Um inspetor com cargo de chefia na Coinpol (Corregedoria Interna da Polícia Civil do Rio) integrava umas das principais milícias que atuava na zona oeste da capital, aponta investigação da Secretaria de Segurança e do Ministério Público.
Os dois órgãos realizaram na manhã desta quinta-feira a operação Pandora, para cumprir 18 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão contra suspeitos de pertencer ao grupo de milicianos.
Até o início da tarde, dez pessoas haviam sido presas - quatro já estavam detidos no Batalhão Especial Prisional da PM, de onde participavam da quadrilha. O ex-PM apontado como atual chefe do grupo paramilitar conhecido como Liga da Justiça, Toni Angelo Souza de Aguiar, está foragido.
Segundo investigações, o policial civil aposentado Anisio de Souza Bastos, quando lotado na Coinpol, entre 2010 e o primeiro semestre deste ano, abastecia a quadrilha de informações sobre operações policiais que afetassem a atuação do bando. Além disso, alimentava operações contra rivais da Liga da Justiça dentro da Polícia Civil.
De acordo com o delegado Alexandre Capote, da Draco, Bastos recebia R$ 40 mil mensais pelo serviço.
Foram apreendidos na operação armas, carregadores e uma luneta que, segundo policiais, era usado para observar moradores da região.
A milícia Liga da Justiça, que atua em bairros da zona oeste do Rio, como Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Paciência e Santíssimo, já teve dois chefes presos, mas mantém atuação na área. Os primeiros foram os políticos Natalino e Jerônimo Guimarães (ex-deputado estadual e vereador, respectivamente). Em seguida, o ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz assumiu a quadrilha e foi preso.
FOLHA