sexta-feira, 18 de março de 2011

Após resolução da ONU, Líbia anuncia cessar-fogo imediato

O governo da Líbia anunciou nesta sexta-feira um cessar-fogo imediato no país, em obediência à resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovada na noite de quinta-feira e que permite aos países usar a força militar no país africano para proteger os civis.


A aprovação da resolução pela ONU era o obstáculo que os países citavam para não iniciar uma intervenção na guerra que se arrasta há um mês na Líbia, entre as forças leais ao ditador Muammar Gaddafi e rebeldes de oposição. Não há um saldo oficial atualizado, mas estimativas de organizações humanitárias falam em até 6.000 vítimas em mais de um mês de confrontos.

Pouco depois da aprovação, a França já iniciava seus preparativos e falava em um ataque "em horas". O Reino Unido já deslocou seus aviões de guerra para bases próximas e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também já iniciara seus preparativos para uma intervenção.

Diante de jornalistas, o ministro de Relações Exteriores líbio, Moussa Koussa, leu um comunicado no qual garante que o grande interesse da Líbia é proteger os civis e criticou alguns itens da medida, como a criação de uma zona de exclusão aérea, que prejudicam a vida dos cidadãos líbios.

"Considerando que a Líbia é membro da ONU, nós aceitamos a resolução e, portanto, a Líbia decidiu por um cessar-fogo imediato e a interrupção de todas as operações militares", disse Koussa. "Meu país vai fazer o melhor que puder com esta resolução".

A notícia deve ser celebrada pelos rebeldes, que enfrentavam grande revés diante da ofensiva aérea do governo. Dias após chegarem a cerca de 50 km de Trípoli, os militantes se organizavam para tentar resistir a uma grande ofensiva em seu reduto no leste, Benghazi.

Aparentemente ignorando as críticas internacionais pela violenta repressão ao movimento rebelde, o ministro afirmou ainda que o governo oferecerá aos líbios "toda a ajuda humanitária necessária" e que espera que todos os direitos humanos sejam respeitados.

"Nós enfatizamos e concordamos com o artigo [da resolução] que fala da proteção dos civis e da unidade territorial da Líbia", disse o ministro.

Koussa reiterou ainda a oferta de Trípoli para que os países e ONGs enviem equipes ao país para verificar de perto as condições do confronto e tomar as decisões certas.

Ele disse ainda que a Líbia busca uma solução através do diálogo "com todos", o que levaria à retomada da paz e segurança ao país. Folha Online