O Marechal Deodoro da Fonseca manteve a perseguição, ao baixar o Decreto Lei 487 (11 de outubro de 1890), prevendo de 2 a 6 meses de trabalho forçado na Ilha de Fernando de Noronha para os "vadios capoeiras", como prescreve seu art. 402:

"Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em correria, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordem, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal".

Parágrafo único - "É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta (grupos de capoeira que usavam armas); e aos chefes e cabeças se imporá a pena em dobro".

Até que assumindo o poder, com a Revolução de 1930, Getúlio Vargas revogou a lei.

Por essa mesma época surgiram os primeiros clubes de carnaval - entre eles Vassourinha e Lenhadores. Se servindo daquelas bandas. E dos capoeiristas também, claro. Só que, para disfarçar trocaram bengalas ou cacetes (da duríssima madeira de quiri) por sombrinhas; e os golpes de sua luta, por piruetas - "passos", assim se passou a dizer - acompanhando sempre o ritmo da música.

Hoje, são mais de 120 catalogados, entre eles: abanando, caindo-nas-molas, canguru, dobradiça, ferrolho, locomotiva, parafuso (ou saca rolha), pernada, ponta de pé e calcanhar, saci pererê, tesoura (cruzada, no ar, passando a sombrinha), trem de ferro, vôo de andorinha. Como ensina Câmara Cascudo, "no mar do frevo cada peixinho nada de seu jeito".

O nome apareceu, pela primeira vez, em 9 de fevereiro de 1907. Numa coluna do vespertino "Jornal Pequeno", assinada pelo jornalista Oswaldo Oliveira - anunciando um ensaio do clube Empalhadores do Feitosa (do bairro de Hipódromo), em cujo repertório estava marcha intitulada "O Frevo". É que o povo dizia "frever" (corruptela de "ferver") para designar aquela algazarra das ruas. Lembrando a fervura de uma cidade em ebulição; ou a fervura do sangue quente, do pernambucano; ou a fervura doce do tacho de mel de nossos engenhos de açúcar. Segundo Mario Melo, a dança saiu das ruas e passou a freqüentar os salões somente em 1917.

O frevo encantará todo o povo, com certeza. Pena só que não vá junto, com ele, também nossa culinária de carnaval. A escolha dos pratos, nessa época, depende apenas da disposição de cada um. Para os que preferem não brincar, melhor reunir amigos em volta de pratos fortes e completos - buchada, carne-de-sol, cozido, crustáceos ensopados no molho de coco, feijoada, peixada, sarapatel.

Mas, para quem for brincar, melhor pratos mais leves. Mantendo ainda a tradição portuguesa de comer salada, bacalhau, carneiro e porco. Em qualquer caso, recomenda-se arrematar sempre com filhós - palavra que vem do latim "foliolum", significando "bolo folhado". "Nos dias de Carnaval, o velho filhós com mel...", escreveu Gilberto Freyre ("Açúcar"). É o mais típico dos pratos de carnaval.

Presente em todas as casas tradicionais de Pernambuco. Um costume introduzido, aqui, pelo colonizador. Só que, à receita original portuguesa, acabamos acrescentando uma calda. Agora é só esperar o desfile de amanhã e juntar nossa voz à dos cariocas, cantando o samba enredo - "Capoeira invade os salões/ Mascarados, despertam Dragões/ E pelas ruas, vem Zé Pereira,/ Arrastando a multidão... Mandou me chamar, eu vou/ Pra Recife festejar/ Alegria no olhar eu vejo/ É frevo, é frevo, é frevo".

RECEITA: FILHÓS TRADICIONAL

INGREDIENTES:

3 ovos
1 xícara de chá de água
½ colher de sopa de sal
½ colher de sopa de manteiga
¾ de farinha de trigo.

PREPARO:

Leve ao fogo a água. Quando levantar fervura junte manteiga e sal. Deixe novamente ferver. Diminua o fogo e jogue o trigo (de uma só vez). Mexa até fazer uma bola de massa consistente. Desligue o fogo. Continue mexendo. Quando estiver frio junte os ovos inteiros, um a um. Bata vigorosamente por ½ hora.

Tampe a panela e deixe a massa descansar por aproximadamente 2 horas. Coloque 3 dedos de óleo em uma panela. Quando aquecer o óleo (fogo médio), jogue nele colheradas da massa, para fritar. Quando a massa começar a crescer no fogo tampe a panela, balançando e rodando, para que a massa cresça ainda mais. Quando estiver dourada retire do fogo, seque, e depois coloque em compoteira.

Sirva acompanhado de uma calda rala feita com 1 copo americano de água, 1 xícara de chá de açúcar e gotas de limão.

Lectícia Cavalcanti coordena o caderno Sabores da Folha de Pernambuco, escreve na Revista Continente Multicultural e no site pe.360graus.

UM POETA VESPERTINO

Divulgação

Paulo Henriques Britto, poeta (e ocasional contista), gosta mesmo é de romances - foi o que afirmou em uma das inúmeras entrevistas que concedeu quando, em 2004, recebeu o prêmio Portugal Telecom de Literatura por seu livro Macau. Se levarmos em conta o que afirmou Ernesto Sábato sobre os dois gêneros - a prosa é diurna, a poesia é noturna -, talvez possamos avançar um pouco na compreensão de sua obra, ímpar no âmbito da poesia contemporânea.

A poesia lida com uma linguagem de trevas e abismos, afirmou o escritor argentino; ainda que isso seja verdade para a maior parte das obras do gênero, não é absolutamente a regra para o caso de Paulo Henriques - cuja obra, seguindo uma tendência inversa, parece dotada de cada vez maior clareza, como demonstra seu livro mais recente, Tarde (Companhia das Letras, 2007). Seus versos, menos que noturnos, são vespertinos, e não se trata de fazer assim um mero trocadilho: há neles, de fato, uma síntese entre uma dicção límpida e clara e uma pluralidade simbólica que supera, necessariamente, os limites da razão. Por outro lado, é intrínseca a essa proposta poética a percepção da diferença entre o que se diz e o que se quer dizer - ou, por outra, a clivagem entre palavra e sentido, razão e afetividade. Veja-se, por exemplo, o último dos Cinco sonetetos trágicos:

Acordar e entender (sem alívio)

que esta noite de sono manteve

cada objeto onde ele sempre esteve,

inclusive você, inclusive o

incansável desejo impossível

de não ser outra coisa senão

inconsciência e escuridão.

