O primeiro-ministro do regime de Madagáscar, Camille Vital, fez nesta quarta-feira um apelo à calma e à unidade das Forças Armadas, após um grupo rebelde de militares ter declarado à imprensa que tomou o poder.
"Madagáscar é um Estado de direito e tomaremos medidas contra os infratores da lei", destacou Vital em discurso à imprensa, em referência ao grupo rebelde.
A situação ainda é confusa no país e não se sabe ao certo a extensão do golpe declarado pelo grupo de 18 militares, que está em um acampamento militar perto do aeroporto da capital.
Mais cedo, o chefe do Exército, general Andrianazary, afirmou que vai acabar com qualquer rebelião. "Se houver um motim, nós temos que intervir. Não podemos negociar com alguém que faz motim", disse à agência de notícias Reuters.
O clima, segundo a imprensa local, é de calma e por enquanto não houve nenhum incidente significativo em Antananarivo ou mesmo na área do aeroporto da capital de onde falou o tenente-coronel Andrianasoavina.
Nas últimas horas, de acordo com a imprensa local, os principais líderes malgaxes, entre eles o deposto presidente Marc Ravalomanana e o ex-presidente Albert Zafy, fizeram um apelo aos militares para que "assumam sua responsabilidade", em um momento em que consideram que "a pátria está em perigo".
O comando rebelde afirmou mais cedo que depôs o regime de fato que há 20 meses era liderado por Andry Rajoelina. Rajoelina, que chegou ao poder após derrubar Ravalomanana com apoio militar.
O general Noel Rakotonandrasana afirmou que "a partir de agora, todas as instituições existentes estão suspensas e os assuntos do país serão administrados por um comitê militar".
As declarações foram feitas em uma entrevista coletiva convocada em um acampamento militar perto do aeroporto de Antananarivo, localizado na periferia da capital. O grupo rebelde alega ter formado um "conselho militar pelo bem-estar da população" que governará o país africano.
O suposto golpe aparentemente não teve efeitos na capital Antananarivo, onde a situação permanecia calma, segundo repórter da agência de notícias France Presse. Repórter da Reuters afirma que a situação está aparentemente tranquila também no palácio presidencial, no centro da cidade.
A notícia veio em meio à realização de um plebiscito para a adoção de uma nova Constituição. O voto foi convocado pelo governo de Rajoelina como uma primeira etapa para sair da crise política que assola o país, mas foi boicotado pela oposição.
CRISE
Esta não é a primeira vez que um grupo rebelde tenta assumir o poder. Um outro grupo dissidente tomou controle brevemente de um acampamento militar em maio passado, antes de serem retirados por forças de segurança.
O próprio presidente Andry Rajoelina, então prefeito de Antananarivo, realizou um golpe de Estado em 2009 com o apoio do Exército e derrubou o presidente eleito Marc Ravalomanana, assumindo o poder. A crise desencadeou violentos confrontos que deixaram centenas de mortos.
Analistas veem o referendo constitucional como um voto de confiança em Rajoelina. Embora as projeções indiquem vitória do sim, observadores políticos afirmam que um baixo comparecimento, especialmente na capital, seria um golpe para Rajoelina e não faria nada em ajudar a legitimar seu governo.
Mediadores internacionais conseguiram uma série de acordos de divisão de poder entre Rajoelina, Ravalomanana e outros dois copresidentes --mas todos fracassaram por rixas na divisão dos cargos ministeriais. Os três principais partidos de oposição, cada um liderado por um ex-presidente, estão boicotando o referendo.
A nova constituição diminui a idade mínima para ser presidente em cinco anos, chegando a 35, a idade de Rajoelina quando assumiu o poder em 2009. A medida regulariza sua candidatura para as eleições previstas para 4 de maio de 2011. DA EFE, EM JOHANNESBURGO (ÁFRICA DO SUL)
Folha Online