"Melancholia", o novo filme do dinamarquês Lars von Trier, exibido hoje na competição do Festival de Cannes, pode ser resumido por seu título.
O diretor de filmes como "O Anticristo" (2009), "Dogville" (2003) e "Os Idiotas" (1998) tentou, desta vez, capturar o sentido da melancolia, ou, tomando emprestada a expressão médica, da depressão.
O longa-metragem começa com a imagem de um planeta, chamado Melancholia, que está prestes a se encontrar com a terra. Se houver um choque, o mundo acaba.
"Mas eu não acho que tenha feito um filme sobre o fim do mundo. Meu filme é sobre um estado mental", disse Trier, durante uma conferência de imprensa, nesta manhã. "Eu, no decorrer da minha vida, passei algumas vezes por estados de melancolia".
Ao lado do cineasta, durante a conversa com jornalistas do mundo todo, estavam as atrizes principais do filme: Charlotte Gainsbourg e Kirsten Dunst, que vivem duas irmãs.
Dunst, que tem olhos melancólicos mesmo quando sorri, foi a primeira a falar. E, a despeito de ter respondido a uma pergunta banal --"Como é trabalhar com Trier"--, corou ao olhar para a sala repleta.
Mais desconcertada ainda ela ficaria alguns minutos depois, quando o diretor, ao falar sobre os papeis femininos do filme, apontou para a atriz e disse: "Bem, e Kirsten sabe o que é ter depressão".
Ao se dar conta de que, talvez, tivesse cometido uma gafe, virou-se para ela e perguntou se podia falar disso.
Dunst apenas sorriu, e meneou a cabeça.
"A gente vê a tristeza no olhar dela", emendou o cineasta. FOLHA