Note-se que a inquietação metafísica aí tematizada é fortalecida pela própria construção do poema, sobretudo pela variação rítmica inserida pelo terceiro verso, que se encaixa na métrica dominante graças a um jogo de elisões e crases que se repete no verso seguinte - e que, não obstante, é abandonado no verso final, onde o hiato faz-se obrigatório na leitura.

A falsa simplicidade é um aspecto notável da poesia de Paulo Henriques Britto, onde é constante um jogo de escamoteações que oculta, sob o que para muitos pode parecer leviano ou trivial, temas de grande complexidade. Leia-se, por exemplo, "O metafísico constipado", poema cuja construção lúcida e límpida encerra, sob a falsa aparência do chiste, questionamentos de cunho nietzschiano:

Não há epifanias nesta noite,

nem escatologias sob a mesa.

O caco de lua que a janela emoldura

dispensa pretensões a inteireza.

Mas diante de tal ânsia de infinito

como pode tão pouco ser bastante?

aos céus ele pergunta, e na terra procura

um bom compêndio e o frasco de purgante.

No tocante tanto à forma quanto à matéria, Paulo Henriques Britto não é um poeta afeito a contingências. Sua poética é marcada pela precisão e pela concisão - não o tipo de concisão (falsamente) minimalista praticada por parte dos poetas contemporâneos, que não faz mais do que ocultar o vazio sob a inabilidade técnica; mas uma concisão que nasce do domínio formal, e que consiste em utilizar não mais do que o necessário para dizer o essencial.

A lucidez com que Paulo Henriques entrega-se a essa tarefa explica, talvez, a razão de construir diversas séries de poemas, formas distintas de se abordar aspectos fundamentais de uma mesma constelação temática; em Tarde, por exemplo, há "Cinco sonetos grotescos", "Quatro autotraduções", "Três prenúncios", "Sete peças acadêmicas", "Cinco sonetetos trágicos", dentre outros - que tratam, invariavelmente, daquilo que se oculta sob a máscara da banalidade cotidiana. Entre a clareza diurna e o lirismo noturno, Paulo Henriques Britto faz, de "Tarde", um dos raros momentos em que a poesia revolve os véus que encobrem o dia-a-dia.

O Blogueiro

O escalador de nuvens

RELEITURAS - NOVOS ESCRITORES

Carlos Vageler (1967) reside em Vinhedo (SP). Formado em Educação Física, Fisiologia e Turismo, começou, em 1990, a escrever para o jornal "Diário do Povo" de Campinas (SP), relatos de viagens que fazia. Em 1997, passou a colaborar com na revista eletrônica "360graus Esportes e Aventura", escrevendo textos de sua área de formação e, também, contos. Participou em dois livros de autoria de Vera e Yuri Sanada — "De Carona com o Vento", Ed. LPM, e "Aventura nos Negócios", Ed. Termo. Faz planos para um livro "solo" em 2008. Atualmente trabalha com produção editorial, AVENTURAcomBR Edições.

Carlos Vageler

Pedro não se conformava com a vida que estava levando. Preso a uma cadeira de rodas, sua mente sempre estava repleta de lembranças dos momentos que antecederam o fatídico acidente de carro que lhe tirou os movimentos das pernas.

A festa, os amigos, as gargalhadas e os mais ínfimos detalhes. O número de passos até sentar-se atrás do volante, os minutos, o que falara e os outros também. Procurava incansavelmente algum detalhe no passado que pudesse ter-lhe salvo daquele destino. Conseguia apenas com isso se desencantar, entristecer-se. Mas a todo o momento procurava uma saída naquilo que não tinha mais volta. Se não tivesse com tanta pressa de sair da festa? Se não tivesse parado para conversar com aquela pessoa? Se o carro tivesse falhado ao sair...

A vida de Pedro se resumira a pensar no "Se" houvesse acontecido algo que pudesse ter evitado o acidente. O tempo passava e tudo o angustiava. Parou de estudar, perdera o estágio que fazia e os "amigos" dificilmente o procuravam para uma conversa que fosse, pois Pedro se tornara uma pessoa extremamente "amarga". Havia desistido de praticamente tudo.

Uma certa noite Pedro, na varanda do apartamento que dividia com sua mãe viúva, olhava o movimento da rua e começou a prestar mais atenção aos detalhes de tudo que ocorria ali a sua volta. O prédio que estava ficava numa esquina de uma rua movimentada com outra transformada em um calçadão, na qual se projetava a sua varanda. Isso lhe dava uma visão estratégica de uma ponta a outra do mesmo.

A princípio apenas como algo para passar mais rápido o tempo, que dizia ser seu maior suplício, ficava a olhar as pessoas que vinham e iam apressadamente e outras tantas de maneira despreocupada. Ao reparar numa especificamente, Pedro a seguia com os olhos desde o início da rua. Reparava em seus passos, se eram lentos ou não, sua cadência e até a velocidade entre um ponto e outro que passava, de uma árvore até a lixeira laranja, de um desenho a outro do mosaico que decorava o passeio. Isso tudo, de certa forma, amenizava aquela que já era sua mania de pensar no que poderia ou não ter acontecido no passado.

Uma certa hora apontou na esquina e virou para sua rua uma mulher de vestido azul, negros cabelos compridos ao vento, batom vermelho percebidos ao longe, sapatos pretos e brilhantes, barulhentos ao tocar no chão; toc toc, toc toc, que Pedro escutou logo que ela deu o primeiro passo após a esquina que conseguia avistar.

Aquela mulher por algum motivo lhe chamara muito a atenção, não somente pela beleza, pois já havia visto muitas outras beldades, mas o conjunto de detalhes, a forma de andar, de movimentar os braços, a cintura. Aquela criatura conseguiu fazer com que o tempo fluísse de uma maneira singular, própria de momentos de um filme onde um instante demora a acontecer. Os intervalos entre os passos e o que ocorria neste ínterim invadiam seu pensamento. De onde era? por que estava ali? Onde havia de ir?

Após percorrer toda rua a mulher postou-se diante o meio fio da calçada, bem abaixo de onde estava, para atravessar a rua. Parada, olhou para o lado do fluxo da via, esperou dois carros e uma moto passar. Com ar despreocupado e mente totalmente levada por algum pensamento, coloca seu pé direito na rua.

