O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, condenou as declarações supostamente racistas e homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) a um programa de TV. Em nota divulgada nesta sexta-feira, Cavalcante diz que o deputado violou a Constituição.
De acordo com ele, as declarações são "incompatíveis com a dignidade do Parlamento e com a relevância do cargo de deputado federal' e revelam "um preconceito inominável contra os negros". Cavalcante afirmou ainda que a Câmara deve abrir um processo contra o congressista por quebra de decoro e, se for o caso, afastá-lo das funções.
A declaração reforça o pedido do presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, de que a Câmara abra um processo por quebra de decoro contra Bolsonaro. Ele enviou o caso para ser avaliado pela Comissão da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB, pedindo subsídios para reforçar um eventual processo na Câmara.
O deputado virou alvo de polêmica na última segunda-feira, quando Preta Gil perguntou no programa da "CQC", da TV Band, como ele reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra.
'Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu', respondeu o deputado.
O deputado já é alvo de sete representações por quebra de decoro parlamentar na Câmara. Cinco já estão na corregedoria.
Bolsonaro alegou não ter tido a intenção de fazer nenhuma declaração racista. Disse que, na realidade, pensou que a pergunta se referisse a um relacionamento gay. "Essa se encaixa na resposta que eu dei. Para mim, ser gay é promíscuo, sim".
A coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha de hoje, revela que o deputado deve levar no "CQC" da próxima semana uma foto de seu cunhado, '75% negro e 25% branco', para mostrar que não é racista. Folha Online