Elas teriam desaparecido na Favela da Rocinha, no ultimo dia 9, e moradores da região contam que ambas teriam sido executadas a mando do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, por suspeitar que elas estivessem namorando policiais.
Como O DIA revelou na edicao desta quinta-feira, a família de Luana já não tem esperanças de encontrá-la viva e, ontem, celebrou a missa de sétimo dia na Paróquia de São Conrado. A família, que se recusa a falar sobre o caso, deverá depor. A coluna Informe do Dia denunciou o caso no último sábado.
Entenda o caso
Eram pouco mais de 14h da segunda-feira, dia 9, quando a jovem modelo Luana Rodrigues de Sousa, de 20 anos, saiu pela última vez de casa, na Estrada das Canoas, em São Conrado. Short jeans, blusa creme, sandálias de dedo nos pés, a estudante colocou o telefone celular no bolso e seguiu para a vizinha Favela da Rocinha. De lá, jamais voltou.
A cerimônia de ontem foi chamada de Missa da Esperança Cristã pelos Fiéis Defuntos. “Em oração por nossa irmã falecida Luana, que marcou nossas vidas com sua presença. Nosso encontro aqui é a prova da vitória em Cristo”, afirmou o padre.
Durante os 45 minutos, os pais receberam os abraços dos cerca de 70 amigos que estiveram presentes à missa, mas mal conseguiam falar.Num abraço final, o pai, Miraldo, desabafou: “Nada vai trazer minha filha de volta”.
Mutiladas e carbonizadas
A notícia da morte de Luana e da amiga Andressa causou comoção entre moradores da Rocinha e da Estrada das Canoas, onde Luana nasceu e foi criada. Seu pai é vice-presidente da associação de moradores do local.
De acordo com amigos das vítimas e moradores da Rocinha, as duas meninas, que sumiram dia 9, teriam sido mortas no dia 11. Depois, tiveram seus corpos cortados, carbonizados e enterrados na mata.
O motivo, ainda de acordo com informações de moradores revoltados, seria de um suposto relacionamento dela com um policial. “Um parente chegou a pedir pelo menos o corpo, para fazer o enterro, e os traficantes disseram para esquecer, porque não ia ter corpo”, contou um amigo.
Linda, alto astral e com perfil de líder
Amigas relatam que, ‘além de linda, Luana era muito alto astral’. Mãe de um menino de 2 anos, ela estava sempre brincando, se divertindo, mas já mostrava certa liderança, como o pai. Há duas semanas, chegou a ir a encontro comunitário no 23º BPM (Leblon). “Ela ficou quieta, na dela, mas já mostrava interesse nas questões da comunidade dela”, relata um homem que esteve no encontro no batalhão.
Luana participava de concursos de modelo e de eventos na própria Rocinha. Nas festas de fim de ano, quando artistas e atletas subiam o morro para distribuir donativos na campanha Natal Sem Fome, a jovem gostava de se vestir de Mamãe Noel: “Ela estava sempre fazendo eventos, porque era muito bonita, para ganhar um dinheirinho a mais”, conta um amigo. O DIA ONLINE