sexta-feira, 4 de março de 2011

Sindicato diz que greve de policiais civis na Bahia continua

Após reunião nesta manhã (4), o Sindpoc (Sindicato da Polícia Civil na Bahia) decidiu manter a paralisação iniciada ontem no Estado em protesto contra a morte de um policial civil.

Segundo o vice-presidente do Sindpoc, Marcos Maurício, será reforçado o comunicado para os policiais aderirem à paralisação. Ontem, a Justiça determinou multa de R$ 100 mil por dia ao sindicato caso a greve continuasse.

As delegacias estavam trabalhando normalmente na manhã de hoje, segundo a assessoria da Polícia Civil, permanecendo assim durante a tarde. Alguns policiais disseram à Folha que estavam esperando uma orientação do sindicato para aderir à paralisação.

O movimento começou em protesto contra a morte do policial Valmir Gomes, que estava sendo investigado por suspeita de prática de extorsão --segundo a polícia, ele exigia R$ 10 mil de um jovem que fora flagrado comprando lança-perfume. Segundo a polícia civil, Gomes estava acompanhado de outros dois homens e reagiu no momento da abordagem. Ele foi atingido durante a troca de tiros.

O incidente ocorreu na quarta-feira à noite, em uma avenida de Salvador. A Corregedoria da Polícia Civil disse que está apurando o caso.

Em nota, o Sindpoc repudiou o ocorrido e disse que a cúpula da Polícia Civil revelou 'perfil autista, atécnico e sanguinário' ao conduzir as investigações.

'LARANJA PODRE'

O governador da Bahia Jaques Wagner (PT) comentou sobre a operação da Polícia Civil na manhã de hoje enquanto visitava as unidades de saúde e segurança montadas para o Carnaval.

'Não há hipótese nenhuma de a gente conviver com laranja podre dentro das unidades de segurança pública. Não há criminoso pior do que o criminoso uniformizado', disse. 'É óbvio que eu sinto pela morte, preferia que fosse feito pela via da prisão, mas só quero lembrar que foram três contra um naquele momento, três atirando e um se defendendo'.

O governador também comentou os protestos de policiais civis que ocorreram nos últimos dois dias. 'Eu acho estranho que alguns segmentos resolvam defender quem estava no crime. Eu acho que essa postura é, no mínimo, precipitada'.

Segundo Maurício, vice-presidente do Sindpoc, a paralisação não ocorre apenas devido à morte do policial, mas por uma 'série de problemas na polícia civil da Bahia'. Além da morte do colega, os policiais também reclamam do excesso de carga horária, da falta de reajuste em promoções e horas extras e das prisões 'ilegais' de policiais. Folha Online