sábado, 23 de abril de 2011

Facção criminosa PGC cresce com estrutura de empresa

Cartas encontradas pela polícia mostra o esquema
Com planejamento e estrutura que lembram empresas, o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) se fortaleceu e atualmente está presente fora do sistema prisional. Até sorteios de motos e TVs LCD foram feitos para tentar a expansão no Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis, onde a facção é uma realidade. Controla o tráfico em São José e em todas as regiões da Capital com exceção do Morro do Mocotó, no Centro da cidade.


Os outros traficantes cederam para garantir segurança e liberdade de circulação enquanto cumprem pena. Eles permitiram ao PGC ocupar parte dos pontos de venda e forneceram armas. O único que resistiu pagou o preço. O chefe do Mocotó perdeu o comando que exercia desde o começo do milênio. Ele está detido na ala Sul da Penitenciária de Florianópolis e sabe que a transferência é morte certa porque o PGC também cresceu dentro das cadeias.

Integrantes do Departamento de Administração Prisional confirmam que todas as unidades prisionais da Grande Florianópolis mais Itajaí, Chapecó, Joinville, Lages, Blumenau e Criciúma são dominadas pela organização. Uma carta de maio do ano passado, apreendida por agentes prisionais, faz comentários sobre o recrutamento em Joinville. O texto fala que um detento chamado Bolívia “está batizando geral”. O trabalho de investigação sinalizou que, na cidade, além de Itajaí e Navegantes, o grupo está se fortalecendo fora das cadeias.

A mesma carta revela que, desde aquela época, há estudos de atentados contra instituições de segurança pública. O plano se materializou e neste mês foram quatro ataques. O poder de fogo é consequência da expansão do PGC e resultado de um plano elaborado por um grupo central. A execução fica a cargo de estruturas pré-definidas que cumprem as regras estipuladas com determinação militar.

A entrega ao projeto não é opcional. Ao aderir à facção criminosa, o detento se compromete a acatar uma série de normas, e o descumprimento pode significar ser assassinado. A doutrina do PGC continua sendo de defesa dos presos e enfrentamento das polícias Civil e Militar. Mas está ocorrendo uma mudança na mentalidade com o envio de líderes para as penitenciárias federais. Uma aproximação com o Comando Vermelho está em curso e a agressividade vem crescendo.

O secretário-executivo de Justiça, coronel João Botelho, não considera que existem motivos para pânico. Afirma que há uma valorização exagerada da facção e ressalta que, até hoje, nunca houve nada de grave. Reforçou ainda que isto não deve acontecer. Ele credita os atentados recentes ao trabalho de repressão nas cadeias, cortes de regalias aos envolvidos e transferência dos líderes do PGC.

O delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Ávila, garante que há investigação por parte do Departamento de Inteligência. Ele prefere manter sigilo para preservar o trabalho. DIÁRIO CATARINENSE