Neste Sábado de Aleluia, ocorreu a tradicional malhação de Judas, na rua Lavapés, no bairro do Cambuci, centro de São Paulo. Em vez de Judas, os bonecos malhados pela população representavam pessoas responsáveis por acontecimentos recentes que causaram comoção, como o atirador do Realengo, Wellington Menezes.
Foram malhados também bonecos representando Mizael Bispo, acusado de matar a advogada Mércia Nakashima, o médico Roger Abdelmassih e Luciene Reis Santana, assassina confessa da menina Lavínia Azeredo de Oliveira, 6.
Personalidades políticas também são alvo constante da brincadeira. No Cambuci, foram malhados bonecos do prefeito da capital, Gilberto Kassab (que anunciou a saída do DEM para fundar o PSD) e do ex-governador do Estado, José Serra (PSDB).
A tradicional malhação de Judas, feita no Sábado de Aleluia, é comum em diversas partes do mundo e, no Brasil, assume um tom de brincadeira misturada à crítica social.
Na malhação, bonecos de palha ou de pano, são pendurados em postes de iluminação pública, em árvores, currais e recebem pauladas, são rasgados e queimados pelas pessoas.
O costume foi trazido pelos portugueses e espanhóis para toda a América Latina e representa a malhação ou queimação do Judas --conhecido na cultura cristã como o traidor de Jesus Cristo. Segundo historiadores, a brincadeira simboliza ainda a perseguição aos judeus na época da Inquisição. FOLHA