A morte repentina de uma jovem de 25 anos desencadeou uma investigação que conseguiu fechar uma clínica de abortos na Capital, nesta quarta-feira. A vítima morreu em 1° de fevereiro, após realizar um procedimento para interromper uma gestação no dia anterior. Ao receber a notícia da morte da filha, o pai, que preferiu não ser identificado, entrou em choque. O aposentado ainda não consegue compreender as razões que a levaram a procurar uma clínica clandestina:
— O que aconteceu não tem explicação. Ela estava bem de saúde. Se tivesse falado conosco, a gente teria mudado o rumo de tudo — lamenta.
Além do pai, a jovem deixou a mãe, dois irmãos e uma filha de oito anos, criada pelos avós desde os oito meses. Descrita como "alegre e cheia de sonhos para realizar", ela interrompeu uma gestação na manhã de 31 janeiro, durante uma folga do trabalho – a mulher era cozinheira na Capital. À tarde, foi levada por uma vizinha para o hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas, com fortes dores abdominais. Quando foi visitar a filha no hospital, à noite, o pai não sabia ainda do motivo que a levou até o local. Somente às 3h do dia 1° de fevereiro, quando foi chamado de volta à UTI, ele soube a verdade: a filha não resistiu à hemorragia provocada por aborto induzido.
— Foi aquele desespero. Ela não contou nada pra ninguém. Não sei o que aconteceu, a gente aceitaria bem. Já criamos uma neta, poderíamos criar outra — diz.
A certeza de que esse não precisava ser o desfecho para vida da filha perturba o homem de 50 anos. O fechamento da clínica que provocou a morte da jovem, entretanto, serve como alento.
— É bom para que não aconteça com outras pessoas. Para ninguém passar o que eu passei. Isso serve para que os filhos pensem muito bem antes de fazer uma coisa dessas e sempre peçam opinião antes de fazer uma bobagem assim. Se eu soubesse, nunca deixaria ela fazer isso — afirma.
Entenda o caso:
No dia 13 de abril, uma operação da Polícia Civil fechou uma clínica clandestina que realizava cerca de cem abortos por mês na Avenida Otávio Rocha, no centro de Porto Alegre. Pelo menos seis pessoas que estavam no local no momento do flagrante foram presas e estão sendo identificadas.
A investigação começou após morte de uma jovem de 25 anos, moradora de Canoas. Ela teria realizou o procedimento nesta clínica e foi atendida horas mais tarde no Hospital Nossa Senhora das Graças com quadro de hemorragia. ZERO HORA