domingo, 27 de março de 2011

TV Brasil terá séries com personagens de classes C, D e E

No dia 1º de maio estreia, na TV Brasil, "Natália", minissérie em 13 capítulos sobre uma jovem carioca descoberta pelo mundo da moda. Virgem, pobre, evangélica, mulata e noiva, Natália, a protagonista, mora em um bairro de subúrbio.

Não é um acaso. Com outras duas séries --"Brilhante Futebol Clube" e "Vida de Estagiário"--, a história foi escolhida entre 225 ideias apresentadas ao Ministério da Cultura, em 2008, no concurso de fomento a seriados para TVs públicas.

O edital apontava que "45 milhões de jovens estão nas classes C, D e E, imersos em realidades socioeconômicas desfavoráveis", e notava "a ausência de programação voltada para os temas" deles.

Por isso, o MinC, em parceria com a Empresa Brasil de Comunicação, que coordena a TV Brasil, anunciou a seleção "de minisséries que proponham uma visão original sobre a(s) juventude(s) brasileira(s) das classes C, D e E, desconstruindo os estereótipos". Cada projeto aprovado recebeu R$ 2,6 milhões. 

"Natália", o primeiro a ir ao ar, será transmitido semanalmente, às 22h30.


Mario Borgneth, coordenador-executivo do edital, conta que o concurso refletiu uma política do governo Lula, "focado em populações de baixa renda e áreas de vulnerabilidade social".

Ele diz que, hoje, a juventude das classes menos favorecidas só costuma aparecer na TV em filmes como "Notícias de uma Guerra Particular" e notícias de crime. "Qual foi a última vez que vimos um caso de amor entre um office boy e uma manicure na TV?", pergunta. "Isso surge, no máximo, em núcleos paralelos de novelas".

"Tem o 'Hermes e Renato', na MTV, e 'Malhação', na Globo, mas a última coisa nova nesse campo foi 'Confissões de Adolescente', que mostrava o universo da classe média", aponta, esquecendo-se de mencionar "Turma do Gueto", da Record, que já em 2002 enfocava a vida de jovens da periferia.

Borgneth credita a lacuna ao fato de as emissoras verem o público como consumidores em potencial. "E não sei se existe mercado anunciante para um público jovem que não o da 'Malhação' no horário da tarde", diz.

Mas ressalva: "Esses jovens que deixam de ver TV para ir a lan-houses estão dando um recado: 'O que está aí não nos interessa'". Folha Online