SÃO PAULO (Reuters) - Prestes a concluir o processo de integração das operações da Agre, a construtora e incorporadora PDG Realty tem como estratégia para este ano zerar atrasos em obras, concluir entregas e estabilizar despesas.
Anunciada em maio de 2010. a aquisição da companhia que reunia Agra, Abyara e Klabin Segall permitiu à PDG "se tornar líder no setor em todos critérios", segundo o presidente-executivo Zeca Grabowsky, posição que o executivo pretende manter.
Por outro lado, a companhia herdou um alto volume de obras atrasadas, saldo que espera zerar ao longo dos próximos meses.
"Obra que herdou atrasada não tem milagre... Mas 2011 é o ano para zerar atrasos e entregar", disse Grabowsky nesta terça-feira em teleconferência sobre os resultados financeiros apresentados mais cedo.
A PDG contabilizou entrega de 20 mil unidades em 2010 e, este ano, planeja entregar outras 35 mil, com base na estratégia de "andar mais rápido", afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Michel Wurman.
De acordo com o executivo, até final de 2011, as áreas tecnológicas de ambas companhias estarão totalmente integradas. Já a integração em termos de eficiência está entrando na terceira fase. "Ainda podemos melhorar despesas... A Agre passou por processo forte de redução de custos no ano passado", acrescentou Wurman.
Em 2010, a PDG apurou 324,4 milhões de reais em despesas com vendas, acima dos 215 milhões de reais vistos um ano antes. Enquanto isso, as despesas gerais e administrativas somaram 289,2 milhões de reais.
Segundo Wurman, a meta é registrar cerca de 75 milhões de reais a cada trimestre em despesas gerais e administrativas. Já as despesas com vendas devem ficar entre 80 milhões e 90 milhões de reais a cada três meses.
LUCRO SALTA COM AGRE
A PDG apresentou na noite de segunda-feira lucro líquido ajustado de 213,1 milhões de reais para os últimos três meses de 2010, salto de 74 por cento sobre igual intervalo do ano anterior, quando ainda não havia adquirido a Agre.
Os números referentes a 2009 foram calculados pro forma, como se a PDG já houvesse comprado a Agre na ocasião.
O resultado ficou em linha com a média das estimativas de nove analistas obtidas pela Reuters, que apontava para lucro líquido de 214 milhões de reais para a empresa no período.
Já o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia somou 396,3 milhões de reais, avanço de 69 por cento sobre um ano antes. A margem passou de 21,2 para 21,9 por cento.
No fechado do ano passado a PDG contabilizou lucro líquido de 875,3 milhões de reais, 60 por cento superior ao obtido em 2009.
Enquanto isso, a geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda, foi de 1,475 bilhão de reais em 2010, com margem de 25,4 por cento.
A PDG já havia divulgado no início de janeiro vendas contratadas de 1,756 bilhão de reais para o período de outubro a dezembro, volume 38 por cento superior ao apurado um ano antes.
No fechado de 2010, a companhia teve vendas de 6,52 bilhões de reais, crescimento de 53 por cento sobre o total comercializado no ano anterior.
Com isso, a PDG apurou receita líquida de 1,811 bilhão de reais no quarto trimestre e 5,805 bilhões no ano como um todo, crescimentos de, respectivamente, 64 e 60 por cento.
A velocidade de vendas --medida pela relação de venda sobre oferta-- ficou em 30 por cento no trimestre e 61 por cento em 12 meses.
Já os lançamentos somaram 2,11 bilhões de reais nos últimos três meses de 2010, alta anual de 36 por cento. Em todo o ano passado, a empresa lançou 7 bilhões de reais, número 64 por cento maior na comparação com 2009.
Os lançamentos em 2010 atingiram o ponto-médio da meta traçada pela PDG para os 12 meses passados, que era de entre 6,5 bilhões e 7,5 bilhões de reais.
Para 2011, a companhia reiterou que estima lançamentos da ordem de 9 bilhões a 10 bilhões de reais.
A Cyrela, que passou a ocupar a segunda posição no setor, reduziu este mês sua meta de lançamentos no ano para entre 7,6 bilhões e 8,5 bilhões de reais, contra projeção anterior de 8,3 bilhões a 9,1 bilhões de reais. REUTERS BRASIL