quarta-feira, 23 de março de 2011

Três jornalistas estrangeiros são libertados na Líbia

Dois jornalistas da agência France Presse e um fotógrafo da Getty Images, detidos no sábado na região de Ajdabiyah no leste da Líbia, foram libertados na noite desta terça-feira em Trípoli.

Os jornalistas Dave Clark e Roberto Schmidt, e o fotógrafo Joe Raedle já estão no hotel Rixos, no centro da capital da Líbia.

A libertação dos três tinha sido anunciada horas antes pelo porta-voz do regime líbio, Mussa Ibrahim.

"O líder da revolução [o ditador Muammar Gaddafi] recebeu um pedido da agência francesa de notícias, do CEO Sr. Emmanuel Hoog, e o líder basicamente pediu que o Estado líbio e o governo libertem esses jornalistas e, de fato, eles serão libertados em uma ou duas horas", afirmou Ibrahim.

"Poderão retornar com suas famílias, se for seu desejo, ou permanecer e trabalhar legalmente em Trípoli".

Clark, Schmidt e Raedle foram detidos no sábado na região de Ajdabiyah por tropas leais a Gaddafi.

DISCURSO E POSSÍVEL EXÍLIO

Horas antes, Gaddafi fez uma breve aparição na Tv estatal declarando a seus seguidores que "continuará lutando" e "sairá vitorioso" da guerra contra os rebeldes e as forças estrangeiras.

"Seremos vitoriosos no fim", disse Gaddafi no rápido discurso em Trípoli, capital do país, transmitido ao vivo.

O pronunciamento chega após quatro dias de ataques dos aliados internacionais à Líbia, na tentativa de implementar uma zona de exclusão aérea sobre o país.

Horas depois, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou em entrevista à rede ABC News que recebeu informações levando à suposição de que o ditador e seus aliados podem estar considerando o exílio, embora não esteja claro se ele realmente renunciaria, afirmou.


"Uma parte disso tudo é encenação", afirmou Hillary em entrevista à ABC News, acrescentando que os EUA ficaram sabendo que pessoas "supostamente por parte de Gaddafi" estão tentando avaliar as opções do líder frente às operações dos aliados internacionais em seu país.

"Muito se deve ao modo como ele se comporta. É um tanto imprevisível", afirmou. "Mas achamos que uma parte disso é explorar possibilidades...quais seriam minhas opções, para onde eu poderia ir, o que eu poderia fazer. E nós encorajaríamos isso".

Hillary também afirmou que o governo norte-americano recebeu relatos não-confirmados de que pelo menos um dos filhos de Gaddafi pode ter sido morto durante os ataques. Ela disse que os "indícios não são suficientes" para confirmar a notícia.

A secretária de Estado disse que detalhes sobre qual será o país a assumir a liderança da coalizão ainda estão sendo ajustados. 

Ela afirmou não estar preocupada com a transição. FRANCE PRESS Folha Online