O BNDES discute a ampliação de contrapartidas sociais para a liberação de financiamentos, a fim de evitar novos motins e paralisações em obras de infraestrutura, entre elas projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), afirmou na quinta-feira o presidente do banco, Luciano Coutinho.
"É preciso trabalhar com mais antecedência. Preparar mais cedo as regiões de entorno e prevenir mais e fazer mais também", disse Coutinho, durante encontro da edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial.
Recentemente, houve uma onda de greves, paralisações e manifestações em canteiros de obras estruturantes, como as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau (RO), empreendimentos que fazem parte do PAC.
Nesta semana, proprietários rurais e fazendeiros bloquearam os acessos às obras do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). O projeto, do empresário Eike Batista, prevê investimentos de mais de R$ 3,5 bilhões para a construção de um terminal portuário, um pólo industrial e usinas térmicas.
Os proprietários de terra reclamavam do valor das indenizações oferecidas para as desapropriações que viabilizam o empreendimento, ao passo que os operários das hídricas protestavam contra as condições de trabalho e salários.
Para Coutinho, existe um entendimento dentro do governo que as intervenções sociais em áreas afetadas precisam começar antes dos prazos estabelecidos, atualmente em média de 1 a 2 anos do início da obra civil.
"Desde a preparação do projeto já se toma providência. Temos que ter preocupação antes e dar condições de habitação, saneamento e qualificação", acrescentou. REUTERS/FOLHA