quarta-feira, 27 de abril de 2011

Polícia do Rio procura advogada suspeita de matar companheiros

Suspeita de envolvimento nas mortes de três ex-maridos e um ex-namorado, além de outros crimes, a advogada Heloísa Borba Gonçalves, 61, é alvo da maior recompensa já oferecida pelo Disque-Denúncia --qualquer pista sobre seu paradeiro pode valer R$ 11 mil.

A desconfiança de seu envolvimento com a morte dos ex-maridos rendeu à advogado o apelido de "viúva-negra" --tipo de aranha que mata o macho após a cópula.

Mãe de seis filhos, a advogada foi casada três vezes. Todos os ex-maridos e mais um namorado tiveram mortes suspeitas. Um deles, Jorge Ribeiro, foi morto a marretadas. Heloísa será julgada pelo crime em julho.

As suspeitas a respeito de Heloísa começaram a aparecer a partir de investigações de Elie Murad, filho de Wagih Murad, assassinado em 1993, na Barra da Tijuca (zona oeste). Ele mantinha um relacionamento com a mulher havia seis meses.

Após sofrer uma tentativa de homicídio, Elie Murad começou a investigar a vida da ex-namorada do pai. Descobriu que Heloísa era bígama: encontrou duas certidões de casamento realizados na mesma época. Um dos maridos, Nicolau Saad, teve vários imóveis de seu patrimônio transferidos para os filhos de Heloísa pouco após sua morte --que aconteceu um ano após o casamento.

Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro da advogada pode falar com o Disque-Denúncia pelo telefone 0/XX/21/2253-1177. O órgão recebeu, até agora, 11 ligações com informações variadas sobre o paradeiro da viúva-negra.

Criado em dezembro de 2008 em parceria com a secretaria de Segurança, o programa "Procurados" já ajudou a prender 15 acusados. Todas as recompensas oferecidas hoje, somadas, chegam a R$ 100 mil.

As recompensas por denúncias variam entre R$ 1.000 e R$ 5.000, dependendo da periculosidade do acusado. Dois dos traficantes mais procurados no Rio valem R$ 5.000: Fabiano Atanázio da Silva, o FB, apontado como chefe do Complexo do Alemão, e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe da Rocinha.

Segundo o Disque-Denúncia, em alguns casos a recompensa é mais elevada porque há pessoas interessadas em contribuir com o pagamento. É o caso de Heloísa. A família de seu ex-namorado ofereceu mais R$ 9.000 para quem der pistas sobre a mulher, que está foragida.

Em dezembro do ano passado, o órgão pagou R$ 10 mil pela prisão do assaltante de joalheira Wellington Fernandes de Freitas, o Manteiguinha. FOLHA