sábado, 16 de abril de 2011

Líderes financeiros globais criticam deficit dos EUA

Líderes financeiros mundiais criticaram no sábado os Estados Unidos por sua suposta falta de empenho em reduzir seu deficit orçamentário, e alertaram que a sobrecarga fiscal em países ricos ameaça a recuperação econômica global.

Embora as tensões globais sobre a possibilidade de guerras cambiais e a crescente crise da dívida na Europa continuem a pesar, os ministros que estão em Washington para reuniões escolheram como principal alvo a dívida norte-americana de US$ 14 trilhões.

As críticas partiram principalmente de nações emergentes, mas também de alguns países ricos. "A situação fiscal nas economias evoluídas nos causa grande preocupação, e é nessa área que vemos riscos importantes à economia global", disse o ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin, ao conselho consultivo do Fundo Monetário Internacional.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou nesta semana que o deficit orçamentário dos EUA se encaminha para alcançar 10,8% do PIB (Produto Interno Bruto) do país neste ano, empatando com a Irlanda como a maior proporção entre as economias avançadas. O Fundo aconselhou Washington a adotar rapidamente um plano convincente de aperto fiscal.

O governo do presidente Barack Obama e o Congresso dos EUA, dominado pela oposição republicana, travam atualmente uma acirrada batalha sobre como reduzir o deficit. Na sexta-feira, a Câmara aprovou um plano para reduzir cerca de US$ 6 trilhões em gastos públicos ao longo de uma década, além de reduzir benefícios para idosos e pobres.

Obama, que tem um plano para reduzir o déficit em US$ 4 trilhões ao longo de 12 anos, disse que a proposta republicana criaria uma "nação esburacada". A Casa Branca reluta em acelerar a retirada dos benefícios fiscais adotados contra a crise de 2008, e o secretário do Tesouro Timothy Geithner tentou no sábado justificar essa cautela diante dos seus colegas.

"Estamos comprometidos com reformas fiscais que irão conter os gastos e reduzir os deficits, ao mesmo tempo que não ameaçarão a recuperação econômica", afirmou.

Mas Geithner disse que, embora os EUA reconheçam a necessidade de combater o seu deficit público, outros países também precisam alterar práticas que contribuem para os desequilíbrios. "Especialmente aqueles cujos fundamentos pedem por maior flexibilidade da taxa de câmbio", afirmou ele, num claro recado à China.

Os Estados Unidos têm reiteradamente pedido à China que alivie os controles cambiais que impedem a valorização da sua moeda. O iuan fraco estimula as exportações chinesas e dificulta a entrada de produtos importados no enorme mercado do país.

Yi Gang, vice-presidente do Banco Central chinês, pediu esforços "mais rigorosos" das economias avançadas para controlar seus orçamentos, e disse que o FMI precisa endurecer o monitoramento sobre as nações ricas. REUTERS | FOLHA ONLINE