Ao menos cinco pessoas morreram e outras 46 ficaram feridas durante os protestos registrados neste sábado na cidade afegã de Kandahar, no sul do país, pela queima de um exemplar do Corão em uma igreja americana, informaram fontes locais.
A emissora de televisão local Tolo informou que, em meio à confusão, policiais começaram a disparar para dispersar os manifestantes, que chegaram a queimar veículos durante os protestos.
"Não se tratava de manifestantes, mas de oportunistas que quebraram vitrines de lojas e queimaram veículos na cidade", disse à agência Efe o chefe do conselho provincial de Kandahar, Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente afegão.
O chefe do Departamento de Saúde de Kandahar, Abdul Qayum Pujla, tinha dito pouco antes à Efe que havia quatro mortos e 30 feridos pelos protestos, mas precisou que vários dos feridos estavam sob tratamento em estado grave.
ATAQUE À ONU
Os protestos em Kandahar acontecem apenas um dia depois de uma manifestação similar na cidade de Mazar-i-Sharif que acabou gerando um violento assalto à sede local das Nações Unidas, deixando sete funcionários da ONU e cinco civis mortos.
Um porta-voz policial local disse que as mortes aconteceram após a oração da sexta-feira, quando milhares de pessoas foram às ruas da cidade protestar contra a queima de um Corão em uma igreja da Flórida (EUA) em 20 de março.
De acordo com o porta-voz da polícia local Lal Mohammad Ahmadzai, o ataque pode ter matado até 20 funcionários. Representantes da ONU em Nova York também dizem acreditar que os mortos podem chegar a 20.
Se as 20 mortes forem confirmadas, será o pior ataque contra alvos da ONU no Afeganistão, e um dos mais mortíferos contra a organização nos últimos anos.
QUEIMA DO CORÃO
Em 20 de março, o pastor protestante Wayne Sapp queimou um exemplar do Corão em uma igreja da Flórida (EUA) na presença de outro pastor, Terry Jones, que no ano passado ameaçara fazer o mesmo por ocasião do aniversário do 11 de Setembro.
A ação de Sapp desencadeou uma onda de condenações entre as autoridades do mundo islâmico, entre elas a do presidente afegão, Hamid Karzai, que qualificou o caso como um "crime contra uma religião" e exigiu um castigo judicial contra o pastor. Folha Online