Pedro, como estava fazendo pelos longos últimos 100 metros percorridos pela morena, observava a cena, quando percebeu um carro saindo apressadamente de uma garagem, que de forma totalmente inconseqüente dá sinal de que vai entrar na rua pela contramão a poucos metros da mulher que, atentando aos veículos que acabavam de passar a sua frente pelo sentido correto, coloca o segundo pé na rua para começar a atravessar. Velozmente o carro recém saído da calçada por detrás de uma banca de jornal, avançou para cima da mulher que não percebia o perigo.

Desesperado e num impulso sem consciência, Pedro, com suas mãos não muito fortes, coloca seu corpo para frente e para cima apoiando nos braços da cadeira de rodas e se põe em pé. Por um pequeno instante parece flutuar. No momento seguinte, com a força do impulso bate o peito na grade da varanda e fica com a metade do corpo para fora, praticamente dependurado no segundo andar do prédio. Com a pancada na barriga e o susto de seu próprio ímpeto, apenas conseguiu soltar de dentro de suas entranhas um vigoroso e rouco som:

— Eiiiiiiiiiiiiii

A mulher, não sabendo de onde vinha o grito, desviou o olhar da linha que pretendia seguir até o outro lado da rua e voltou-se para seu lado esquerdo, de onde vinha o carro pronto para acertá-la. Deu um passo para trás, o carro freou, mas a pegou de raspão, o que a fez cair de costas e bater a cabeça no chão. A linda morena, com os cabelos agora sobre sua face está caída e fica desmaiada por alguns segundos. Recobrando a consciência, abre os olhos e com as imagens em sua retina ainda turvas, olha para cima, no que vê um homem bem no alto, como que a aparecer no meio das nuvens, com um grande sorriso de alegria e conforto ao perceber que estava bem. Parecia um anjo, outrora muito triste que havia realizado um sonho.

Pedro, ainda equilibrando-se com a metade do corpo para fora da varanda, permanece ali até a linda mulher de azul levantar-se amparada pelos que ali passavam. Tudo havia ocorrido em menos de um minuto. Ainda com a força dos braços conseguiu pendular-se para dentro da varanda.

No momento que percebeu estar em segurança, em pé, apoiando-se somente com uma das mãos, teve um turbilhão de pensamentos e questões começaram a lhe brotar:

E se ele não tivesse gritado para a mulher? E se ele não tivesse perdido tanto tempo pensando no passado? e se começar a tentar a andar novamente? e se começar uma nova vida? E, se ele quiser, poderia até escalar as nuvens.

A cadeira quebrada

RELEITURAS - NOVOS ESCRITORES

Priscila Zambotto

Sinto as pernas cansadas, um vazio de alma, de corpo, de vida. Tudo é solidão. Silêncio. Espera. Dentro do quarto em que me encontro só restam lembranças. Cercada por quatro paredes, olho ao meu redor e vejo tudo parado, imóvel. Sinto saudade das festas cintilantes, dos almoços coloridos aos domingos, dos jantares íntimos e sussurrantes, da mancha de vinho que nunca saiu, do perfume das flores inundando e envolvendo o ar, da música do velho piano que hoje nem existe mais. As crianças que brincavam de se esconder sob a mesa cresceram; muitos anos se passaram. Tudo que era eterno acabou. Sinto falta das tardes ensolaradas passadas no jardim. O gato dormindo seu sono quente e macio; tão quente e tão macio como o branco e longo pelo que cobria seu corpo repousado sob o sol.

Agora, impotente, só me resta uma inevitável introspecção causada pelo isolamento claustrofóbico de um quarto escuro que há muito aprisiona objetos, lembranças, cheiros e esperanças. O ar viciado sufoca, imobiliza, anestesia como gás paralisante. Incomunicável e encarcerada na minha própria existência, espero por alguém que perceba a minha angústia, que olhe para mim e me dê valor.

Silêncio. A noite é escura e fria. Em minha inerte permanência continuo a esperar. A tristeza e o tédio me consomem, já não suporto mais tanto desprezo. Mas não tenho mágoa, apenas gostaria de poder ajudar, ser útil a alguém. Deve haver algo que eu ainda possa fazer.

Agora ouço vozes na sala: o silêncio se desfaz. Ouço passos. Entra alguém. É ele. Olha para mim com ternura enquanto caminha incerto em minha direção. Permanece ao meu lado por alguns instantes a me observar calado, como se lembranças do passado subitamente invadissem sua mente.

A noite está realmente fria. Ele me pega nos braços e me carrega em direção à sala. As vozes vão se tornando mais altas e nítidas à medida em que vamos nos aproximando. Um sopro de esperança e alegria invade meu coração: não me esqueceram!

Na sala, sou jogada à lareira e o fogo é aceso.

Priscila Zambotto (1968), nasceu em São Caetano do Sul e atualmente mora em São Paulo (SP). É publicitária, ilustradora e fotógrafa. Sempre gostou de escrever. Não tem trabalhos publicados. O texto acima foi escrito originalmente quando tinha 14 anos e, na época, foi premiado num concurso de redação entre vários colégios do ABC. Há pouco tempo foi reescrito a fim de deixá-lo um pouco mais rico, segundo a autora.

O Blogueiro

Versão brasileira do YouTube começa a vender espaço para anunciantes

IDG Now!

São Paulo - Plataforma permite inclusão de banners e vídeos ou criação de hotsites das marcas. Anunciantes pagam a partir de R$ 50 mil.

A versão brasileira do site de compartilhamento de vídeos YouTube começa a vender espaços para anunciantes, anunciou o Google na quarta-feira (30/01).

A plataforma de publicidade permitirá a inserção de banners e vídeos na página oficial do site e também a criação de um Brand Channel - hotsite das marcas.

Segundo o diretor de vendas para novas mídias para a região da Ásia-Pacífico, Crid Yu, os anunciantes contratam todas as etapas de inserção por valores a partir de 50 mil reais.

Os produtos não serão vendidos avulsos, pois a idéia do Google Brasil é garantir o retorno esperado.

Até o final do ano, estará disponível uma ferramenta de concurso, com a qual os usuários poderão postar seus vídeos para serem avaliados segundo as propostas dos anunciantes.

O YouTube brasileiro recebe em torno de oito milhões de usuários únicos mensalmente.

