O cineasta dinamarquês Lars von Trier, conhecido pelas frases e filmes polêmicos, acha que, desta vez, foi longe demais.
Durante uma conferência de imprensa sobre o filme "Melancholia", ontem, o diretor, em tom jocoso, se disse nazista e revelou ter certa simpatia por Hitler.
Hoje, a direção do Festival de Cannes soltou um comunicado em que anuncia que o diretor tornou-se "persona non grata" no evento.
Uma hora depois do anúncio, a Folha encontrou-se com Lars Von Trier, para uma entrevista, num hotel localizado na cidade de Mougins, a pouco menos de meia hora de Cannes.
Visivelmente abalado com o resultado do que define como "brincadeira estúpida", Trier diz estar se sentido muito mal pelo fato de ter magoado algumas pessoas.
Leia, a seguir, trechos da entrevista nos quais o cineasta falou sobre seu banimento do festival:
AS DECLARAÇÕES
"Normalmente, o que chamam de minhas provocações, têm algum propósito. Desta vez, foi só um desentendimento provocado por uma brincadeira estúpida que fiz.
Me arrependo do que eu disse. Quer dizer, me arrependo de ter dito isso na conferência de imprensa. Eu poderia dizer isso para os meus amigos, porque eles me conhecem e sabem que eu não sou um nazista.
A imprensa escandinava, que me conhece melhor também, nem tocou no assunto. Tem a ver com um tipo de humor, que não cabe para declarações públicas, mas tem a ver também com algumas palavras sendo colocadas fora de contexto.
Mas eu realmente sinto muito pelo fato de ter ferido algumas pessoas. Definitivamente, não era minha intenção".
A RELAÇÃO COM CANNES
"Vou sentir muitas saudades do Gilles Jacob (presidente do Festival de Cannes), porque costumava conversar muito com ele, mas eu acredito que a gente ainda possa ter, em segredo, algum tipo de comunicação. Eu o respeito muito, vim para Cannes com cada um dos filme que fiz.
Mas acho que pode ser bom para mim não terminar um filme logo antes de Cannes, pensando no festival".
CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO
"Não, não poderei ir. Pelo que entendi, a decisão significa que eu estou proibido de chegar a 100 metros do Palais. Mas acho que posso tomar sorvete ali por perto e olhar à distância (...) O que ouvi é que quando a gente vira persona non grata é para sempre". FOLHA