segunda-feira, 25 de abril de 2011

BB vai investir US$ 25 milhões nos Estados Unidos em 3 anos

O Banco do Brasil vai investir US$ 25 milhões nos Estados Unidos nos próximos três anos para expandir suas operações no país após a compra do Eurobank, anunciada nesta segunda-feira. De acordo com Allan Simões Toledo, vice-presidente da área internacional do BB, os recursos serão utilizados para reformar as três agências do Eurobank e para construir mais sete no período.

O plano do BB nos Estados Unidos inclui ter 20 agências abertas no país em cinco anos, com o objetivo de atrair brasileiros e hispânicos residentes nos Estados Unidos. A meta, segundo Toledo, é ter 400 mil clientes nesse prazo.

Atualmente, o Eurobank --adquirido pelo BB por US$ 6 milhões-- possui 1.300 clientes e 1.800 contas, entre americanos, portugueses, hispânicos e uma pequena parcela de brasileiros.

Essas agências, de acordo com Toledo, devem ser abertas nas cidades e Estados em que há maior concentração de brasileiros nos EUA, como Miami, Nova York, Boston, Nova Jersey, Massachusetts e Flórida --onde estão as três agências do Eurobank. Atualmente, a população brasileira residente no país é estimada em 1,5 milhão.

O principal produto a ser trabalhado pelo BB nos EUA será o cartão de crédito, além de contas poupança e corrente, além de uma linha de crédito para capital de giro para micro e pequenos empresários.

As novas agências terão um diferencial de marca, para distingui-las das instalações nos EUA que visam atender brasileiros que não residem no país, disse o vice-presidente do BB. As operações serão centralizadas em Orlando.

Os não-residentes contam hoje com uma agência private --para clientes de alta renda-- em Miami e, ainda neste ano, o BB deve inaugurar uma "agência-conceito' em Nova York. Além disso, as empresas brasileiras que operam nos EUA também contam com um escritório na cidade.

NEGOCIAÇÕES

Toledo afirmou que a negociação com o Eurobank durou cerca de quatro meses. Antes dele, o BB conversou com outras duas instituições, mas desistiu dos negócios. Há meses o banco anunciava que pretendia fazer uma aquisição nos Estados Unidos, após receber autorização para operar como banco de varejo no país.

"Optamos por comprar o Eurobank, ao invés de iniciar nossas operações do zero, porque ele já tem uma estrutura montada, já tem agências, clientes, produtos e serviços sendo oferecidos", disse. Ele citou ainda o fato de o banco ter funcionários que falam espanhol ou português e agências em lugares onde há concentração grande de brasileiros.

"Agora, é crescer organicamente. Mas não descartamos novas aquisições", disse.

O Banco do Brasil iniciou sua ofensiva rumo ao exterior em abril do ano passado, quando fechou a compra do controle do Banco Patagônia, da Argentina, por cerca de US$ 480 milhões. Além disso, fechou acordo com o Bradesco e o português BES para iniciar operações na África, em agosto.

O executivo afirmou hoje que os novos focos de aquisição do banco são países da América do Sul, como Colômbia, Chile e Equador.

De acordo com Toledo, o objetivo do banco é que, em cinco anos, 9% do lucro líquido da instituição venha de operações no exterior. Hoje, esse número corresponde a menos de 1% do resultado, que foi de R$ 11,7 bilhões em 2010. FOLHA