O Google criou polêmica, em agosto do ano passado, ao revelar modelo de anúncios dentro de vídeos. Pouco tempo depois, afirmou que os usuários decidiriam se queriam ver ou não a publicidade.

Recentemente, o site iniciou um programa para dividir a receita dos vídeos com seus criadores.

Carnaval de Colônia, o mais alegre da Alemanha

DW-WORLD

A metrópole à beira do rio Reno é o bastião da folia mais similar à brasileira. Ao menos em sua filosofia: tchau para a realidade e cair na gandaia, com muita cerveja, fantasia e animação.

O turista não tem melhor oportunidade para ver tanta animação, bom humor e alegria em Colônia do que no Carnaval, ou Fastelovend, como a festa também é chamada na cidade. Há pessoas fantasiadas por todas as partes, bares cheios, bailes e desfiles. O bom humor contagia a população.

O Carnaval de Colônia é quase tão velho como a cidade, fundada pelos romanos. Mas da forma como é festejado atualmente, existe desde 1823, quando cidadãos de Colônia fundaram um comitê organizador. Afinal de contas, para os alemães, tudo deve ter a sua ordem!

Homens comandam a festa

Este comitê, do qual só homens fazem parte, define o tema do Carnaval, além do percurso dos desfiles oficiais e quais sociedades carnavalescas podem participar do desfile mais importante, na segunda-feira, feriado inoficial em Colônia.

Virgem, Príncipe e Camponês

Virgem, Príncipe e Camponês

O comando dos festejos cabe a um trio: um príncipe, um camponês e uma virgem, representada na verdade por um homem. Herança da Idade Média. Os dois primeiros simbolizam a força da nobreza e do povo para enfrentar o domínio de estrangeiros sobre a cidade. A virgem representa a resistência em pessoa.

Quase toda coincidente com o inverno europeu, a "quinta e mais quente estação do ano", como os colonianos ironicamente chamam o período carnavalesco, se inicia sempre, oficialmente, no dia 11 de novembro, às 11 horas e 11 minutos, com show e muita cerveja no centro da cidade. A partir de então, acontecem bailes e shows nos fins de semana, preparando o ânimo do povo para o desfile principal.

Mulheres têm dia especial

Foliãs não têm medo da polícia no 'Dia das Mulheres'

Foliãs não têm medo da polícia no 'Dia das Mulheres'

Numa festa tradicionalmente comandada pelos homens, desponta como contraponto a chamada Quinta-feira das Mulheres (Weiberfastnacht), a última antes dos dias propriamente ditos de Carnaval. Neste dia, elas têm direito a fazer o que quiserem, a começar por cortar as gravatas de todo homem que estiver usando uma.

Mulheres e homens festejam nos bares, salões ou onde quer que seja até o sol raiar. É comum ver os policiais que tratam da segurança da festa terem um coração pintado com batom na maçã do rosto.

Na sexta-feira, há festas e muita vida nos bares. Aliás, nesta noite também acontece o já tradicional Baile Brasileiro, que reúne a grande comunidade de brasileiros em Colônia, além de alemães aficionados pelo Brasil. O evento realiza também concurso de fantasias entre os foliões. Outras cidades alemãs, como Munique, também têm bailes de Carnaval brasileiro.

No sábado à noite, a vez é do Desfile dos Fantasmas (Geisterzug). Um programa alternativo à agenda oficial, sem dinheiro, improvisado, mas muito criativo nas fantasias.

No domingo, é a vez do concorrido desfile dos colégios e bairros, que serve de aquecimento para o dia seguinte, quando se apresentam os clubes e sociedades mais tradicionais e os vencedores do desfile da véspera.

Rosenmontag, o dia principal

A Segunda-feira das Rosas é a data mais importante do Carnaval coloniano. Os turistas e a população – quase toda fantasiada – acorrem em massa para as calçadas e ficam horas esperando e assistindo ao grande desfile que percorre sete quilômetros, num trajeto sinuoso pelo centro da cidade.

Carnavalescos jogam guloseimas de carro alegórico

Carnavalescos jogam guloseimas de carro alegórico

Mais de 70 carros alegóricos e 100 sociedades carnavalescas passam pelas ruas, com seus integrantes jogando mais de 100 toneladas de balas, bombons, flores e pequenos presentes, para a alegria das crianças e adultos. A música fica por conta de bandas e fanfarras. As letras exaltam a paixão pelo Carnaval. O bairrismo e o humor também não faltam.

A cerimônia tenta ser uma sátira às paradas de soldados franceses do início do século 19, quando estes ocupavam Colônia, mas o turista recém-chegado não perceberá isto, a não ser que alguém conte para ele.

Muitos clubes carnavalescos mantêm a tradição de desfilar com uniformes vermelho e branco ou azul e branco, marchando ao som da banda. Hoje, alguns historiadores acreditam que, na verdade, a zombaria visava as próprias tropas que fugiram covardemente com a chegada dos franceses.

Queima do Nubbel, fim da festa

Boneco simbolizando o então chefe de governo Gerhard Schröder foi 'Nubbel' em 2003

Boneco simbolizando o então chefe de governo Gerhard Schröder foi 'Nubbel' em 2003

A priori, os festejos terminam à meia-noite de terça-feira, quando chega a hora de se cremar o Nubbel, um boneco de palha que passa os dias (e noites) de folia dependurado sobre a porta dos bares. Em julgamentos geralmente sumários, ele é acusado e condenado pela farra e pelos pecados cometidos durante o Carnaval.

Já há porém versões mais modernas, em que o pobre Nubbel tem direito a um "advogado de defesa", mas, por outro lado, também acaba sentenciado pelos infortúnios e desgraças vividos cotidianamente pela população. E ele não escapa de seu destino: a fogueira.

Então já é Quarta-feira de Cinzas, o dia em que o almoço tradicional tem peixe no cardápio.

Bancadas querem poupar as obras

DIÁRIO DO NORDESTE

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José Pimentel apresenta relatório do Orçamento após o Carnaval (Foto: Silvana Tarelho)

Bancadas querem livrar a Transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina dos cortes do Orçamento

Brasília. A ordem do Governo Federal de cortar emendas parlamentares virou um desafio para os deputados e senadores do Nordeste. Nos últimos dias, os parlamentares intensificaram reuniões e definiram quais emendas iriam para o sacrifício. Em geral dois critérios foram estabelecidos, independente dos Estados e dos partidos: vão ser cortadas as propostas que prevêem novas obras e reduzida a expectativa de gastos por emenda.

