sexta-feira, 6 de maio de 2011

Morte de Bin Laden dá novo ímpeto à luta afegã, diz Taleban

A morte do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, por forças americanas dará "um novo ímpeto" à luta contra os invasores "estrangeiros" no Afeganistão, afirmou o Taleban nesta sexta-feira em um comunicado.

"O Emirado Islâmico acredita que o martírio do xeque Osama bin Laden dará um novo impulso à 'jihad' contra os invasores nesta fase crítica", diz uma declaração enviada por e-mail pelo porta-voz do grupo, Tariq Ghazniwal.

O comentário foi a primeira reação dos talebans no Afeganistão ao assassinato de Bin Laden em em Abbottabad, no Paquistão, no domingo (1º).

Eles também afirmaram na terça-feira, em nota, que era "prematuro" comentar o ocorrido, o que lançou dúvidas sobre se a morte tinha realmente acontecido.

Mas, no mais recente comunicado, os talebans alertaram que os Estados Unidos e outros países ocidentais com tropas no Paquistão não devem "chafurdar no otimismo" criado pela morte de Bin Laden.

"A semente da jihad sempre cresceu, enfeitou-se e frutificou com a irrigação de sangues puros", acrescentou.

"O martírio de quem sofreu leva centenas ao campo do sacrifício".

Existem atualmente cerca de 130 mil soldados das tropas internacionais no Afeganistão, dois terços deles americanos, lutando contra insurgentes, entre eles os talebans. As tropas de combate estrangeiras preveem sair do Afeganistão em 2014.

CONFIRMAÇÃO DA MORTE

As declarações dos talebans foram divulgadas no momento em que a Al Qaeda confirmou a morte de Bin Laden, advertindo os que comemoram: terão seu "sangue misturado a lágrimas" e prometeram que o movimento vai viver.

Os Estados Unidos anunciaram que estão em alerta para ameaças da segurança na sequência do assassinato do terrorista.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que a morte de Bin Laden provou que os EUA nunca deixarão de levar os terroristas à Justiça, acrescentando que "quando dizemos que nunca vamos esquecer, falamos sério".

Nesta sexta-feira, Obama reúne-se com membros do grupo de elite do Seals, unidade especial da Marinha americana que realizou o ataque de helicóptero sobre o complexo onde Bin Laden estava escondido.

MORTE

Bin Laden foi morto com um tiro de um dos cerca de 20 militares da Marinha dos Estados Unidos que invadiram, em três helicópteros, sua mansão de alta segurança em Abbottabad, cidade a cerca de 50 km da capital paquistanesa. A operação durou 40 minutos e, segundo as autoridades americanos deixou ainda um dos filhos de Bin Laden, uma mulher e dois homens mortos. Nenhum militar americano ficou ferido.

O governo americano divulgou poucos detalhes da operação, contrariados pelos relatos de fontes do governo americano consultados pela imprensa. O corpo de Bin Laden foi identificado pelas autoridades americanas através de técnicas de reconhecimento facial e exame de DNA, nenhum deles exibido ao público.

O corpo de Bin Laden foi lançado ao mar horas depois da operação e o presidente Barack Obama escolheu ainda não divulgar as fotos do terrorista morto, alegando que traria mais riscos do que benefícios.

Segundo a CBS, que diz ter tido acesso às imagens, a foto do corpo mostra o líder da rede terrorista Al Qaeda com um grande ferimento na cabeça e com perda de massa encefálica.

Na foto, que a Casa Branca qualificou na terça-feira (3) como "truculenta", pode ser visto o ferimento provocado por um projétil que acertou Bin Laden acima de seu olho esquerdo.

Bin Laden, segundo informações do governo americano, recebeu dois disparos à queima roupa ao oferecer resistência à prisão, embora estivesse desarmado. Ele foi atingido na cabeça e no peito por um dos militares da força de elite Seals, que conduziu a operação na casa do terrorista no Paquistão.

A Al Qaeda anunciou ainda que tem uma mensagem de áudio gravada por Bin Laden uma semana antes de sua morte e que deve divulgá-la em breve. FRANCE PRESS/FOLHA