quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Extradição de mercador da morte russo criará "marolas" na relação com Rússia, dizem EUA

O porta-voz de Departamento de Estado dos Estados Unidos, P.J. Crowley, afirmou nesta terça-feira que a extradição do suposto traficante de armas russo Viktor Bout, conhecido como "mercador da morte", vai criar "marolas, mas não ondas" na relação Washington-Moscou.

Após mais de dois anos de uma batalha judicial, Bout foi extraditado nesta terça-feira da Tailândia, onde foi detido em março de 2008, para os EUA --que querem julgá-lo por terrorismo. A Rússia criticou duramente a medida, que classificou de ilegal e determinada por uma "pressão sem precedentes" de Washington.

Crowley diminui a importância da rixa diplomática criada pelo caso do mercador da morte e disse que qualquer preocupação pode ser gerenciada. "Isso criará marolas e não ondas. Nós temos uma relação madura com a Rússia guiada por interesses nacionais que não mudam com este caso. Há áreas em que concordamos e áreas em que discordamos e nós gerenciamos estes assuntos".

Bout foi detido na Tailândia em março de 2008, por membros da agência antidroga dos EUA que se faziam passar por compradores de armas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

As autoridades tailandesas se disponibilizaram a processá-lo por apoio ao terrorismo, mas desistiram perante a falta de provas. A extradição já havia sido aprovada em 20 de agosto, mas uma corte reverteu a medida até que um segundo julgamento de lavagem de dinheiro e fraude fosse encerrado. Recentemente, o juiz responsável decidiu que não há provas suficientes e anulou o processo.

O próprio Bout tentou apelar diversas vezes da extradição, alegando que corre risco de morte nos EUA. Sua mulher, Ala Bout, foi à público recentemente pedir que a Rússia "defenda seu cidadão" e impeça a extradição.

O governo russo diz que Bout é um homem de negócios que não está ligado a nenhum crime e que ele deve ser repatriado.

EMPRESÁRIO

Bout afirma ser um honrado empresário, fala seis idiomas e é conhecido por oito nomes diferentes. Ele nega envolvimento no tráfico ilegal de armas e diz que transporta cargas.

Segundo os serviços de inteligência ocidentais, o suposto traficante aproveitou o fim da União Soviética para comprar --de generais corruptos e a baixo preços-- arsenais inteiros na Bulgária, Moldova e Ucrânia. As armas eram vendidas então em regiões de conflito.

A Anistia Internacional afirma que ele chegou a operar uma frota de mais de 50 aviões que transportavam armas por todo o continente africano, onde conseguiu até mesmo evitar um embargo internacional para fazer negócios com Charles Taylor, ex-presidente da Libéria que atualmente está sendo julgado em Haia por crimes de guerra.

Segundo o FBI (Polícia Federal americana), Bout também tentou adquirir uma bateria antiaérea e conspirou para assassinar cidadãos americanos ao fornecer armas para a rede terrorista Al Qaeda.

Sua fama inspirou o filme de Hollywood "O Senhor das Armas", protagonizado por Nicolas Cage em 2005.

Folha Online