O Orçamento Geral da União (OGU) reúne as previsões de receitas e despesas do país para o ano. No Nordeste, predominam emendas de saúde, educação e infra-estrutura. Este mês, depois do carnaval, a proposta final orçamentária será apresentada pelo deputado federal José Pimentel (PT-CE), relator-geral do Orçamento 2008.

Mas sem alarde, a briga entre os parlamentares já começou. Deputados e senadores querem salvar suas emendas. Os líderes das bancadas dos nove Estados nordestinos propuseram 50% de suas emendas para obras estruturadoras.

O relator-geral do Orçamento disse que dos R$ 20 bilhões que vão precisar ser cortados, as emendas de bancada proporcionarão corte de apenas R$ 12 bilhões.

O coordenador da bancada nordestina, deputado federal Zezéu Ribeiro (PT-BA), destacou que as emendas de bancada regional que existiam até 2006 já representam uma contenção de gastos. Segundo ele, a decisão de acabar com as emendas regionais terminou por valorizar ainda mais as emendas de bancada, que ficaram quase que exclusivamente para grandes obras.

Infra-estrutura

Zezéu afirmou também que os parlamentares concluíram que a principal carência em todos os Estados do Nordeste é em relação a obras de infra-estrutura. ´Atualmente a Região Nordeste não pode abrir mão de obras de infra-estrutura, onde é mais carente. Ferrovias, como a Transnordestina que liga portos do Piauí, Pernambuco e Ceará têm que sair do papel. A ferrovia Leste-Oeste, na Bahia também é prioritária, a integração das bacias do Rio São Francisco e as obras relativas à melhoria dos serviços de energia, transporte rodoviário e portuário´, salientou.

Para o coordenador, as emendas que tratam de investimentos sociais, incluindo medidas de educação e saúde, não serão sacrificadas em decorrência dos cortes.

Das nove bancadas nordestinas, a de Pernambuco foi a que mais apresentou emendas ao orçamento. Foram apresentadas 25 propostas. Os setores de turismo e irrigação e integração nacional foram os mais contemplados, com quatro emendas cada, seguido da área de transportes com três emendas e educação com duas. Para o vice-líder do PT deputado Maurício Rands (PE), não há como cortar emendas da área de educação e saúde. ´Eu acredito que infelizmente terão que ser sacrificadas as obras. Talvez algumas que já estejam em andamento. Não sabemos ainda. É uma tarefa muito difícil porque a rigor, nada pode ser cortado´, afirmou.

Mascarados invadem Bezerros no domingo

PERNAMBUCO.COM
arados invadem Bezerros domingo


Foto: Gil Vicente/DP

Na época da escravidão, os senhores de engenho realizavam grandes festas no carnaval. Da senzala, os escravos perceberam que os mascarados tinham livre acesso à casa grande. Para participar da comemoração, comer e beber sem nenhum problema, os escravos começaram a confeccionar roupas e máscaras que não permitissem que eles fossem reconhecidos. Uma das coisas que chamava a atenção dos outros convidados era o apetite dos mascarados.

A escravidão terminou, mas não a fama desses foliões. Conta-se que, em 1905, as primeiras máscaras foram confeccionadas com papelão e papel de embrulhar charque. Os fantasiados entravam nas casas para comer e beber e eram recebidos com angu. De acordo com alguns historiadores, daí vem a tradição dos Papangus, principal atrativo do carnaval da cidade de Bezerros, a 107 km do Recife. Os moradores da cidade contam ainda uma outra versão complementar: dizem que os homens aproveitavam as fantasias para brincar o carnaval sem serem reconhecidos, despistando assim a atenção das esposas. Independente da origem, a tradição manda que os mascarados mantenham segredo sobre as máscaras que serão utilizadas durante os dias de momo.

A festa cresceu e hoje A Folia das Papangus enche de cores e, claro, de mascarados as ruas da cidade de Bezerros. Principalmente no domingo de carnaval, dia do desfile oficial dos papangus. Para os pernambucanos e turistas que curtiram o Galo da Madrugada no dia anterior e sabem que em Olinda a festa vai até a quarta-feira de cinzas, Bezerros é uma opção para conhecer e curtir a diversidade do carnaval pernambucano.

Na programação da cidade no domingo (3), a concentração do Bloco dos Papangus, com participação do Bloco Trupe Del Mexicanos, Bloco Boi Óla, Bloco Urso Pão, Maracatu Leão Coroado, Balé Papanguarte, Balé Folcpopular, Grupo Percussivo, Grupo GAMR de Gravatá, Orquestra Brasil Tropical e orquestras de frevo, começa às 12h, na Praça São Sebastião, no centro da cidade.

Na Praça Duque de Caxias, onde está montado o Pólo Carnaval de Todos, quem comanda a festa, a partir das 13h, é Antônio Carlos Nóbrega. Às 17h, a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, liderada pelo maestro Forró, anima os mascarados. A festa continua até a terça-feira de carnaval, para a agonia das esposas dos mascarados e felicidade dos foliões.

Bebê tem pescoço quebrado na Maternidade Evangelina Rosa

PORTAL AZ

Um bebê que nasceria hoje (02) teve a vida interrompida por causa de uma negligência médica, segundo denúncia da família de Maria da Conceição Alves dos Santos, 20 anos, que teria o seu filho neste sábado. Às 4 horas da madrugada, o pescoço do bebê foi quebrado durante um parto normal feito por uma médica residente, no primeiro dia da residência dela na Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina.

Segundo a cunhada de Conceição Alves, Lucilene Barros Ferreira, o médico de plantão era o Dr. “Nargelle”, que teria dito que o bebê nasceria de um parto cesariano e não normal como tentou fazer a médica residente Lílian Borges Mendes da Silva.

“Cheguei lá às 9 horas da manhã para deixar as roupinhas do nenê, perguntei por minha cunhada, e a atendente disse que ela estava no soro e não tinha tido bebê ainda, mas era mentira porque o parto foi às 4 horas da madrugada. E ainda só às 10h30 ligaram para a nossa casa avisando que o bebê tinha nascido morto”, conta Lucilene Barros, tia do bebê.

A certidão de óbito diz que a causa da morte foi uma fratura cervical devido a uma conseqüência de desproporção cefalopélvica, ou seja, uma diferença no tamanho da bacia da mãe e a cabeça do bebê.

