Como qualquer pessoa que deseja uma cidade mais democrática, fiquei satisfeito em ver que, no final, venceu o bom senso: o metrô vai ficar em Higienópolis, mais perto dos ônibus. E também fiquei horrorizado com a frase sobre a gente diferenciada. Mas devemos, porém, reconhecer que o bairro tem conseguido, pela pressão dos moradores, conquistas interessantes --e deveriam inspirar o resto da cidade.
Foi graças à pressão dos moradores que eles conseguiram fazer com que o shopping center deixasse na entrada uma imensa área livre, quase criando uma praça, com palmeiras. Veja, por exemplo, a feiura do shopping Iguatemi e compare.
Muito antes da Lei da Cidade Limpa, o bairro já vinha brigando (e conseguindo) inibir a poluição visual. Eles têm conseguido cuidar da área verde. Melhorou muito a Praça Buenos Aires. É um dos primeiros a ter praças patrocinadas. Lá também existem experiências pioneiras em reciclagem.
Há uma briga antiga para que a Faap, com sua torrente de carros, não complique ainda mais o trânsito.
É um bairro em que se consegue andar nas calçadas. Há um movimento pela limpeza, educando-se os donos dos cachorros.
Seria bom que mais bairros fossem articulados assim.
Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. FOLHA