sexta-feira, 15 de abril de 2011

Inflação do abacaxi e do pudim atinge integrantes do Copom

Os integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária) fracassaram na tentativa de controlar o preço do pudim, da banana, da fatia de abacaxi, do café e do quilo do almoço servido nos arredores do prédio do Banco Central, em Brasília.

Os preços desses produtos nas barracas, nos cafés e restaurantes frequentados pelos servidores do BC explodiram e já estão afetando o bolso daqueles que, justamente, têm a missão de controlar a pressão inflacionária.

Os oito integrantes do Copom decidem, a cada seis semanas, se os juros irão subir ou não para controlar o consumo. Parte deles sempre é vista no local que aumentou o preço da xícara de café, em dezembro, de R$ 3,50 para R$ 4. Coincidência (ou não?), na reunião seguinte a taxa de juros subiu.

E o reajuste dos preços do café poderia ter sido maior, segundo Luciana Sturba, dona do estabelecimento.

Ela diz que o valor da saca quase dobrou, mas não houve repasse integral nem para ela nem para os clientes.

E não é só a cúpula da instituição que precisa lidar com a inflação. No quiosque de frutas a 50 metros do BC, os funcionários que levavam três bananas por R$ 1 agora só compram duas por esse preço. A fatia de abacaxi, sucesso absoluto de vendas no local, subiu de R$ 1,50 para R$ 2,00 no ano passado.

Fabiana Pereira, a dona do quiosque, encontrou uma alternativa para evitar um novo aumento da salada de frutas, que já subiu de R$ 4 para R$ 5. "A gente desistiu de algumas coisas que ficaram muito caras. E aproveitamos para trazer aquelas frutas que são da época e têm um preço melhor", diz enquanto reclama também da alta na conta de luz, impostos etc.

Em um restaurante da região, os preços subiram em média 25% no começo do ano. Pratos executivos que antes eram vendidos por menos de R$ 20 custam agora quase R$ 25.

E o pudim de leite, outro sucesso das redondezas, aumentou de R$ 2,50 para R$ 5,50 --ou 120%-- depois dos garçons ouvirem frequentemente clientes pedindo "aquela sobremesa [que era] barata". FOLHA ONLINE