O diretor da Maternidade Evangelina Rosa, Francisco Passos, disse que não podia informar detalhes desse caso porque teria que ver a certidão de óbito primeiramente, mas garantiu que quando a denúncia chegar formalmente até ele, vai ser instaurada uma sindicância para investigar se houve erro médico.

A família da vítima vai levar o caso à Polícia e à ouvidoria da Meternidade. “Vamos denunciar para que outras mães não percam seus filhos por causa de um erro médico”, finalizou Expedita Ferreira, avó do bebê.

Tiroteio deixa 4 mortos em shopping nos EUA

BBC BRASIL
Polícia isolou a área ao redor da loja de roupas Lane Bryant. Foto: AP.
A polícia isolou a área ao redor do local do incidente.
Quatro pessoas morreram e uma ficou ferida em um tiroteio em um shopping no sul de Chicago neste sábado.

A polícia de Chicago declarou que o incidente aconteceu no subúrbio de Tinley Park, informou a imprensa local da cidade.

Segundo o jornal Chicago Tribune, o incidente teria acontecido na loja de roupas Lane Bryant, do shopping Brookside Market Place, por volta das 16:45 GMT (14:45, horário de Brasília).

As autoridades locais não têm mais detalhes sobre o incidente, mas é possível que um suspeito tenha fugido do local.

A polícia isolou a área e helicópteros estão sendo usados para encontrar o responsável.

A correspondente da BBC em Washington, Kim Ghattas, relata que a polícia está procurando por um homem forte, com capuz e jaqueta de cor escura.

Segundo ela, ainda não há detalhes sobre o possível motivo do tiroteio.

Os Estados Unidos renegam Bush

ESTADÃO

Na noite de segunda-feira passada, o presidente George W. Bush compareceu à Câmara dos Representantes para ler o seu sétimo e último discurso sobre o Estado da União, um dos ritos mais característicos da liturgia política americana, oficiado a cada janeiro pelo titular de turno da Casa Branca. Mas, no que terá sido o primeiro esboço de epitáfio da era Bush, o pronunciamento mereceu da mídia do país uma fração apenas da sua atenção ao que rotulou "a esnobada" - o dar de costas do presidenciável democrata Barack Obama à rival Hillary Clinton, no momento em que, ao seu lado no plenário, ela e o senador Ted Kennedy trocavam um aperto de mãos, pouco antes de Bush subir à tribuna. Se um factóide desses ofusca a fala do presidente dos Estados Unidos da América, no evento talvez mais solene que lhe cabe estrelar, é porque o país já lhe deu as costas, 51 semanas antes do fim do seu mandato.

Na vida das nações, é normal que o apelo do futuro próximo, embora ainda indeterminado, ou por isso mesmo, remeta a segundo plano o interesse pelo presente que se esfuma. Daí a expressão "pato manco" (lame duck), significando irrelevância, com que os americanos apequenam os seus dirigentes na reta final de sua passagem pelo poder. O que está por vir ocupa a cena ainda mais quando, pela primeira vez desde 1928, não participam da batalha eleitoral nem o chefe do governo nem o vice. Mas o ar que se respira nos Estados Unidos não é o de uma contagem regressiva como as outras - é de imitigada ansiedade pela partida do seu pior condutor de que se tem memória. Tampouco há lembrança de um momento em que só 19% da população, conforme as pesquisas mais recentes, entenda que os Estados Unidos estão no rumo certo. Ou de uma situação em que nenhum dos correligionários do presidente que aspiram à sua cadeira ousa invocar o seu nome diante do eleitorado.

A era Bush, efetivamente, foi uma tragédia americana, para usar a expressão que reproduz o título do conhecido romance de Theodore Dreiser. Já nos seus meses iniciais em Washington - onde chegou com menos votos populares do que o adversário Al Gore e graças a uma fraude eleitoral que receberia o endosso de uma Suprema Corte ideologizada - ele só fez aprofundar o fosso que dividira a América em duas, mandando às urtigas o mote de campanha "conservadorismo compassivo" e abraçando a causa do fundamentalismo religioso. Ao mesmo tempo, dava os primeiros sinais de que a sua política externa não teria nada do "respeito decente pelas opiniões da humanidade" consagrado pelos pais-fundadores da república. Em 10 de setembro de 2001, a maioria dos observadores políticos independentes repetiria, se lhes fosse perguntado, que o texano provavelmente teria a sina do pai, presidente de um único mandato. O ultraje perpetrado pela Al-Qaeda no dia seguinte mudou o curso previsível da história.

Explorando com extraordinária competência o horror, o aturdimento e o inédito senso de vulnerabilidade da população, os titeriteiros da Casa Branca fizeram de Bush, perante a opinião pública, o invulnerável escudo humano de uma nação cujo luto e ira transformaram em cego chauvinismo. O dissenso democrático e a tradição da imprensa de investigar e expor as mazelas de Washington foram execrados desde a primeira hora como crimes de lesa-pátria, instrumentos do terrorismo. "Quem não está conosco está contra nós", proclamou Bush. Entorpecidas, silenciadas ou cooptadas aquelas vozes que desde sempre sustentaram a singular democracia americana, ficaram sem contestação as mentiras monumentais que pavimentaram o caminho para a insana ocupação do Iraque. Quando a força devastadora dos fatos os despertaram, os Estados Unidos se viram enfim diante das ignominiosas realidades do bushismo.

"Os Estados Unidos combatem hoje em duas frentes (Iraque e Afeganistão), a economia ruma para a recessão, o mundo civilizado ainda enfrenta perigos aterrorizantes - e tem muito menos simpatia e respeito pelos Estados Unidos", resumiu o New York Times o perverso legado de Bush, ao comentar o seu derradeiro discurso perante o Congresso. E o pior é que nada disso desaparecerá da noite para o dia quando outro for o presidente. "O mal que os homens fazem lhes sobrevive", escreveu Shakespeare em 1599. Valerá para a América de 2009.

Fevereiro 01, 2008

Recife abre as portas para a folia nesta sexta

PERNAMBUCO.COM

“É lindo ver o dia amanhecer
Com violões e pastorinhas mil
Dizendo bem
Que o Recife tem
O carnaval melhor do meu Brasil ”
Último regresso
Getúlio Cavalcanti

O clima de carnaval já está nas ruas do Recife Antigo, na decoração espalhada pela cidade, nas fantasias e adereços vendidos no bairro de São José. Mas os versos do poeta e compositor Getúlio Cavalcanti devem ganhar ainda mais significado nesta sexta-feira, 1º de fevereiro, com a abertura oficial do carnaval do Recife.

