Daniela Thomas sempre quis trabalhar com a mecânica do palco. Para o cenário de "Pterodátilos", decidiu criar um chão instável. Uma metáfora sobre a família desajustada retratada no texto do norte-americano Nicky Silver.
Elaborou uma plataforma móvel, que inclina para frente, para trás e para os lados durante as cenas.
O diretor Felipe Hirsch foi além: "Pensei que poderíamos retirar o piso durante a peça e veríamos um mundo embaixo, de ossos, de coisas que empurramos para baixo do tapete", diz sobre o subsolo da casa, onde está enterrada a ossada de um pterodátilo.
O risco não foi apenas na construção da estrutura, mas também para os atores (Marco Nanini, Mariana Lima, Álamo Facó e Felipe Abib), que precisam se equilibrar sobre a superfície e pular os buracos que se formam.
Para Mariana, que interpreta a mãe alcoólatra Grace, ainda que o cenário seja arriscado, ele ajuda no desequilíbrio emocional dos personagens.
"O palco é muito reativo aos atores. Quando Grace entra bêbada, você fica nauseado, parece que somos cúmplices de seu mal-estar", explica Daniela.
O resultado é um palco aberto a várias possibilidades, visões e ângulos, sem precisar se deslocar na plateia.
Veja vídeo com entrevistas e cenas da peça:
Folha Online