quinta-feira, 28 de abril de 2011

Juros dos EUA não mudarão até agosto, indica Bernanke

O presidente do Fed (Banco Central americano), Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira que a autoridade monetária "provavelmente" vai precisar de mais duas reuniões antes de decidir aumentar a taxa de juros do país.

As próximas reuniões da diretoria do Fed para decidir os juros estão marcadas para junho e agosto.

No comunicado em que justificou sua decisão de hoje, o Fed citou que os juros permanecerão no nível baixo por um 'período extenso'. Segundo Bernanke, a escolha dessa expressão vaga se explica porque o Fed não sabe ainda quanto tempo deve levar para começar a agir contra a inflação.
A declaração de Bernanke foi feita nesta quarta-feira em uma coletiva de imprensa inédita depois da reunião do Fed em que foi decidido por unanimidade manter os juros entre zero e 0,25% e encerrar o programa de estímulos monetário à economia, o QE2 (quantitative easing, fase 2) em junho.

Na coletiva, Bernanke disse também que considera crucial que os EUA enfrentem o problema da dívida pública.

INFLAÇÃO

O presidente do Fed reafirmou nesta quarta-feira a opinião da autoridade monetária de que a alta da inflação nos Estados Unidos é temporária e consequência do aumento de preços das commodities.

Em uma coletiva de imprensa inédita, ele disse que a previsão do Fed para a inflação americana este ano está entre 2,1% e 2,8%. A partir do ano que vem, a variação de preços deve cair para próximo de 1,2%, segundo Bernanke.

'Os preços de commotidites estão impulsionando a inflação. A expectativa de longo prazo permanece estável. Esses elevados preços de commodities são transitórios', disse. 'Nossas expectativas são de que a inflação vai cair. Mas estamos observando de perto e com cuidado'.

Em relação à cotação do dólar, que vem se desvalorizando, Bernanke disse que 'a melhor medida para o dólar é manter a inflação baixa'.

Bernanke culpou o crescimento das economias emergentes pelo aumento dos preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis que vem puxando a inflação nos EUA. 'O que podemos fazer é tentar impedir que os preços dos combustíveis sejam repassados para outros preços', disse.

Outras previsões anunciadas por Bernanke foram para o crescimento econômico, de 3,1% a 3,3% para este ano. E de desemprego, de 8,4% a 8,7% para este ano.

JUROS

O Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) manteve nesta quarta-feira a taxa de juros do país entre 0% e 0,25%. A autoridade monetária confirmou, também, que vai encerrar em junho o plano de estímulo monetário de compra de títulos do Tesouro.

O programa de estímulo monetário, chamado de QE2 (quantitative easing, fase 2) foi criado para injetar a quantia de US$ 600 bilhões na economia americana. Pela compra de títulos do Tesouro, o Fed consegue também manter as taxas de juros em queda. FOLHA