A festa está marcada para começar às 18h, na Rua da Moeda, no Recife Antigo. É de lá que saem os 500 batuqueiros de 14 nações de maracatu de baque virado sob a regência do percussionista Naná Vasconcelos. Para fazer uma abertura que represente realmente a diversidade do carnaval do Recife, o Recife Antigo também será palco do desfile Centenário do Frevo, que vai reunir cortejo de blocos de pau e corda, com agremiações como Flor da Lira, Madeira do Rosarinho, Pierrô de Dão José, Bloco da Saudade, Eu Quero Mais, estandartes de clubes e troças e caboclinhos.



No palco, no Marco Zero, por volta das 19h, Naná recebe três convidadas especiais: Marisa Monte, Elza Soares e Lia de Itamaracá, além de uma orquestra de frevo com 65 músicos sob a regência do maestro Ademir Araújo. A expectativa é que Lia de Itamaracá cante três músicas. Se seguir o mesmo roteiro do ensaio geral, Marisa Monte deve cantar músicas como Pernambucolismo, Maracatu Atômico, A Lenda das Sereias, Taí e Borboleta Pequenina. Já Elza Soares deve entoar sucessos como Rap da felicidade, Volta por cima, Lata d´água e A Carne.

Como o folião ainda tem fôlego para a abertura e para todos os dias de festa que vem pela frente, a noite de abertura ainda terá a Orquestra Popular do Recife com participação de Claudionor Germano, Nonô Germano, Silvério Pessoa, China, Jorge Du Peixe, Fred Zero Quatro, Fábio Trummer e Edy Carlos. Às 22h30, é a vez do show de Silvério Pessoa com participação de Manu Chau, Fernando Anitelli (do Teatro Mágico) e Paulo Miklos.

Imperdíveis do Recife – Além da grande abertura, quem não quiser perder os principais eventos do Recife, pode anotar: sábado (2) o Galo da Madrugada toma conta do centro do Recife; domingo acontece o Encontro de Maracatus de Baque Solto, que terá participação de nove grupos, a partir das 19h; segunda-feira (4) o folião pode acompanhar o Encontro de Blocos de Pau e Corda, com 20 blocos; terça-feira (5), com gostinho de quero mais, mas ainda com muito fôlego, será a vez da Apoteose do carnaval: as atrações são o Coral Edgard Moraes, Alceu Valença, os 15 vencedores do Concurso de Música Carnavalesca Pernambucana 2008, a Orquestra de Frevo da Banda Sinfônica Cidade do Recife e o Encontro dos Bonecos Gigantes do Recife e de Olinda.

Após denúncias, ministra de Lula pede demissão

ESTADÃO

Ministra da Igualdade Racial é a campeã dos gastos com cartão corporativo do governo


Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo


A ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, telefonou nesta sexta-feira, 1º, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para lhe pedir uma audiência e anunciou, em entrevista coletiva, sua demissão.

Na avaliação de assessores da Presidência, a situação de Matilde no governo é insustentável, depois de apontada como a recordista de gastos com o cartão de crédito corporativo, no ano passado.

Campeã dos gastos com cartão corporativo, a ministra prestou contas sobre suas despesas na quinta ao presidente.

Matilde foi sabatinada pelos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento), Franklin Martins (Comunicação Social) e Jorge Hage (CGU). No diagnóstico do governo, ela cometeu "grave irregularidade" porque, além de tudo, contrariou a Lei de Licitações ao fazer compras num free shop.

O secretário-especial da Pesca, Altemir Gregolin, também foi chamado a dar explicações logo depois que Matilde deixou o Planalto. A situação dele, no entanto, é considerada aceitável pelo governo, já que seus gastos com cartão corporativo (R$ 21,6 mil em 58 roteiros de viagens realizadas em 2007) envolveram agendas de trabalho e técnicos da CGU não encontraram irregularidades.

Novas medidas

Em coletiva, na quinta, o ministro Paulo Bernardo disse que Lula assinará um decreto que altera as regras para uso dos cartões. As principais medidas:

- Proibição de saques em dinheiro para pagamento de despesas que poderiam ser pagas com o próprio cartão

- Proibição do uso do cartão corporativo para compra de bilhetes aéreos e pagamento de diárias a servidores.

- Encerramento do prazo de 60 dias de todas as contas correntes abertas em nome de servidores, onde são depositadas verbas relativas ao suprimento de fundos do Tesouro. O ministro Jorge Hage explicou que essas contas correntes são conhecidas dentro do governo como contas "tipo B".

Cartões Corporativos

Os cartões corporativos foram introduzidos no governo FHC, para, segundo o governo, facilitar a transparência das contas. No dia 13, o Estado revelou que ministros do governo Lula registraram altos gastos com cartão para quitar despesas de viagem.

O objetivo era diminuir os gastos por meio da comprovação de notas, um procedimento de prestação de contas menos transparente. O governo argumentou, em ofício encaminhado ao TCU no fim do ano passado, que os gastos com suprimentos de fundo estão sendo substituídos pelo cartão corporativo.

O Blogueiro

Walser publica romance sobre último amor de Goethe

DW-WORLD

Com a publicação prévia de seu novo romance 'Ein liebender Mann' (Um homem amante), escritor Martin Walser faz as pazes com o diário 'FAZ', seis anos após escândalo motivado por acusações de anti-semitismo.

