sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mercadão de São Paulo lota com clientela da 25 de Março

"A 25 de Março mudou-se para o Mercadão", diz a dentista Ana Maria Castro. Não que a central de abastecimento paulistana tenha passado a vender bugiganga: na véspera da Páscoa, a multidão que costuma lotar o comércio popular parece ter se deslocado para lá, atrás de bacalhau e especiarias para o almoço da Sexta-feira Santa.


A fila para comer pastel ou sanduíche de mortadela e a espera para ser atendido nos boxes passava ontem de uma hora. No mezanino, os restaurantes distribuíam senhas a quem quisesse uma mesa.

"Além dos clientes em busca de bacalhau, muitos turistas que vieram a São Paulo no feriado aproveitaram o dia de sol para conhecer o mercado", afirmou Leonardo Chiappetta, dono de um dos empórios mais tradicionais, aberto em 1908.

A expectativa dos comerciantes é que o movimento de clientes de última hora seja ainda maior nesta sexta --o Mercadão abre normalmente hoje e amanhã.

Nos boxes, o quilo do bacalhau, o produto mais procurado, variava de R$ 17 a R$ 142, de acordo com a procedência, o corte e o tipo. Nas peixarias, o movimento atrás de frutos do mar também era grande. Ontem, só os açougues estavam vazios.

"É a tradição, só comemos peixe na Semana Santa. E aqui tudo é fresco, sabemos a procedência. A fila não tem jeito, brasileiro deixa tudo para última hora mesmo", disse o professor José Sá.

Com a longa espera por uma mesa nos restaurantes e o tumulto no piso superior, muitos desistiram e foram almoçar em outro lugar.

"O Mercadão virou um ponto turístico e já não tem mais estrutura para receber tanta gente. O dia está lindo, vamos sair daqui. Cansei", disse a médica Joana Santos. FOLHA