A deputada democrata Gabrielle Giffords, 40, que levou um tiro na cabeça no último sábado, já consegue respirar sem a ajuda de aparelhos, informaram os médicos nesta terça-feira.
O neurocirurgião Michael Lemole disse que foi mantido um tubo respiratório em Giffords para protegê-la, mas a parlamentar consegue respirar sozinha. Ela está acordada e respondendo aos médicos.
Seis pessoas ainda estão hospitalizadas após o ataque do sábado. Um homem armado abriu fogo contra o público em um evento político em Tucson, no Arizona. Ao menos seis pessoas morreram, incluindo uma menina de 9 anos nascida em 11 de Setembro e o juiz federal John Roll. Outras 14 ficaram feridas, incluindo a deputada, que seria o alvo do ataque.
O evento chamado "Congress on Your Corner" (Congresso na sua Esquina, em tradução livre) tinha como objetivo permitir que os eleitores se encontrassem com a parlamentar pessoalmente.
Reeleita para seu terceiro mandato no pleito de 2 de novembro, Giffords representa no Congresso um distrito eleitoral do Arizona. Ela tem como focos a reforma da imigração, assuntos militares, pesquisas com células-tronco e energia alternativa. Ela é casada com o astronauta americano Mark Kelly.
As vítimas incluem o juiz John Roll, 63, a menina Christina Taylor Green, nascida no fatídico 11 de setembro de 2001, e os assessores de Giffords --Gabe Zimmerman, 30; Dorothy Morris, 76; Dorwin Stoddard, 76; e Phyllis Schneck, 79.
RECUPERAÇÃO
No domingo, os especialistas do Centro Médico Universitário de Tucson afirmaram que Giffords estava em estado crítico, mas "consegue se comunicar".
Segundo o médico Peter Rhee, chefe de traumatologia do hospital, devido à neurocirurgia e ao uso de aparelhos para respirar, Giffords não podia falar. Porém, ela "é capaz de se comunicar seguindo comandos simples", como apertar a mão de alguém ou mostrar dois dedos, explicou Michael Lemole, chefe de neurocirurgia.
O projétil atravessou seu cérebro do lado esquerdo, entrando por trás da cabeça e saindo pela frente, mas sem passar de um hemisfério do cérebro para outro --o que é considerado positivo. Graças à rápida intervenção das equipes de emergência, a deputada foi operada apenas 38 minutos depois do ataque.
Durante a cirurgia, foi contida a hemorragia, "que não era muito grave", foi retirado o tecido danificado e também uma porção do crânio --que deve ser reimplantada posteriormente-- para evitar que o cérebro fosse comprimido e sofresse mais danos.
Dada a natureza devastadora do ferimento, os médicos disseram que não tinham certeza da extensão dos danos cerebrais sofridos por Giffords.
O lado esquerdo do cérebro é responsável pela habilidade da fala e das sensações, explicaram os médicos, que não quiserem especular sobre possíveis sequelas à saúde da deputada.
"Esta é a melhor situação em que ela poderia estar. Quando alguém recebe um tiro na cabeça e a bala atravessa o cérebro, as chances de sobreviver são muito pequenas, e a chance de acordar e inclusive de obedecer comandos é ainda menor. Com um pouco de sorte, ela continuará assim", disse Rhee. Folha Online