Michael Flatley é um caso raro de pessoa bem sucedida no showbusiness da dança. Aos 52 anos, o norte-americano de ascendência irlandesa colhe os frutos de um império construído à base de muita sola de sapato.
Ele é a mente criativa à frente do show de sapateado irlandês "Lord of the Dance", que será apresentado de hoje a domingo no Via Funchal, em São Paulo. É também ele o principal responsável pela popularização dessa técnica de dança, caracterizada pela forte precisão e sincronia entre os dançarinos. Em 1997, o grupo de Flatley fez uma participação em uma cerimônia de entrega do Oscar e, a partir daí, não parou mais, ocupando sempre palcos grandiosos, como o de parques e estádios.
"Lord of the Dance" tem 15 anos ininterruptos de estrada e é inspirado em lendas do folclore celta. No enredo, a entidade Little Spirit (pequeno espírito) viaja pelo tempo para ajudar Lord of the Dance (o senhor da dança) a proteger seu povo da fúria do Lorde Negro.
Flatley, que também criou "Riverdance", em 1994, dançou a peça pela última vez em 2000. Desde então, ele apenas coordena os dois elencos que se revezam em turnês simultâneas na Europa e nas Américas.
"Todo mundo conhece a música e entende a trama. Você não precisa falar inglês ou qualquer outra língua para sentir que a história é sobre o bem versus o mal. É um conto atemporal que atravessa todas as idades e nacionalidades", escreveu o coreógrafo, por e-mail, à Folha.
FORTUNA
Segundo levantamento divulgado este mês pelo jornal "The Sunday Times", o artista só perde em lucratividade, na Irlanda, para a banda U2. A fortuna dele está estimada em 237 milhões de euros.
Apesar de sua companhia ter perdido 30 milhões de euros este ano, o montante o faz manter a posição de segundo na lista.
O forte apelo midiático do grupo levou Flatley a tocar outros projetos adiante, com novas coreografias como "Feet of Flames" (pés de chamas) e "Celtic Tiger" (tigre celta). Em 2011, "Lord of the Dance" foi filmado e distribuído nos Estados Unidos também em formato de longa-metragem em 3D, que não tem previsão de exibição no Brasil.
"O filme acrescenta outro elemento ao show porque ele o mostra de outra forma. Fazia anos que eu não filmava a apresentação, então queria captar uma versão renovada para ser exibida entre as turnês", disse ele.
Para o bailarino, um dos segredos do sucesso do grupo está justamente nos passos milimetricamente calculados e na energia de sua execução. "A música tem uma batida contagiante e todo mundo adora ver dançarinos em uma sincronia tão grande".
Apesar de contar com elencos com bom número de integrantes, não há nenhum brasileiro na trupe de Flatley. E ele puxa a orelha: "Isso é uma vergonha, pois o Brasil é conhecido por suas próprias danças tradicionais. Os brasileiros são um povo sensual, cheio de paixão e ritmo. A plateia é sempre acolhedora e entusiasta", conclui.
LORD OF THE DANCE
QUANDO de hoje a sex., às 21h30; sáb., às 16h30 e 21h30 e dom., às 16h30 e 20h30
ONDE Via Funchal (rua Funchal, 65, tel. 0/xx/11/3846-2300)
QUANTO de R$ 40 a R$ 300
CLASSIFICAÇÃO livre
FOLHA