sábado, 16 de abril de 2011

Polícia investiga envolvimento de Neném da Costeira com o Primeiro Grupo Catarinense (PGC)

A polícia acredita que o traficante Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, esteja fornecendo drogas para o Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Seria uma tentativa de expansão daquela que já é encarada como a maior organização criminosa de Santa Catarina.


A revelação saiu após as seis prisões na operação Al Capone da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), na Grande Florianópolis, na semana passada. Na ação, a polícia descobriu em bilhetes um plano do grupo para matar o diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara.

O diretor da Deic, delegado Cláudio Monteiro, disse que a polícia também tem documentado indícios da atuação do traficante da Capital para o PGC. Neném está preso desde 2008 em São Pedro de Alcântara, a prisão em que também ficam os líderes da organização.

— Segundo apuramos, ele está inserido no grupo fornecendo inclusive drogas. Tem um relato nessas cartas de três quilos de pó do NC. NC para mim é o Neném da Costeira, não tenho a menor dúvida. Tenho um relato, um indício, mas ainda não tenho a materialidade do crime — assinalou o delegado, que manteve em sigilo o conteúdo das cartas.

Informalmente, policiais civis que investigam tráfico de drogas e homicídios em Florianópolis afirmam que a suposta ida de Neném para o PGC seria para fortalecer os contatos da facção fora da cidade. Assim, o bando aumentaria os seus lucros — a polícia diz que o PGC ordena tráfico, assaltos e assassinatos.

Neném foi preso no Paraguai em 2008 depois de ficar refugiado seis anos — em 2002 havia sido resgatado da carceragem da Deic por um falso entregador da pizza. Ao ser recapturado, a Polícia Federal e a Polícia Civil o apontaram como o maior traficante de Santa Catarina. Uma das razões, segundo a polícia, é porque no país vizinho teria se associado a Jarvis Chimenes Pavão, um "barão" da droga preso em 2009 também no Paraguai suspeito de ser um dos maiores traficantes do Sul do Brasil.

O "batizado" de Neném do PGC nunca foi confirmado oficialmente. Em conversas não oficiais, policiais afirmam que teria mandado entregar armas aos criminosos fora da cadeia e que teria sido obrigado a se integrar a esses criminosos por questão de sobrevivência na penitenciária de São Pedro. Até agora ele não responde por nenhuma ligação com a facção na Justiça.

Advogado nega o envolvimento

Neném tem condenações por tráfico e homicídio que alcançam mais de 38 anos de prisão. Seu advogado, o criminalista Francisco Campos Ferreira, nega que ele tenha ingressado no PGC.

Francisco afirma que isso ficou comprovado judicialmente e destaca decisão judicial da juíza da Vara de Execuções Penais, Denise Helena Schild de Oliveira, que negou a sua ida para o RDD (regime disciplinar diferenciado). Em junho do ano passado, o advogado reclamou que Neném estava sendo alvo de ameaças de morte na cadeia.

— Não conheço as provas dessas cartas. Mas por iniciais, NC tem muitos por aí e não quer dizer que seja ele — ressaltou o advogado.

Para ele, a demora da polícia na investigação dessa organização estaria ocorrendo por falta de provas. DIÁRIO CATARINENSE