Com o objetivo de reduzir a criminalidade no Estado, o governo baiano inaugurou na manhã desta quarta-feira em Salvador a primeira base comunitária de segurança.
A estrutura é uma versão local da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), modelo de policiamento comunitário permanente adotado em favelas do Rio de Janeiro.
A primeira base foi instalada no bairro do Calabar, próximo a bairros nobres, como Ondina e Barra. O local foi escolhido pela polícia porque é menor em relação a outras áreas de Salvador dominadas pelo tráfico de drogas, o que facilita o controle sobre a instalação e gestão da base.
O governo prevê a instalação de outras três bases em Salvador nos próximos meses. A instalação das bases comunitárias de segurança sinaliza uma mudança na política de segurança pública adotada pelo governador Jaques Wagner (PT), em seu segundo mandato.
Nos últimos quatro anos, o governo baiano não conseguiu reduzir significativamente o número de homicídios nem o avanço do tráfico de drogas no Estado.
Segundo o governo, cerca de cem policiais militares que atuarão na base foram treinados sobre o sistema koban, modelo japonês de policiamento comunitário no qual o agente policial trabalha com a população para prevenir a ação de criminosos. Eles atuarão em turnos com 30 agentes.
A polícia instalou sete câmeras de vigilância em pontos estratégicos do bairro. A central de monitoramento está dentro da base comunitária de segurança. O governo prevê ainda melhorias para a comunidade, como a reforma da quadra de esportes e a ampliação do atendimento do posto de saúde do bairro.
Em entrevista coletiva durante a inauguração da base, o governador afirmou que tem como meta a erradicação do analfabetismo na comunidade e citou um plano de concessão de títulos de posse para os moradores.
"A polícia voltou e os serviços públicos estão voltando junto com ela", afirmou Maurício Barbosa, secretário da Segurança Pública da Bahia, também em entrevista coletiva. O secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, participou da cerimônia.
A nova política de segurança está baseada também na criação de um "pacto pela vida", com a participação de universidades, sindicatos, igrejas, deputados estaduais e promotores, entre outros. O governo criou recentemente o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, uma reivindicação antiga de policiais civis.
Entre 2007 e 2010, o número de homicídios em Salvador e na região metropolitana aumentou 32,8%, sendo que a partir de 2009 o índice ficou praticamente estável. Segundo o governo baiano, 80% das mortes registradas estão ligadas ao tráfico de drogas.
No primeiro trimestre deste ano, houve uma redução de 16% no número de homicídios em relação ao mesmo período do ano passado. Wagner afirmou que recebeu essa informação com "modéstia e confiança". FOLHA