A gigante americana do varejo Amazon fechou uma parceria com a alemã SAP em que venderá sistemas empresariais sob demanda em sua loja on-line dedicada ao setor corporativo.
A parceria mira o mercado de computação em nuvem, em que sistemas rodam num servidor central e não no computador do usuário, que deve movimentar até US$ 150 bilhões no mundo até 2014, segundo a consultoria Gartner.
Segundo anúncio, feito hoje em Orlando, nos Estados Unidos, a loja Amazon Web Services ficará encarregada de vender sistemas de inteligência de negócio, que se conectam com os software de gestão já instalados nas empresas.
Estão incluídas, por exemplo, ferramentas capazes de extrair informações dos sistemas de gestão e gerar relatórios de vendas, além de fazer comparações de dados financeiros. Os sistemas adquiridos serão hospedados nos servidores da Amazon e os usuários poderão pagar pelo uso do serviço, e não pela licença do software, em um modelo de assinatura mensal.
A intenção, segundo as empresas, é ampliar o escopo de serviços oferecidos nos próximos meses, que poderão incluir também módulos de sistemas corporativos desenvolvidos por parceiros.
A estratégia representa um avanço expressivo do ponto de vista dos serviços oferecidos pela Amazon.
Em operação desde 2006, a Amazon Web Services até agora só costumava oferecer serviços de infraestrutura aos clientes corporativos, como o "aluguel" do poder de processamento de seus servidores ociosos e espaço de armazenamento.
Ao mesmo tempo, o acordo traz um canal de vendas significativo para a SAP. Entre os analistas a percepção é positiva, embora levante dúvida sobre o serviço pós-venda.
"É um bom canal, mas que não está acostumado de vender soluções, só infra-estrutura até agora. Amazon teria que ter bom nível consultivo para ser bem sucedido nessa tarefa senão corre o risco de ser apenas mais um canal", diz Patrick Melgarejo, gerente da consultoria IDC na América Latina.
LOJA DE APLICATIVOS
Ainda no evento, a SAP anunciou ontem que terá uma loja de aplicativos corporativos, numa espécie semelhante à que a Apple mantém com a App Store para o consumidor final.
A intenção é fazer com que desenvolvedores de sistemas criem aplicativos que possam levar o software de gestão - ou seus sistemas personalizados - para serem usados em terminais móveis, como os tablets.
"A Apple é um modelo de inovação. Há cinco anos ninguém imaginava que a empresa poderia passar a Microsoft e a IBM em valor de mercado e ela conseguiu se apoiando em inovação", disse ontem o co-presidente mundial Jim Snabe.
A SAP Store já nasce com 19 aplicativos e a intenção é expandir o número nos próximos meses.
Segundo especialistas, o mercado global de aplicativos para smartphones e tablets - incluindo consumidores finais - movimentará US$ 15 bilhões até 2013. FOLHA