As autoridades de Seul receberam nesta quinta-feira com frieza a última proposta norte-coreana para que as duas Coreias retomem o diálogo, já que, segundo o governo sul-coreano, Pyongyang deve mostrar um compromisso sério e responsável.
"É importante que a Coreia do Norte mostre uma atitude sincera sobre o diálogo e as relações intercoreanas", indicou na quarta-feira (5) o porta-voz do Ministério de Exteriores sul-coreano, Kim Young-sun, em resposta à proposta de diálogo feita pela Coreia do Norte.
Em comunicado estipulado com várias organizações, o regime de Pyongyang propôs no dia anterior, por meio da agência estatal norte-coreana "KCNA", um diálogo incondicional com a Coreia do Sul para resolver a crise entre os países, aguçada após a troca de tiros de artilharia em 23 de novembro em sua fronteira marítima ocidental.
Aquele incidente, sem precedentes desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), provocou o bombardeio por parte do Exército norte-coreano da ilha sul-coreana de Yeonpyeong, no Mar Amarelo (Mar Ocidental), no qual faleceram dois militares e dois civis sul-coreanos.
Tal como indicou o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, em sua mensagem de Ano Novo nesta semana, o porta-voz de Exteriores reafirmou que o governo sul-coreano "está aberto ao diálogo, mas há tarefas que a Coreia do Norte tem de fazer em sinal de seriedade e compromisso com as negociações".
Além disso, o porta-voz acrescentou que é necessário que se crie "o contexto apropriado" para avançar tanto no diálogo bilateral quanto no multilateral, embora tenha indicado que estão estudando a proposta norte-coreana.
Na mensagem desta quarta-feira, a Coreia do Norte propõe "manter um amplo diálogo e negociações com os partidos políticos e as organizações da Coreia do Sul, o que inclui suas autoridades".
O comunicado foi assinado conjuntamente em reunião realizada em Pyongyang entre o governo norte-coreano, forças políticas e organizações sociais do regime, segundo informou a "KCNA".
O chamado ao diálogo coincide com a viagem pela Ásia do enviado americano para Coreia do Norte, Stephen Bosworth, que na quarta-feira manteve reuniões em Seul, antes de dirigir-se a Pequim e Tóquio, para reativar as conversas de seis lados para o desarmamento nuclear de Pyongyang.
As negociações, nas quais participam as duas Coreias, Estados Unidos, China, Japão e Rússia, estão suspensas desde o fim de 2008, e embora Pyongyang queira sua retomada, em novembro de 2010 anunciou que estava enriquecendo urânio.
COREIA DO NORTE QUER DIÁLOGO
A Coreia do Norte pediu nesta quarta-feira a realização de negociações incondicionais com a Coreia do Sul, mas Washington sugeriu que o país precisa primeiro dar um fim às "provocações", assumir a responsabilidade por um ataque de artilharia e renovar seu compromisso com o pacto nuclear de 2005.
Não se sabe se a Coreia do Sul vai atender ao pedido do Norte, menos de dois meses depois que militares norte-coreanos bombardearam uma ilha sul-coreana em território marítimo disputado, matando quatro pessoas.
"Exigimos conversações incondicionais entre as autoridades responsáveis (do Sul e do Norte)", disse a agência norte-coreana de notícias KCNA, citando um comunicado, que foi emitido em conjunto pelo governo da Coreia do Norte, o Partido dos Trabalhadores da Coreia e outras organizações.
"Estamos preparados para nos encontrar com qualquer pessoa, independentemente do passado, se for alguém que estiver disposto a caminhar em parceria conosco para o futuro", acrescentou a nota.
O comunicado propôs ainda "a interrupção da difamação e das calúnias recíprocas e o fim das provocações, a fim de criar uma atmosfera de melhores relações intercoreanas". Folha Online