quarta-feira, 18 de maio de 2011

Adolescente espancada depõe e é submetida a exame traumatológico

A delegada Renata Almeida, da Gerência de Proteção a Criança e ao Adolescente (GPCA), considerou lesão corporal leve o crime cometido contra uma adolescente de 12 anos nas imediações da Escola Municipal Karla Patrícia, em Boa Viagem. Esta manhã, a delegada colheu o depoimento da vítima, que foi encaminhada para o Instituto de Medicina Legal (IML) a fim de ser submetida a exames traumatológicos.
De acordo com Renata, um dos 19 adolescentes suspeitos ouvidos ontem, que têm entre 13 e 16 anos de idade, confessou ter atingido a colega a pauladas na cabeça, utilizando um barrote. O crime está previsto no artigo 129 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A delegada acrescentou que os jovens alegaram que a briga teve início com uma adolescente do sexo feminino, que foi seguida pelos demais, nas agressões praticadas contra a vítima. A menina agredida sofreu traumatismo craniano e foi internada no setor de emergência pediátrica do Hospital da Restauração (HR) de onde teve alta na manhã de hoje.
A agressão aconteceu por volta das 17h da última segunda-feira, a 100 metros da escola. O espancamento ganhou notoriedade depois que estudantes postaram o vídeo na internet, no site YouTube. No final da tarde de ontem, após uma reunião onde estavam presentes pais dos supostos agressores, representantes da Secretaria de Educação do Recife e do Conselho Tutelar, dez alunos foram encaminhados numa Kombi até a GPCA. Lá, prestaram depoimentos à delegada do caso, Renata Almeida. “A adolescente que teria iniciado a briga assumiu a participação nas agressões. Um dos meninos também admitiu que deu uma paulada na vítima”, afirmou.
Segundo testemunhas, a menina de 12 anos já vinha sendo ameaçada desde o mês passado pela adolescente de 16, que estaria com ciúmes da garota, vizinha do seu namorado, de 18 anos. Na segunda, ela teria se incomodado com a recusa da menina em comer a merenda. “Tu tá se achando, patricinha”, teria dito. “Eu já tinha, inclusive, participado de reuniões com os pais da agressora, para ver se ela parava com as ameaças”, desabafou a mãe da menina agredida, a empregada doméstica Lenilda Silva.
Ontem Renata Almeida solicitou a ida de técnicos do IML até o HR, para realizar o exame de corpo de delito. Os jovens que espancaram a menina podem cumprir medida socioeducativa de 3 meses a um ano. A diretora acredita que, se a agressão tivesse acontecido dentro da escola, a questão teria sido resolvida sem maiores danos. A segurança da portaria e dos corredores é feita com a ajuda de câmeras. Mas os pais estão preocupados. Por enquanto, segundo a coordenadora do programa Escola que protege, Luísa Albuquerque, os dez alunos agressores não serão transferidos. DIÁRIO DE PERNAMBUCO