sábado, 23 de abril de 2011

Na Síria, religioso islâmico renuncia após mortes em protestos

Após nove mortes neste sábado, durante os funerais dos mais de 80 manifestantes mortospelas tropas de segurança sírias na sexta (22), Rezq Abdulrahman Abazeid, o mufti (religioso islâmico) apontado pelo governo da Síria para a província de Deraa, renunciou ao cargo, em uma crítica direta ao regime do ditador Bashar al Assad.

"Sendo designado para realizar fatwas (ordens religiosas), submeto minha renúncia como resultado da queda de vítimas e mártires por fogo da polícia", afirmou Abazeid à emissora de televisão Al Jazeera. "Quando eles anunciam em alto e bom som que [manifestantes] não serão alvos de tiros, vemos que a verdade no solo não é essa".

Abazeid é o primeiro líder religioso sírio a renunciar devido à violenta reprimenda aos protestos atuais. Sua renúncia ocorre após atitude parecida de dois legisladores sírios, ambos de Deraa, que protestaram contra a morte de manifestantes por forças de segurança.

Tropas do ditador abriram fogo contra milhares de participantes das procissões dos funerais de rebeldes neste sábado, matando no mínimo nove pessoas.

Os disparos teriam ocorrido em dois funerais: em Douma (perto da capital Damasco) e no vilarejo de Izraa. No primeiro, quatro teriam sido mortos pelas forças de segurança sírias. Já em Izraa, cinco pessoas teriam morrido, de acordo com ativistas de direitos humanos.

Segundo testemunhas, cerca de 50 mil participaram dos dois funerais. Não se pôde confirmar o relato porque a Síria expulsou e restringiu o acesso de jornalistas ao país. A testemunha falou sob condição de anonimato por temer represálias.

A renúncia dos parlamentares Nasser Hariri e Khalil Rifai ocorreu para protestar contra a sangrenta repressão das manifestações contra o regime. Ambos alegaram frustração por não poder proteger os eleitores. FOLHA