O novo romance do escritor alemão Martin Walser, intitulado Ein liebender Mann (Um homem amante), vai ser publicado em episódios no diário Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), antes do lançamento do livro pela editora Rowohlt. A notícia, divulgada pelo próprio autor, causou surpresa à opinião pública alemã, diante da gravidade do conflito que o escritor tivera com o jornal seis anos atrás. Marcel Reich-Ranicki
Marcel Reich-Ranicki


Em 2002, o editor-chefe do FAZ, Frank Schirrmacher, havia rejeitado a publicação prévia do romance Tod eines Kritikers (Morte de um Crítico), alegando que Walser teria praticado um jogo com "clichês anti-semitas" em sua obra. Por isso, não se contava com uma reaproximação de ambos. Amor não correspondido aos 80 anos. No romance que chega dia 7 de março às livrarias, Walser explora a convicção de que só no amor uma pessoa se revela em seu extremo êxtase e com todos seus abismos. Em Ein liebender Mann, o autor aborda a paixão do velho Goethe, aos 80 anos, pela jovem de 19 anos Ulrike von Levetzow, durante uma estada na estação de águas Marienbad, em 1823. O grande escritor, conhecido por suas conquistas amorosas, fracassa desta vez, ficando sozinho e desolado. A publicação prévia da obra em episódios, pelo FAZ, deverá começar em meados de fevereiro. No final do mesmo mês, o autor pretende fazer a primeira leitura pública do livro em Weimar, cidade em que Goethe passou grande parte de sua vida e onde faleceu. Com o consentimento do autor, a editora Rowohlt ofereceu o romance ao FAZ para publicação prévia, e o editor Schirrmacher aceitou. Walser declarou não ter esquecido o conflito em torno de Tod eines Kritikers: "Sei o que aconteceu e tenho tudo na memória". Mais uma chance ao crítico morto. No entanto, diante de suas múltiplas experiências com a crítica, ele chegou à conclusão de que o crítico não tem necessariamente que voltar atrás em seu julgamento sobre um livro. "Basta ele ser extremamente justo com um outro livro, na mesma medida em que foi extremamente injusto com o anterior." Tod eines Kritikers foi um escândalo na época, mesmo antes do seu lançamento. Na obra, Walser faz a caricatura do crítico Marcel Reich-Ranicki, conhecido pelo julgamento ferino das obras literárias que resenhava para o FAZ ou em seu programa literário de TV Literarisches Quartett (Quarteto Literário). O crítico, então redator-chefe do suplemento cultural do FAZ, condenou a "qualidade sofrível" do livro e fez graves ataques pessoais a Walser. O autor, no entanto, sempre negou as acusações de anti-semitismo e nunca deixou de enfatizar que o livro se restringe a uma paródia do ambiente literário na Alemanha.

Siderúrgicas compram 12% da Rio Tinto por US$ 14 bi

PORTAL EXAME/AGÊNCIA ESTADO

Por Fabiana Holtz

A gigante siderúrgica norte-americana Alcoa e a Aluminum Corporation of China (Chinalco) anunciaram hoje a compra de 12% de participação da mineradora anglo-australiana Rio Tinto, criando um novo obstáculo nos esforços da rival BHP Billiton para assumir o controle de sua concorrente.

Segundo a Chinalco, o valor total do negócio chega a US$ 14,05 bilhões. O investimento será feito por meio de um veículo de propósito específico, a Shining Prospect. Pelo acordo, a Alcoa se comprometeu em investir US$ 1,2 bilhão na Shining, por meio de um papel conversível.

O presidente da Chinalco, Xiao Yaqing, afirmou que esse investimento enfatiza a determinação da companhia em aumentar e diversificar sua exposição no setor e estar bem posicionada dentro do atual cenário desafiador. Alain Belda, presidente e executivo-chefe (CEO) da Alcoa, acredita que a Rio Tinto tem um portfólio de ativos de classe mundial e está muito bem posicionada para prosperar no corrente ciclo da mineração. "Esse investimento, feito em parceria com a Chinalco, vai permitir nos beneficiarmos mutuamente dos progressos no setor".

A Shining, subsidiária da Chinalco com sede em Cingapura, declarou em comunicado que adquiriu a participação, mas os dois grupos atualmente não têm planos de fazer uma oferta pela Rio Tinto. A empresa acrescentou, no entanto que a Chinalco e a Alcoa "se reservam ao direito de anunciar uma oferta ou participar em uma oferta pela Rio Tinto".

A porta-voz da Rio Tinto, Christina Mills, disse que o negócio reforça a posição "de que a BHP está subavaliando a Rio Tinto". Em contrapartida, Illtud Harri, porta-voz da BHP, disse que a companhia está informada sobre o anúncio, mas não fará nenhum comentário.

Em 8 de novembro, a Rio Tinto rejeitou uma proposta da BHP, somente em ações, na proporção de três por um, por considerá-la muito baixa. O Takeover Panel, órgão que regulamenta as fusões e aquisições no Reino Unido, determinou um prazo até 6 de fevereiro para a BHP formalizar sua proposta ou desistir.

Ações

Com a notícia, as ações da Rio Tinto abriram em alta de 15% na Bolsa de Londres, e às 7h30 (de Brasília) subiam 10,45%, cotadas a 5.474 pence. Enquanto isso, os papéis da BHP avançavam 8,06%, a 1.596 pence. As informações são da Dow Jones.

O Blogueiro

Microsoft faz oferta de US$ 44 bi para compra de Yahoo!

BBC BRASIL

Yahoo!
O valor da oferta é 62% maior que a avaliação da empresa

A empresa de softwares Microsoft anunciou nesta sexta-feira que fez uma oferta para comprar o portal Yahoo! por US$ 44,6 bilhões (R$ 78 bilhões).

Pela oferta, a empresa pagaria US$ 31 (R$ 54) por cada ação da Yahoo! Inc., um valor 62% maior que a última avaliação das ações do portal, de US$ 19,18 (R$ 33,5), realizada na quinta-feira.

Segundo o diretor executivo da Microsoft, Steve Ballmer, a fusão das duas empresas melhoraria a sua posição para competir no mercado competitivo dos serviços online.

Atualmente, o principal rival do Yahoo! no mercado é o site de buscas Google.

"Nós acreditamos que a fusão irá agregar mais valor aos acionistas das duas empresas, e proporcionar opções mais diversas e inovadoras aos consumidores e parceiros na indústria", afirmou Ballmer no site da Microsoft.

"A combinação das duas empresas proporcionaria a sinergia necessária para equilibrar a economia das plataformas de anúncios, que hoje conta apenas com um competidor", declarou.

De acordo com o arquiteto-chefe de softwares da Microsoft, Ray Ozzie, com a fusão, as duas empresas "alcançariam metas que jamais conseguiriam atingir sozinhas".

A Microsoft ainda não recebeu uma resposta da Yahoo! Inc. sobre a oferta.

Em discussões anteriores, as duas empresas já haviam conversado sobre uma possível cooperação e até sobre a fusão.

Segundo os diretores da Microsoft, a compra deverá ser aprovada pelos reguladores da Yahoo!.

O Blogueiro