SÃO PAULO - Os jovens de classe média alta presos por estelionato e furto de casas em bairros nobres de Franca, a 395 km de São Paulo, podem ser indiciados por 11 crimes. A polícia encontrou um caderno com diversas anotações dos produtos roubados em um apartamento que, de acordo com o delegado Márcio Murari, servia de base para os bandidos.
- Foram encontrados vários objetos roubados, além de uma arma e drogas - afirmou.
Um exame comprovou que a letra usada nas anotações é de Leonardo Engler Pugliese, suposto chefe da quadrilha. Ele e outros dois integrantes estão presos no Centro de Detenção Provisória de Franca. Três outros jovens, amigos do grupo, estão sendo investigados.
A advogada de Pugliesi, Ana Maria Lima, afirmou que já entrou com um pedido de Habeas corpus no Tribunal de Justiça, alegando falta de provas.
Os jovens têm entre 20 e 25 anos e são filhos de empresários e famílias tradicionais de Franca. O grupo não precisava de armas para roubar, apenas o sobrenome. Atacavam até mesmo a casa das namoradas.
Segundo a polícia, furtos e golpes renderam à quadrilha cerca de R$ 1 milhão em seis meses. Como frequentavam as casas, sabiam quando as famílias iriam viajar e planejavam os furtos.
Durante o feriado de Páscoa, no fim de abril, eles invadiram pelo menos oito imóveis, segundo a Polícia Civil.
Com o grupo foram achadas cópias de cheques, câmeras, óculos, joias, perfumes e roupas caras roubados.
Numa das imagens obtidas pela polícia por meio de câmeras de segurança, o grupo compra gaiolas em uma loja de Ribeirão Preto e paga com cartão de crédito roubado. Um dos jovens tinha como hobby colecionar pássaros silvestres. Vinte aves mantidas de forma irregular foram apreendidas.
- Eles não levavam objetos de pequeno valor. Escolhiam a dedo aqueles objetos que tinham valor monetário - diz o delegado de Franca, Márcio Garcia Murari. EPTV/O GLOBO